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Situation des infrastructures socio- économiques

Dans le document Programme du Gouvernement (Page 24-28)

O COIpossui como princípios fundamentais do Olimpismo - os valores que pautam toda aatuação da organização -o objetivo de “colocar o esporteaoserviçodo desenvolvimento harmoniosoda pessoa humana em vista depromover uma sociedadepacíficapreocupada com apreservaçãoda dignidade humana”, bem como entende que “todoe qualquer indivíduo deve ter a possibilidade de praticar esporte, sem qualquer formadediscriminação” (COI, 2017, p. 7). Como foraargumento anteriormente, esses valores são consoantesàs ideias de paz tratadas por Johan Galtung e Lyman Cromwell White, em que apaz deve ser construídademodo a criar bases para o desenvolvimento de sociedades mais pacíficas, em vez de se evitar as causas da guerra. Essa ideia sobre apaz é denominadapor Galtungcomo“paz positiva” (GALTUNG, 1967, p. 14). Por sua vez, White afirma a importância da atuação das organizações internacionais não-governamentais - tal como oCOI- na construçãodifusa dapaz, fenômeno denominado pelo autor como “peacebypieces”(WHITE, 1949, p.87-88).

Entende-se,portanto, que o COI possui umaatribuição, nãosomente do ponto de vista teórico como do ponto de vista de seus próprios valores, de trabalharpela construção da paz pormeio de ações que visemà realização da inclusão social, e o COI de fato possui diversas iniciativas que buscam a inclusão social de diversos grupos vulneráveis - mais notadamente refugiados - enãosomenteé internacionalmente reconhecido por essas iniciativas como possui um prestígio internacional considerável em razão dessas. Contudo, nenhuma das mais de 50 iniciativas criadas e/ou apoiadaspelo Comitê Olímpico Internacional assiste especificamente a pessoas trans, nem sequer assiste a pessoas LGBTQI como umtodo. Essa é uma atitude até esperada para uma organização esportiva internacional, uma vez que o esporte é tomado por uma ideiademasculinidadeque, na maioria das vezes, repele outras formas de gênero que não se conformam com essa ideia e que reluta tanto a pôr em prática normasmais afirmativas da inclusãodas pessoas que não se encaixam nas normas degênero.

No entanto, é necessário ressaltar que o COI,enquanto uma organizaçãointernacional não-governamental, possui a liberdade de interagir de formamais direta juntoàs sociedades em favor de seus interesses, sem ter os entraves políticos que Estados e organizaçõesinterestatais possuem, bem como, segundo Keohane e Nye (1971), possui a capacidade de interagir com todos os atores internacionais relevantes, a saber, Estados, organizações interestatais e as sociedades (SEITENFUS,2012,p 266-267; KEOHANE; NYE, 1971, p. 334). Por meio dessa argumentação teórica,é possível afirmarque o COIfalha parcialmente em sua atribuição de

construção dapaz. Conforme afirma Coalter (2004), diversos benefícios para a qualidade de vida, a capacidade de socialização e de integraçãoà comunidade são garantidos por meio da promoção da prática esportiva em grupos marginalizados.A resistência do COIem acolher a população trans pormeio de iniciativas sociais, e apenas tratando da inclusão dessas pessoas nos Jogos Olímpicospormeio de diretrizes médicas, demonstra queo COI falhana atribuição de construir a paz por realizar esse trabalho deformaincompleta, ignorandoos benefíciosque o acesso à prática esportiva pode dar a um grupo social.

3.3.2 “Prepare for trouble; gender trouble”

Negar o acesso ao esporte para as pessoas trans - transexuais, intersexo, travestis e genderqueer inclusos - pode ser entendido como uma ansiedade em relação àpresença dessas pessoas em meios esportivos. Essa ansiedade é o que Judith Butler (1990) caracteriza como “gender trouble” (BESSA, 1995, p. 262). Conforme fora explicitado anteriormente, Butler entende ogênero como uma“performance”, ou seja, o gênero apenasse tornareal quando a pessoa o pratica, pelo modo como se veste,como fala etc.No entanto, os aspectos que compõem a “performance” de gênero de uma pessoa são carregados de significados construídos e impostos pela sociedade. A imposição desses significados causa, como afirma Butler, a compulsoriedade da heterossexualidade e do binarismo entre as categorias “homem” e “mulher” (BESSA, 1995, p. 263-264). A situação no esporte não difere tanto, tal como afirma Fisher et al. (2013), quanto à construção da masculinidade idealizada e da feminilidade hegemônica (FISHER et al., 2013, p.28-30). Quanto às pessoas que não se encaixam nesses padrões, tal como as pessoas trans, a tendência é que elas sejam excluídas da sociedade, por meio da invisibilidade, da negação ao acesso a espaços e recursos, da violência física etc, enquanto que, no esporte, essa exclusão se dá por constrangimentos em vestiários, imposição da prática de esportes categorizados como apropriados para determinado gênero, temor à violência etc (HARGIE et al., 2015, p. 8-13).

Butler afirma que os gêneros não-conformistas ao binarismo homem/mulher são excluídos da sociedade porrepresentarem umaameaça à ordem social, ou seja,uma“confusão” de gênero. Heather Sykes (2006) afirma que isso se aplica também ao esporte quanto à resistência a mudanças mais radicais nas políticas de gênero impetradas por organizações esportivasinternacionais. A autora identifica uma ansiedade oriunda dainstabilidadedegênero

caracterizada por Butler em diversos meios esportivos, o que dificultaa busca porefetivação dos direitos das pessoas trans no esporte (SYKES, 2006, p. 2). Isso significa que, pelo argumento de Sykes, as políticas que o COI determinou para a regulação das categorias de gênero - como os testes de verificação sexual, o Consenso de Estocolmo e o Consenso da ComissãoMédica de 2015 - são imbuídas de uma tentativa de defesa da estrutura binária de gênero em que o esporte se sustenta, demonstrando uma incapacidade do COI em responder adequadamente às demandasdas pessoas trans.

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