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Slot Properties

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Specialized Data Structures

Section 2.10 mentioned that lexical variables are only valid within the context where they are defined. Along with this restriction comes the promise

11.3 Slot Properties

Conforme proposto na Taxonomia elaborada para a subárea de Compreensão Pública da Ciência, essa compreende as seguintes especialidades: Divulgação Científica, Alfabetização Científica, Popularização Científica ou Vulgarização Científica; Ciência e Mídia; Comunicação para a Saúde; Comunicação Rural; Políticas de Comunicação de C&T; Divulgação das Políticas de C&T; Comunicação Ambiental e Jornalismo Científico. Tais especialidades, ao longo da história, ora se convergem, ora se distanciam. Em diversos momentos, cada uma dessas especialidades apresenta um corpus conceitual bem delimitado, em outros, no entanto, algumas são tomadas como sinônimo de outras, ou como parte de um mesmo conceito.

A partir dos objetivos centrais deste trabalho (investigar a contribuição das matérias jornalísticas de CT&I dos telejornais brasileiros para a Compreensão Pública da Ciência), a ênfase será dada às concepções de Divulgação Científica (que entrelaçam também as de Difusão Científica e Disseminação Científica) e Jornalismo Científico.

O desenvolvimento da Divulgação Científica antecede e abarca, em determinadas conceituações, o conceito de Jornalismo Científico. Não há um consenso entre pesquisadores sobre o surgimento da Divulgação Científica. As diferentes perspectivas sobre o surgimento desta atividade são reflexos da diversidade de concepções existentes. Enquanto para alguns estudiosos a Divulgação Científica é intrínseca à própria produção da Ciência e acompanha o desenvolvimento desta (MACEDO, 2002; MASSARANI & MOREIRA, 2004), para outros, no entanto, essa atividade surgiu, mais precisamente, no século XVII, quando começou a surgir a Ciência Moderna e o conhecimento dos sistemas do mundo passou a fazer parte da educação das pessoas (REIS, 2001; CALVO HERNANDO, 2006).

As primeiras iniciativas eram de cientistas, que publicavam suas idéias e teorias em livros, conferências e em demonstrações de experimentos, mas para um público restrito. Segundo Macedo (2002), o surgimento dos primeiros periódicos científicos no século XVI coexistia

com a divulgação para o grande público, através de livros de divulgação, conferências públicas e outros. Reis (2001), no entanto, questiona sobre o alcance daquele público.

Representativo desse esforço de espalhar a ciência seria o livro de Bernier le Bovier de Fontenelle "Entretiens sur la pluralitè des mondes", publicado em 1686. (...) Poderíamos então considerar Fontenelle como popularizador da ciência se ele escrevia apenas para a aristocracia, que era a classe interessada nesse tipo de conhecimento, e manifestava até a convicção de que o conhecimento científico devia constituir o privilégio da elite? (Reis, 2001, on line).

Os periódicos específicos de Divulgação Científica para um público mais amplo (não- cientistas) surgiram, em nível internacional, no século XIX. Um dos mais antigos, o Scientific

American, fundado em 1845 e editado no formato de jornal, era voltado a aspectos

econômicos da Ciência e da Tecnologia, para um público formado por grandes industriais, comerciantes e fazendeiros potencialmente interessados por inovações tecnológicas (MACEDO, 2002, p. 91).

Em países da América Latina e da Ásia, a Divulgação Científica começou de maneira incipiente no século XVIII, segundo Massarani & Moreira (2004), quando intelectuais se convenceram de que a Ciência tem relação direta com a condição econômica dos países. Dessa forma, foram criados veículos, como jornais e revistas, para a difusão e a discussão da Ciência. No entanto, eram iniciativas dispersas e com público muito reduzido.

No Brasil, os primeiros periódicos específicos de Divulgação Científica surgiram apenas no século XX. Nos anos 80 são lançadas as primeiras revistas de Divulgação Científica para o público não-especializado: Ciência Hoje (em 1982) e Ciência Ilustrada (1981-1984). (MACEDO, 2002).

Há alguns entraves epistemológicos que geram visões diferenciadas sobre a origem da Divulgação Científica para o grande público. Macedo (2002) chama a atenção de que a história da Divulgação Científica é pontuada por conflitos e desigualdades, que estão ligados ao próprio projeto da Ciência e dos cientistas e às funções e estratégias que a divulgação assume em diferentes momentos.

Alguns autores caracterizam as atividades realizadas nos séculos XVII e XVIII por cientistas e pensadores como Disseminação Científica e Difusão Científica (e não Divulgação Científica), já que o público de tais obras era formado por cientistas, letrados, aristocratas. Para contribuir para a elucidação do surgimento da Divulgação da Ciência para o público em geral, Calvo Hernando (2006), busca nas concepções de Pasquali, os conceitos e as diferenciações entre Difusão Científica, Disseminação Científica e Divulgação Científica. A Difusão Científica é, segundo o autor, missão do cientista de transmitir ao público os conhecimentos de sua área. “La diseminación científica es la transmisión, por parte del investigador, de informaciones científicas y tecnológicas para sus pares o especialistas en el mismo sector de la ciencia, en lenguaje” (CALVO HERNANDO, 2006).

A Disseminação Científica trata-se, por outro lado, do envio de mensagens elaboradas em linguagens especializadas, para públicos selecionados e restritos. Consiste na comunicação interpares, do cientista para os próprios cientistas.

A Divulgação Científica, segundo ele, compreende todo tipo de atividade de ampliação e atualização do conhecimento. “La divulgación nace en el momento en que la comunicación de un hecho científico deja de estar reservada exclusivamente a los propios miembros de la comunidad investigadora o a las minorías que dominan el poder, la cultura o la economia” (CALVO HERNANDO, 2006b). Refere-se ao envio de mensagens elaboradas mediante a transcodificação da linguagem técnica para uma linguagem compreensível pelo público amplo. Segundo o autor, na Divulgação Científica, a mensagem é dirigida a um público muito amplo, com conhecimentos bem distintos sobre Ciência.

Leitão e Albagli (1997, p. 18) defendem que Difusão Científica se refere “a todo e qualquer processo ou recurso usado para a comunicação de informação científica e tecnológica”. Já a Divulgação Científica, para esses autores, é definida como o uso de recursos e processos técnicos para a comunicação de informação científica e tecnológica para o público em geral. Ela também é tomada, por estes autores, como sinônimo de vulgarização científica.

Posição distinta apresenta Bueno (1984), para o qual o conceito de Difusão Científica incorpora a Divulgação Científica e o Jornalismo Científico. A Difusão, segundo o autor, pode ocorrer em dois níveis: 1) para especialistas (que ele chama de Disseminação Científica) e a difusão para o público em geral (que denomina de Divulgação Científica).

Para Bueno (idem, p. 15-16), Disseminação Científica pressupõe a transferência de informações científicas e tecnológicas, transcritas em códigos especializados, a um público formado por especialistas. De acordo com o autor, a disseminação comporta dois níveis: 1) a disseminação intrapares (entre especialistas de uma mesma área do conhecimento) e 2) disseminação extrapares (para especialistas de outras áreas do conhecimento).

A Divulgação Científica, para Bue no (ibidem, p. 18-19), compreende a utilização de recursos, técnicas e processos para a veiculação de informações científicas e tecnológicas ao público em geral. O Jornalismo Científico, na visão de Bueno, é um segmento da Divulgação Científica.

Epstein (2002) caracteriza a comunicação primária ou disseminação como aquela que ocorre entre os próprios cientistas (interpares) e a comunicação secundária ou divulgação como aquela que se realiza entre os cientistas e o público leigo (diretamente ou pela mediação dos divulgadores científicos). Para o autor, tais atividades apresentam diferenças, mas não são estanques, se interpenetram.

Ao analisar o histórico da Divulgação Científica, Massarani & Moreira (2004) observa ram fases distintas, cujas finalidades e características refletem o contexto e os interesses de cada época. A forma tradicional de abordagem da Divulgação Científica é o “modelo do déficit”, caracterizado pela diferenciação entre os produtos do conhecimento, detentores do “saber” e os consumidores, caracterizados como os que não têm o conhecimento.

Segundo Massarani & Moreira (idem), esse modelo está relacionado a uma visão unidirecional da Divulgação Científica, em que a informação flui de indivíduos dotados para uma massa carente de conhecimentos. Segundo os autores, só recentemente as análises da fronteira difusa e das inter-relações entre essas duas categorias têm sido consideradas. Para Macedo (2002), tal modelo vem sendo atualmente muito criticado devido aos fracassos observados, mas continua vigorando, e, mesmo com as críticas que lhe vêm sendo feitas, não foi radicalmente transformado.

Hilgartner (1990) faz crítica semelhante ao modelo de divulgação do conhecimento para o grande público. O autor avalia que a visão culturalmente dominante de popularização da Ciência é enraizada na noção de um conhecimento científico puro e genuíno com o qual o conhecimento popularizado é contrastado. É assumido, segundo ele, um modelo de dois estágios: primeiro, os cientistas desenvolvem um conhecimento cient ífico genuíno, subseqüentemente, os divulgadores relatam tais conhecimentos para o público.

Essa visão, para Hilgartner (idem), sugere que as diferenças entre o conhecimento genuíno e a Ciência popularizada devem ser causadas por “distorção” ou “degradação” da verdade original. Para o autor, essa visão encara a popularização do conhecimento, na melhor das hipóteses, como uma atividade educacional de simplificação da Ciência para não especialistas e, na pior, como “poluição”, “distorção” do conhecimento. Segundo o autor, essa visão apresenta problemas conceituais por ser extremamente simplicadora do processo de comunicação. Essa visão dominante, segundo Hilgartner (ibidem), serve aos cientistas (e a outros que derivam sua autoridade do conhecimento especializado) como um recurso no discurso público, fornecendo um repertório de dispositivos retóricos para interpretar a Ciência para leigos, e uma ferramenta poderosa para sustentar a hierarquia social dos especialistas. Miller (2004) também avalia os limites do modelo tradicional de divulgação e chama a atenção de que os documentos oficiais europeus que tratam da relação Ciência-Sociedade enfatizam que os cientistas devem [grifo do autor] se comunicar melhor com o público, assim como os meios de comunicação. A demanda, segundo o autor, é por uma comunicação que permita o diálogo e o debate, ao seja, deveria ser bidirecional, que, por um lado, possibilite ao público entender os argumentos científicos e, por outro, que os cientistas escutem as considerações e preocupações do público (o que não é relevante para o modelo de déficit). A substituição dos cientistas na Divulgação Científica por comunicadores científicos profissionais, principalmente jornalistas, acontece, majoritariamente, como efeito da Segunda Guerra Mundial. (Meadows, 1997). Até então, as experiências em Jornalismo Científico eram realizadas, em sua maioria, pelos próprios cientistas com acesso aos meios de comunicação37. Para o autor (idem), a popularização da Ciência na Segunda Guerra Mundial foi maior que na Primeira, porque o impacto da Ciência foi resultado de uma maior complexidade dessa. “A necessidade de explicar o que obviamente iria converter-se em importantes e constantes pontos de interesse, destacou-se o imprescindível que era contar com correspondentes especializados. Também indicou a necessidade de aumentar a cobertura popular da Ciência” (ibidem, p. 43).

Segundo Meadows (op. cit, 1997), uma análise da imprensa dos Estados Unidos, realizada em 1951, mostrou que dois terços dos editores entrevistados haviam pelo menos duplicado o espaço dedicado à Ciência naquela década. “Este crescimento e a utilização de pessoal especializado foi estimulado ainda mais por dois acontecimentos que se iniciaram nos anos cinqüenta: o primeiro foi a conq uista do espaço e o segundo a expansão acelerada da televisão” (idem, p. 43). A Divulgação Científica pela televisão, no entanto, segundo Massarani & Moreira (2004), ficou restrita, por décadas, aos países desenvolvidos. Somente a

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O Jornalismo Científico surgiu no século XVII, na Inglaterra. Henry Oldenburg, secretário da Royal Society, criou a publicação Philosophical Trasactions, em março de 1665 (BURKETT, 1990). “Oldenburg estabeleceu precedentes de cientistas funcionando como editores de periódicos da sociedade científica e para publicações em vernáculo. Esses conceitos fortaleceram a pesquisa científica na Europa”. (p. 28).

partir dos anos 80, acompanhando uma expansão mundial da Divulgação Científica, é que ela ganha as programações televisivas dos demais países.

A televisão começa a despertar interesse por assuntos científicos impulsionada por áreas que proporcionam imagens atrativas. Esta tendência influenciou no reconhecimento do papel do divulgador científico. “O alto custo da produção de programas televisivos também confirmou o papel dominante do comunicador científico profissional, posto que só ele tinha tempo e a formação necessários” (MEADOWS, op. cit., p. 44).

Para Carvalho (2003, p. 17), a Divulgação Científica é uma reconstrução do discurso, uma adaptação, uma simplificação e uma explicação da informação científica, a partir de meios, formatos e linguagens adequados ao público em geral. Nessa perspectiva, a atividade de Divulgação Científica é tida como de responsabilidade tanto de cientistas e pesquisadores, como de profissionais de Comunicação, como jornalistas, pub licitários e relações-públicas. No entanto, a atividade de Divulgação Científica no contexto do Jornalismo (denominada Jornalismo Científico), realizada por jornalistas profissionais, tem adquirido relevância face às funções informativa e mediadora entre os fatos e a sociedade, exercida pelo Jornalismo. O Jornalismo Científico, de acordo com Reis (1984), procura transmitir ao público, por meio de notícias, reportagens, entrevistas e artigos, o sentido e o sabor do conhecimento científico, assim como suas crescentes implicações sociais. Para o autor, o Jornalismo Científico tem um papel informativo e formativo. “Contribui ele para preencher lacunas escolares e para atualizar o cidadão. Serve, desse modo, de apoio à sociedade a compreendê- la em seu mais puro sentido. E essa compreensão é fundamental, pois a pesquisa é financiada, direta ou indiretamente, pela sociedade” (p. 29).

De acordo com Thiollent (1984, p. 307), Jornalismo Científico é o conjunto das atividades jornalísticas que se dedica a assuntos científicos e tecnológicos e que se direciona para o grande público não-especializado, por meio de diversas mídias: rádio, televisão, jornais especializados e outras publicações de divulgação.

O Jornalismo Científico, para Oliveira (2002), não se restringe à cobertura de assuntos específicos de CT&I. Para a autora, o conhecimento científico pode ser utilizado para compreender melhor qualquer fato. “Se há uma enchente, por exemplo, assunto que costuma ser divulgado na editoria de cidade ou na de geral, o jornalista pode conversar com meteorologistas para entender o fenômeno natural” (p. 47).

Miller (2004) destaca que os jornalistas científicos deveriam refletir sobre a relação da Ciência com a sociedade e do papel que eles próprios desempenham. Esse aspecto passa pela questão da formação do profissional. Caldas (2004) avalia que a divulgação competente da Ciência exige profissionais altamente capacitados e conscientes das relações de poder que envolvem o setor. “Para isso, precisam investir tempo em sua própria formação para poderem cumprir seu papel social de intérpretes da sociedade na área de C&T, e não apenas de seus meros divulgadores” (Caldas, 2004, p. 75).

A necessidade de uma sólida formação do jornalista especializado em Ciência é um dos tópicos que influenciam a qualidade do Jornalismo Científico. Conforme mapeamento realizado em 2004 (CALDAS et al., 2005) nas universidades brasileiras, em todas as áreas do conhecimento, verificou-se nos cursos de graduação em Jornalismo um número limitado e ultrapassado de bibliografia nas disciplinas que tratam de Jornalismo Científico. Em nível de

pós-graduação, o que se ressalta é a pouca oferta de cursos para profissionais que buscam especialização na área.

Na atualidade, a qualidade da informação é um dos pontos mais relevantes e problemáticos das discussões e análises sobre Jornalismo Científico. Para Bueno (2004), a qualidade da informação deve ser mantida por dois motivos. Um deles é que a comunidade da Ciência não costuma tolerar muito as imprecisões, visto que cientistas ou pesquisadores, enquanto fontes, poderão ser mal ava liados pelos seus próprios pares. O outro é a reação ne gativa da comunidade científica que, por se sentirem lesadas por uma má cobertura midiática pode fechar-se para novas oportunidades de divulgação. “Algumas fontes científicas, sentindo-se lesadas por uma matéria inadequada, chegam a fechar, definitivamente, as portas à imprensa, o que pode significar um entrave à circulação de informações especializadas, visto que, para alguns assuntos, as fontes no Brasil não são tão pródigas” (p. 54).

O posicionamento do jornalista deve superar o de um simples tradutor do discurso científico e abarcar as funções social e de mediação exercidas pelo Jornalismo. Bueno (2004) considera que a relação entre jorna lista e fonte especializada deve ser de respeito, mas não de submissão. “A figura do jornalista ´esponja´, que, servilmente, se propõe a repetir, sem contextualizar ou confrontar, as falas e opiniões dos cientistas ou pesquisadores está definitivamente fora do tempo” (p. 55).

Caldas (2004, p. 77) tece críticas à atuação de jornalistas, pois considera que “enquanto os jornalistas não entenderem que não podem mais atuar como meros tradutores da informação para o público em geral e reconhecerem que não existe informação neutra, o cenário não se modificará”.

Da mesma forma, a diversidade de fontes e a técnica jornalística de ouvir o outro lado devem ser respeitadas também no Jornalismo Científico. “A discussão sobre temas complexos como clonagem, pesquisa agropecuária, desenvolvimento sustentável passa, obrigatoriamente, pela sociedade civil. Logo, é indispensável resgatar a participação dos atores sociais como fontes” (BUENO, op. cit., p. 55-56).

A popularização do conhecimento científico passa, irremediavelmente, pela questão da linguagem, já que os esforços para tornar acessível ao maior número de pessoas o conhecimento especializado requer, para alguns, a tradução do discurso científico (ALTHIER-REVUZ, 1999). Enquanto para outros trata-se da reformulação do discurso científico (ORLANDI, 2001). Para outros, refere-se à formulação de um novo discurso (ZAMBONI, 2001), que carrega as marcas do discurso científico e também do discurso jornalístico.

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