5.7 L’op´erateur des ondes
5.7.5 Solution de Poisson
Relativamente à entrevista feita à especialista em pedopsiquiatria (cf. Anexo 4), passamos à análise do seguinte quadro (ver quadro 2).
Quadro 2 – Referentes das questões abertas efetuadas à pedopsiquiatra
Categorias Subcategorias Explicação
A – Opinião sobre “Escolarização
Precoce” na Educação Pré-
Escolar
A1 – Conceito Compreender se conhece o termo.
A2 – Avaliação e respetiva justificação
Perceber como avalia a escolarização precoce e porquê.
A3 – Estimulação precoce das aprendizagens
Compreender a sua opinião sobre as crianças que são estimuladas na aprendizagem da leitura, escrita, entre outras.
A4 – Possibilidade de uma criança aprender a
ler ou escrever
Compreender a sua perspetiva sobre a possibilidade das crianças aprenderem a ler ou escrever durante a Educação Pré-Escolar.
A5 – Fichas de Atividades
Compreender a sua opinião sobre a realização de fichas de atividades em Educação Pré- Escolar
A6 – Estimulação por parte dos pais
Compreender a opinião sobre o facto de alguns pais incentivarem as crianças, com idades precoces, a ler e a escrever.
A7 – Consequências no desenvolvimento da
criança
Compreender se, a longo prazo, a escolarização precoce provoca consequências no desenvolvimento da criança, e se sim, quais. A8 – Atitude do educador sobre os interesses da criança
Compreender qual a atitude que um educador deve tomar se for do interesse da criança aprender mais do que aquilo que é considerado normal na sua idade. B – Opinião sobre a
diferenciação pedagógica
Compreender a sua perspetiva sobre a diferenciação pedagógica como forma de não escolarizar precocemente a criança.
C – Opinião sobre o Brincar na Educação
Pré-Escolar
C1 – Tempo para aprender e tempo para
brincar
Compreender a sua opinião sobre a existência, ou não, de dois tempos em Educação Pré- Escolar – tempo para aprender e tempo para brincar – e como se devem gerir ambos.
C2 – “Brincar” como atividade suficiente para
desenvolver competências
Perceber se considera o “brincar” uma atividade suficiente, na Educação Pré-Escolar, para desenvolver competências a diversos níveis na criança.
D – Idade para iniciar o 1ºCiclo do Ensino
Básico e respetiva justificação
Perceber qual a idade que considera adequada para uma criança iniciar o 1ºCiclo do Ensino Básico e porquê.
Analisamos a subcategoria A1, compreendendo que o conceito “escolarização precoce” é entendido pela médica pedopsiquiatra segundo a própria etimologia das palavras, ou seja, “escolarização” será a aprendizagem da leitura e da escrita; “precoce” – antes do tempo certo em que a criança deveria aprender.
Na subcategoria A2 a entrevistada considera que tudo o que seja precoce, não pode ser visto como bom. Se é antes do tempo a criança pode não estar preparada para adquirir esses conhecimentos, podendo muito mais facilmente ter insucesso e desmotivar-se para a aprendizagem, que tem que ser adquirida mais tarde.
Relativamente à subcategoria A3, a entrevistada considera que existe uma pressão muito grande sobre a escolarização. Durante o pré-escolar existem competências que têm de ser adquiridas e pode haver uma tendência de “quanto mais cedo melhor”, quanto mais cedo uma criança souber ler e escrever, depois mais conhecimentos adquire. Contudo, a doutora defende que essa assunção pode ser considerada contraproducente. E encara essa pressão como algo preconizado por algumas escolas mas também pelos próprios pais.
Na subcategoria A4, a doutora refere que as competências de leitura e escrita têm de ser adquiridas mais tarde. Baseando-se em estatísticas, esta médica pedopsiquiatra afirma que a maioria das crianças aos 4/5 anos ainda não dispõe destas competências. Portanto, só a partir dos 6, e algumas crianças até aos 7 anos de idade, é que atingem, ao nível do desenvolvimento, competências para a leitura e a escrita.
Respetivamente na subcategoria A5, a entrevistada defende que a realização de fichas de atividades na educação pré-escolar poderá ter algum interesse e utilidade em crianças mais velhas.
Explicou que, durante o pré-escolar a criança está habituada a brincar em grande parte do seu tempo, tornando-se a mudança para a escola bastante complicada, pois permanecerá grande parte do dia sentada. Para habituar a criança a este trabalho de mesa, aos 5 anos, deverá ser criado um momento de transição.
A entrevistada salienta a preocupação de alguns educadores em querer ajudar a criança a estar focada numa atividade durante algum tempo, e para isso recorrem às fichas para habituá-la ao ritmo e forma de estar do 1ºciclo.
Deste modo, considera que algumas fichas de atividades poderão ser lúdicas, explorando alguns conceitos básicos, como identificar algumas letras e números, e isso – afirma a pedopsiquiatra – algumas crianças poderão já ser capazes de fazer.
No que diz respeito à subcategoria A6 a entrevistada considera que, por vezes, há crianças que têm alguma satisfação e gosto pelo que até elas próprias procuram saber e aprender sozinhas. Mas revela que isso não acontece com a maioria das crianças, devendo-se, portanto, respeitar o tempo da criança e se calhar delegar a educação/instrução para os professores. Até porque existem crianças que quando aprendem muito precocemente a ler e escrever, depois acham o 1º Ciclo muito desinteressante e enfadonho, por já saberem tudo e não aprendam nada de novo.
Nessas situações as crianças acabam por ficar desmotivadas, algumas delas nem têm motivação para aprender e acabam por achar as atividades enfadonhas, ligadas a algum desprazer, quando poderiam ser bem-vindas no seu tempo certo.
Na subcategoria A7 pretendia-se saber quais as consequências da escolarização precoce no desenvolvimento da criança. Neste ponto, a entrevistada considera a falta de tempo para brincar um dos problemas mais críticos.
A especialista revelou que a criança precisa de, além de ter estas competências do saber, do ler, do escrever, também tem de ter outras competências, nomeadamente as sociais e precisa de tempo para brincar e ser criativa. “É importante que haja tempo para as crianças brincarem, para fomentarem os relacionamentos
interpessoais, que são fundamentais no desenvolvimento pessoal e para adquirir competências sociais que são fundamentais para uma pessoa adulta.
De outras consequências nomeadas, a doutora destacou a desmotivação para a aprendizagem. Se insistem com a criança numa fase do desenvolvimento para adquirir determinadas competências, para as quais não está motivada ou que não é capaz, depois ela acaba por se desmotivar. No final ela pode não ter prazer na aprendizagem. A par disso, se a criança perceber que realmente não é capaz, adquire uma sensação de incompetência, o que também não é bom para o desenvolvimento de uma boa autoestima e de um desenvolvimento saudável e feliz.
Na subcategoria A8, a entrevistada explicou que se deve encontrar algum equilíbrio. Considera ser importante que um educador vá saciando as crianças um bocadinho diferentes das outras, mas também deve dirigi-las para outras atividades, que se calhar a criança não tem tanto interesse, mas que são igualmente importantes para ela, como a brincadeira com os outros.
A pedopsiquiatra revelou ainda que, o educador tem de mostrar à criança que há outras coisas importantes na sua formação, mas nunca deverá deixar de lhe dar as respostas, nem a poderá desmotivar. Deverá canalizar as atividades para outras áreas igualmente importantes no pré-escolar.
Relativamente à categoria B, a entrevistada considerou que a diferenciação pedagógica seria o ponto de equilíbrio ideal para evitar a escolarização precoce. Considera esta solução de compromisso muito difícil, mas não a considera uma missão impossível.
Se houver questões que seja importante que sejam aprendidas e se uma determinada criança adquire essas competências com muita facilidade, o professor/educador pode utilizar essa criança como personagem mobilizara do grupo para uma determinada atividade, atribuindo-lhe determinadas funções. Por exemplo, se houver alguma criança que seja muito boa a jogar futebol, e se o grupo tiver que jogar futebol, essa criança poderá desempenhar neste contexto uma função de liderança, ajudando o educador/professor a motivar o grupo para essa atividade.
No fundo, a especialista considera importante que o educador trabalhe sempre tendo em conta a dinâmica do grupo, mas tentando ir à individualidade de cada criança, promovendo a diferenciação pedagógica em contexto de sala de aula.
Relativamente à subcategoria C1, compreendemos que à luz da experiência da doutora o tempo para aprender e para brincar são um só. Nestas idades de pré- escolar a médica defende que se deve apelar ao imaginário, à aprendizagem lúdica, que dê prazer à criança, conseguindo fazê-la chegar no final à aprendizagem.
Na subcategoria C2 a entrevistada não considerou o “brincar” como uma atividade suficiente, na Educação Pré-Escolar, para desenvolver competências a diversos níveis na criança. O “brincar”, em alguns momentos, deve ser uma brincadeira orientada, dirigida e com objetivos. Mas por outro lado, também refere que devem existir tempos de brincadeira que não sejam orientados, onde as crianças possam interagir entre elas, decidem o que vão fazer e como o vão fazer.
Por último, na categoria D, a médica referiu que, entre os 6 e os 7 anos de idade, a maioria das crianças já adquiriu as competências para a aprendizagem da leitura e escrita, sendo esta a idade adequada para ingressar no 1º ano de escolaridade. Fez no entanto questão de sublinhar que esta não é um dado absoluto, mas uma variável fluida de criança para criança.
A entrevistada refere que contactou diversas vezes com crianças que já sabem ler e escrever aos 4/5 anos, existindo também casos de crianças que aos 7/8 anos ainda não têm essas competências.
Para esta importante mudança, deve se ter em conta não só as capacidades cognitivas da criança num dado momento, mas também outras competências essenciais a nível comportamental, na atenção, concentração, capacidades críticas para estar a trabalhar durante o tempo que lhes é exigido, etc.
A médica alerta ainda para os casos das crianças que adquirem estas competências, mas que depois, em termos práticos, não acompanham o restante grupo, estando muitas vezes desfasadas das outras crianças em termos de maturidade e das próprias brincadeiras. Refere que em crianças pequenas sente-se muito facilmente os sinais dos diferentes ritmos de aprendizagem. Alguns anos de diferença entre as idades das crianças, ou até mesmo meses, fazem toda a diferença. Em jeito de conclusão, a especialista faz questão de deixar a mensagem de que, não deve haver pressa pois há tempo para tudo. Por vezes, não é um ano que fará grande diferença na vida de alguém. Um dia mais tarde esse ano não será importante. Todos nós, educadores, professores, pais, médicos, devemos ser cautelosos, ter bom senso, não ter pressa e ir de acordo com aquilo que realmente é saudável para a criança.
Gráfico 11 – Questão 1 (EPE)
Gráfico 12 – Questão 2 (EPE)