É notório que a maioria dos problemas ambientais enfrentados pela sociedade contemporânea tem sua génese nos padrões de produção e consumo. O atual ritmo de degradação e consumo dos recursos ambientais impostos pelo homem, dado o seu caráter contínuo poderá levar ao rompimento de uma das características fundamentais dos ecossistemas, a homeostase. Consome-se para além da capacidade do planeta autoregenerar. Em consequência, o mecanismo
22
homeostático não consegue absorver o impacto ecológico decorrente o que pode inviabilizar a permanência do homem no planeta.
De acrescentar, o agravamento de problemas tais como, o aumento da pobreza nos países em desenvolvimento, desigualdades sociais e maior distanciamento entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Face a esta realidade surgem pessoas com elevada consciência ambiental que se dedicam a campanhas em defesa do ambiente. As ações desenvolvidas preconizam mudanças na produção, a diminuição da degradação ambiental, assim como a divulgação pelos media.
As questões ambientais passam a fazer parte do discurso político, bem como a sua regulamentação. Em resposta surgiram propostas de um novo tipo de consumo ou de consumidores, o “consumo sustentável”, o “consumo verde” ou “ecológico”, o “consumidor consciente” ou “consumidor cidadão.
Segundo Portilho e Russo, F., (2008) o movimento do consumo sustentável da esfera de ação de consumidores individuais, atinge outras esferas de ação de política ambiental e internacionais.
Assim toma-se imprescindível a definição o consumo sustentável como
"o fornecimento de serviços e de produtos correlatos, que preencham as
necessidades básicas e deem uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo em que se diminui o uso de recursos naturais e de substâncias tóxicas, assim como as emissões de resíduos e de poluentes durante o ciclo de vida do serviço ou do produto, com a ideia de não se ameaçar as necessidades das gerações futuras". (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, citado em
Portilho, Russo, 2008).
Pela definição supracitada, pode-se deduzir que se trata de uma forma de consumo que além de contribuir para a redução de impactos no meio ambiente, envolve o compromisso de garantir não só a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais e futuras, como a minimização das desigualdades sociais. Isso significa optar pelo consumo de bens, cuja produção envolve o uso de tecnologias e materiais menos agressivos ao meio ambiente, e o uso racional
23
dos bens de consumo, evitando-se o excesso e o desperdício, contrapondo assim, às tendências da sociedade de consumo baseadas na obsolescência programada.
Nesse sentido, para atender a estas premissas, o consumo sustentável implica, necessariamente, a redução do consumo que pressupõe a adoção de práticas sustentáveis que primam pela redução, ou seja, evitar adquirir produtos desnecessários, a reutilização, que sugere o reaproveitamento de embalagens e a reciclagem que objetiva separar o que pode ser transformado em outro produto ou em produto semelhante e a redução do descarte (Figura 1). Assim, o consumo consciente traduz-se no saber aproveitar os recursos ambientais e os preceitos da educação ambiental, Bodnar (2012).
Figura1: Alternativa para o consumo sustentável, elaborado pela autora
Entretanto, a criação de fóruns e a intensificação dos debates conduzem à figura do “consumidor verde”, ou ecologicamente consciente que, segundo (Portilho, 2005), nas suas opções de compra considera para além da variável qualidade/preço, a variável ambiental. Assim, para este consumidor o produto não pode ser prejudicial ao ambiente em nenhuma etapa do seu ciclo de vida, pois o simples ato da compra pode significar uma atitude de degradação ou de preservação.
Neste sentido, os produtos concebidos para proteger o meio ambiente foram designados de “produtos verdes”. Partindo deste conceito podemos entender que se trata de um consumidor
Reduzir Reutilizar Reciclar Descarte
+
-
+
-
24
informado e atento às questões ambientais relacionadas com a gestão empresarial, ou seja, procura consumir produtos fornecidos por empresas que possuem estratégias de produção e consumo limpos ou verdes, ou seja, uma política ambiental responsável.
Segundo na perspetiva de uma proteção individual e planetária estes consumidores estão
modelando uma nova tendência denominada “consumerismo ambiental” só comprando produtos que consideram “verdes” e deixando produtos “não verdes” nas prateleiras. Neste contexto
entende-se que este consumidor dotado de elevada consciência ambiental, previamente à compra pensa e seleciona o produto, estando, assim implícito o sentido do social, uma nova forma de ser cidadão.
Como consequência desta preocupação sócio-ambiental e a necessidade de se estabelecer regras para um consumo mais responsável e sustentável, os “consumidores verdes” influenciam a forma como as empresas produzem e vendem seus produtos. O meio ambiente passa a ser uma variável importante. É neste contexto, que as empresas procuram soluções ambientais inovadoras o que conduziu ao surgimento de tecnologias eficientes e eficazes de forma a minimizar os impactes de produção e consumo no meio ambiente e evitar a perda de mercado.
Desta forma, o “consumo verde” embora desligado das entidades governamentais procura regular a forma como as empresas produzem através de campanhas de informações ambientalmente corretas, boicotes, ações jurídicas, entre outras. Contudo, a regulação das empresas e do mercado mostra-se incapaz de reverter o processo de degradação e de exaustão dos recursos naturais do planeta.
Neste sentido é preciso considerar o impacto negativo do aumento da população mundial sobre os recursos naturais que se prevê atingir em 2050 os 9,3 mil milhões, ou seja, mais 50% da população atual e uma população de mais de 10 mil milhões ao final deste século (Relatório sobre a Situação da População, 2011). É neste sentido que, segundo Almeida (Silkis et al.,2003), algumas empresas apostam em práticas de ecoeficiência, como reciclagem, energia renovável,
efluente zero, carros com emissões zero e papel eletrónico.
Assim, entende-se que para minimizar o atual ritmo da degradação ambiental e garantir a sustentabilidade e o bem-estar das populações serão necessárias ações suportadas por Estados, organizações não governamentais e empresas que além da eco produção, priorizem mudanças
25
nos hábitos de compra e nos estilos de vida capazes de refletir valores na relação homem- natureza.