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2. Digital Audio broadcasting

2.2 T-DSB objectives

2.2.1 CD Quality Reception

O nascimento da atividade jornalística no Brasil está relacionando às circunstâncias que levaram a um movimento a favor da independência de Portugal, iniciativa que recebeu apoio de uma parte significativa da elite brasileira, mas também do próprio povo, em menor escala. A partir deste momento histórico, foram finalmente criadas as condições para o desenvolvimento da escrita e da leitura como

práticas sociais valorizadas e reconhecidas na colônia. Um sentimento de modernização política e cultural influenciado pela revolução francesa seria combustível para o nacionalismo, que encontraria terreno fértil justamente na imprensa, veículo fundamental na pavimentação dos caminhos institucionais que levariam à liberdade almejada.

Mas seria por meio da iniciativa oficial que a imprensa surgiria no Brasil, em 31 de maio de 1808, com assinatura de carta régia pelo príncipe regente Dom João. Para escapar da invasão francesa, ele foi obrigado a transferir para o Rio de Janeiro a administração real e, como precisava de uma estrutura mínima para publicar seus atos e proclamações, permitiu o uso de prelos no território da colônia. De acordo com Nelson Werneck Sodré (1977, p.22), o ato real deu início à Impressão Régia, instituição responsável exclusivamente pela produção de toda a legislação e papéis diplomáticos a serviço da corte. Este, portanto, pode ser considerado o marco tardio do início da imprensa no Brasil Colônia. A primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro, veículo impresso oficial, saiu das oficinas instaladas na Rua dos Barbonos, no Rio de Janeiro, no dia 10 de setembro de 1808. “Era um pobre papel impresso, preocupado quase que tão somente com o que se passava na Europa, de quatro páginas” (SODRÉ, 1977, p.23). O governo português manteve o monopólio sobre a atividade gráfica na colônia, onde a abertura de prelos ilegais foi combatida com vigor. Marisa Lajolo (1999, p.125) lembra que "fora da sede da Corte, apenas a Bahia pôde contar com uma tipografia, propriedade de Manuel Antônio da Silva Serva, que fundou sua oficina em 1811". Tal situação perduraria até 1821, quando uma Constituição negociada a partir da Revolução do Porto aboliu a censura e permitiu o funcionamento de outros prelos.

Todavia, a imprensa independente do poder real e com opinião própria, nacionalista, era feita no início do século XIX apenas por intermédio do Correio Braziliense, editado e impresso na Inglaterra por Hipólito José da Costa, a partir de 1º de junho de 1808, ou seja, três meses antes da Gazeta do Rio de Janeiro. Editado no exterior e geralmente contrabandeado para o Brasil, o jornal tinha um caráter eminentemente doutrinário e muito pouco noticioso, abordando as grandes questões nacionais sempre a partir de uma perspectiva européia.

A propósito de uma possível função formativa da imprensa no fim do período colonial, enquanto instrumento de universalização do pensamento burguês em sua fase liberal, pesquisa de Marcília Rosa Periotto (2004, pp.61-83) avalia a estreita vinculação que teria mantido o Correio Braziliense, entre os anos de 1808 e 1822, com o processo de independência e afirmação da idéia de nação. Ela lembra que, a partir do momento em que Dom João VI permitiu a instalação da imprensa em território do Brasil, dezenas de periódicos foram surgindo, sempre com o objetivo claro de participar do jogo político que se desenrolava. Não tinham estes jornais o objetivo de noticiar, mas sim de produzir e reverberar acontecimentos, de inflamar o debate político não apenas a partir de uma visão partidária, mas de difusão de ideais.

Ao tempo em que a ordem burguesa se consolidava na Europa, crescia nas colônias o anseio por liberdade, noção identificada com os princípios de igualdade, progresso e identidade nacional. Na carta de princípios publicada em seus primeiros números, o Correio Braziliense comprometia-se em preparar o povo para o regime liberal que se inaugurava, destacando que era a educação alavanca principal desta transformação social. Ideário que batia de frente com o papel absolutista representado pela coroa portuguesa.

Fundamentado na lógica positiva e racionalista da modernidade, o jornal de Hipólito da Costa passou a defender questões como o fim da escravidão, embora sem deixar de considerar as implicações de ordem econômica que isto representaria para a colônia, pugnando então pela necessidade de estabelecer um pacto de reordenamento do poder nacional. Ou seja, queria a reforma das instituições, mas sem a participação popular. Não clamava o fim da monarquia, mas do absolutismo, a partir da adoção de uma forma representativa de governo, a exemplo do que ocorrera na Inglaterra. Portanto, o fim do trabalho escravo deveria gradualmente levar à inserção de novos processos e agentes produtivo, capazes de gerar progresso social e econômico.

Ao longo desta trajetória editorial, o Correio Braziliense reforçava sua vocação pedagógica, inclusive traduzindo e publicando em capítulos as obras dos pensadores liberais que iam se destacando no Velho Continente ou ainda as cotações dos produtos agrícolas que exportávamos, as taxas cambiais e outros informes econômicos. Teria sido educativo, portanto, o principal papel histórico deste veículo impresso, a exemplo do que ocorria em maior ou menor grau com grande parte da imprensa no século XIX.

Marisa Lajolo e Regina Zilberman (1999) advertem, por sua vez, que além de muito defasada em relação à Europa, a atividade tipográfica não chegou ao Brasil acompanhada pela necessária e correlata difusão dos produtos impressos, a exemplo não só dos jornais, mas também dos livros e de toda a gama de instituições que existe em razão deles, entre escolas, bibliotecas, livrarias e editoras. A situação não melhoraria muito para o ambiente da cultura escrita até os anos de 1820, com a abolição da censura prévia, mas principalmente em 1821, quando acabou o monopólio estatal da imprensa. “Por essa época, multiplicam-se as tipografias e os

livreiros, muito embora nos pontos de venda os livros continuem disputando espaço com outras mercadorias” (LAJOLO, 2002, p.117). Obrigada a sobreviver a partir das regras do mercado, a imprensa nacional claudicou a mercê do conhecido - e ainda atual - problema da falta de leitores que justifiquem um investimento maior na atividade.