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Simplified Approach: Decoupled Feedback Optimization126

4.7 Multiuser Diversity - Multiplexing Tradeoff

4.7.3 Simplified Approach: Decoupled Feedback Optimization126

O Ciclo de Alfabetização emergiu na década de 1980 em um contexto de questionamento das estratégias políticas e econômicas do Regime Militar (1964-1985) que instigava a uma transformação social em meio ao processo de redemocratização do país.

Essa década foi caracterizada por uma profunda crise na economia, alternada por curtos períodos de entusiasmo econômico, além da efervescência política e social em volta da Assembléia Nacional Constituinte e Eleição Presidencial. (NASCIMENTO, 1995).

A respeito da crise na economia, segundo a autora, este foi um período resultante da repercussão da crise mundial de energia e petróleo evidenciando que o crescimento de nossa situação econômica apesar de ter sido acelerado anteriormente, apresentou uma atrofia do setor produtor de bens de produção porque de 1974 a 1980 houve uma desaceleração com o crescimento, na tentativa de superar a crise e o subdesenvolvimento, o que fez a economia ficar praticamente estagnada na década de 1980, marcada pala opção de estabilização econômica e ruptura com o padrão de investimento adotado, caracterizando-se desse modo, como um período sem maiores investimentos, sendo por isso conhecido como os “anos perdidos”; isso enquanto países ingressavam na chamada Terceira Revolução Industrial com mais competitividade, capacidade e inovação.

Além do referido contexto, Nascimento (1995) aponta-nos ainda outra crise desse período; a da política do regime militar, devido a vitória do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em eleições de 1974 dando margem ao início de uma mudança na estrutura da nossa sociedade.

Dessa maneira ao longo de 1980 uma reconfiguração econômica e política foi consolidada na sociedade brasileira que, segundo a citada autora, passou a apresentar características urbanas e industriais, onde foi possível observar que houve uma absorção de grande parte de mão de obra pelos mercados urbanos, com expansão do mercado formal do trabalho, um aceleramento e generalização do processo de urbanização no país diminuindo consideravelmente a população rural em termos absolutos e o estabelecimento de uma redistribuição espacial e ocupacional dentre outras características que os embates entre projeto e processo de Abertura Política proporcionaram, a respeito do aprofundamento da transformação social como conquista progressiva.

Em meio a esse processo, as políticas educacionais passaram a receber maior influência de grupos mais progressistas em sua elaboração, devido a vitória de partidos de oposição em 10 Estados brasileiros dentre os 26 nas eleições de 1982, incluindo os mais desenvolvidos e populosos como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. (MAINARDES, 2007).

No contexto de redemocratização, o compromisso de alguns governos em implantar mudanças na educação incluiu medidas que dentre outras, segundo Mainardes (2007) asseguravam a “[...] a participação dos professores na elaboração de políticas, maior investimento na capacitação de professores, melhoria da qualidade de ensino e políticas voltadas à redução da reprovação e da evasão escolar” (p.68), passando a considerar a

democratização da escola e deixando de lado, de acordo com o autor, as razões econômicas como justificativa para a adoção dessa política.

Segundo Nascimento (1995) de acordo com os Indicadores Educacionais do documento do Ministério da Previdência e Assistência Social/Comissão Econômica para a América Latina, na primeira metade dos anos 1980, no declínio dos “anos perdidos”, no âmbito do Processo de Abertura Política, o ensino de 1º grau repetiu e ainda aprofundou os problemas dos anos 1970 por apresentar o aumento das taxas de evasão em todas as séries e o ensino de 2º grau teve uma quase paralisia em sua expansão (de 10,8% ao ano reduziu-se a 1,2% entre 1980 e 1984).

A qualidade do ensino, portanto, na primeira metade dos “anos perdidos” foi muito desanimadora. Segundo a autora esse período correspondeu à maior degradação do sistema educacional em todos os níveis de ensino, particularmente no 1º grau, visto que nos anos de 1980 ocorreu uma retração do ritmo de crescimento aprofundando a baixa qualidade já existente na década de 1970.

Quanto a segunda metade dos anos de 1980, a política educacional, afirma a autora, não só registrou um declínio no desenvolvimento dos sistemas educacionais em termos quantitativos e qualitativos, como também registrou um avanço a respeito de discussões travadas sobre propostas educacionais buscando atender as necessidades da educação vigente, direcionando-a a um adiantamento de seu sistema educacional.

Desse contexto surge a idealização para uma nova organização de ensino com a organização escolar em ciclo (Ciclo Básico de Alfabetização), cujas origens remontam muitas características de uma das experiências pioneiras de políticas de não retenção ocorridas entre 1958 e 1984 que segundo Mainardes (2007) foi a “Organização em Níveis” com base na eliminação da reprovação de acordo com a proposta de cada Estado, como ocorreu em São Paulo e Pernambuco.

O Ciclo Básico de Alfabetização teve em comum com a “Organização em Níveis”, além da presença de um de seus autores em ambas as propostas, o professor José Mário P. Azanha, uma atenção diferenciada às individualidades dos alunos com o fim da reprovação e remanejamento desses discentes; estando o ciclo básico a partir disso, caracterizado por reunir “[...] os dois primeiros anos do ensino fundamental, eliminando a reprovação na passagem do 1º para o 2º ano, com o objetivo de proporcionar aos alunos mais tempo para a aprendizagem e ainda reduzir as taxas de reprovação e evasão” (MAINARDES, p.67), recebendo ainda

algumas medidas adicionais e acréscimo de novos elementos em alguns estados onde eles foram adotados, como explica o autor respectivamente:

[...] estudos complementares para crianças com dificuldades de aprendizagem (ou que precisam de maior tempo para a aprendizagem), reestruturação curricular, formação continuada dos professores e melhoria das condições de trabalho nas escolas. (MAINARDES, 2007, p.67).

[...] novos elementos foram acrescentados: primeiro, a relevância de garantir aos alunos “mais tempo” para aprender foi reforçada; segundo, a ênfase na abordagem centrada na criança no que se refere ao estilo de ensino (abordagem construtivista do processo de alfabetização), avaliação dos alunos e pareceres de avaliação. [...] pode-se afirmar que a implantação do Ciclo Básico representou uma transição de uma pedagogia visível (com as suas regras fortes de seqüenciamento e compassamento) para uma pedagogia invisível. (MAINARDES, 2007, p.68).

A organização da escola em ciclos que segundo sua proposta visa reorganizar o tempo e o espaço escolares em uma nova base de ensino para garantir o respeito aos ritmos e processos de aprendizagens dos alunos e sua permanência na escola, bem como a eliminação da repetência para romper com a lógica seriada então vigente, teve a participação intensa em vários Estados do campo pedagógico composto por intelectuais, pesquisadores e professores universitários; em interação com o campo oficial onde o discurso dessa política de ciclos desenvolveu-se. Desse modo os ciclos passaram a ser adotados como uma nova organização de ensino no Brasil.