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Os elementos básicos de uma situação de ensino são representados, de uma maneira genérica, pelos pólos do Modelo de Situações de Ensino - MSE, analisado no capítulo anterior. Neste mesmo capítulo revisou-se a teoria das atividades com instrumentos, que propõe o modelo das Situações de Atividades Instrumentadas - SAI. Para caracterizar uma Situação de Ensino Instrumentado, objeto deste estudo, propomos a incorporação no MSE das relações mediadas definidas no modelo SAI.

As relações analisadas do Modelo das Situações de Ensino, - mestre-saber, mestre-aluno e aluno-saber -, podem de fato ser definidas como relações bi-polares entre um sujeito e o objeto de sua ação. Mesmo no caso da relação entre o mestre e o aluno, podemos identificar este último como o objeto de uma ação didática. O modelo SAI propõe, por sua vez, que as relações bi-polares podem ser mediadas por instrumentos. De fato, elas o são, se considerarmos a própria linguagem como um instrumento. A proposta de introdução de um instrumento material na dinâmica do ensino, justifica a incorporação das relações mediadas pelos instrumentos àquelas identificadas no modelo didático. Assim, a relação entre o mestre e o saber (figura 15), que pode ser direta, como sugere o modelo didático, pode ser também intermediada por instrumentos, como nos indica a teoria da atividade com instrumentos. Como instrumentos intermediários, podemos citar a linguagem que serve de meio de expressão dos conteúdos do saber e que não é o conteúdo em si, mas uma forma de expressão do mesmo.

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Neste sentido, este instrumento vai manter não só uma relação de mediação entre o sujeito e o saber mas também uma relação direta com o sujeito que o utiliza. Assim, a forma de expressão do sujeito, naquilo que se refere ao conteúdo do saber, é restrita à representação que o mesmo tem da linguagem, enquanto instrumento. A relação da linguagem com o saber é submetida às limitações entre o conteúdo em si e a forma possível e compreensível de expressá- lo. O exemplo do instrumento da linguagem pode ser desenvolvido com mais profundidade, mas nos levaria a um desvio dos objetivos deste estudo. Este exemplo se refere, no entanto, ao primeiro instrumento identificado, enquanto mediador, das relações entre o sujeito e seu objeto, na teoria de Vygotsky. A teoria das atividades com instrumentos expande o campo de validade dos mesmos, permitindo a inclusão de objetos materiais, ou artefatos, como instrumentos mediadores das relações bi-polares que, assim como a linguagem, mediarão as relações entre os dois pólos, mas também manterão relações diretas com os elementos que ele media.

Uma outra relação tratada no modelo didático pode ser analisada, segundo a mediação de um instrumento (figura 16). Assim o mestre, em uma ação didática, vai se relacionar com o aluno de maneira direta, mas também de forma mediadas, sejam através de documentos e textos que ele vai lhe fornecer, através de aparelhos que

simulem o conteúdo a ser ensinado, objetivo da relação, ou através de desenhos e esquemas. Estes instrumentos mediadores serão interpretados de maneira distinta pelo aluno e pelo mestre, guardando, por sua vez, uma relação com o saber que eles devem conter e com o mestre que o utiliza como instrumento de comunicação. A análise destas relações, incorporando as mediações de instrumentos, leva a um enriquecimento das possibilidades de estudo da situação.

M

S

I

Figura 15 - Relação entre o mestre e o saber intermediada por um instrumento

M

A

I

Figura 16 - Relação entre o mestre e o aluno intermediada por um instrumento

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Outra relação do modelo, aquela entre o aluno e o saber, será submetida às mesmas condições de mediação apresentadas na figura 15, completando assim as possibilidades existentes no modelo de ensino, enriquecidas por uma análise das mediações instrumentais. De fato, este estudo visa a avaliar o papel dos instrumentos, quando inseridos em uma situação didática, se relacionando ao mesmo tempo com os três elementos do Modelo de Situação de Ensino. Assim, propomos a incorporação do instrumento neste modelo, de maneira a integrar aquele que chamamos de modelo de Situação de Ensino Instrumentado - SEI. A proposta deste modelo, representado na figura 17, nos permitirá analisar tanto as relações diretas que aluno, mestre e saber podem manter com o instrumento, mas também de estudar as relações entre eles, que podem ser mediadas pelo mesmo. Cada uma destas relações será, a seguir, objeto de um detalhamento.

M

Mestre

A

Aluno

S

Saber

I

Instrumento

Figura 17 - Modelo da Situação de Ensino Instrumentado - SEI

Antes de avançar na análise das especificidades das relações, diretas ou mediadas, é preciso considerar que um instrumento que integra uma situação de ensino, não pode ser considerado de caráter individual, ainda que sua gênese instrumental seja específica a uma situação particular. De fato, para introduzir o instrumento no centro da situação, devemos ter em mente que a componente material do mesmo, aquela que efetivamente pode ser considerada coletiva,

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permite se associar a inúmeras componentes esquemáticas diferentes, de acordo com a singularidade da situação em que o instrumento integra uma ação. Mesmo porque, ações de diversas naturezas podem ser executadas utilizando o aparelho, e em cada uma delas, pode-se identificar uma nova forma instrumental - componente esquemática -, associada a um mesmo elemento material - componente tecnológica.

Visando a adoção do modelo SEI, como uma forma de representação das situações didáticas intrumentadas de forma geral, iniciaremos seu detalhamento através de uma situação concreta e específica - o ensino da perspectiva como conteúdo do saber e o perspectógrafo enquanto aparelho com vocação instrumental. No âmbito da situação definida como objeto deste estudo procuraremos identificar, através de uma análise a priori, a multiplicidade de usos em que o aparelho pode ser inserido e inferir seu papel enquanto mediador das relações didáticas. Ao validar-se sua utilização, à partir da situação experimental, abre-se a possibilidade de extensão de sua pertinência à uma classe de situações.