• Aucun résultat trouvé

As mudanças e variações linguísticas são bem perceptíveis no decorrer da história. A variação ocorre a todo o momento. As disputas internas que surgem em torno das

variedades são inevitáveis. O próprio Labov já constatara isto ao analisar a fala dos vendedores de Nova York.

As variações observadas nas línguas são e estão relacionadas a fatores diversos: dentro de uma mesma comunidade de fala, pessoas de origem geográfica, de idade, de sexo diferente falam de formas diferentes. Os falantes adquirem as variedades linguísticas próprias de sua região, de sua classe social e até sua idade.

Dentro do plano social existem forças que lutam entre si para que a mudança ocorra. São as forças centrífugas e centrípetas. Dessa maneira, uma língua é simultaneamente caracterizada por sua tendência que ora busca a unificação, ora busca a estratificação e diferenciação. Enquanto as forças centrífugas rumam do centro a outras regiões, as centrípetas fazem o movimento contrário.

De acordo com os estudos sociolinguísticos, podem-se descrever as variedades linguísticas a partir de dois parâmetros básicos: a variação geográfica (diatópica) e variação social (diastrática).

A variação geográfica está relacionada às diferenças distribuídas no espaço físico, observáveis entre falantes de origem geográficas distintas.

A variação social, por sua vez, relaciona-se a um conjunto de fatores que está ligada à identidade dos falantes e com a organização sociocultural da comunidade linguística. Vários fatores estão relacionados diretamente à variação.

Com relação à variável sexo/gênero, sabe-se que os homens falam diferentes das mulheres. Esta é uma afirmação bastante constatada entre os estudos sociolinguísticos. Essas diferenças não estão relacionadas apenas às aparências ou o tom de voz.

Pesquisam constatam que as mulheres são mais conservadoras do que os homens, usando consequentemente a variedade padrão com mais frequência.

De acordo com Paiva, 2004:

As diferenças mais evidentes entre a fala dos homens e mulheres se situam no plano lexical. Parece natural admitir que determinadas palavras se situam melhor na boca de um homem do que na boca de uma mulher, nas sociedades ocidentais, a existência de um vocabulário feminino e de um outro masculino parece menos acentuada e tende, progressivamente, ao desaparecimento. O que não impede, entretanto, que ainda possamos ouvir e utilizar expressões como “não fica bem para uma garota falar dessa forma”. (p. 33)

Uma outra discussão de cunho social seria a utilização do termo gênero ao invés de sexo. Cada vez mais, fica difícil demarcar os papéis sociais diante de uma sociedade em transformação. Mulheres realizando atividades que outrora era exclusivamente tarefas masculinas, esta mudança social não se estabelece apenas no mercado de trabalho, como também há uma forte incidência de homens que cada vez mais ficam em casa para que as esposas trabalhem para manter o sustento econômico da família, sendo assim, fazem também uso dos termos que outrora era de uso feminino.

Diante deste exposto, a análise da correlação entre gênero/sexo e a variação linguística tem de fazer referência não só ao prestígio atribuído pela comunidade às variantes linguísticas como também à forma de organização social de uma dada comunidade de fala. A consciência do padrão que aponta o conservadorismo linguístico das mulheres emerge da análise de variações em comunidade de fala.

Ainda segundo Paiva, Ibidem:

Evidentemente, qualquer explicação acerca do efeito da variável gênero/sexo requer certa cautela, vistas as peculiaridades na organização social de cada comunidade linguística e as

transformações sofridas por diversas sociedades no que se refere à definição dos papéis feminino e masculino. A esse respeito, a interação entre eles e a variável idade fornece alguns elementos de reflexão. (p. 41)

No que diz respeito à variável escolaridade, sabe-se que há uma batalha de cunho social quanto ao uso ou não das formas culta e social, tanto que existe o termo variante estigmatizada. Recebe esse nome a variação das pessoas que não fazem parte do grupo seleto de falante que dominam a norma culta. Essa discussão tem se apresentado com muito fôlego nos últimos anos. Alguns autores compraram “essa briga” e chegaram a lançar a bandeira do “preconceito linguístico”, conforme Bagno, 1999.

Mediante esta discussão, a escola prioriza os estudos escritos, enquanto os estudos de usos concentram-se na fala. Nasce aqui o binômio fala x escrita, que tem recebido bastante atenção de alguns pesquisadores.

A variável idade também tem se mostrado bastante relevante nas pesquisas. Tem-se conhecimento que os mais velhos falam diferentemente dos mais jovens, no entanto em algumas pesquisas e em alguns fatores esses processo não tem ocorrido com tanta distinção.

A variável região apresenta um campo bastante rico para a pesquisa sociolinguística. Em um país como o nosso, totalmente heterogêneo, as diferenças de falares são perceptíveis a qualquer ouvido. O mais curioso, no entanto, é que essas diferenças podem ser detectadas até de cidades para cidades ou até mesmo de bairro para bairro, como tantas pesquisas mostram. É claro que quando se traça um perfil desses estudos podemos observar que uma variável está diretamente ligada à outra e que ambas não se situam nem agem isoladamente.

Até aqui, pudemos ver que as línguas variam. Nisto nos apoiamos na verdade de que as línguas do mundo não permanecem estáticas. Daí podemos também realizar experimentos de variação linguísticas em mais diversos níveis: fonético, léxico, morfológico, sintático, pragmático, semântico e discursivo.

Labov acreditava que toda língua apresentava variação, e que sempre desencadearia em mudança linguística. Ele acreditava também que a mudança seria gradual. Haveria primeiro um estágio de transição, para em seguida ocorrer a mudança. Para ele a mudança e a variação estão estreitamente relacionadas, seria muito difícil estudar uma sem estudar a outra.

Considerou ele que não devemos nos focar no que é puramente linguístico. Se quisermos explicar quais forças agem na língua, podemos e devemos incluir o modo como a língua está inserida na sociedade.

A língua está sempre sendo reformulada, ela comporta o surgimento de inovações a todo o momento. O importante é que nem toda inovação vinga, nem toda inovação é incorporada e difundida pelos falantes de uma determinada comunidade. Toda variação pode em princípio vir a ocasionar mudança.

É o que diz Chagas, 2004, p. 151: “Como a língua está a todo momento se equilibrando

entre tendências potencialmente conflitantes, e até mesmo opostas, está sujeita a sofrer

mudanças, pois esse equilíbrio pode vir a ser alterado por qualquer tipo de fator,

interno ou externo”.

Para a sociolinguística, a natureza variável da língua é norte fundamental, que sustenta a observação, descrição e a interpretação do comportamento linguístico, Alkimim, 2002, p.42. As diferenças linguísticas, observáveis nas comunidades em geral, são vistas como

um dado inerente ao fenômeno linguístico. A não tolerância e aceitação da diferença ou mudança são responsáveis por numerosos equívocos linguísticos e sociais.