1. ORGANISATION MISE EN PLACE POUR ASSURER LA QUALITE DE SERVICE
3.3 Autres solutions énergétiques
com a perda de
biodiversidade e
mudanças
climáticas
devem ser
abordados pelos
formuladores de
políticas com
igual prioridade
e em estreita
coordenação
As mudanças climáticas já estão causando im- pacto sobre a biodiversidade e estão projetadas para se tornarem uma ameaça cada vez mais sig- nificativa nas próximas décadas. A perda de gelo marinho no Ártico ameaça a biodiversidade de um lado ao outro de um bioma inteiro e além de seus limites. A pressão associada da acidificação dos oceanos, resultante de concentrações mais altas de dióxido de carbono na atmosfera, tam- bém já está sendo observada.
Os ecossistemas já estão apresentando impac- tos negativos sob os níveis atuais de mudanças climáticas (um aumento de 0.74º C na tempe- ratura média da superfície global em relação aos níveis pré-industriais), que são modestos em relação às futuras mudanças projetadas (2.4-6.4º C até o ano de 2100, sem adotar me- didas agressivas de mitigação). Além de tem- peraturas mais quentes, eventos climáticos extremos mais frequentes e alterações dos padrões de chuva e de seca podem vir a ter impactos significativos sobre a biodiversidade.
Impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade variam muito em diferentes re- giões do mundo. Por exemplo, as maiores taxas de aquecimento foram observadas em latitu- des elevadas, em torno da península Antártica e no Ártico, e esta tendência deverá continuar. A súbita redução na extensão, idade e espessu-
ra do gelo marinho do Ártico, superando até mesmo as previsões científicas recentes, tem implicações importantes na biodiversidade [Ver Quadro 15 e Fi- gura 14].
As mudanças do ritmo de floração e de padrões de migração, bem como da distribuição das espécies, já têm sido observadas em todo o mundo. Na Europa, ao longo dos últimos quarenta anos, o início da época de plantio e germinação adiantou 10 dias em média. Esses tipos de mudanças podem alterar as cadeias alimentares e criar desequilíbrios dentro de ecossis- temas onde diferentes espécies desenvolveram inter- dependência sincronizada, por exemplo, entre nidifi- cação e disponibilidade de alimentos, polinizadores e adubação. As mudanças climáticas são também projetadas para mudar as variações de organismos patogênicos, colocando-os em contato com hospedei- ros em potencial que não desenvolveram imunida- de. Habitats aquáticos de água doce e zonas úmidas, manguezais, recifes de coral, ecossistemas árticos e alpinos e florestas nubladas são particularmente vul- neráveis aos impactos das mudanças climáticas.
Algumas espécies serão beneficiadas pelas mudan- ças climáticas. Contudo, uma avaliação observando aves europeias concluiu que, das 122 espécies mais comuns avaliadas, havia aproximadamente três vezes mais espécies apresentando decínio popula- cional do que espécies com aumento populacional, como resultado das mudanças climáticas.
Panorama da Biodiversidade Global 3 | 57 O descongelamento e recongelamento anual de gelo marinho no Oceano Ártico sofreram uma mudança drástica de padrão durante os primeiros anos do século 21. No seu ponto mais baixo, em setembro de 2007, o gelo cobria uma área do oceano menor do que em qualquer tempo desde que as medições de satélite começaram, em 1979, 34% menos que a média mínima de verão entre 1979-2000. A extensão de gelo marinho em setembro de 2008 foi a segunda mais baixa registrada e, embora o nível tenha subido em 2009, manteve-se abaixo da média de longo prazo. Assim como o encolhimento na extensão, o gelo marinho do Ártico tornou-se significativamente mais fino e mais novo: de sua extensão máxima em março de 2009, apenas 10% do Oceano Ártico estava coberto por gelo com mais de dois anos de idade, em comparação com uma média de 30% durante o período de 1979 -2000. Isso aumenta a probabilidade de aceleração contínua na quantidade de água sem depósitos de gelo durante os verões que ainda estão por vir.
A perspectiva de verões sem gelo no Oceano Ártico implica na perda de um bioma inteiro. Grupos de espécies inteiras estão adaptados à vida em cima ou embaixo do gelo – desde as algas que crescem na parte inferior de gelo multianual, formando até 25% da produção primária do Oceano Ártico, até os invertebrados, aves, peixes e mamíferos marinhos que encontram-se mais acima na cadeia alimentar.
Muitos animais também dependem do gelo marinho como um refúgio contra predadores ou como uma plataforma para a caça. As focas aneladas, por exemplo, dependem de condições específicas do gelo na primavera para a reprodução, e os ursos polares vivem a maior parte de suas vidas viajando e caçando no gelo, indo para a terra somente para buscar refúgio. O gelo é, literalmente, a plataforma para a vida no Oceano Ártico – e a fonte de alimento, a superfície para o transporte e a fundação do patrimônio cultural dos povos Inuit.
A redução e a eventual perda de gelo multianual e de verão têm implicações sobre a biodiversidade que ultrapassam o bioma de gelo marinho. O gelo branco brilhante reflete a luz solar. Quando ele é substituído por águas mais escuras, o mar e o ar esquentam muito mais rapidamente, uma regeneração que acelera o derretimento do gelo e o aquecimento do ar na superfície terrestre, com consequente perda de tundra. Menos gelo marinho leva a mudanças na temperatura e salinidade da água do mar, o que gera mudanças na produtividade primária e na composição de espécies de plâncton e peixes, bem como mudanças em grande escala na circulação oceânica, afetando a biodiversidade muito além do Ártico. Quadro 15 Gelo marinho do Ártico e biodiversidade
1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 4 5 6 7 8 Milhões Km²
A extensão da área de gelo flutuante no Oceano Ártico, de acordo com a medida de seu nível mínimo em setembro, mostrou um declínio constante entre 1980 e 2009.
Fonte: Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo