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Single ionisation of ground state He by proton impact

O principal objetivo deste trabalho é buscar caminhos – metodologias/métodos – para reconstruir a história das emissoras de televisão no Brasil. Não se trata de uma tarefa fácil, uma vez que, em função das condições infraestruturais do país, a sua tendência a improvisação e ao jeitinho e o um desprezo nem sempre explícito dos gestores do Estado para com os veículos de mídia1, é comum que a documentação que poderia ajudar a fazer esse levantamento tenha sido quase toda perdida, ou até mesmo intencionalmente destruída. Em numerosos casos, os documentos que dizem respeito ao processo histórico de implantação e funcionamento de uma emissora de televisão incluem os papéis obrigatórios para o seu funcionamento – a autorização do órgão federal compe- tente, registros da propriedade física e documentos fiscais –, 1 O termo mídias surge a partir da tradução do latim do plural de médium,

que significa meio. Considerando essa origem, os termos mídia e midiati- zação possuem os mesmos significados, pois surgem a partir da pronúncia em inglês deste termo. Em que pese pensar a etimologia da palavra, o significado adotado nos estudos sobre comunicação remete aos meios de comunicação

além de uns poucos filmes, fotos e notas nos jornais locais, em geral nas datas festivas e colunas sociais.

Dessa forma, embora os documentos legais preservados e o conjunto de pistas complementar sejam contribuições importantes, ainda assim não oferecem embasamento sufi- ciente para uma percepção mais completa da implantação e do desenvolvimento da história de uma emissora de televisão, principalmente se buscamos pensar, por meio desta história, o próprio impacto desse veículo na história local e regional.

De fato, ainda que se reconheça a importância das mídias nos processos de propaganda comercial e política, ainda persiste a dificuldade para entender a televisão como um ator social de grande prestígio, cuja compreensão é fundamental para entender as consequências da circulação de informações e, portanto, a própria organização da sociedade. A compreensão da inserção social da televisão sofre ainda com a dificuldade de lidar com as diferentes dimensões desta mídia, ao mesmo tempo produtora de conteúdos simbólicos, empresa e aparato técnico, além da dificuldade de entender a própria condição de lugar de fala diferenciado deste veículo – nem somente entretenimento, mas também não apenas espetáculo, espaço de um novo modelo de visualidade e de conhecimento. Esses diversos aspectos dessa mídia geram desconfianças nos pesquisadores acadêmicos que, adentrando em um processo marcado por contradições e verdades incompletas, tendem a atribuir à televisão uma impor- tância menor ou mesmo imputar apenas dimensões negativas. Essa relação tem ecos em várias questões, inclusive no tema da responsabilidade social das mídias que, em nome de uma pretensa liberdade empresarial (muitas vezes revestidas pela respeitabilidade dos termos liberdade de imprensa ou liberdade de expressão), trabalham em busca da ética

desprezando a sua importância ou sua ação como agente de mudanças sociais. Cabe a academia, portanto, apontar os tensio- namentos que envolveram os caminhos trilhados pela televisão e suas consequências no desenvolvimento da vida social.

Para se delinear a amplitude dessas relações, busca-se, portanto, uma metodologia que considerando essa tripla dimensão, igualmente permita compreender que a soma das partes diz mais do que o seu resultado aparente ou imediato, ao mesmo tempo entendendo que nesta relação não existe uma história em si, mas histórias e percepções que permitem a compreensão das dinâmicas sociais que nas quais uma emis- sora de televisão, ou mesmo do veículo televisão, em si mesma, é um elemento complexo, mas também determinante.

Pretende-se, desta forma, entender este veículo como elemento modificador das relações sociais, políticas e econô- micas que age no sentido de “reorganizar” as relações sociais na cidade e na região na qual seu sinal se estende, compreen- dendo que a televisão não existe em abstrato:

Ela não levita, não paira acima do sistema político, social ou econômico. [...] Ela integra o processo de produção e reflete internamente suas relações, sua divisão do trabalho, na sua qualidade de componente da indústria cultural. (CAPARELLI, 1982, p. 11).

Neste contexto, destaca-se inicialmente que a implan- tação da TV no Brasil se relaciona com a consolidação do modelo de crescimento econômico baseado na expansão da indústria de bens de consumo duráveis, ampliando o mercado de bens de consumo e consolidando os valores das classes dominantes. No Brasil, assim como em outros países latino-americanos,

a televisão trabalha para obliterar as distâncias simbólicas, seja entre as diferentes classes sociais, mas também entre as regiões (o centro e as periferias), tendo uma importância ainda maior nas regiões que, em função do afastamento dos grandes centros e de diferentes condições econômicas e/ou infraestruturais, se integram tardiamente nos processos desenvolvimentistas que caracterizam a modernidade.

A proposta envolve compreender a televisão em um duplo sentido: enquanto promessa de mudanças, pois sua sobrevivência depende da ampliação do mercado de bens de consumo e da universalização de comportamentos e valores cosmopolitas que, nesse caso, correspondem aos valores das classes dominantes; mas também como agente de mudanças em si mesma, uma vez que se articula com os fatores sociais, econômicos e políticos que influem no desenvolvimento das relações sociais, a partir de um processo de encadeamentos no qual cada ação gera reações e essas reações, por sua vez, novas ações, formando uma corrente.

Objetiva-se, portanto, propor e refletir sobre uma metodologia que possa desvendar como os elos que envolvem a presença desta mídia em uma cidade ou região se encadeiam, analisando seus pontos fracos e seus desdobramentos, e os ecos que reverberam incessantemente até a atualidade.

Trata-se, portanto, da formatação de uma metodologia que envolva um estudo histórico, mas não limitado à citação dos fatos, mas ansiando compreender os elementos envolvidos e a relação que mantêm entre si.