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Simulations et r´esultats obtenus

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2.4 Algorithme de s´eparation

2.4.2 Simulations et r´esultats obtenus

No que respeita à investigação em cuidados de enfermagem, sabemos que nos devemos empenhar na construção do saber, investindo na investigação sobre os problemas que são preocupação na prática dos cuidados e que possam ter efeitos imediatos no desenvolvimento utilizado pelo enfermeiro no seu dia-a-dia, junto das pessoas e das suas famílias, com metodologias que ofereçam um enfoque holístico para o estudo da pessoa humana.

Diferentes percursos conduzem ao conhecimento científico e são variados os métodos que estão à disposição do investigador. A ciência de enfermagem deve permitir que os fenómenos humanos sejam investigados através de métodos que permitam uma observação rigorosa e sistemática da experiência de cada pessoa, revelem e elucidem o mundo vivido da saúde/doença e o fenómeno do cuidar (Watson, 1988), e preservem o contexto humano, pois só assim a enfermagem pode "expor o que está em falta, e tornar visível o que é deixado invisível" (Watson, 2002b: 18). Procurar dar sentido à experiência vivida, ao modo como a situação é vivenciada, interpretá-la em seu contexto natural sob os diversos pontos de vista dos participantes de modo a retirar dados significativos que permitam descrever e compreender as experiências humanas, contribui para um esclarecimento mais profundo da essência da enfermagem.

Considerando os objectivos, a finalidade do estudo, a problemática equacionada e os eixos de análise, privilegiamos o posicionamento indutivo optando pela metodologia qualitativa, na medida em que nos permite captar em profundidade o fenómeno que pretendemos estudar, compreendendo a situação na sua globalidade e privilegiando um contacto directo com os actores, com o contexto e com as situações. Apoiámos também a nossa decisão em algumas das características da investigação qualitativa, apontadas por Leinninger (1985), quando enfatiza a forma inicial de descobrir fenómenos e de explicar factos desconhecidos de certos comportamentos, ocorrências ou locais de vida das pessoas, permitindo-nos explorar situações complexas da vida real. Esta abordagem dá-nos a possibilidade de utilizar estratégias metodológicas variadas, possibilitando-nos compreender o sentido das experiências vividas pelos vários actores sociais (Morse, 1989).

Propomo-nos compreender a natureza do processo de conforto do doente idoso, partindo de uma realidade concreta, um serviço de medicina, contexto onde se movem os actores de cuidados profissinais e os doentes idosos crónicos hospitalizados e familiares. Pretendemos estudar, obtendo informações, com vista a documentar o fenómeno - processo

de conforto (construção e resposta). Estamos perante uma situação em que a experiência significativa não existe no vazio social. Procuramos o sentido dado à experiência tendo em conta que, não só o foco de atenção é a compreensão do significado que as pessoas dão às coisas, como também os conhecimentos sobre as pessoas só são possíveis com a descrição da experiência humana tal como ela é vivida e definida pelos seus actores numa articulação social e cultural.

Privilegiamos e procuramos uma análise profunda da situação das práticas e do sentido que os autores atribuem às mesmas, dado que cada pessoa experimenta a sua realidade. Pelo exposto e, considerando que é a natureza do problema que determina o método, optámos pelo método etnográfico, por ser considerado um dos modos gerais de investigação utilizado para o estudo do comportamento da vida humana, na medida que, “(…) privilegia o contacto directo do investigador com a situação e o contexto sócio- profissional onde operam, e interagem os actores” (Costa, 2006: 121).

Decorrente desta ideia, a abordagem etnográfica afigurou-se, desde o início da definição do projecto de pesquisa, como o modo de investigação mais adequado tendo em conta o objecto do nosso estudo. Com origem na antropologia, a etnografia cujo termo provêm do latim “etnos” que significa povo e “grapheia” descrever, é um dos métodos de investigação qualitativos mais antigos, que significa “escrevendo sobre a cultura” (Cardoso, 2005: 23). Este método surge na enfermagem na década de 70, com as primeiras publicações nas ciências da saúde como a Culture, Medicine & Psychiatry e Medical Anthropology (1977), Qualitative Sociology (1978), International Journal of Qualitative Studies in Education (1988), Journal of Transcultural Nursing (1990) e Qualitative Health Research (1991), sendo reconhecido como fundamental para o desenvolvimento de programas de intervenção em enfermagem.

Segundo Germain (1993: 239), a etnografia partilha de algumas características da investigação qualitativa, tais como, (i) a perservação do contexto em vez do controle do mesmo, o que possibilita uma perspectiva holística; (ii) uma perspectiva “emic”, que explica os fenómenos a partir da perspectiva das pessoas que pertencem àquela cultura; (iii) uma aproximação predominantemente indutiva na análise dos dados e na produção de teoria; (iv) uma aproximação interactiva que reconhece os membros da cultura que fornecem a informação (informantes) como co-participantes no processo de pesquisa.

Fazendo parte da pesquisa cultural de diferentes disciplinas de onde se destaca a enfermagem, a etnografia refere-se ao estudo da forma como as pessoas constroem e compreendem as suas vidas quotidianas (Spradley, 1980). Como modelo de investigação,

este método,tal como referem Goetz & Le Compte (1988: 28-29) “é um processo, uma forma de estudar a vida humana que pretende fazer descrições profundas de fenómenos globais, aprendendo com as pessoas que fazem parte da realidade social em que vivem”.

No campo da enfermagem, a utilização da etnografia trouxe valiosos contributos na exploração de questões holísticas relevantes na prática de enfermagem relacionadas com a natureza humana (Collière, 1999; Lincoln, 1997; Morse, 1989; Leininger, 1991).

Leininger (1991) desenvolveu a sua própria interpretação de etnografia a que chamou de “etnoenfermagem” com a finalidade de descobrir um novo conhecimento sobre os fenómenos em enfermagem tal como são percebidos e experimentados pelos enfermeiros e pelos sujeitos utilizadores dos cuidados de enfermagem, no que diz respeito aos cuidados de saúde, prevenção ou recuperação de uma doença. Ainda, de acordo com Leinninger (1985: 38), os conceitos emic e etic, com origem na antropologia, são usados para obter uma compreensão mais perfeita dos fenómenos de interesse para a enfermagem, referindo-se a dimensão emic às cognições e percepções locais acerca do fenómeno, através da utiização de conceitos e linguagens próprias da cultura e, a dimensão etic do conhecimento às manifestações do comportamento interpretadas e explicadas segundo a perspectiva teórica e a linguagem do investigador. Com a colaboração dos participantes do estudo, o investigador encontra temas, domínios, padrões e relacionamentos que tenham significado para as pessoas. É sem dúvida um importante contributo para a investigação nos aspectos humanos dos cuidados de saúde e em diferentes contextos culturais, promovendo a compreensão do significado dos cuidados de saúde e proporcionando conhecimentos úteis à promoção de uma mudança cultural que melhore os sistemas da prática de enfermagem (Munhal & Oiler, 1986; Leininger,1991).

A investigação orientada pelo método etnográfico – no nosso caso uma micro- etnografia – apresenta-se assim como umas “novas lentes”, pois permite ver para além das evidências, procurando captar o sentido e os significados que as pessoas, como membros de uma subcultura, dão à sua prática. O que interessa ao investigador são as experiências comuns vividas num grupo dotado de uma cultura em que o ser humano, (doentes, familiares e actores de cuidados), é encarado como um ser aberto que interage consigo mesmo, com os outros seres e com o ambiente, ou seja, com o mundo do serviço de medicina. Deste modo, o principal propósito é “apreender os significados que os membros da cultura têm como dados adquiridos e posteriormente, apresentar o novo significado às pessoas exteriores à cultura” (Bogdan & Biklen, 1994: 59). É exigido ao etnógrafo que, olhe, oiça, interprete e analise por forma a obter um conhecimento mais aprofundado da situação.

Sabendo que os seres humanos agem em relação às coisas com base no significado que elas têm para eles e, que esses significados resultam da influência recíproca do contexto social onde os mesmos interagem (Strauss & Corbin, 1998), a finalidade é descrever uma realidade concreta, não pretendendo a validade universal, nem fazer generalizações independentes do contexto, uma vez que a compreensão dos factos e dos significados não se pode realizar de forma independente dos contextos (Pereira, 200

8).

Nesta ordem de ideias, esta pesquisa desenvolve-se em redor do conceito central de cultura. Fortin (1996), sublinha que em etnografia o termo cultura pode referir-se a uma comunidade mais vasta ou mas específica, como é o caso de uma unidade de cuidados de um hospital. A enfermagem pode ser assim considerada como uma cultura profissional, o hospital como uma instituição sociocultural, podendo, também, um serviço do hospital ser visto como uma subcultura (Patton, 1990). Deste modo, na situação de cuidados existem pelo menos três tipos de culturas envolvidas: a cultura dos doentes, a cultura profissional dos enfermeiros e a cultura do próprio contexto onde a situação tem lugar (Holloway & Wheeler, 1996).

Para Spradley (1980) cultura significa o conhecimento adquirido/acumulado que as pessoas utilizam para interpretar a experiência e gerar conhecimento, englobando três aspectos essenciais: aquilo que as pessoas sabem (conhecimento cultural), aquilo que fazem (comportamento cultural) e aquilo que dizem/produzem ou usam (instrumentos culturais). As pessoas são criadoras activas do seu mundo social, sendo fundamental que o investigador procure os meios que o ajudem a compreender o significado explícito e implícito dos comportamentos humanos, sem perder a visão clara e objectiva do que está a observar.

Considerando que a realidade é plural, mas construída de maneira local e específica, “(…) nenhum fenómeno social, como um comportamento, um acto ou um processo social, pode ser compreendido, senão como parte integrante de um sistema alargado (…)”(Pereira, 2008: 172), pelo que, para ser investigado há que permanecer na realidade onde este ocorre. Nesta linha de pensamento, tendo em conta o investigador como o recurso principal na investigação e assumindo como fundamental a relevância dos dados recolhidos, suas fontes e estratégias para os obter (Costa, 2006), utiliza-se como técnica nuclear a observação participante, em conjugação com a entrevista, pois possibilita um contacto directo e prolongado com o contexto e os participantes.

O investigador é simultaneamente uma fonte de dados (através da observação participante, da interacção) e um instrumento de recolha (através da escuta, da interrogação, dos registos, e do seu tratamento). Este método permite a utilização de várias

formas de colheita de dados com características diferentes mas que se complementam, o que permite uma maior abrangência dos dados, a sua densidade e clareza, possibilitando a “comprovação” e permitindo um conhecimento mais profundo e real da situação (Pereira, 2008).

Sabendo que a informação obtida, indirectamente, é fundamental, o recurso a informantes privilegiados/chave poderá facilitar o acesso ao contexto do estudo, ser fonte de informação sobre outras pessoas e acontecimentos. A selecção dos informantes chave fica a cargo do investigador, que deverá ter em atenção a escolha de pessoas representativas do grupo, na medida em que possuirão um conhecimento especial sobre variados aspectos, nomeadamente, regras culturais, história do grupo, processos de interacções existentes, sendo por isso com eles que o investigador poderá validar as suas próprias percepções ou ideias (Holloway & Wheeler,1996: 86-87).

A compreensão da realidade coloca um grande desafio ao investigador em relação ao seu papel de observador, salientando-se determinadas características e habilidades, nomeadamente: o ser autónomo, responsável, consistente e auto disciplinado; ter capacidade, para tolerar ambiguidades; ter sensibilidade para si e para os outros; comprometer-se pessoalmente com a situação atendendo ao princípio da confidencialidade e ainda possuir maturidade profissional e científica para assumir o seu papel, munindo-se de um suporte teórico que lhe permita seleccionar os aspectos essenciais e significativos para a compreensão e interpretação da realidade (Ludke & André,1996).

Um dos problemas que é frequentemente apontado à etnografia é o da interferência. Investigadores consideram que, por um lado a flexibilidade e a informalidade que caracterizam a etnografia fazem dela um dos métodos menos interferentes e, por outro, se “falar com as pessoas, participar em determinadas actividades e colocar questões” poderá ter alguma interferência, o “estar parado, a olhar, sem dizer nada” gera uma interferência muito maior, pelo que, o mais importante será não evitar a interferência, mas tê-la em consideração, controlando-a e objectivando-a, quer durante o produção de dados, quer durante a análise (Bártolo, 2007: 60).

A investigação de natureza etnográfica pareceu-nos fazer todo o sentido quer pelas suas características, quer pelas potencialidades, na medida em que recorre a uma filosofia interpretativa e reconstrutiva da realidade, permitindo ao investigador encontrar informações que possibilitem a reconstrução pormenorizada e a compreensão da realidade de um fenómeno particular e de uma situação microssocial, a decorrer num determinado contexto,

ao imergir nesse mesmo contexto e estabelecer um contacto prolongado e directo com os actores da unidade hospitalar (Costa, 2006; Roxo, 2008).

Com sentido de continuidade, atendendo a que cada estudo etnográfico é único, apresentaremos em seguida o ciclo que orientou o trabalho que desenvolvemos – ciclo revestido de flexibilidade, característica peculiar da metodologia.

3. O CICLO NATURAL DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO E AS FASES DO

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