Goldenberg (apud HUANCA, 2014, p. 17) define como metodologia de pesquisa a construção de conhecimento original, de acordo com certas exigências científicas. A autora ainda disse que é um trabalho de conhecimento sistemático, não meramente repetitivo, mas produtivo, que faz avançar à área de conhecimento intelectual à qual se dedica.
Conforme compreendemos,
A pesquisa não se reduz a certos procedimentos metodológicos. A pesquisa científica exige criatividade, disciplina, organização e modéstia, baseando-se no confronto permanente entre o possível e o impossível, entre o conhecimento e a ignorância. Nenhuma pesquisa é totalmente controlável, com início, meio e fim previsíveis. A pesquisa é um processo em que é impossível prever todas as etapas. O pesquisador está sempre em estado de tensão porque sabe que seu conhecimento é parcial e limitado — o “possível” para ele. No meu entender, não existe um único modelo de pesquisa (GOLDENBERG, 2004, p. 14).
Nesse sentido, para essa autora, a metodologia científica é muito mais do que algumas regras de como fazer uma pesquisa. Ela auxilia a refletir e propicia um ‘novo’ olhar sobre o mundo: um olhar científico, curioso, indagador e criativo. A autora completa dizendo que, o que determina como trabalhar, é o problema que será trabalhado.
Goldenberg (2004) considera também que a pesquisa é uma atividade neutra e objetiva, que busca descobrir regularidades ou leis, em que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa. Assim, faz necessária a imparcialidade por parte do pesquisador.
Romberg (2007) disse que, há dois aspectos para o uso do termo métodos de pesquisa que precisam ser entendidos. Primeiramente o autor fala dos métodos específicos discutidos na literatura de pesquisa que podem incluir a maneira na qual a informação é coletada, o modo como ela é analisada, ou, às vezes, como ela é relatada. Depois, Romberg como segundo aspecto diz que, os métodos vigentes que um pesquisador usa para coletar evidências dependem de pelo menos cinco fatores:
A visão de mundo – estabelece os métodos usados dentro das crenças de uma particular comunidade de estudo;
A orientação do tempo – considera em qual tempo as perguntas foram levantadas, se no passado, no presente ou no futuro;
As situações – se existem realmente ou se precisam ser criadas;
A fonte de informação prevista – são as fontes de evidência, podem ser encontradas em livros, falas, entre outras, nas respostas às perguntas, ou nas observações de ações; e
O julgamento do produto - se refere à avaliação de estudos como uma categoria distinta de métodos de pesquisa (ROMBERG, 2007, p. 113).
Desse modo, é importante entender esses fatores, porque muitos métodos que existem na literatura são baseados nesses cinco fatores ou pelo menos fazem uso deles. Portanto, agora
A Pesquisa Científica e a Metodologia
discutiremos alguns métodos de pesquisa ou esse conjunto de métodos que a maioria chama de metodologia de pesquisa.
Por exemplo, no método qualitativo é importante ter objetivos, isto é, o processo de investigação que reconhece a complexidade do objeto das ciências sociais, além disso, teoriza, revê criticamente o conhecimento acumulado, estabelece conceitos, usa técnicas adequadas e realiza análises ao mesmo tempo específicas e contextualizadas (MINAYO, 2014, p. 62).
A objetivação, segundo a autora, leva a repudiar o discurso ingênuo ou malicioso da neutralidade, mas exige buscar formas de reduzir a incursão excessiva dos juízos de valor na pesquisa. Assim, Goldenberg (2004) diz que, quanto mais o pesquisador tem consciência de suas preferências pessoais mais ele será capaz de evitar o bias4, muito mais do que aquele que trabalha com a ilusão de ser orientado apenas por considerações científicas. Tal fato deve se ter maior atenção quando se trata da pesquisa qualitativa.
Autores como Bogdan e Biklen (1994) destacam que o método qualitativo em educação assume muitas formas e é conduzido em múltiplos contextos.
Nesse sentido, os autores utilizam a expressão método qualitativo como,
Um termo genérico que agrupa diversas estratégias de investigação que partilham determinadas características. Os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e conversa, e de complexo tratamento estatístico (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 16).
A pesquisa qualitativa, como o nome já indica, trabalha com a qualidade. Qualidade do quê? Com essa formulação estamos apontando posturas em relação ao modo de tomar um ou outro fenômeno para investigação. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa trabalha as estratégias mais representativas que são as características vistas em profundidade, onde o objetivo do pesquisador é compreender fenômenos nos quais estão interessados.
A abordagem da pesquisa qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia de que nada é trivial, que tudo tem potencial para constituir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso fenômeno de estudo. [...] A ênfase qualitativa no processo tem sido particularmente útil na investigação educacional, ao clarificar a “profecia auto-realizada”, a ideia de que o desempenho cognitivo dos alunos é afetado pelas expectativas dos professores [...] As técnicas quantitativas conseguiram demonstrar, recorrendo a pré e pós testes, que as mudanças se verificam. As estratégias qualitativas patentearam o modo como as expectativas se traduzem nas atividades, procedimentos e interações diárias (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 49).
O que se pode entender a partir dessa citação é que as estratégias qualitativas tentam analisar toda a riqueza dos dados, respeitando, tanto quanto possível, a forma como foram registrados ou transcritos.
Na pesquisa qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal. Os investigadores introduzem-se e despendem grandes quantidades de tempo em escolas, famílias, bairros e outros locais tentando elucidar questões educativas. Ainda que alguns investigadores utilizem equipamentos, vídeo ou áudio, muitos limitam-se exclusivamente a utilizar um bloco de apontamentos e um lápis. Contudo, mesmo quando se utiliza o equipamento, os dados são recolhidos em situação e complementados pela informação que se obtém através do contato direto (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 47).
O que se pode constatar na fala desses autores, é que a investigação qualitativa é descritiva e os dados coletados são obtidos em formas de palavras ou imagens e não de números, ou seja, os resultados escritos da investigação contêm citações feitas com base nos dados para substanciar a apresentação da pesquisa.
Como tratar, então, sobre o delineamento de pesquisa qualitativa? Deslauriers e Kérisit (2008, p. 127) clareiam que,
Em várias disciplinas, o processo da pesquisa científica é nitidamente o mesmo e os pesquisadores aplicam, no conjunto, os mesmos princípios de ação. No entanto, se muitos argumentam que quantitativos e qualitativos seguem caminho semelhante, o debate nem por isso está encerrado entre os pesquisadores: quantitativos e qualitativos procedem da mesma maneira? Ou, em outras palavras, existe um delineamento de pesquisa próprio à pesquisa qualitativa?
Segundo os autores, quando a pesquisa qualitativa retornou com força no final dos anos 1960, mas, principalmente, na metade dos anos 1970, seus adeptos pretendiam que ela apresentasse características particulares.
Na opinião de seus promotores mais zelosos, a pesquisa qualitativa recorria a técnicas que a diferenciavam, radicalmente, da pesquisa quantitativa. Nesse período, era comum opor os bons ‘qualitativos’ aos menos bons ‘quantitativos’. Entretanto, passado esse período de defesa, e após os pesquisadores qualitativos terem realizados alguns trabalhos relevantes, pareceu que o procedimento geral de pesquisa que eles seguiam era sensivelmente o mesmo que aquele percorrido pelos outros pesquisadores (DESLAURIERS; KÉRISIT, 2008, p. 127).
Dessa forma, segundo os autores, o pesquisador se propõe a apresentar uma questão e colhe informações para respondê-la; o pesquisador trata os dados, analisa-os e tenta demonstrar como eles permitem responder a seu problema inicial. De fato, para Deslauriers e Kérisit, num delineamento de pesquisa qualitativa, encontram-se elementos comuns a todo projeto de pesquisa.
Com relação ao delineamento de pesquisa qualitativa, Deslauriers e Kérisit (2008) dizem que, como ocorre frequentemente nas ciências sociais, ninguém se entende quanto aos termos, a tal ponto que delineamento, design, plano de pesquisa, protocolo de pesquisa, projeto de pesquisa e modelo operatório, acabam designando a mesma coisa, quase com poucas nuanças. Isto é, de uma forma geral, esses termos se referem ao documento no qual o pesquisador apresenta a pesquisa que ele pretende realizar e a forma como ele procederá.
A Pesquisa Científica e a Metodologia
Nesse sentido, passamos a compreender que, o plano de pesquisa consiste na organização das condições de coleta de dados e análise de dados, de modo a ter-se garantia, ao mesmo tempo, de sua pertinência em função dos objetivos da pesquisa. Isto é, os planos de pesquisa variam segundo os objetivos da mesma pesquisa. Entendemos também, que vários fatores influenciam na escolha e elaboração do delineamento de pesquisa, assim o delineamento irá variar, não apenas em função do objetivo da pesquisa, mas também de acordo com as possibilidades e os limites nos quais a pesquisa se desenvolve.
Desse modo, na pesquisa qualitativa, o objeto de pesquisa é ao mesmo tempo o ponto de partida e o ponto de chegada.
O objeto de pesquisa é, geralmente, definido como uma lacuna que é preciso preencher: ‘Um problema de pesquisa se concebe como uma separação consciente, que se quer superar, entre o que nós já sabemos, julgado insatisfatório, e o que nós desejamos saber, julgado desejável’ (CHEVRIER apud DESLAURIERS; KÉRISIT, 2008, p. 132).
Assim, o objeto da pesquisa qualitativa se constrói progressivamente, em ligação com a pesquisa de campo, a partir da interação dos dados coletados com a análise deles extraída, e não somente à luz da literatura sobre o assunto, ou seja, acaba sendo muito pessoal, onde nós pesquisadores nos envolvemos muito com nosso objeto de pesquisa, por isso, desde o início a escolha desse objeto deve ser algo que nos cause interesse, curiosidade e principalmente faça parte do nosso contexto social.
Embora haja diferentes métodos de pesquisa, a saber: pesquisa quantitativa, estudos de caso, pesquisa exploratória, pesquisa experimental, pesquisa descritiva, entrevistas estruturadas, observações clínicas, pesquisa documental, pesquisa de laboratório, pesquisa etnográfica, pesquisa participativa, pesquisa-ação, entre outros, é importante que o leitor siga nosso pensamento, pois na nossa pesquisa de campo utilizamos o método qualitativo e a pesquisa-ação.
2.3 A METODOLOGIA DE ROMBERG E AS CONTRIBUIÇÕES DE ONUCHIC