O desenho da metodologia de investigação contempla, ao longo das diversas atividades de recolha de dados, o contacto com os utilizadores nos principais marcos de decisão sobre o
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rumo da investigação. Neste sentido e com o objetivo de iniciar um contacto de proximidade com potenciais utilizadores desta tipologia de sistemas, realizou-se um workshop enquadrado nas jornadas Formare22
A base de trabalho, do ponto de vista científico, para a discussão no workshop centrava-se nos conceitos e principais grupos de funcionalidades resultantes do projeto de investigação PoLO I, que decorreu entre 2008 e 2009 em parceria com a Universidade de Coimbra e cuja coordenação científica foi da responsabilidade da investigadora deste estudo (vide detalhe do projeto no capítulo 5).
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Os principais objetivos deste momento de recolha de dados centravam-se na análise do racional informacional apresentado sobre o sistema PoLO, enquanto portal de objetos de aprendizagem e respetivo potencial de integração nas organizações que estavam presentes no workshop.
Esta informação foi particularmente relevante para apoiar na caracterização e descrição de um ecossistema de objetos de aprendizagem colaborativo para formação profissional, uma vez que à data de início desta investigação, o estado da arte retratava um cenário orientado praticamente na sua totalidade para a educação e não formação profissional.
Complementarmente foi também foco de análise a identificação das principais características que um sistema de objetos de aprendizagem deve integrar, quer do ponto de vista de perfis, que também do ponto de vista de requisitos funcionais, modelo de navegação e regras de negócio associadas.
Este workshop teve uma duração aproximada de 2h e contou com dezoito participantes de diversas organizações nomeadamente das seguintes entidades/sectores: Banco de Portugal, Energia Elétrica de Portugal (Universidade EDP), Policia Judiciária, Ordem dos Advogados; PT PRO; PT Comunicações; PT Inovação, Universidade de Coimbra; Universidade de Aveiro, ISCIA; Agência para a Modernização Administrativa (AMA), CTT e TAP Megasis.
Para o efeito, foi efetuada uma apresentação com a sistematização das principais características de sistemas de objetos de aprendizagem (anexos 10 e 11), assim como principais perfis e funcionalidades e por cada tema apresentado foi solicitado o parecer das organizações presentes, numa lógica de adaptação ao seu ambiente de aprendizagem.
Do ponto de vista logístico, todas as interações foram registadas manualmente, uma vez que não se procedeu ao registo audiovisual da sessão.
Seguidamente apresenta-se os principais resultados obtidos neste primeiro momento de recolha de dados, sistematizado por grupos de questões trabalhadas:
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Evento realizado com clientes e parceiros da solução de gestão de formação da PT Inovação - LMS Formare. Trata- se de um momento de partilha de práticas, experiências e resultados nas diversas organizações, assim como se exploram novos cenários emergentes de necessidades reais do mercado organizacional.
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Avaliação da possibilidade de disponibilização do PoLO como sistema autónomo ou integrado com um LMS (exemplo: LMS Formare)?
• A maior parte dos participantes considera que é importante integrar o sistema com um LMS sobretudo para garantir que a informação não fique dispersa e também para centralizar o acesso à formação. A proposta de integração apresenta igualmente outra vantagem para a maior parte dos participantes: melhorar e potenciar os atuais sistemas de gestão de aprendizagem, uma vez que os sistemas de objetos de aprendizagem se tratam de sistemas complementares do ponto de vista da gestão de conhecimento. • Numa perspetiva de integração, sugere-se que o sistema funcione articulado com as
áreas de conteúdos e biblioteca dos LMS. Registaram-se, igualmente, sugestões de integração numa lógica de extração de conteúdos já existentes no LMS, com vista a promover a reutilização de materiais de formação.
Quem deve alimentar o sistema PoLO?
• A resposta a esta questão não reuniu consenso entre o grupo. Uma parte do grupo considera fundamental que qualquer utilizador possa alimentar o sistema. Esta ideia é defendida com base no referencial de comunidade de aprendizagem distribuída. Outra parte do grupo manifesta a ideia contrária, que deveria haver restrições relativamente às permissões dos perfis que podem alimentar o sistema, sob pena de se assim não for, o sistema poder conter muita informação errada ou pouco credível e de se
transformar em mais um repositório de conteúdos sem controlo de qualidade do ponto de vista científico.
• A maioria dos participantes salienta, porém, a necessidade de validação dos conteúdos inseridos para garantir a credibilização da informação que o sistema disponibiliza. Neste sentido, consideram fundamental a existência de um perfil de gestor de conteúdos.
• Independentemente da entidade (perfil) que introduza conteúdos para o sistema, considera-se que não deve haver necessidade de criar mais do que uma vez
determinado conteúdo. Deve existir a possibilidade de o classificar de diferentes formas para que possa ser utilizado em diferentes percursos/contextos. Os conteúdos devem ser o mais granulares possível, tendo em vista a sua facilidade e potencialidade de reutilização.
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Como credibilizar a informação disponibilizada no sistema PoLO?
• O grupo apresentou concordância sobre a existência de um perfil de utilização que tenha como principal função validar o conteúdo carregado e classificá-lo corretamente (efetuando a sua validação).
• Foi igualmente sugerida a implementação de um inquérito de satisfação que estivesse associado ao OA, a partir do qual se possa obter um indicador da qualidade do mesmo. • Outra sugestão prende-se com a apresentação dos resultados da pesquisa de
formação. A maioria dos participantes refere que o sistema deve ter inteligência para analisar e apresentar os conteúdos mais credíveis no sistema, mesmo existindo um perfil que valide os conteúdos carregados. Um critério sugerido para classificar os conteúdos mais credíveis é o seu nível de acesso/frequência e nota obtida.
O sistema PoLO deve funcionar num registo de informação aberta ou fechada? • Uma parte dos participantes refere que é fundamental a existência de grupos de
publicação-alvo dos objetos de aprendizagem, ou seja, defende que deve existir a possibilidade de definir para quem se destina um determinado OA. Esta funcionalidade implica que quem valide os conteúdos no sistema também valide o grupo alvo dos conteúdos. Esta característica implica necessariamente que um utilizador pertença a, pelo menos, um grupo.
• Outra parte do grupo considera que ao implementar esta funcionalidade no sistema poder-se-á estar a perder riqueza de interação e melhoria dos próprios conteúdos, inclusivamente diminuindo o espectro de proliferação da informação. Sobre esta questão, considera-se importante referir que as instituições que defendem a segunda opinião, não têm histórico de uma estrutura de gestão de formação orientada ao perfil de competências dos seus colaboradores. O grupo que defende a primeira opinião, refere inclusivamente que sem essa funcionalidade não utilizaria o sistema, pois existe informação que não poderá ser disponibilizada a todos os utilizadores num contexto de formação profissional. A confidencialidade da informação foi um dos aspetos mais referidos no debate desta questão/funcionalidade. Enquanto organização, foi referida a necessidade de existência de informação aberta e fechada.
Deve ser possível a integração do PoLO com outros sistemas:
• Em relação a esta questão a opinião do grupo não foi novamente consensual. • A maior preocupação dos participantes foi a confidencialidade da informação
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interessante, desde que essa comunicação com outros sistemas assegurasse confidencialidade e fosse efetuada com base no pressuposto que existem não só grupos de utilizadores como áreas temáticas. Ainda nesta linha de debate essas organizações consideram que esse potencial poderia residir somente na comunicação com empresas que façam parte do grupo ou que tenham parcerias com elas.
• Outra sugestão apresentada foi a possibilidade de o sistema ter capacidade de recolher informação do exterior (de outros sistemas), através de funcionalidades como RSS e API disponibilizadas por repositórios. A comunicação seria, portanto,
unidirecional do ponto de vista de recolha e leitura de informação externa.
Outras sugestões recolhidas:
• Numa lógica de extensão das ferramentas e serviços disponibilizados na Internet, seria interessante e muito relevante esta tipologia de sistema integrar funcionalidades de partilha e de interação que fomente a comunicação a construção de opinião, bem como partilha e difusão do conhecimento, nomeadamente: fóruns, wikis, blogues.
• Atendendo à evolução da tecnologia, seria também relevante pensar o sistema adaptado a vários terminais de acesso para que o utilizador não fique limitado ao acesso no seu computador.
As informações obtidas no workshop permitiram iniciar uma linha de trabalho de especificação do protótipo funcional, a implementar na segunda fase de investigação, ao mesmo tempo que orientaram a conceção do guião das entrevistas semiestruturadas, a partir das quais se pretendia aferir a expectativa de funcionamento e modelo de negócio de um sistemas de OA para formação profissional, assim como identificar os principais fluxos que se poderiam estabelecer entre os diversos agentes no sistema, recuperando as motivações subjacentes a essas interações.
A informação obtida neste momento de recolha de dados foi particularmente relevante para sistematizar a perceção dos utilizadores sobre a dimensão tipologias e dinâmicas que um fluxo de comunicação pode assumir neste ecossistema, assim como da sua potencial eficácia. Após a realização do workshop e com os dados obtidos sobre as primeiras orientações na investigação, procedeu-se ao desenho de uma matriz de funcionalidades do sistema agrupada por perfil de utilizador e por grandes áreas funcionais.
A estrutura desta matriz (anexo 6) resulta diretamente das questões de investigação que sustentam este estudo, assim como do levantamento de funcionalidades existentes nos projetos PoLO I, POLO II e em alguns sistemas de objetos de aprendizagem em contexto educacional, analisados na fase do levantamento do estado da arte sobre esta temática.
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Considera-se importante referir que esta matriz foi sendo progressivamente construída, em ciclos iterativos de melhoria contínua, partindo do referencial de funcionalidades e requisitos do sistema PoLO que estava a ser desenvolvido em simultâneo com esta investigação.
De uma forma global, a matriz descreve quais são os principais fluxos comunicacionais que se estabelecem entre agentes no sistema e efetua-se a respetiva tipificação. Assim, para cada fluxo é atribuído um determinado indicador, afeto a uma dimensão do conceito operatório de fluxo de comunicação.
Esta matriz tinha como principal objetivo estabelecer uma conexão de dimensão teórico-prática entre os resultados do workshop e o desenho do guião das entrevistas, concretizando o contexto funcional do sistema, que foi sendo desenvolvido e que é parte do objeto de estudo desta investigação.
O desenho desta matriz foi sendo acompanhado pelo desenho do modelo de análise. A descrição pormenorizada do modelo será apresentada no final deste capítulo 5. A identificação dos agentes e fluxos de comunicação teve uma ação de influência muito forte na matriz de funcionalidades, pois de acordo com a identificação de novos fluxos foram sendo adicionadas novas funcionalidades e mecanismos para suportar essa comunicação.
Em seguida apresentam-se os campos identificados para integração na matriz. Um exemplo de aplicação pode ser consultado no anexo 6 – Matriz de Funcionalidades.
Tabela 13: Campos utilizados na construção da matriz de funcionalidades
Cenário 1: Utilização (exemplo de um fluxo de comunicação)
Agentes (entidades) Processo Contexto e Domínio
Identifica-se por fluxo quem é o agente emissor (origem), recetor (destino) e respetivos tipos.
Por cada fluxo tentou-se identificar e classificar a sua tipologia; o nível e os mecanismos de comunicação que lhe estão associados.
Identifica-se ainda a direção e a iniciativa do fluxo (padrão) e o espaço de interação onde decorre esse fluxo (se envolve comunicação e integração com outros sistemas ou fontes externas).
O desenho desta matriz foi efetuado à luz dos principais casos de uso de sistemas desta tipologia (identificados previamente). Nesses casos de uso integraram-se funcionalidades como: sugestão de OA, alertas e notificações, pesquisa, comentário, votação, marcação de OA como favorito, fórum, bloco de notas, criar e efetuar estudo de OA.