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The orebody data group which can be subdivided as shown in figure 4 contains the following data: descriptive, form and

5. Data checks against validation tables

Sabendo que a pesquisa qualitativa preza por construir o objeto e o método ao longo da investigação, foi utilizada a “entrevista compreensiva” (KAUFMANN, 2013) como procedimento de coleta de dados para a presente pesquisa. Kaufmann (2013) reforça que na pesquisa qualitativa “cada pesquisa produz uma construção particular do objeto científico e uma utilização adaptada dos instrumentos: a entrevista não deveria nunca ser empregada da mesma forma” (p. 36).

É importante mencionar que a construção do álbum é um fato passado e finalizado. Portanto, realizei a pesquisa fundamentada na reconstrução das relações dos músicos com os músicos, dos músicos com o processo de gravação e das experiências de aprendizagens musicais já acontecidas.

Utilizei os registros de comunicação em mídias sociais (como o WhatsApp) para auxiliar na elaboração do roteiro e na abordagem nas entrevistas, principalmente no que se refere a datas. Também utilizei o “produto gerado” (as músicas gravadas) para identificação de elementos que fizeram parte da experiência de gravação dos músicos, além da minha memória como ponto de ligação entre o que os músicos reconstruíam a partir de seus relatos e a linha do tempo dos acontecimentos. Além disso, fiz uso das minhas observações como participante do grupo para pensar na elaboração das entrevistas e realizei essas entrevistas com os músicos analisando os conteúdos abordados pelos relatos deles, tendo em vista o próprio produto gerado (o álbum) e os relatos dos demais entrevistados.

De acordo com Chizzotti (1995),

uma das características da pesquisa qualitativa e, dentro desta, da entrevista compreensiva é permitir a construção da problemática de estudo durante o seu desenvolvimento e nas suas diferentes etapas. Em razão disso, a entrevista compreensiva não tem uma estrutura rígida, isto é, as questões previamente definidas podem sofrer

alterações conforme o direcionamento que se quer dar à investigação (CHIZZOTTI, 1995, p. 295).

Essa proposição corrobora a necessidade de se ter na entrevista uma gama de interrogações que possam estimular o entrevistado (ou permiti-lo) a levantar questões outrora não atentadas na proposta inicial do projeto, e que são fundamentalmente importantes no processo de levantamento e análise dos dados.

A entrevista compreensiva, segundo Zago (2003, p. 296), se difere do “modo clássico” que define a problemática já no início com padronização de objetivos determinada antes da coleta de dados. Na entrevista compreensiva, “a riqueza do material descoberto muitas vezes não esperado pelo pesquisador é utilizada na problematização como ponto de partida, pois importa ao pesquisador a compreensão social” (ZAGO, 2003, p. 296).

Ainda, de acordo com Zago (2003, p. 302), a quantidade e a qualidade de informações fornecidas pelo entrevistado estão diretamente relacionadas com a confiança estabelecida entre as partes. Portanto, salienta que se deve ter o cuidado, durante a entrevista, de manter o entrevistado confortável e livre para se expressar, sem julgamentos do entrevistador, de modo que este denote interesse pelas informações prestadas pelo entrevistado.

Enfim, com o aparato teórico acerca da entrevista compreensiva e da pesquisa qualitativa proposto por Kaufmann (2013), Zago (2003) e Chizzotti (1995), busquei realizar entrevistas dinâmicas, possibilitando a discussão e a argumentação do entrevistado, não sendo apenas uma atividade de pergunta e resposta, mas uma conversa com os participantes da pesquisa, abordando diferentes posicionamentos sobre o tema em questão.

3.2.1 Os entrevistados

Como referido anteriormente, as canções que fazem parte do álbum foram gravadas por seis músicos com formações musicais diversificadas e pertencentes ao grupo AMI, além de dois técnicos de estúdio e outros dois músicos agregados ao processo que participaram na execução de algumas músicas. Entretanto, como delimitação de objeto de pesquisa, foram selecionados quatro músicos desse grupo para serem entrevistados.

Os músicos do grupo AMI que participaram das entrevistas e colaboraram com a pesquisa foram:

– Daniel: graduado em licenciatura em música com habilitação em violão pelo Curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia e técnico em instrumento - violão pelo Conservatório Estadual de Música “Cora Pavan Capparelli”. Daniel aprendeu guitarra de forma “autodidata”.

– Henrique: graduando em licenciatura em música com habilitação em saxofone pelo Curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia e técnico em instrumento - saxofone pelo Conservatório Estadual “Dr. José Zoccoli Andrade”. Henrique aprendeu bateria e percussão em aulas esporádicas e de forma “autodidata”.

– Samuel: graduando em bacharel em música com habilitação em violino pelo Curso de Música da Universidade Federal de Goiânia e formado em teoria musical na Escola Municipal de Música de São Paulo.

– Sara: graduada em licenciatura em música com habilitação canto lírico pelo Curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia e formada em canto popular pela Escola Villa-Lobos.

Como mencionado, o grupo AMI era composto por 6 músicos: os quatro que foram entrevistados, a violoncelista e eu. Por falta de tempo, de concatenação das agendas e pela necessidade de conclusão da pesquisa, não foi possível entrevistar a violoncelista do grupo.

3.2.2 A elaboração do roteiro da entrevista

A elaboração do roteiro de entrevista foi uma tarefa meticulosa que aconteceu no segundo semestre do ano de 2016. A princípio, eu elaborei algumas perguntas baseadas nos objetivos do projeto de pesquisa e nas minhas curiosidades. Depois (minha orientadora e eu) buscamos dividir essas perguntas e os próprios objetivos do projeto de pesquisa em tópicos que orientassem a elaboração das perguntas.

A primeira versão do roteiro foi dividida nas seguintes temáticas: características dos participantes, formação, atuação, referências musicais dos músicos, participantes e o grupo AMI, experiências de gravação do álbum (APÊNDICE A). As perguntas da segunda versão foram organizadas em: formação, atuação, referências musicais dos músicos, participantes e a relação com o grupo AMI,

experiências de gravação do álbum (APÊNDICE B). Nessas duas versões foram colocadas também perguntas individuais mais específicas relacionadas com as características dos instrumentos dos músicos e às formas como eles atuaram na gravação. Por exemplo, Sara havia composto algumas músicas e os outros músicos não, portanto foi uma situação exclusiva dela. Já Daniel havia re-harmonizado as músicas e outros músicos não, então apenas ele vivenciou essa situação. Logo, com o intuito de personalizar o roteiro, foram elaboradas perguntas específicas para situações singulares como essas vivenciadas por cada músico.

Até então as perguntas elaboradas para o roteiro apresentavam características de um roteiro jornalístico e conduziam a respostas mais objetivas. Em contrapartida, minha orientadora me apresentou as concepções de Chizzotti (1995) e Zago (2003) sobre as características que uma entrevista compreensiva no intuito de extrair o máximo de dados qualitativos dos entrevistados. Além disso, ela me mostrou alguns exemplos de entrevistas compreensivas em monografias, dissertações e teses. A partir do entendimento dos aspectos fundamentais da entrevista compreensiva, pude elaborar perguntas mais “abertas” reforçadas com contextualização e com possibilidades de diálogos.

Na terceira versão (APÊNDICE C), os tópicos foram divididos em: formação, atuação, referências musicais dos músicos, participantes e a relação com o grupo AMI, dificuldades, experiências de gravação do álbum, exemplos de perguntas individuais. As perguntas escritas funcionariam mais como uma orientação sobre os contextos que eu poderia ressaltar durante a abordagem dos entrevistados com a intenção de manter uma linha de raciocínio, do que como perguntas que deveriam ser obrigatoriamente feitas e respondidas pelos participantes da pesquisa.

Na quarta e última versão da entrevista (APÊNDICE D), minha orientadora sugeriu que eu relacionasse as perguntas que eu havia elaborado, com a construção do álbum “Nunca estou só”, pois o meu objeto de estudo estava vinculado a essa construção. As perguntas sobre assuntos separados ou desconexos com esse objeto de estudo poderia prejudicar e até inviabilizar a interpretação dos dados dentro do contexto objetivado pela pesquisa. Então, não bastaria apenas perguntar onde o músico aprendeu a criar arranjos, por exemplo. Seria necessário perguntar a esse músico como ele enxerga que o local onde ele aprendeu a criar arranjos influenciou nas experiências vivenciadas por ele durante a construção do álbum.

3.2.3 Realizando as entrevistas

No presente trabalho, foram realizadas quatro entrevistas. A primeira entrevista foi realizada com Samuel. Por ser a primeira entrevista que eu realizei em minha vida, busquei contextualizar o entrevistado com histórias e reflexões, mas fiquei inseguro na formulação das perguntas e não consegui ser claro no que eu queria saber, o que tornou a entrevista demasiada longa em relação às outras. Entrevistar Samuel foi, para mim, uma experiência de aprendizagem acerca da coleta de dados por meio da entrevista compreensiva e, apesar de minhas falhas como entrevistador, o entrevistado contribuiu com um material empírico muito profícuo para a presente pesquisa. O próprio entrevistado realizou reflexões sobre suas experiências e sobre suas aprendizagens que são dialogadas com as referências deste trabalho.

Daniel também apresentou muitas reflexões importantes para a pesquisa na educação musical. Na entrevista de Daniel eu estava mais preparado e consegui ser mais claro nas perguntas que fiz. Busquei não intervir muito durante as falas do entrevistado e deixá-lo livre para expor suas concepções sobre experiências e aprendizagens, pois percebi que o entrevistado possuía algumas ideias formadas que poderiam ser (e foram) complementares às reflexões da presente pesquisa. A experiências musicais de Daniel são muito diferentes das experiências musicais de Samuel e confrontar esses dois pontos de vista foi enriquecedor.

A entrevista de Henrique teve um tempo menor de duração em relação à de Samuel e à de Daniel, o que não o impediu de contribuir acentuadamente com este trabalho, pois ele levantou questões importantes para a educação musical e para o olhar da aprendizagem musical no cotidiano. A forma que abordei Henrique nas perguntas foi semelhante à entrevista que fiz com Daniel, ou seja, foram perguntas objetivas e contextualizadas.

Com a Sara, tentei manter a mesma ideia das perguntas feitas ao Daniel e ao Henrique. Contudo, a entrevistada foi sucinta em suas respostas. Então, durante a entrevista, tentei mudar a estratégia, falando um pouco mais na contextualização, o que fez minhas perguntas ficarem com durações maiores do que as respostas de Sara. Embora as respostas de Sara tenham sido sucintas (mais descritivas e menos analíticas ao olhar o próprio processo), em relação às respostas dos outros entrevistados (talvez pela timidez que ela mesma expressa em palavras na

entrevista), foi possível realizar muitas reflexões com suas afirmações e seus apontamentos.

As principais características das entrevistas realizadas estão expostas no quadro abaixo:

Quadro 1 - Dados das entrevistas.

Fonte: Quadro elaborado para esta pesquisa.

As entrevistas foram realizadas nas casas dos entrevistados, que me atenderam de forma muito receptiva, o que tornou o ambiente agradável e descontraído, proporcionando uma experiência de aprendizagem para mim sobre a arte de se realizar entrevista. Percebi que entrevista é um meio de coleta de dados complexo que exige do entrevistador percepções imediatas e uma capacidade de improvisação que o permita dialogar com o material oral que o entrevistado lhe oferece.