CHAPITRE III: ASPECTS DIAGNOSTIQUES
SPECIFIQUES D’ORGANES:
Como foi visto
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o período entre 1977 e 1996 foi de considerável relevância para a Escola Estadual Américo Renê Giannetti que, além do 1º grau, passou a oferecer o ensino de 2º grau de caráter estritamente técnico profissionalizante. Como já se disse, esta era a única escola pública estadual da região que ministrava as habilitações em Técnico em Eletrônica, Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Mecânica, Técnico em Edificações e Técnico em Secretariado e que, a partir dos anos de 1980, passou a oferecer as habilitações de Auxiliar Técnico nessas áreas.A implantação desses cursos na Escola Estadual Américo Renê Giannetti colaborou para uma expectativa em torno da formação técnica profissionalizante, uma vez que a cidade de Uberlândia contava com um setor industrial em expansão. Conforme relata o
professor João Naves Cunha, que atuou na escola como professor na Área de Eletrônica, nos anos de 1980,
naquela época, era a escola de extrema importância para Uberlândia, porque foi uma época que vieram muitas industrias. Até então, Uberlândia não tinha muita mão de obra especializada, principalmente mão de obra atualizada, e o Renê Giannetti contribuiu muito para essa formação de mão de obra, mais especializada, tanto é que os nossos alunos, a maior parte deles, eram das empresas vindas da região aqui de Uberlândia e às vezes até de fora, no caso de Vazante, Catalão, de onde vinha alunos para fazer o curso porque havia uma certa necessidade de fazer reciclagem. (João Naves Cunha).
Para o ex-diretor escolar professor Valdemar Firmino de Oliveira, a Escola Estadual Américo Renê Giannetti forneceu mão-de-obra especializada para significativa parte do setor industrial na cidade, como, por exemplo, para as empresas Souza Cruz, Daiwa do Brasil, dentre outras.
Desta forma, os alunos que procuravam os cursos técnicos profissionalizantes basicamente eram pessoas inseridas no mercado de trabalho, que geralmente procuravam a escola para a obtenção de um certificado de conclusão de curso técnico, bem como dos que pretendiam cursar o ensino técnico profissionalizante para se inserirem no mercado de trabalho.
Esses fatores se confirmaram nas entrevistas, em que a maioria dos alunos declararam que teve interesse em ingressar na escola, pelo fato de esta ser a única em Uberlândia que oferecia os cursos técnicos nas áreas de Mecânica, Eletrônica, Secretariado, Edificações e Eletrotécnica; pela localidade da escola, que ficava próxima às suas residências; pela vontade de ser técnico e de se aperfeiçoar na área técnica, pois grande parte dos alunos matriculados já trabalhava em empresas da cidade e região; pela questão financeira, pois cursar uma escola pública seria mais em conta, uma vez que, na visão dos alunos, os cursos técnicos profissionalizantes ministrados em escolas particulares eram caros; e, por último, pela valorização da sociedade em relação ao
curso, haja vista, de acordo com os entrevistados, que o curso técnico era o melhor caminho para se chegar a uma posição social. Alguns alunos ingressavam na escola motivados pela aprovação em um exame de seleção, que faziam antes de ingressarem, e outros pelas disciplinas oferecidas nos cursos.
A comparação que os alunos faziam entre curso técnico e posição social, estava ligada a uma idéia muito presente no período militar, onde, no campo educacional, lançou-se uma massiva campanha de valorização dos cursos técnicos e por conseguência houve uma enorme crença nos cursos técnicos profissionalizante, por parte da população.
A maioria dos professores entrevistados respondeu que os alunos que procuravam os cursos técnicos eram bem interessados nas aulas, pois, em sua maioria, eram adultos. Eles ainda argumentaram que os alunos que já estavam inseridos no mercado de trabalho tinham uma visão clara sobre o curso profissionalizante e dificilmente evadiam da escola. Os alunos que não tinham uma visão tão clara sobre o curso técnico ou que se sentiam decepcionados com os cursos, geralmente eram os que mais evadiam.
Os diretores concordaram que os alunos que buscavam um curso técnico ou já estavam inseridos no mercado de trabalho ou ingressavam em busca da profissionalização.
Na época, o curso técnico, para quem não tinha condições de fazer uma faculdade, era o melhor caminho para se chegar a uma posição mais rápido. E também o mercado necessitava de profissionais. Na época, não tinha, Uberlândia, principalmente, não tinha escola técnica com a estrutura do Renê Giannetti. (entrevista ex-aluno, Sinomar José Tavares).
Assim, o curso profissionalizante se constituiu numa boa oportunidade de emprego e, para os alunos que trabalhavam, segundo os professores, o curso técnico era uma ótima opção.
A visão que eu tinha da escola, principalmente profissionalizante, era de grande oportunidade, porque não eram muito comuns escolas profissionalizantes. Então, era uma grande oportunidade para os alunos jovens que queriam ter uma profissão. Buscavam uma profissão que pudesse garantir aí o futuro. Então, via a escola como uma bela oportunidade para o aluno, para todo mundo. O Renê Giannetti era a escola , na época, a principal escola na área técnica em Uberlândia. (Satyro de Souza).
Para determinados alunos a escola Américo Renê Giannetti era muito boa, tanto que eles consideravam o ensino bom e de qualidade, pois a escola contava com bons laboratórios e oficinas para as aulas práticas, era bem organizada e em termos de distribuição de salas de aulas oferecia uma boa estrutura.
Porém, na visão de alguns entrevistados existiam várias falhas, como por exemplo, a falta de professores na área técnica e de materiais nas oficinas e apesar da escola procurar manter um bom nível com relação ao processo de ensino-aprendizagem, estas falhas eram preponderantes para a desqualificação da escola, enquanto técnica profissionalizante.
Assim percebe-se que apesar da escola tentar manter uma estrutura física bem organizada, havia falhas quanto a questão da aprendizagem profissional do aluno, uma vez que os cursos em determinados casos, não conseguiam atender as expectativas daquele.
Assim, outro fato a ser observado diz respeito a expectativa dos alunos em torno da Escola Estadual Américo Renê Giannetti, uma vez que, a maioria pertencia a famílias com baixo poder aquisitivo, a escola representava tanto para o aluno quanto para sua família uma expectativa de se ter uma base profissional para o mercado de trabalho.
Visão ligada mais uma vez a crença de ensino profissionalizante como uma das melhores saídas para o aluno ingressar no mercado de trabalho.
Apesar desta visão que ligava ensino profissionalizante e mercado de trabalho, nem todas as pessoas optavam por fazer um curso técnico, como pode ser percebido no seguinte relato:
Olha, quem estudava no Renê já tinha o objetivo de fazer o curso técnico, realmente era para estar seguindo, para ser um profissional na área escolhida. Quem estava terminando o 1º (primeiro) grau e pretendia fazer o cursinho já queria entrar naquela época no Objetivo, no Anglo e nessas escolas para cursarem o 2º (segundo) grau. Como eu vim de escola particular para o Renê Giannetti, os amigos ficaram todos para trás, ninguém quis fazer curso técnico profissionalizante (William Peixoto da Silva).
Percebe-se na fala dos entrevistados a visão de que o ensino técnico profissionalizante seria uma opção para o ingresso no mercado de trabalho ou para a permanência neste. Porém uma opção seguida por nem todos os alunos do 2º grau.
Nos próximos itens veremos algumas das iniciativa da escola, na tentativa de mante-la enquanto técnica profissionalizante .