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Most of the southern boundary of the belt is well defined and has been mapped both in the field and using airborne

Na primeira parte das entrevistas, foi perguntado aos entrevistados sobre suas trajetórias musicais (tanto profissionais, quanto educacionais), sobre seus contatos marcantes com a música e sobre suas experiências musicais, no intuito de se compreender como os músicos relacionaram essas experiências musicais com aprendizagens no processo de construção do álbum. Nas respostas dessa primeira

15 “O ISRC é o código padrão internacional de fonogramas (músicas, gravação) e ideofonogramas (clipes). Ele foi desenvolvido para facilitar o intercâmbio de informação sobre gravações e simplificar a sua administração. O ISRC é atribuído a uma gravação pelo primeiro titular dos direitos sobre ela. Ele identifica essa gravação durante toda sua vida. Deve ser utilizado pelos produtores de fonogramas e de vídeos musicais, como também pelas organizações de direitos intelectuais, as radioemissoras, bibliotecas, etc”. (ABRAMUS. Disponível em: < https://www.abramus.org.br/musica/720/isrc/ > Acesso em: 15 dez. 2018)

16 O SISRC é o sistema de registro do ISRC em que o produtor insere os dados de todos os envolvidos na gravação do fonograma.

17 “A ABRAMUS – Associação Brasileira de Música e Artes – é uma associação de gestão coletiva de Direitos Autorais sem fins lucrativos, fundada em 1982 cujo principal objetivo é defender os direitos autorais dos artistas da classe Musical, como também da Dramaturgia (Teatro & Dança), do Audiovisual e das Artes Visuais (esta, através de sua coligada AUTVIS” (ABRAMUS. Disponível em: < https://www.abramus.org.br/sobre-a-abramus/ > Acesso em: 15 dez. 2018).

18 “O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é uma instituição privada, sem fins lucrativos, instituída pela lei 5.988/73 e mantida pelas leis federais 9.610/98 e 12.853/13. Seu principal objetivo é centralizar a arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública musical”. (ECAD. Disponível em: < http://www2.ecad.org.br/pt/o-ecad/quem-somos/Paginas/default.aspx > Acesso em: 15 dez. 2018).

parte foram encontrados relatos de vivências em espaços sociais em comum ou semelhantes entre os entrevistados, que lhes marcaram como músicos. Também foram encontrados relatos de contatos marcantes com pessoas com papéis sociais semelhantes entre si (por exemplo, pais ou familiares) e relatos de situações sociais comuns entre os entrevistados, vivenciadas pelos músicos durante suas trajetórias musicais.

Na segunda parte das entrevistas, foi perguntado aos músicos sobre suas participações na experiência de construção do álbum “Nunca estou só”, sobre suas relações com os envolvidos e com as músicas e sobre suas aprendizagens durante esse processo de construção do álbum, com a intencionalidade de observar os sentidos que os músicos deram (ou dão) às experiências vivenciadas na gravação.

Com base nas congruências de espaços, de pessoas e de situações, encontradas nas entrevistas, foi possível categorizar as informações em tópicos expostos no presente trabalho. Busca-se, nesses tópicos, observar as particularidades (ou singularidades) das experiências musicais de músicos do AMI, relacionando-as com as práticas socioeducativas que permeiam as trajetórias musicais desses músicos, pois conforme o “princípio de singularidade” abordado por Larrosa (2011, p. 15-18),

se todos nós assistimos a um acontecimento ou, dito de outro modo, se a todos nós acontece algo, por exemplo, a morte de alguém, o fato é para todos o mesmo, o que nos passa é o mesmo, porém a experiência da morte, a maneira como cada um sente ou vive, ou pensa, ou diz, ou conta, ou dá sentido a essa morte, é, em cada caso diferente, singular para cada um, por isso poderíamos dizer que todos vivemos e não vivemos a mesma morte. A morte é a mesma desde o ponto de vista do acontecimento, porém singular desde o ponto de vista da vivência, da experiência (LARROSA, 2011, p. 16).

Então, embora seja possível encontrar fenômenos ou situações semelhantes entre os relatos dos músicos (como por exemplo, o contato, na infância, com parentes que tocam instrumentos musicais foi uma situação comum relatada por Samuel, Daniel e Henrique), a forma que a experiência se realiza em cada indivíduo é “singular” (LARROSA, 2011) e pode ser observada de diferentes maneiras em suas particularidades.

toda interpretação desse mundo se baseia num estoque de experiências anteriores dele, as nossas próprias experiências e aquelas que nos são transmitidas por nossos pais e professores, as quais, na forma de ‘conhecimento à mão’, funcionam como um código de referência (SCHUTZ, 1970, p. 72).

Investigar as experiências musicais dos entrevistados é fundamental para conhecer suas características individuais e sociais que permearam nos processos de aprendizagens na construção do álbum, pois, ainda segundo Schutz (1970),

a análise filosófica ou psicológica da constituição de nossas experiências pode, mais tarde, em retrospectiva, descrever de que modo elementos desse mundo afetam os nossos sentidos, de que modo os percebemos passiva, indistinta e confusamente, de que modo através da apercepção ativa, nossa mente isola certos traços do campo de percepção, concebendo-os como coisas bem delineadas nitidamente em realce, contra um fundo ou horizonte mais ou menos desarticulado (SCHUTZ, 1970, p. 72-73).

Podem complementar a assertiva de Schutz (1970), a análise sociológica e a análise sob perspectiva da educação musical que são realizadas na presente pesquisa. Para a realização dessas análises, o trabalho foi separado em duas partes (capítulo 5 e capítulo 6). Na primeira parte (capítulo 5) os tópicos foram categorizados em: “primeiras experiências musicais”, “experiências com escolas de música” e “experiências profissionais”. Na segunda parte (capítulo 6), os tópicos foram categorizados em: “a construção do álbum ‘Nunca estou só’ como experiência social”, “o processo de criação”, “o processo de gravação” e “a construção coletiva”. Ainda nas considerações finais, realizo algumas reflexões sobre os temas abordados na análise dos capítulos 5 e 6.

4 O GRUPO “AMOR INESTIMÁVEL” (AMI) E O PROCESSO DE GRAVAÇÃO DO ÁLBUM “NUNCA ESTOU SÓ”

Neste capítulo, abordam-se em dois tópicos, os objetivos e as necessidades que fundamentaram a criação do AMI e a gravação do álbum “Nunca estou só”. No primeiro tópico “O nascimento do grupo musical AMI”, são levantadas as características formativas e profissionais de cada integrante do AMI, além de evidenciar a relação do grupo com o mercado de música para casamentos. No segundo tópico “O processo de produção do álbum ‘Nunca estou só’”, são descritas as etapas de construção do álbum, do início até a distribuição digital das gravações. Este capítulo é, portanto, descritivo e tem a finalidade de contextualizar os dados das entrevistas que serão analisados nos capítulos 5 e 6 do presente trabalho.