3.9 Substituting the Axiom of Inverse
3.9.1 Specifying Domains of Existence
A Atividade de Extensão aplicada em forma de Oficinas de Experimentação em uma Escola Estadual teve como público-alvo estudantes do ensino fundamental e médio desta mesma instituição e buscou uma reflexão sobre diferentes instrumentos de recepção audiovisual (televisão, cinema, mídias jornalísticas, redes sociais, jogos e multiplataformas), segundo o projeto/relatório apresentado pelo coordenador da Atividade à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). É importante salientar que o Projeto de Extensão foi aplicado em dois momentos - primeiro e segundo semestres de 2017- na mesma escola, com a duração de 150 horas (1h40 cada encontro), com a participação de estudantes do ensino médio, e uma equipe formada por dois professores da UFSCar, três estudantes do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFSCar), uma estudante de graduação do curso de Licenciatura em Pedagogia de UFSCar e uma participante externa, graduada em Artes e mestra em Educação pelo PPGE/UFSCar, além de três professores da Escola Estadual (E.E.).
O estudo proposto por esta dissertação se concentrará na reflexão sobre os resultados produzidos na segunda etapa da Atividade de Extensão – com recorte no grupo orientado pela temática do corpo –, em torno dos dispositivos que abordaram o corpo e as corporeidades. No entanto, a primeira etapa da Atividade de
Extensão será considerada sob seus efeitos de experiência, reflexão, ajuste teórico- metodológico e construção dos dispositivos específicos. Assim sendo, as primeiras oficinas atuaram de forma introdutória a todos os participantes: alunos e equipe. As oficinas de Experimentação foram realizadas às sextas-feiras. Previamente aos encontros na escola, a equipe se reunia semanalmente para debater as perspectivas, estratégias e resultados preliminares das Oficinas de Experimentação.
Nesses encontros, a equipe lia e discutia alguns textos teóricos sobre as perspectivas da Educação Visual sob a orientação dos professores/orientadores participantes. Fundamentalmente, “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin, na versão escrita em 1939 e publicada em 1955 (BENJAMIN, 1994); “Cinema: a Arte da Memória” (ALMEIDA, 1999a), de Milton José de Almeida; e o Material de Apoio do Projeto Inventar com a Diferença, de autoria e coordenação do Prof. Cézar Migliorin, da Universidade Federal Fluminense (MIGLIORIN, 2016).
As discussões embasaram análises iniciais do material produzido nas Oficinas de Experimentação ao longo de todo o primeiro semestre de 2017 e serviram de esclarecimento do processo percorrido e a percorrer pela equipe de realização da Atividade de Extensão.
Na primeira etapa da Atividade de Extensão, Oficinas de Experimentação realizadas no primeiro semestre de 2017, todos os oficineiros desenvolveram o mesmo roteiro de dispositivos com os estudantes, o que tornava oportuno a partilha de experiências e conhecimentos, visões e percepções, adquiridas individualmente. Este material experiencial era exposto e discutido nas reuniões com base nos textos citados.
O Projeto de Atividade de Extensão teve como intuito formalizar uma atividade que já estava em andamento desde o ano de 2016. O projeto foi planejado pelos docentes da UFSCar em parceria com a coordenação pedagógica da Escola, tendo ambos formalizado uma disciplina eletiva junto à Diretoria de Ensino. O critério de seleção dos alunos inscritos na disciplina obedeceu ao Projeto de Vida (PV) formulado por estes estudantes.
O Projeto de Vida é um meio de motivar os alunos a fazerem bom uso dessas oportunidades educativas. Aos educadores cabe a tarefa de apoiar o projeto de vida de seus alunos e garantir a qualidade dessas ações. No entanto, cabe também aos alunos a corresponsabilidade no seu desenvolvimento, já que são os interessados diretos. O Projeto de Vida é o foco para o qual devem convergir todas as ações educativas do projeto
escolar, sendo construído a partir do provimento da excelência acadêmica, da formação para valores e da formação para o mundo do trabalho (SÃO PAULO, 2014, p. 18).
A Atividade de Extensão nasceu do desenvolvimento de pesquisas produzidas na área de estudos e práticas sob o nome de: Educação, Linguagem e Arte. É importante salientar que tais atividades buscavam desenvolver os conhecimentos adquiridos na Universidade, socializando-os em ambientes externos ao meio acadêmico, tendo o ambiente escolar como principal meio de apropriação para a difusão e reelaboração desse conhecimento. As Oficinas de Experimentação, em específico, buscavam o próprio ato de desenvolvimento do conhecimento no contato com a Escola, desfazendo fronteiras e atravessando saberes.
Segundo Costa (2017a, 2017b), a pesquisa que embasou os estudos e desenvolvimento de material aplicado no decorrer da Atividade de Extensão foi legitimada pela Lei de 13.006, aprovada em 2014 pelo Congresso Nacional, cujo texto delimita a obrigação da realização de um trabalho a nível pedagógico que objetive a produção cinematográfica nacional, em todas as escolas brasileiras de educação básica (estadual, federal e municipal), pelo período mínimo de duas horas mensais. Diante disso, a aprovação da lei acabou por mobilizar áreas de pesquisa e ensino a desenvolver, pensar e propor modos de trabalho e percepções que legitimem categorias de pensamento sobre a realização e produção cinematográfica e, por conseguinte, de seu saber. Por consequência, as oficinas deram abertura para a reflexão, análises e propostas sobre a escola, seu contexto e a relação sujeito-espaço, promovendo sociabilidade e relações de alteridade (COSTA, 2017a, 2017b).
O Projeto partiu da premissa de que o saber cinematográfico já se encontrava profundamente enraizado na produção dos diferentes contextos dos jovens estudantes na escola, visto que já faziam uso de diferentes aparatos tecnológicos midiáticos cotidianamente. E também partiu do pressuposto de que essa mesma forma audiovisual era um modo de constituir entendimentos e partilhar sensibilidades. Quando se constatou carência na produção de bases experimentais e teóricas – que referenciassem esse tipo de trabalho pedagógico com o audiovisual em contexto escolar – foi proposta a realização de uma Atividade de Extensão como forma de reflexão e experimentação prática da linguagem audiovisual escolar (COSTA, 2017a, 2017b).
Assim, a atividade teve como justificativa a aposta na realização experimental do cinema em espaços de ensino-aprendizagem, com o intuito de desenvolver a reflexão e a discussão. Por meio dessa reflexão, foi possível desenvolver uma discussão crítica e sensível do cinema e dos diferentes aparatos audiovisuais, que pretendeu desenvolver o protagonismo entre os jovens para problematizar questões das relações contemporâneas que partissem de questões problema desenvolvidas pelos jovens no contexto escolar (COSTA, 2017a, 2017b).
Assim sendo, o Projeto (COSTA, 2017a, 2017b) delimitou os seguintes objetivos para a Atividade de Extensão:
1. Enfatizar o cinema como arte e promover potências e experiências estéticas, pelo desenvolvimento e exposição de mostras fotográficas e peças audiovisuais, pois permitem, por sua vez, estabelecer relações formais com a fotografia, também com as diferentes expressões corporais e com a música, estabelecendo também possibilidades de encontro com a literatura e a poesia. Trata-se, portanto, de apropriação desses meios como referência às diferentes vivências cotidianas, tanto dos educandos, quanto dos educadores, tendo em mente as diferentes especificidades dessas diferentes expressões artísticas em contexto escolar-estudantil.
2. Por meio de dispositivos audiovisuais, promover reflexão a respeito da pertinência e importância no desenvolvimento das alteridades, assim como a promoção de uma igualdade educativa e social.
Ao salientar os objetivos específicos, o projeto de extensão propôs:
a. Desenvolvimento de oficinas na escola: promoção e trabalho com audiovisual neste contexto;
b. Dar visibilidade às diferentes formas de linguagem e expressões constituintes do saber audiovisual, que parte do contexto escolar-estudantil com intuito de se reinventar como modo artístico;
c. Ampliar e contribuir para a difusão ao acesso a filmes: de curta e longa duração, inserida na instituição escolar e na comunidade; e
d. Repensar e recriar novas linguagens na escola e suas relações sociais e pedagógicas.
Conforme foi salientado, as Oficinas de Experimentação Audiovisual foram realizadas como Disciplina Eletiva em uma E.E. Na primeira oferta, realizada no primeiro semestre, a equipe assumiu duas turmas da instituição escolar: uma turma mista de Ensino Médio, composta por 35 estudantes de 1º, 2 º e 3º anos, selecionados para a participação na eletiva; e uma segunda turma, composta por estudantes do Ensino Fundamental II, de 8º e 9º anos, com 27 estudantes selecionados. É importante salientar que a inscrição feita pelos estudantes teve como orientação o PV (Projeto de Vida). Como apontado anteriormente, este projeto tem como objetivo dar suporte à orientação e formação dos estudantes, tendo em vista sua opção profissional e universitária. Assim, os PVs que obtiveram maior adequação com a proposta da Eletiva (Oficinas) foram selecionados pela coordenação pedagógica da escola para participar.