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d’informations préventives face aux risques majeurs

Chapitre 4 : Analyses et résultats

4.1. Apports et points d’amélioration de la mise en situation sur maquette comparée au questionnaire

4.1.2 Les similarités des résultats entre la MES et le questionnaire

A unidade de cuidados constitui-se como parte de um todo que é a organização hospitalar onde está inserida, detêm características próprias que a identificam como subcultura naquela organização. Para Bilhim (1996), a cultura significa mais do que as normas ou os valores do grupo, traduzindo-se sim numa resposta genérica aos problemas que podem surgir e que assenta em sucessos conseguidos perante situações anteriores. Havendo um sistema de valores em comum com a organização, assume-se a expressão de hábitos, rituais, mesmo mitos no subgrupo que podem dar lugar a comportamentos específicos, genericamente aceites por todos.

A elevada expectativa e as representações que os enfermeiros atribuem a UCI/UCIP, é, descrita como um contexto organizado, bem equipado com material diversificado que lhes oferece condições para prestar cuidados com segurança, exigindo grande disponibilidade e entrega, palavras da Enfermeira Z,

“(...) para mim, sinto-me uma privilegiada por trabalhar numa UCI ou seja, poder dispor de todas as condições para prestar cuidados de qualidade, temos desde equipamento a recursos humanos e a material tudo de qualidade (E2)

“Uma grande equipa, tudo do melhor, mas de grande exigência, muitos saberes e um desafio constante, não progrides naquele ambiente se não te dedicares” (Ea5)

“Terminava o turno pelas 16.30 e ficava na biblioteca até às 18h, frequentemente.”(Ea9)

UM LUGAR ONDE SE APRENDE Ambiente de Trabalho: Integração Imprevisibilidade de situações Motivação Organização do trabalho modo de organizar normas e procedi- mentos recursos disponiveis Estratégias de Liderança Sistemas de Informação Favorecer Autonomia promover oportunidades

Maria da Conceição B. Correia 75 Os seus percursos biográficos profissionais revelam contudo a persistência e direccionalidade com que é traçado e concretizado o objetivo de integrar a equipa de enfermagem das unidades que estudámos. É evidenciado em algumas expressões que como exemplo das unidades de registo categorizadas a que se atribuíram significado reproduzimos:

“Queria evoluir noutros aspetos, queria experimentar…” (E2)

“Pedi transferência para UCI, exatamente nessa sequência de querer evoluir e prestar melhores cuidados e já lá vão 12 anos” (E1).

“Foi um serviço que me cativou, pelos cuidados e pelo tipo de doentes, motivou-me…” (E11)

“Eu tinha relativamente pouco tempo de experiência, 5 anos e tinha realmente vontade de aprender mais”. (E1)

Este “Querer” traduz uma motivação para poder fazer algo mais e melhor (querer é poder, na cultura do saber popular) e simultaneamente mobiliza a vontade, a determinação, a que junta a decisão de escolher.

Dos dados analisados, incluem-se nesta dimensão três categorias que ajudarão a clarificar a sua amplitude: integração, imprevisibilidade de situações e motivação conforme se ilustra abaixo.

Figura 7 – Relação entre a dimensão ambiente de trabalho, suas categorias e subcategorias

Ambiente

de UCI

INTEGRAÇÃO Confiança Apoio Reforço Exigência IMPREVISIBILIDADE Diversidade situações Gravidade de “casos" MOTIVAÇÃO Expetativa Interesse Curiosidade Estimulo Reconhecimento Desafio

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2.1.1- I

NTEGRAÇÃO DOS ENFERMEIROS NO CONTEXTO DE

UCI

“É na singularidade das pessoas e seus contextos que se compreende o que é universal no ser humano.” Marta Lima Basto (2001:10)

Integrar, como o seu significado indica, só pode entender-se como algo mais, uma mais-valia, que advém e se adiciona, comportando complementaridade entre todos os envolvidos. Inclui os saberes contextuais, desde o equipamento até ao sistema organizacional, com as suas características e códigos sociais.

A integração de profissionais versa assim aspetos distintos, pois que deverá ter em conta o modelo de gestão da organização e conhecer a sua dinâmica particular, no sentido de assim facilitar o processo formal de integração. Não pretendemos no contexto do nosso estudo, explorar essa vertente em profundidade, embora seja equacionada como fator importantíssimo no desenvolvimento de competências dos profissionais.

Sendo a socialização uma produção humana e o homem um produto social é o social que permite a individualização, o que evidencia como o objetivo e o subjetivo interagem. No entanto, são os processos de socialização que permitem a interiorização da realidade, (Berger e Luckman, 2002), e a integração, que comporta necessariamente a apropriação de valores, normas e comportamentos tidos como desejáveis numa aprendizagem que decorre em tempo estimável, mas diverso conforme o contexto e os protagonistas.

É já uso corrente a afirmação de que as pessoas são o capital das organizações e enquanto capital humano, isso exige das organizações um investimento sério traduzido na observação atenta às capacidades assim como às dificuldades que cada membro dispõe, para poder oferecer uma resposta adequada que possa potenciar e qualificar cada um dos seus membros, somando obviamente ganhos nos resultados para a organização.

Isso pressupõe abertura e flexibilidade de uns e outros, motivação que possa gerar entendimento e cooperação alargada nas diferentes áreas disciplinares, com partilha e evidente desenvolvimento de conhecimento e satisfação, fatores importantíssimos para assegurar o desígnio em regra definido na missão da organização por qualidade nos cuidados e sucesso nos resultados (Zarifian, 1992).

Maria da Conceição B. Correia 77 A admissão de enfermeiros para exercerem em unidades de cuidados, tem sido feita usualmente, por recrutamento interno, em regra junto de enfermeiros com experiência em outras áreas, que são convidados ou “desafiados” e que estão colocados em serviços de urgência, cardiologia, cirurgia ou outras especialidades. São frequentemente os próprios que se manifestam interessados ou que já anteriormente indicaram o seu desejo de trabalhar em cuidados intensivos, quer junto da direção de enfermagem ou o formalizaram através de pedidos de transferência. Mercê das alterações programáticas no plano de estudos do curso de bacharelato em enfermagem, no início dos anos noventa, a formação de base no curso de bacharelato em enfermagem não contemplou na generalidade dos planos de estudo, qualquer informação teórica ou teórica prática nesta área de cuidados ao doente critico, o que poderá em si mesmo, justificar uma menor procura destas unidades para o exercício profissional, por parte dos enfermeiros, durante um período que se pode ter repercutido até meados da presente década.

Ouvimos em conversa informal com alguns dos participantes do estudo, ao longo dos momentos de encontro, no decorrer deste período, indicarem razões externas para a sua motivação e preferência na UCI, sustentando a sua decisão sobretudo por motivos relacionados com o contexto idealizado da unidade, ou com algum desagrado pela “rotina” nos serviços onde se encontravam a trabalhar, como se exemplifica:

“o saber que dispunha do material e equipamento para prestar os cuidados o que muitas vezes não se tem nos outros serviços, (...), certo e determinado tipo de material, não tem, ou não tem disponibilidade porque os doentes são muitos e chegava ao fim do turno cansada e insatisfeita.” (Ea2)

A Unidade de Cuidados Intensivos tem para estes enfermeiros uma representação de ideal, do local onde se “trabalha bem,” (E1), “como deve ser” (Ea6), e “se aprende muito” (E14). Fazer parte deste grupo de enfermeiros, não era fácil e com frequência tinha “lista de espera”, contudo tem ocorrido alguma alteração que leva a períodos de carência ou de alguma dificuldade no recrutamento, exigindo por isso uma maior flexibilidade nos critérios de seleção, sobretudo porque houve necessidade de substituir elementos que saíram por razões de diversa ordem.

À exceção de um elemento, todos os enfermeiros que entrevistámos estavam “colocados” em cuidados intensivos, a seu pedido, em resposta ao convite de um dos superiores ou ao desafio de colegas já experientes nessa área de prestação de cuidados. Alguns aguardaram durante um tempo considerável, que em média está perto do meio ano e para um dos participantes no estudo foi de oito meses, para que o seu desejo

78 Maria da Conceição B. Correia pudesse ser concretizado e enquanto esperavam, o ensejo constituía em si um estímulo para procuraram nesse tempo de espera, desenvolver o conhecimento, frequentando cursos, em regra o Suporte Avançado de Vida, ou outras pós graduações, como nos referiram:

“quando terminei o estágio e vim para aqui, já sabia que tinha de apostar na formação em alguns pontos e optei por custear eu próprio o SAV e um outro curso na área da ventilação mecânica e depois acho que sou um sortudo porque quem me integrou foi um Enfermeiro da equipa que continua a ser modelo para mim.” (E14)

“As razões que me trouxeram (…) o ser um serviço mais diferenciado, eu vim da Urgência para aqui e os CI seriam o mais indicado.” (E4)

(...) depois acho que é tudo mais organizado, não sei, mais vigilância no doente” (E6) Surgiam esporadicamente alguns testemunhos reveladores de dificuldades e de alguma deceção, que foram superadas com determinação e empenho, face ao confronto inicial entre expectativa e realidade. É de realçar que embora sendo frequente o atrativo que o equipamento mais sofisticado poderá despertar, em paralelo, os enfermeiros referem o quão importante e desafiante é, cuidar de um doente em risco de vida e poder proporcionar um cuidar rigoroso, atento, dispondo de boas condições, sem enaltecer o desempenho técnico como algo mais notável ou mais difícil.

“Por um lado (…) no serviço em que estava sentia-me impotente muitas vezes, as problemáticas e os doentes repetiam-se (…) e trazia-me algum sentimento de inutilidade, de não conseguir ajudar aqueles doentes (E1)

“Quando cheguei não correspondia bem aquilo que eu esperava e achava que eram os CI, era tudo muito tecnicista e achei mesmo que tinha regredido” (E2)

“Aqui apanho a área cirúrgica, a pneumologia, todas as especialidades e era mais ou menos isto que eu queria, por isso cá contínuo.” (E10)

Este ambiente criado durante alguns anos, sob alguma aura e que sugere frequentemente uma certa intimidação, algo a que se não tem fácil acesso, tolhe de algum modo o movimento de quem está a iniciar o seu percurso e a conquistar aqui o seu espaço e lugar. Um lugar em que também isso se aprende, bem como a vencer hesitações, lidar com o insucesso, demasiado frequente, para os profissionais que estão ali vocacionados para salvar a vida e minorar o sofrimento.

A abertura na admissão a enfermeiros recém-cursados tem constituído motivo de alguma controvérsia e não há consensos sobre este aspeto. Ocorre por estratégia de renovação

Maria da Conceição B. Correia 79 da equipa e quando os novos candidatos assinalam como primeira opção, dado o agrado da experiencia vivenciada no estágio nesta ou em unidades semelhantes durante o curso.

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