2. Digital Audio broadcasting
2.2 T-DSB objectives
2.2.6 Spectrum efficiency
Uma das queixas mais recorrentes contra a orientação neoliberal toma corpo nas culturas ocidentais desde a década de 1980 é a prioridade quase absoluta concedida ao capital sobre o trabalho. Toda a lógica do mercado passa a operar em benefício das aspirações de eficiência e produtividade a custos cada vez mais reduzidos, o que seria válido e aplicável para todas as áreas de interesse e atividades humanas. Como resultado visível, além e apesar dos gráficos coloridos e planilhas de resultados magnificamente administrados pelos novos condutores dos negócios mundiais, encorpa-se uma concentração de renda brutal e em escala mundial. Ou seja, há progressivamente menos ricos muitíssimos ricos contra pobres cada vez mais miseráveis não somente entre as distintas classes sociais mas igualmente no plano das nações, na chamada teia inevitável das relações internacionais, mundialização ou globalização, como queiram.
Como conseqüência direta e imediata, um número crescente de pessoas que vivem apenas para trabalhar, a fim de manter o (baixo) poder aquisitivo, que lhe concede a sobrevivência mas sequer aponta para a possibilidade de desenvolvimento intelectual ou cultural. Ou seja, é cronicamente desinformada, com pouco ou nenhum tempo disponível para pensar ou discutir seus problemas, enfim,
para exercer sua cidadania. O mais grave é que este perfil não descreve apenas uma eventual parcela rude de trabalhadores braçais, mas cabe como luva entre segmentos profissionais como professores ou jornalistas. Porque as escolas e os veículos de comunicação estão igualmente imersos nesta lógica neoliberal, tentando sobreviver sujeitos às mesmas regras de mercado que tudo regulam.
Neste ambiente, tanto a mídia quanto a própria indústria cultural encontram presas fáceis que acreditam cegamente em tudo que lhes é mostrado e dito como sendo verdade. O real passa a ser aquilo que é focalizado pelos órgãos de imprensa e entretenimento. A este propósito, lembra oportunamente Laurício Neumann (1991, p.27) que “quando, por exemplo, os noticiários não tocam mais num determinado fato ele deixa de ser realidade para a população". Os fatos seguirão acontecendo cotidianamente, mas nem todos eles serão transformados em acontecimento, em notícia, pois estes serão os que ganharão sentido especial conferido por e para um determinado segmento de pessoas, de classe social ou de grupo que mantenha alguma relação de afinidade geográfica, política, histórica, cultural ou econômica.
É a mídia, o jornal, que torna o fato notícia. Os critérios que usa para isso, todavia, não se baseiam exclusivamente em argumentos lógicos, sendo permeados por questões de estilo ou mesmo políticas, do interesse do mercado ou de anunciantes. Tal potencial para a manipulação editorial da informação, bem como da apresentação de visões parciais e/ou distorcidas de realidades distintas do ponto de vista de quem escreve e de quem as lê, deve ser considerado ao avaliarmos o potencial do periódico impresso como instrumento de apoio pedagógico.
Sabemos que a leitura crítica de determinado fato tem a capacidade de expor seus mecanismos e, por conseqüência, apontar as contradições ideológicas das traduções mais simplistas da realidade. E a imprensa escrita, enquanto veículo
primordial do chamado universo midiático, pode ocupar lugar de destaque no aperfeiçoamento da formação profissional e intelectual do indivíduo. Neste sentido, Brandão (1995, p.82) defende que "tudo o que tem o poder de alterar a qualidade da consciência e do trabalho, tem o poder de participar de sua práxis e de ser parte dela".
Assim sendo, o exercício da leitura crítica e interpretativa cresce em importância numa sociedade em que os meios de comunicação social exercem uma influência tão significativa no sentido de pasteurizar e massificar a informação, tornando-a fácil, digerível, superficial. Negando-a o necessário esforço de concentração e de reflexão. Afastando-a dos procedimentos lógicos de análise, síntese, interpretação e juízo crítico. Ao considerar o papel privilegiado que desempenham os veículos de comunicação na organização política e econômica da sociedade moderna, Daniel Herz (1985, p.82) afirma que eles "não cumprem um simples papel ideológico na constituição da hegemonia burguesa, mas exercem uma função organizadora e constitutiva das relações políticas e mercantis da sociedade brasileira”.
No Brasil, diferentemente do que ocorre com o rádio e a televisão, o jornal impresso não é uma concessão estatal e, portanto, não necessita de permissão especial, provisória e renovada periodicamente. A impressão de um jornal é amparada pelos preceitos constitucionais de liberdade de expressão e, por não depender de concessão estatal, pode ser feita a princípio por quem puder bancar os seus custos. Assim, podemos (ou deveríamos) encontrar uma gama bem mais variada de veículos de comunicação impressos, entre periódicos destinados aos mais variados segmentos de uma sociedade plural como a nossa. É claro, os baixos
índices de leitura e as limitações do próprio mercado de consumo vão naturalmente impor as regras de sobrevivência na selva multimídia.
Os jornais segmentados representam outro aspecto da mesma questão. Eles atendem aos interesses de um bairro ou uma etnia específica (que, na verdade, valem-se das mesmas regras editoriais e mercadológicas da chamada grande imprensa, apenas com endereço mais específico). Há, também, os house organs (que cuidam do relacionamento interno de empresas e instituições) e os veículos comunitários e sindicais (que fazem a defesa dos interesses e da política do grupo ao qual pretendem representar).
Neste sentido é que tratar das diversas maneiras em que pode ser baseado o relacionamento entre imprensa e educação é tão difícil quanto avaliar o que seria um possível jornal educativo. Se, por um lado, podemos falar de um periódico feito para alunos e/ou professores, questionamos também se o seu conteúdo deveria ser produzido por educadores em forma de artigos e estudos ou bastaria registrar novidades e abordar questões ligadas à área. Seria, então, mais uma publicação científica ou acabaria sucumbindo aos ditames de mercado, da cultura de massa? São questões distintas e complexas, mas que apontam para o mesmo princípio que faz com que um jornal - mesmo da grande imprensa - sinta-se comprometido em sua vocação pedagógica e busque ser participativo sem necessariamente render-se às demandas de mercado, criando alternativas que envolvam a comunidade acadêmica no exercício de fazer o jornal.
Todavia, é preciso lembrar que o objetivo desta dissertação é apurar junto aos educadores que participam de um programa de jornal na educação a sua eficácia enquanto instrumento de estímulo à leitura e o desenvolvimento de cidadania. Os pesquisadores envolvidos com o tema enfatizam que jornal não é livro didático e,
portanto, antes de ser introduzido em sala de aula requer professores preparados a trabalhar com este novo e versátil instrumento de auxílio pedagógico. Será preciso que eles compreendam a efetiva dimensão do jornal enquanto veículo processador e divulgador de informação. Somente assim serão capazes de estabelecer estratégias adequadas no sentido de despertar nos alunos o interesse pela leitura do periódico. A inserção de artigos, reportagens ou outros textos extraídos de jornais junto às apostilas ou nos livros didáticos pode ajudar muito nas estratégias didáticas de incentivo à leitura, principalmente se forem levadas em consideração e plenamente utilizadas as peculiaridades específicas da linguagem jornalística e sua extraordinária capacidade de contextualização.