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Part I The Neural Foundations

2.3 PNNs and GRNNs

2.3.5 Simulation Example

A concretização dos Corredores Verdes depende, como vimos até agora, do contexto territorial, que por sua vez é influenciado e irá influenciar quer a tipologia do corredor, quer as múltiplas funções que o mesmo pode abarcar. É então facilmente perceptível que a concretização do corredor pode ter exemplos muito diversificados. Nesse sentido serão apresentados quatro exemplos (dois a nível nacional e dois a nível internacional) da concretização de corredores verdes. Estes demonstram como a requalificação do espaço, o aproveitamento dos corredores fluviais e a visão do EVU como hipótese para a concretização destas estruturas, dão aso a corredores verdes interessantes que abarcam neles funções distintas mas que, no seu todo, funcionam com o objetivo de devolver o “verde” às cidades.

Exemplos internacionais

Landschaftspark, Duisburgo, Alemanha – Este corredor nasce através da requalificação

do espaço onde estava instalada uma antiga área industrial dedicada à siderurgia (Figura 6). De acordo com a informação disponibilizada na página Web do próprio corredor/parque (landschaftspark.de), o parque nasce em 1989, concebido por Peter Latz, e estende-se por uma área de 180 hectares, onde se dá uma sinergia entre o património industrial existente e a natureza, dando aso a um espaço sui generis, diferente daquilo que estamos habituados a ver num corredor verde. Os terrenos baldios foram requalificados e deram lugar a espaços verdes, permitindo através desta estrutura, fazer a conexão com a restante paisagem, marcada pela floresta e pelo rio.

A maioria do edificado existente manteve-se, assim como a maquinaria desativada dentro dele, propiciando assim a experiência de viver a história daquele espaço importante para a região onde se encontra inserido. No entanto, o mesmo edificado propiciou a instalação de pequenos jardins em altura, prática de escalada, de atividades radicais em cordas suspensas, além de uma das torres ter sido convertida numa varanda para a observação de todo o espaço em redor.

Além destas atividades de lazer mencionadas, aquilo que eram outrora tubos de refrigeração, hoje em dia são escorregas para as crianças. Nos largos hectares que compõem esta estrutura, encontramos também parques infantis, campos desportivos, trilhos pedonais e trilhos clicáveis, e até pequenas quintas com animais como galinhas ou cavalos.

O espaço é de tal modo multifacetado, que além das experiências de lazer e recreio que foram ressalvadas até então, permite também um conjunto de eventos como feiras, mercados, concertos, teatros e exibição de filmes (landschaftspark.de).

Figura 6 - Landschaftspark Fonte: http://en.landschaftspark.de/

Mill River Park, Stamford, EUA – O Mill River Park (Figura 7), situado na cidade de Stamford, nos Estados Unidos da América, é um corredor verde inserido no coração da cidade, e numa área limitada em toda a sua extensão pelas redes viárias que atravessam a mesma. O elemento de continuidade deste corredor é o rio Mill, e é através de ambas as margens do mesmo, que as áreas verdes se estendem, numa extensão total de 19 hectares. A esta área soma- se a requalificação de um antigo parque com 7 hectares nas imediações do corredor projetado.

De acordo com a página Web do próprio corredor/parque (millriverpark.com), para a constituição deste parque foram elaborados vários estudos, para que neste espaço se desse uma restauração dos ecossistemas locais, além de um conjunto de revisões nos instrumentos de planeamento da cidade. Nesse sentido, o Corpo de Engenheiros do Exércitos dos EUA (Corps) propôs um conjunto de critérios a levar em linha de conta: 1) Restituir a passagem para o curso

superior do rio de peixes anádromos, de modo a que os mesmos possam cumprir o seu ciclo de desova e desenvolvimento de uma forma natural; 2) Melhorar substancialmente a qualidade da água do rio Mill; 3) Reduzir a sedimentação no rio; 4) Restaurar o ecossistema dos pântanos em redor; 5) Criar condições de lazer e recreio ao longo do curso do rio. Assim, a união de esforços entre os elementos de governança da cidade e das propostas do Corps, deu origem a um conjunto de ações a aplicar como: a remoção das represas do rio, paredes de sustentação e sedimentos contaminados, restituindo o canal natural do fluxo do rio; a restituição da área de terrenos pantanosos e a constituição de um sistema de trilhos e de pontos para admirar a paisagem e a promoção da estabilização das margens do rio, através de flora nativa.

Assim, conjugando esforços com equipas de design, o parque foi projetado e começou a ser concebido em 2005. Numa primeira fase, foi implantado em toda a sua extensão, um trilho multiusos ao longo do rio Mill, e um ano depois, um grande parque infantil foi também instalado, o Mill River Playgroung, onde no mesmo sobressaem paredes com pinturas de animais, tentado assimilar a estrutura ao ecossistema que ali se encontra. Nesta primeira fase foi também visada a implantação de flora, através de mais de 400 árvores, arbustos e plantas nativas, tornando esta comunidade um habitat propício à existência de várias aves nativas, abelhas, borboletas ou animais selvagens. Assim, hoje em dia, este corredor além do indicado, possui através de uma estratégia de um rio limpo, extensos hectares de relva e plantas silvestres e o maior pomar de cerejeiras do estado de Nova Inglaterra.

No entanto, o processo evolutivo desta estrutura não para, e as próximas fases do projeto visam dotar o espaço de vários equipamentos de grande utilidade à comunidade como um pavilhão (Brownstein/Selkowitz Pavilion) para servir festas e eventos, além de abarcar um carrocel para crianças, um conjunto de estruturas arquitétonicas (Mill River Park Pergola), um espaço multifuncional que no inverno dará aso a uma pista de gelo e nas restantes épocas a um espaço interativo com fontes de água (Steven & Alexandra Cohen Skating Center & Fountain), e também um espaço edificado multifacetado onde funcionará um centro de estudos ambientais e serviços de restauração (Discovery Center Park Building) (Mill River Corridor Project Plan, 2001/ millriverpark.com).

Figura 7 - Mill River Park Fonte: http://www.millriverpark.com/

Exemplos nacionais

Frente Ribeirinha do sul do concelho de Vila Franca de Xira – Localizado nos arredores

de Lisboa, a Frente Ribeirinha do sul do concelho de Vila Franca de Xira (Figura 8) é um bom exemplo do paradigma da continuidade/conetividade em Portugal. Trata-se de um corredor verde que abarca dois espaços verdes diferentes, o Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria e o Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo, e tem como fundamental elemento de conetividade o rio Tejo e todo o ecossistema envolvente.

Naquilo que é hoje este corredor, havia uma antiga área industrial de depósitos de areia, sendo que por intermédio desta estrutura, foi possível reabilitar uma área com elevado interesse natural, localizado numa freguesia que conta com cerca de 60.000 pessoas e que já há muito via no Tejo uma solução para um espaço de lazer e recreio. A concretização deste projeto encontra- se englobada numa candidatura aprovada no âmbito do PORLISBOA dentro do QREN 2007- 2013, e no regulamento „Politica de Cidades – Parcerias para a Regeneração Urbana – Programas Integrados de Valorização de Frentes Ribeirinhas e Marítimas‟.

Toda a Frente Ribeirinha encontra-se conetada através de um trilho pedonal e ciclável num total de 5,6 quilómetros e dispõe de uma área total de cerca de 15,5 hectares. Numa primeira parte desta frente, a sul da mesma, é possível encontrar o Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria. Este parque encontra-se munido com espaços exteriores de lazer e recreio, um núcleo museológico que traduz um pouco da história da ligação entre a comunidade e o rio Tejo (mais precisamente a comunidade avieira) designado por “A Póvoa e o Rio”, uma cafetaria, equipamentos e cais de apoio à pesca para a comunidade avieira que habita nas imediações do espaço, além de um parque infantil, um anfiteatro e uma área com equipamentos de manutenção desportiva exterior. Prosseguindo para norte do concelho, “entramos” no Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo, que engloba a Praia dos Pescadores, um espaço que

proporciona áreas de lazer e recreio, um parque de merendas com assadores para churrasco, uma área desportiva (com um local para a prática de voleibol de praia), um centro de interpretação ambiental e paisagístico, além de uma cafetaria.

Através da área da Praia dos Pescadores, existe um trilho de ligação pedonal e ciclável à localidade do Forte da Casa, onde já em contexto o trilho continua através de uma ponte superior sobre a estrada nacional (cm-vfxira.pt/ccdr-lvt.pt).

Figura 8 - Frente Ribeirinha do sul do concelho de Vila Franca de Xira Fonte: http://www.ccdr-lvt.pt/

Corredor Verde de Monsanto, Lisboa – Apesar dos estudos terem começado a ser

idealizados em finais da década de 70 do século passado, só em 14 de Dezembro de 2012 foi inaugurado o projeto concebido por Ribeiro Telles. O Corredor Verde de Monsanto (Figura 9), localizado na cidade de Lisboa, é um projeto que conta com cerca de 2,5 quilómetros integrados numa área de 51 hectares, fazendo a ligação da área mais urbana da cidade ao seu “pulmão verde”, neste caso o Parque Florestal do Monsanto, encontrando-se este corredor englobado na Estrutura Ecológica da cidade de Lisboa. Trata-se de um projeto financiado pela Câmara Municipal de Lisboa através de verbas cedidas por empresas, dividendos retirados do Casino de Lisboa e fundos relativos ao QREN 2007-2013.

Em toda a sua extensão existe um trilho ciclopedonal, que fisicamente começa no Jardim Amália até ao Parque do Monsanto, onde ai é possível dar continuidade ao trilho através dos cerca de 40 quilómetros já existentes e conetando assim todos os EVU que o compõem.

Este corredor é uma estratégia de conetividade através de vários EVU presentes na cidade de Lisboa, alguns deles construídos recentemente, que permitiram assim este corredor verde. Assim, a conexão até ao Monsanto é conseguida através (de sul para norte): Avenida da Liberdade; Parque Eduardo VII; Jardim Amália Rodrigues; Ponte Ciclopedonal sobre a rua Marquês de Fronteira; área de prado junto ao Palácio da Justiça (com cerca de 1 hectare de

Ciclopedonal Gonçalo Ribeiro Telles; Jardins da Amnistia Internacional; Parque Hortícola dos Jardins de Campolide; Parque de recreio infantil e juvenil; Parque Urbano da Quinta José Pinto. Dentro do que é a EE da cidade de Lisboa, o Corredor Verde de Monsanto é um elemento fundamental, pois possibilita a articulação com sistemas e subsistemas do mesmo como o Sistema de Mobilidade, o Sistema de Circulação da Água e do Ar, o Sistema de Transição Fluvial-Estuariano e o Sistema de Unidades Ecológicas Estruturantes (onde se encontram o Corredor do Vale de Alcântara, o Corredor Verde de Chelas, o Parque Periférico e a Zona Ribeirinha) (Ramalhete et al, 2007 / cm-lisboa.pt/greensavers)

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Figura 9 - Corredor Verde de Monsanto Fonte: http://www.cm-lisboa.pt/; www.lifecooler.com

1.2.4. A relevância da Estrutura Ecológica Municipal para a operacionalização dos