II. Communication neurone-glie…
3. Communication entre les cellules gliales et les cellules neuronales …
3.3 Signalisation des neurones vers les cellules gliales
Toda a margem esquerda do Rio dos Sinos foi projetada para ser uma grande praça, a Praça da Igreja. Logo esse projeto foi abandonado, e apenas um quarteirão foi utilizado como praça. O restante foi inicialmente cedido ao Colégio Conceição, onde foram construídos dois espaços de sociabilidade: um campo de futebol e uma piscina para os alunos. Pereira (2013) comenta que essa piscina foi construída porque os alunos do colégio tomavam banho no rio, o que causava preocupação aos jesuítas.
Contudo, na margem oposta ao centro histórico foi que a atividade de balneário se desenvolveu, na chamada Rua da Praia e naquela época não existia a ilha de São Leopoldo. Na Rua da Praia ficava o clube Itaipu e, posteriormente, o Clube de Regatas Humaitáa partir do ano de 1949. O Clube Itaipu construiu um trampolim (Figura 60) flutuante dentro do Rio dos Sinos, que juntamente com a Ponte 25 de Julho, serviude trampolim para saltos ornamentais. Os saltos eram uma atividade esportiva comum entre os jovens, provavelmente relacionada à existência da Sociedade Ginástica.
Figura 60 – Trampolim do Itaipu
Fonte: Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo ([193?]).
As competições de canoagem eram eventos muito celebrados, e a população se posicionava sobre a ponte e no cais da Praça Centenário para observar as disputas (Figura 61). Estas competições perduraram até a década de 1980, quando a poluição do rio o tornou área não propícia para banhos. Eventualmente ainda ocorrem competições de lanchas.
Figura 61 – Competição de Canoagem
Fonte: Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo ([194?]).
O ano de 1934 ficou marcado na história da cidade como um ano de grandes atividades sociais. Müller (1978) fala que, nesse ano, sob o comando do intendente Theodomiro Porto da Fonseca, foi organizada a Exposição Agrícola, Industrial e Avícola de São Leopoldo, comemorativa aos 110 anos de colonização, sendo gravado um filme na cidade, onde a população foi convidada a atuar como figurante. Além disso, é o ano que a o paisagismo da Praça Centenário é entregue, virando um ponto de lazer e encontros da cidade. Mas o grande evento que ficou marcado na memória da cidade, segundo Müller (1978), foi a passagem do Graf Zeppelin alemão (Figura 62).
Figura 62 - Graf Zeppelin
Fonte: Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (1934).
Um evento peculiar ocorreu entre os anos de 1939 e 1946 nas margens do Rio dos Sinos, onde hoje atualmente é a rodoviária de São Leopoldo - uma festividade chamada de cavalhada. Tratava-se de uma encenação de uma batalha entre cristãos e mouros, em que os últimos, ao perder, eram levados para a igreja onde acontecia o seu batismo. É uma festividade tradicional da Espanha e causa surpresa a popularidade que teve na cidade (MOEHLECKE, 1997).
Os clubes de tiro foram uma tradição em toda região de colonização teuto até por volta da Primeira Guerra Mundial. Moehlecke (1997) salienta que fazer parte de um clube de tiro era pertencer à elite da cidade. O clube de tiro de São Leopoldo foi fundado em 1878.
O Bolão é um esporte de origem germânica, foi importante como força de integração social nas colônias, das canchas às sociedades de bolão. Na área de estudo definida nesta dissertação foi possível encontrar uma associação de bolão ainda em atividade (Figura 63).
Figura 63 – Sociedade Leopoldense de Bolão.
Fonte: Registrada pelo autor (2017).
As duas construções remanescentesde cinemas da cidade, Cine Teatro Independência, inaugurado em 1924 e Cine Brasil, de 1940, funcionaram até o fim dos anos 1990, quando tiveram sua base descaracterizada e se transformaram em lojas. Suas edificações permanecem como elementos marcantes da paisagem urbana.
As sociedades de canto, por sua vez, eram espaços de sociabilidade e uma maneira de cultivar a germanidade, através de canções no idioma alemão. O clube Orpheu possuía uma sociedade de canto, mas atualmente a prática desta atividade tem diminuído. Persistem ainda alguns corais, como o da UNISINOS, o da Fábrica Sthil e o coral anglicano da Igreja Trindade. Na Figura 64, pode-se observar a apresentação do grupo Vozes da Sthil na igreja de Cristo, popularmente conhecida como do Relógio. Esta igreja luterana mantém uma programação de apresentações artísticas em seu interior, fazendo do templo religioso um espaço de celebração da música.
Figura 64 – Vozes da Sthil
Fonte: Youtube (2013).
Outra atividade esportiva peculiar que existia no centro histórico de São Leopoldo eram as corridas automobilísticas de rua, durante a década de 1960. Era um evento bastante celebrado, mas perigoso. A população observava a corrida nas calçadas, sem nenhum tipo de proteção ou área de escapamento para os veículos (Figura 65). No ano de 1966, um atropelamento em massa resultou no fim das corridas de rua.
Figura 65 – Corridas de Ruas
Fonte: São Leopoldo (1966).
Estes estudos precisam ser mais aprofundados, e organizados de uma forma clara, porém, o que se fez aqui foi demonstrar que existiram, no passado, atividades que conferiam singularidade a este território. Na atualidade, ainda pode-se ver que a canoagem e o stand-up padle são praticados no Rio dos Sinos. E, apesar de o rio
ser impróprio para banho, a Rua da Praia ainda é frequentada por banhistas, que nos dias mais quentes tomam banho no rio.
A respeito das ações que ocorrem na atualidade, ainda há de se construir estudos, no entanto, Weber já vem publicando artigos sobre o tema.
O bairro Feitoria apresenta forte presença da cultura gaúcha, daí se entende o nome da festa, que incorpora o Fandango ao Kerb. [Fandankerb]. Se hoje essa relação não é problemática – no máximo mistura de estranhamento frente à mistura – no contexto das discussões na cidade na década de 1960, a força das tradições gaúchas no município foi alvo de críticas (WEBER, apud HARRES, 2006. p.169).
Durante esta pesquisa, o evento mais inusitado encontrado atende pelo nome Batalha de São Hell, e trata-se de uma série de encontros convocados por meio de mídias sociais por jovens das periferias de São Leopoldo, que se reúnem próximo ao Museu do Trem, para realizar disputas de rap.
Outro movimento artístico que nos chama atenção é o Palco Aberto (Figura 66). O Palco Aberto é uma ocupação da Praça Amadeo Rossi que acaba de completar quatro anos de existência, sendo organizado pelo grupo teatral Corpos e Sombras, que atua em São Leopoldo desde os anos de 1980. O grupo protesta pela ausência de um teatro na cidade, que possui apenas auditórios na UNISINOS e na biblioteca municipal.
Figura 66 – Palco Aberto
Fonte: Nunes (2016).
Para se ter uma ideia da quantidade de apresentações que ocorrem nesta ocupação cultural, é possível ver a programação de um evento acontecido em 2016:
a partir das 16 horas, a Praça Amadeo Rossi volta a respirar arte, na celebração dos quatro anos de ocupação cultural do espaço público e o terceiro ano de palco aberto, evento mensal promovido pelo grupo Corpos & Sombras. A apresentação a cargo de Cláudia Severo e Felipe Farinha quer aproximar ainda mais a arte do público e para isso traz o Grupo Circo da Silva do Rio de Janeiro, os gaúchos de Porto Alegre do Re-Tri-Circo, além da trapezista Juju Coutinho. [...] o musical instrumental Combustível Free, a dança cigana da Caravana Esmeralda, o cinema com o SoloUrbanofilmes, o teatro do grupo Quixotescos, a dança contemporânea com a bailarina Paula Lau (NUNES, 2016).
Os artistas de São Leopoldo protestam há anos pela criação de um centro cultural na cidade, e encontraram no Palco Aberto uma maneira de se apresentar enquanto a cidade segue sem um espaço cultural estruturado15
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