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Sources d’erreur possibles et problèmes encore ouverts

2 Le dispositif expérimental 49

2.6 Le nouveau détecteur

2.6.5 Sources d’erreur possibles et problèmes encore ouverts

Foi no último período da sua vida que Casal Ribeiro produziu um maior número de textos dos quais é possível extrair informações sobre o seu pensamento político, social e religioso. Através deles somos confrontados com uma visão que se distingue das anteriores posições, mas que é em grande medida resultado de uma evolução das ideologias que já havia expressado. O processo de adesão ao conservadorismo, que viramos ocorrer nos últimos anos da década de 1870, atingiu o seu auge, consolidando- se através da efectivação em iniciativas de carácter público, como a formação do Partido Conservador Liberal.

694 CÂNDIDO, António, “Discurso proferido, em nome da Academia Real das Sciencias, no funeral do Conde de Casal Ribeiro, no dia 18 de Junho de 1896”, in Na academia e no parlamento, Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1901, p.194.

695 DCP, 9-1-1897, p.12.

696 PATO, Bulhão, Livro do Monte: Georgicas-Lyricas, Lisboa, Typographia da Academia, 1896, p.226.

Em termos políticos, Casal Ribeiro tornara-se um monárquico indiscutível. Todos os interesses republicanos tinham sido esquecidos, e a Coroa apresentava-se, no entendimento do conde, como o único regime que permitiria a sobrevivência da nação portuguesa. Todavia, em simultâneo com este existiam outros princípios políticos cuja relação era indissociável: “Monarchia e legitimidade, carta e liberalismo são dogmas inseparaveis, no nosso culto politico”697. Ainda assim, estas concepções não o impediam de manter a doutrina que desde a década de 1860 vinha divulgando: a indispensabilidade de uma política diplomática de cordialidade com Espanha como forma de apoio mútuo, a nível político, económico e social. Defendia a “(…) política de cooperação”698, que acreditava ser “(…) a mais clamorosa e apremiante necessidade da épocha presente (…)”699 e que era plenamente justificada pelo passado cheio de semelhanças e correspondências que os dois países peninsulares partilhavam700. Sublinhe-se a singularidade desta posição: no contexto pós-Ultimatum, Casal Ribeiro era um caso praticamente isolado do estadista hispanófilo no meio político português.

Ainda no campo da política, Casal Ribeiro recuperou a doutrina socialista da juventude, fazendo-lhe um conjunto de alterações consistentes com o momento histórico e com as suas próprias convicções pessoais. Não se coibia de afirmar que era socialista, mas este socialismo vinha mesclado de influências: “Admitto a necessidade de intervenção do Estado, a da intervenção particular, e professo grande respeito pela intervenção da Igreja, para o remedio da questão socialista”701. Desta forma a sua ideologia socialista afastava-se não apenas do socialismo mais radical, mas também de qualquer pretensão governativa ou sequer política, sendo uma forma de pensamento delimitada ao domínio da resolução dos problemas sociais.

Sequencialmente, mas em contradição com as referências socialistas, Casal Ribeiro distanciava-se dos ideais democráticos. A igualdade, que se lhe tornara estranha desde 1851, era não só uma utopia, como um objectivo contrário a natureza702. As doutrinas racionalistas baseavam-se, segundo Casal Ribeiro, no conceito de negação,

697 RIBEIRO, Conde do Casal, Carta e Pariato, p.170. 698 Idem, Problema colonial e problema internacional, p.22.

699 Idem, Esboço crítico do Principe Perfeito por Oliveira Martins, Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1896, p.30.

700 Idem, “Portugal y España”, in Boletín de la Real Academia de la Historia, t.23, Madrid, 1893, pp. 469-482.

701 Idem, Problema social emigração, p.8.

702 Idem, “Las cuestiones sociales y el ideal cristiano XII”, in Revista de España, t.CXXXV, Julho e Agosto de 1891, p.210.

em particular da religião. Esta era, para grande parte da população mais desfavorecida, um esteio espiritual e social em momentos de dificuldade, pelo que não deveria ser fragilizada703.

A religião seria, como antes fora, uma das linhas de força do seu pensamento: o último período da vida de Casal Ribeiro foi marcado por um regresso à ideia de regeneração através da religião, mas agora totalmente apoiado na estrutura oficial do catolicismo, sem qualquer relação com o cristianismo primitivo da juventude. A religião tinha, para além da dimensão espiritual comum, um outro âmbito: era a fonte da força moral e da autoridade de que os governos necessitavam para implementar as reformas sociais tão necessárias, para as quais não bastava o poder económico ou material704. Era nesse plano que surgia o cristianismo prático, como lhe chamara Bismarck, cuja importância Casal Ribeiro sublinhava, pela sua capacidade de apoiar a introdução de reformas sociais de especial significado.

Concordava, portanto, com as medidas socialistas de inspiração cristã, como o descanso semanal ao domingo ou a legislação de trabalho especial para mulheres e crianças. Neste último caso, opunha-se às condições em que mulheres e crianças eram forçadas a trabalhar, muitas das vezes pela “(…) explotación grosera del jefe de família proletário o industrial interesado en obtener baja en el precio de mano de obra á costa de la existencia y de la salud (…)”705.

Declarava-se conservador, acentuando mais uma vez a estreita relação que podia existir entre tradição e progresso706. Da mesma forma encarava a reacção, num sentido não político, mas apenas moral, como um possível complemento para as doutrinas de progresso e desenvolvimento707. Esta afirmação baseava-se na crença de que o conservadorismo podia apresentar medidas mais ponderadas e concretas para o benefício do país que o radicalismo, prestando por isso um melhor serviço às políticas progressistas, em especial quando se tratava da recuperação moral da sociedade.

703 Idem, “Las cuestiones sociales y el ideal cristiano V”, in Revista de España, t.CXXXIII, Março e Abril de 1891, p.127.

704 Idem, ibidem.

705 Idem, “Las cuestiones sociales y el ideal cristiano IV”, in Revista de España, t.CXXXII, Janeiro e Fevereiro de 1891, p.569.

706 Idem, “Las cuestiones sociales y el ideal cristiano VIII”, in Revista de España, t.CXXXIV, Maio e Junho de 1891, p.208.

707 Idem, “Las cuestiones sociales y el ideal cristiano V”, in Revista de España, t.CXXXIII, Março e Abril de 1891, p.128.