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4. NATFW NSLP Message Components

4.2. NSLP Objects

4.2.1. Signaling Session Lifetime Object

Depois de lermos alguns relatos focados na construção das relações de vizinhança antigamente, vamos abordar o que os entrevistados falaram a respeito de hoje, as mudanças que eles enxergam e o que de diferente existe nas dinâmicas com os outros moradores/as. A maioria, como já foi trazido no tópico anterior, destaca um distanciamento entre as pessoas hoje. Os tempos mudaram e com eles novos hábitos vão se formando. Dona Luzinete, mais uma vez contextualiza essa transição, trazendo a perspectiva de quem continuou no pedaço após casar-se e viu muita mudança.

“Eu fui talvez uma das que não saiu daqui porque eu casei e continuei morando aqui. A maioria foi embora, eu fiquei aqui. Aí a gente vê as diferenças. O tempo muda, as pessoas são diferentes, não tem mais aquele temperamento da minha época, os mais jovens, né, já agem de outra maneira. Isso é uma coisa natural da própria mudança do tempo, do mundo, da evolução. A gente sabe, né, a televisão, os meios de comunicação, a internet, essas coisas todas, prenderam mais as pessoas. As pessoas antes eram mais comunicativas. Ficavam mais próximas das outras. Hoje em dia com essa história de internet, celular, não sei quê, essas coisas assim bem modernas, que a gente precisa ter, lógico, o mundo evoluiu, mas fizeram com que as pessoas se afastassem do mundo. Todo mundo fica muito no seu eu. Mas a gente não tem problema com vizinhança. Se alguém precisar de uma ajuda, então todo mundo sai pra ajudar.”

Dona Luzinete

Assim como Dona Luzinete, Dona Marlene não saiu da casa em que mora por motivo de casamento. Ela acompanhou também as mudanças e credita o distanciamento das pessoas à ocupação do tempo que hoje é preenchido por

93 diversas atividades. Sua fala sobre a cadeira na porta é muito simbólica, pois é um hábito que remete muito ao passado e que, por diversos motivos, ficou para trás.

“Eu acho que hoje as pessoas são mais ocupadas. Talvez hoje os rapazinhos não tenham a mesma liberdade, já tem um emprego, tem uma aula. É, eu acho que hoje as pessoas são mais ocupadas. Eu acredito. [...] Hoje a vida é outra. Não sei se pra você. Ninguém bota uma cadeira e senta na porta. Eu acho que, atualmente, não, em canto nenhum. Como já foi hábito antigamente, a pessoa jantou, ia bater papo no portão.” Dona Marlene

A perspectiva trazida pela Sra. Ivaneta a respeito mudança nas relações compreende o aspecto da melhora de renda pelas pessoas do pedaço. Antes as pessoas se ajudavam mais, e isso, naturalmente, permitia a criação de vínculos mais próximos entre os moradores/as Ela frisa que evita ao máximo aperrear as pessoas para pedir, mas se precisar sabe que pode contar com o apoio. Ela cita também a questão da internet como importante fator de mudança principalmente pelo comportamento dos jovens.

“Hoje em dia, o tempo tá melhor. A gente não tá tão necessitado, como era antigamente. Todo mundo tem seu trocadinho, faz sua feirinha. Mas se precisar com certeza ainda estamos aqui para servir. Eu não quero ser melhor do que ninguém, a gente é todo mundo igual, mas eu faço tudo pra não aperrear ninguém. Mas se precisar de mim, eu tô aqui pra servir qualquer um. E se eu precisar eu vou em qualquer um, e eu tenho certeza que eu sou bem servida. Porque são vizinhos bons, são todos bons, eu gosto de todos eles. Antigamente tinha mais tempo, a gente conversava mais. Hoje em dia não. Só passa oi, bom dia, boa tarde, é assim. Ninguém para pra conversar. Mas é devido o tempo de hoje. Eu acho que é isso. Não sei. Os jovens não querem saber disso, eles querem saber do tempo deles. E agora com a internet, os jovens não querem saber mais de nada. Todo mundo conectado.” Sra. Ivaneta

Moradora de uma geração mais nova que ainda tem sua dinâmica atrelada ao deslocamento para o trabalho, a Sra. Deda frisa o pouco tempo que lhe resta para ver seus vizinhos. Além disso, os moradores/as hoje em dia sendo mais idosos do que crianças acabam que diminui o fluxo de pessoas interagindo, como era a perspectiva que ela mesmo trouxe no outro tópico com relação às brincadeiras na rua. Em sua fala agora ela traz também a brincadeira que tinha antes para os adultos, a lambada, ou seja, a dança que envolve os vizinhos por ser um atrativo de saída. Até pouco tempo houve na região o Forró do Bar da Curva, que depois

94 passou para o Rainha da Sucata, da Sra. Zuleide e hoje em dia acontece em outro bairro.

“O povo brincava aqui. Brincava uma tal de lambada. Hoje não. O povo tá tudo nas suas casas. Só cumprimenta e pronto. Não era como antigamente não. É a evolução do tempo, é isso. Porque, olha, a gente sai de manhã chega de noite, no trabalho. Eu vou ver quem? Tem muito morador mais idoso também. E tem pouca criança. E as que tem, tão no computador e na internet, direto, 24h. Você não escreve mais uma carta.” Sra. Deda

Por fim, a Sra. Benilda reforça a questão dos laços de vizinhança que existem na comunidade, principalmente em relação a comunicação, mas enfatiza que isso está acontecendo cada vez mais no campo do virtual.

“Então essa questão de vizinhança, ela sempre foi muito boa, sempre foi muito boa. Você passa aqui você não vê o povo na rua. Grita aí fora pra você ver. Você vai dizer esse povo mora tudinho aqui? Então é sempre muito irmanado, nessa questão do aconchego da vizinhança. Foram os tempos mesmo que mudaram. Mas não o sentimento das pessoas. O pessoal daqui é muito urbano mesmo, aquela coisa de suburbano mesmo. Se comunica, conversa. Tem uma festinha, vai ter um bolinho. Zuleide eu fiz bolo. Aí vai levar um pedaço pro outro. Tem o que aí pra comer? Aquela coisa da vizinhança mesmo. Agora hoje eu sou colada com minha vizinha, mas passo um mês sem vê-la. Pra eu ver, ou eu vou lá, ou ela vem aqui. Enquanto uma não for na casa da outra, não se vê. Mas a gente se fala no ZAP, a gente não se vê.” Sra. Benilda

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