d’informations préventives face aux risques majeurs
3.3. L’information préventive à Grenoble, Jarrie et Saint-Egrève Dans cette section, nous retraçons les formes de transmission d’information sur les risques sur les
3.3.3 Paradoxe entre messages préventifs et communication sur les usines chimiques
A observação participante por ser realizada em contacto direto, frequente e prolongado do investigador, com os atores sociais, nos seus contextos culturais, constitui-se como técnica de eleição para os estudos de orientação etnográfica pois permite-nos aceder às interações entre as pessoas em campo e progressivamente ir encontrando respostas e
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O facto de não sermos uma pessoa estranha a grande parte das pessoas do grupo, veio sem dúvida facilitar a nossa entrada no grupo, permitindo-nos ser aceites nesta função enquanto investigador, como sendo o próprio instrumento de pesquisa. Requereu naturalmente atenção da nossa parte a princípios essenciais a ter em conta na tentativa de eliminar deformações subjetivas, no olhar que dirigimos a situações e pessoas, para que possa ter lugar a compreensão e a interpretação dos factos e das interações em contexto, entre sujeitos em observação. É por isso desejável que o investigador possa ter adquirido treino nas suas habilidades e capacidades para utilizar a técnica, como concretizámos ao realizar o estudo piloto.
Ao longo do trabalho de campo, tivemos oportunidade de efetuar registos que nos possibilitaram analisar e refletir sobre o modo como fomos interagindo com os diversos enfermeiros, tendo presente que estávamos num grupo em que identificámos diferentes níveis de relação dado que encontrámos:
• enfermeiros antigos colegas de curso,
• enfermeiros que foram nossos alunos no curso de enfermagem, • enfermeiros que foram nossos alunos em curso de pós-graduação,
• enfermeiros colaboradores como tutores e em parceria na formação de alunos, • enfermeiros que não tínhamos encontrado antes.
Com frequência, o facto de estarmos em presença de acontecimentos e situações que comportam imprevisto na sua evolução e no modo como se instalaram, na pronta tomada de decisão que exigem e que se partilha, envolve-nos na perceção e mobiliza sentimentos.
A expressão “Observação Participante” tende ainda, de acordo com Lapassade (2001), a designar o trabalho de campo no seu conjunto, desde a chegada do investigador ao campo de pesquisa, quando inicia negociações para conseguir acesso a este e se continua numa visita prévia, com o reconhecimento do espaço ou campo de observação. Pode conjugar o estatuto de investigador/observador, mesmo que seja conhecido por uma parte do grupo, sendo que este trabalho de campo continua em cada momento/“tempo” de presença e até que o investigador o abandona depois de uma estadia mais ou menos longa
Iniciámos a recolha de dados com permanência em campo para observação participante, no primeiro campo entre novembro de 2006 até 4 de maio de 2007, com períodos de
Maria da Conceição B. Correia 53 tempo semanais, mas diversificado na duração de cada período e sem dia semanal fixo previamente. No segundo campo, começamos em 20 de maio de 2007, após obtenção das necessárias autorizações do conselho de administração, ouvida a comissão de ética e os responsáveis do serviço, diretor e enfermeira chefe.
Desenvolvemos o procedimento em várias etapas, inicialmente de modo continuado até agosto do mesmo ano, deslocando-nos ao campo em pelo menos três dias da semana e em cada dia levando a cabo dois a três períodos de observação, com duração e intervalo variável em função das situações e ações que aí se desenvolviam. A minha permanência ocorreu quase sempre nos turnos da manhã e de tarde, havendo uma exceção em que se prolongou para o período do turno da noite, coincidindo com admissão de uma doente. Houve momentos que iniciei pelas 7.30 da manhã, no intuito de observar o final do turno da noite e as atividades necessárias à preparação do turno da manhã, assim como com o propósito de assistir, como aconteceu com frequência aos momentos de “passagem de turno”. Considerei igualmente importante ter momentos de observação ao sábado e domingo, pois não há a presença das chefias, embora a dinâmica da unidade se mantenha sem qualquer diminuição dado que assegura um funcionamento de vinte e quatro horas, podendo ocorrer admissão de um doente em qualquer momento.
Posteriormente, efetuámos várias deslocações a campo, por sentirmos necessidade de efetuar observações focalizadas, necessárias a uma melhor compreensão e análise dos dados registados em notas de campo.
Desenvolvemos a nossa atuação em campo assumindo uma atitude de observação, participação e reflexão de acordo com Spradley (1980:53) que nos alerta para a necessidade do investigador começar por se familiarizar com o papel de observador e compreender os diferentes tipos de participação possíveis e nestes, Spradley (1980:58) propõe diferentes níveis de compromisso e envolvimento do investigador, que poderá ir de um baixo nível de envolvimento até ao mais elevado o que para nós foi variável em função das pessoas e das situações que ocorriam, favorecendo ou não uma atitude mais participante.
É considerando que o processo sistemático de observar, detalhar, descrever, documentar e analisar os padrões específicos de uma cultura ou subcultura, é essencial para a compreensão dessa mesma cultura, segundo refere Leininger (1985).
O modelo de O-P-R proposto por Leininger (1991:93) desenvolve – se em quatro fases: observação inicial, observação inicial com alguma participação, participação com alguma
54 Maria da Conceição B. Correia observação e observação reflexiva veio trazer-nos, importantes contributos nas estratégias que utilizámos.
Sentimos que o facto de não sermos “um estranho” para a quase totalidade do grupo multiprofissional, dado que desde há vários anos mantemos relações de cooperação estreita com a formação dos nossos estudantes em ensino clinico, facilitou o acolhimento e recetividade que nos manifestaram e notoriamente a relação de confiança imprescindível à nossa presença em sala, enriquecendo a qualidade da dimensão interativa e intersubjetiva que a observação participante requer.
Este aspeto foi sobremaneira salutar para as interações noutros espaços que não o de cuidados diretos, nomeadamente na “sala de reuniões ou na designação de alguns “sala de apoio multiusos”, onde os diversos profissionais, sobretudo os enfermeiros permanecem por curtos períodos, aí fazem reuniões, formação, convivem e fazem pequenas refeições. O poder permanecer e partilhar esse espaço foi promotor de um outro nível de envolvimento e por muitos momentos me permitiu sentir “da casa”, expressão que ouvi com alguma frequência.
Contudo, desde o 1º momento, impunha-se encontrar algumas respostas para questões tácitas: como/onde nos colocaríamos? Que atitude poderia adotar? Como desenvolver uma estratégia assertiva, mantendo coerência com o método? Como redigir as notas de campo, no próprio local? Optámos por anotar num registo codificado, num pequeno caderno que trazíamos connosco e logo que terminávamos cada momento de observação, elaborávamos as notas extensivas sempre que possível no centro de documentação, para que não mediasse um espaço de tempo maior e pudéssemos assim potenciar o pormenor dos dados e a fidelização ao observado.
As leituras e reflexão prévias sendo muito importantes não retiram alguns constrangimentos concretos que se nos colocaram quer relativamente ao impacto da nossa presença nos colegas observados, quer relativamente à nossa postura, na escolha do local onde é possível ver e ouvir melhor, sem o desconforto da sensação de intrusão. Grande número dos participantes no estudo conheciam-nos no âmbito da nossa função docente e por vezes não foi fácil manter uma atitude reservada, sobretudo quando nos pedem para opinar sobre uma ou outra situação.
Há espaços e momentos informais muito importantes para a compreensão de observações anteriores, permitindo clarificar com os intervenientes o porquê da sua atuação. Foi muito útil trazer connosco os objetivos do estudo, que reproduzimos no
Maria da Conceição B. Correia 55 caderno de anotações que nos acompanhou sempre, pois há momentos em que tudo nos parece essencial e isso facilitou-nos o recentrar no objetivo, reduzindo a dispersão. Desenvolvemos os momentos de observação de modo descontinuado, não permanecendo na unidade por períodos muito prolongados, em média ficámos 2h e fazíamos novo período após um intervalo de cerca de três horas.
Decorrente do treino adquirido em observação, durante a realização do estudo I e face aos momentos-chave então identificados como orientadores, nomeadamente o momento de admissão de um doente, a passagem de turno, a organização e priorização dos cuidados no início de cada turno, diversos procedimentos específicos, o acolhimento das visitas, entre outros, veio a revelar-se importante embora com necessária adequação e relativização.
A aprendizagem e treino adquirido com a realização do referido estudo possibilitou-nos a introdução de adequações no modo como desenvolvemos os momentos de observação na UCIP, pois embora possamos estabelecer uma estratégia comparativa, há especificidades decorrente de uma outra subcultura, resultante da organização hospitalar e das interações entre as equipas.