A Tabela 5 apresenta a estatística descritiva da autopercepção de desempenho em relação às variáveis de caracterização da amostra.
Tabela 5 - Estatística descritiva e resultados dos testes de normalidade e médias para as variáveis perfil sociodemográfico e profissional do discente em relação à autopercepção de desempenho.
Variáveis N Média Mediana Mínimo Máximo Desvio
Padrão Kolmogorov Smirnov Teste t/Mann Whitney Feminino 358 7,756 8,000 0,000 10,000 1,394 0,915 0,804 Masculino 408 7,733 8,000 3,000 10,000 1,247 0,172 >=24 426 7,772 8,000 3,000 10,000 1,266 0,531 0,513 <24 340 7,709 8,000 0,000 10,000 1,379 0,651 Manhã 141 7,553 7,500 0,000 10,000 1,513 0,010 0,041 Noite 625 7,787 8,000 1,000 10,000 1,379 0,918 IES: Publica 290 7,593 8,000 3,000 10,000 1,269 0,101 0,016 IES: Privada 476 7,836 8,000 0,000 10,000 1,338 0,975 Na cidade 565 7,721 8,000 1,000 10,000 1,305 0,517 0,432 Fora da cidade 201 7,807 8,000 0,000 10,000 1,353 0,958 Bolsista 231 7,854 8,000 1,000 10,000 1,274 0,308 0,129 Não bolsista 535 7,696 8,000 0,000 10,000 1,334 0,998 Ensino médio: Publico 481 7,755 8,000 1,000 10,000 1,339 0,787 0,762 Ensino médio: Particular 285 7,725 8,000 0,000 10,000 1,282 0,533 Trabalha na área 302 7,619 8,000 0,000 10,000 1,496 1,000 0,028
Não trabalha na área 247 7,879 9,000 3,000 10,000 1,218 0,337
Não participou de
projeto 384 7,636 8,000 2,000 10,000 1,271 0,025 0,010
Participou de projeto 383 7,845 8,000 0,000 10,000 1,361 0,976
Fonte: Dados da pesquisa
Analisando os dados em relação ao gênero, o grupo feminino apresentou uma média superior ao apresentado pelo grupo masculino, com predominância de alunos com idade inferior a 24 anos e uma média de notas atribuída superior em relação à autopercepção.
Quando os dados são sumarizados pelo turno em que estudam, em termos absolutos, verifica-se uma concentração no turno da noite: médias superiores e desvio padrão menor que os do turno diurno. Relacionando a autopercepção com o tipo de escola onde o discente cursou o ensino médio, observa-se uma concentração de alunos oriundos da escola pública, que apresentaram média e desvio padrão de autopercepção maiores.
Em relação à autopercepção e à participação em projetos (ensino, pesquisa ou extensão), verificou-se que a média de notas atribuídas pelos alunos foi superior àqueles que não participaram de nenhuma atividade. Entretanto, analisando o desvio padrão, esse grupo apresenta uma variabilidade maior.
Após a estatística descritiva dos grupos, foi realizado o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a normalidade das variáveis seguido da realização do teste de t Student ou Mann Whitney para avaliar a diferença ou não das médias dos grupos.
Na comparação das amostras de gênero, os testes apontaram para a conclusão de que as médias das notas de autopercepção não apresentam diferença estatisticamente significante. Conclui-se, então, que o gênero não influencia na autopercepção do discente.
Quando comparada a autopercepção pelos dois grupos de idades, os resultados do teste de médias não apresentam uma diferença estatisticamente significante para as notas atribuídas pelos dois grupos, ou seja, as médias populacionais são iguais. Diante disso, conclui-se que a idade não influencia na autopercepção dos estudantes.
Em relação ao turno que o aluno estuda, a amostra de alunos do turno diurno não apresentou normalidade (p < 0,05), sendo necessária a realização do teste de Mann-Whitney. Como conclusão, o turno em que o aluno estuda influencia positivamente em relação ao curso. Adicionalmente, os alunos do turno noturno apresentaram maior média de autopercepção.
Relacionando a autopercepção com o tipo de escola onde o discente cursou o ensino médio, observa-se uma concentração de alunos oriundos da escola pública. Os resultados apontam que a média de autopercepção para os alunos oriundos de escola pública ou particular não apresentam diferença, ou seja, a escola em que o aluno cursou o ensino médio não influencia na sua autopercepção.
Avaliando a autopercepção dos estudantes em relação ao tipo de IES onde cursa, os dois grupos apresentam normalidade em suas observações, concluindo-se que existe diferença estatisticamente significante entre as notas de autopercepção e o tipo de IES onde cursam.
O estudo também testou a influência do aluno morar na mesma cidade onde cursa ou não morar. Com os resultados, pode-se concluir que as duas amostras provêm de uma população com distribuição normal e que a hipótese nula não pode ser rejeitada. Ou seja, as notas atribuídas pelos dois grupos não apresentam diferença estatisticamente significativa.
Analisando a relação entre ser bolsista ou não e a nota atribuída à sua autopercepção, pode-se concluir que as duas amostras apresentam normalidade na distribuição dos seus dados e que não existe diferença de médias de autopercepção para os dois grupos. Ou seja, não se pode afirmar que o fato de o aluno ser bolsista traz influência para o desempenho auto percebido.
Avaliando o fator de o discente trabalhar ou não na área em sua autopercepção, os testes foram realizados e concluiu-se que as notas atribuídas para a autopercepção apresentam
diferença estatisticamente significante, ou seja, os alunos que não trabalham na área têm uma autopercepção maior.
Em relação à autopercepção e à participação em projetos (ensino, pesquisa ou extensão), verificou-se que a média de notas atribuídas pelos alunos foi superior àqueles que não participaram de nenhuma atividade.
O teste de normalidade indica que a parcela da amostra que participou de projetos tem uma distribuição que não difere significativamente da normal, ao passo que os que compõem o grupo que não participou de projetos diferem significativamente de uma distribuição normal.
Diante desses resultados, optou-se pela realização do teste não paramétrico de Mann
Whitney e o resultado apresentou um P < 0,05. Com isso, pode-se inferir que a autopercepção
para os dois grupos é diferente, ou seja, participar de projetos pode afetar positivamente na autopercepção do aluno em relação ao seu desempenho no curso.
Por fim, a Tabela 6 apresenta um resumo das relações estabelecidas entre as variáveis de caracterização e autopercepção realizadas neste capítulo.
Tabela 6 - Resumo dos testes de médias realizados.
Variáveis de caracterização Autopercepção
Gênero =
Idade =
Turno ≠
Escola em que cursou o ensino médio =
IES que estuda ≠
Cidade em que mora =
Bolsista =
Trabalhar na área ≠
Projetos ≠
Nota: = igualdade de médias entre os grupos ≠ Diferença de médias entre os grupos Fonte: Elaboração própria
Em resumo, no presente estudo, as variáveis do perfil sociodemográfico e profissional do discente: turno, IES que estuda, trabalhar ou não na área e participação em projetos apresentaram diferença de médias entre os grupos estudados.
Em relação ao turno, a diferença estatística encontrada pode ser explicada pelo aspecto dos alunos já estarem inseridos no mercado de trabalho e consequentemente já visualizam o conteúdo estudado na academia de forma prática.
No tocante a participação em projetos, diante dos resultados encontrados pode-se inferir, que as atividades de ensino, pesquisa e extensão devem ser incentivadas pelas IES com forma de otimizar a formação dos seus discentes.
Para a variável não trabalhar na área, as médias superiores podem ser justificadas pela percepção do discente da necessidade da formação que está em curso para o seu futuro profissional. Adicionado a isso, as IES e os docentes podem inserir na formação dos alunos maior associação entre a sala de aula e o exercício profissional.
Por fim, os discentes das IES privadas apresentaram uma autopercepção maior, esse resultado pode estar associado ao perfil do ensino ser mais direcionado ao mercado de trabalho proporcionando uma formação mais técnica.