III. Chapitre – Etude du resserrement du trou : détermination des chargements
IV.2. Modèles numériques : propriétés, hypothèses et développement
IV.2.3. Sensibilité du maillage des modèles utilisés
materialismo dialético contribuem para a produção de significados diante das alterações provocadas na agricultura pelo avanço do capitalismo. Kaustsky (1986) utilizou a luta
de classes para interpretar as alterações produzidas pela ocupação do território do campesinato pelo capital, quando o capital introduz no território camponês o estatuto de
“propriedade privada com referência à terra e o caráter mercantil dos produtos agrícolas” (p. 57). A gradativa perda do domínio territorial como ônus imposto pelo avanço do capitalismo impulsionou várias teorias como a de Lênin (1985), por exemplo, a vaticinar o fim do campesinato como resultado dos processos de diferenciação, proletarização ou expropriação. Todavia, Luxemburg (1985) entende que o capital não está adstrito a esses processos como condição para acumular cada vez mais. E, como o capital pretende emoldurar toda realidade à sua imagem, avança suas forças imperiais garantindo sua reprodução, engendrando, juntamente com as relações capitalistas de produção, as relações não-capitalistas de produção:
[...] assim existem, entre cada período produtivo (em que a mais valia é produzida) e a acumulação que o sucede (em que a mais-valia é capitalizada), duas transações distinta, ou seja, a transformação da mais- valia em sua forma pura de valor e a realização e a transformação dessa forma pura de valor em forma produtiva de capital, transações que ocorrem entre a produção capitalista e o mundo não-capitalista que o circunda (LUXEMBURG, 1985, p. 246-247).
O método dialético possibilita compreender a contradição inerente na reprodução ampliada do capital, que, ao destruir o campesinato num determinado território, promove sua recriação em outro. De tal forma que, a recriação do campesinato é uma necessidade do capital, pois com sua produção, será possível ao capital, obter um novo capital-dinheiro, diferente daquele que já circula no mercado. Circula passando do bolso do capitalista para o bolso do proletariado, como explicou Luxemburg (1985, p. 344).
Não é nem licença e nem permissão do capital, a recriação do campesinato, mas necessária por sua exigência de reprodução ampliada contraditória e desigual. Essa recriação também ocorre quando o campesinato luta para garantir seu protagonismo e sua perspectiva. Luta que se concretiza com as ocupações de terra desenvolvida pelos movimentos socioterritoriais no território do capital, pois, “a luta pela terra é uma luta constante contra o capital. É a luta contra a expropriação e contra a exploração. [...] A ocupação é, portanto, uma forma de materialização da luta de classes” (FERNANDES, 2000, p. 280). Recriação que acontece também com a recampesinização como explica Ploeg (2008); ou, com o jeito camponês de fazer agricultura baseado no seu polimorfismo perverso na interpretação de Bartra (2007) por afrontar as leis capitalistas; ou, pelo conjunto de práticas e valores como condição de retorno à terra estudados por Marques (2004), ou ainda, pelas interações entre ação coletiva e ação pública e os valores de reciprocidade enaltecidos no estudo de Sabourin (2009).
No protagonismo, na resistência e nas práticas heterogêneas, entre ouras, estão as principais proposições do campesinato reunidas nas teorias que compõe o paradigma da questão agrária. O protagonismo do campesinato é ressaltado nas suas estratégias quando fazem avançar a luta de classes, a exemplo do MST no Brasil
[...] ao fazer prosseguir a luta das ocupações de terra para fins de organização da produção, envolveu-se numa série de alianças estratégicas inter-setoriais com diversas organizações sociais na “sociedade civil” brasileira. Ao mesmo tempo, começou a participar ativamente de uma “sociedade civil global” constituída por várias coalizões de organizações não-governamentais no “movimento antiglobalização” (VELTMEYER e PETRAS, 2008, p. 110-111).
As resistências do campesinato analisadas por diversos estudos, como o de Welch (2010, p. 40), “para mostrar a relação entre a mobilização do trabalhador rural local, a política estadual e a nacional e as pressões econômicas e políticas
internacionais”, quando interpretou as raízes paulistas do movimento sindical camponês no Brasil entre, 1924-1964. E, as lutas camponesas em meados do século XX estudadas por Oliveira (2002, p. 18),
tem sido rico em exemplos de luta pela terra e dois processos têm atuado no sentido de soldar o movimento dos camponeses no Brasil. De um lado a tentativa de resgate da condição de camponês autônomo frente à expropriação, representada pelos posseiros e sua luta contra os fazendeiros grileiros. De outro, o movimento originado na luta dos camponeses parceiros ou moradores contra a expropriação completa no seio do latifúndio, que os transformava em trabalhadores assalariados.
As práticas heterogêneas do campesinato circunscrevem-se como trincheira eficiente ao enfrentar os esquemas de subsunção que caracteriza o modo de produção capitalista, como demonstra Fabrini (2007, p. 239-240);
A produção para auto-consumo, a autonomia e o controle no processo produtivo, a solidariedade, as relações de vizinhança, os vínculos locais, dentre outros, são aspectos deste processo. Este processo de construção da resistência dos camponeses a partir de forças do território apresenta um conjunto de desdobramentos econômicos, políticos, culturais, etc. Por isso, há que se atentar para estas práticas, pois poderão ser somadas a outras lutas na construção dos enfrentamentos à ordem dominante, expropriatória e desumana.
Fabrini (2007) defende a hipótese segundo a qual ou o campesinato luta contra o capital e constrói o seu futuro, ou se une à ele perdendo sua identidade e sua autonomia. Portanto, a perspectiva do campesinato se diferencia da do capital à medida que criar estratégias com suas práticas heterogêneas descritas por Ploeg (2008); Mazoyer e Roudart (1998) entre outros, com as quais desenvolve sua base tecnológica de eficiência comprovada no desenvolvimento do seu jeito de fazer agricultura.
O outro confronto com o capital acontece com a histórica luta pela terra, que no Brasil é presença constante desde a época colonial, como explica Andrade (1964), fazendo alusão do uso dos métodos revolucionários quando analisou a formação e o desenvolvimento das Ligas Camponesas. O latifúndio estruturou-se no Brasil pelo regime sesmarial com a concessão de terras feita pelo Estado às famílias com prestígios palacianos, com isso, “formou-se a pequena nobreza dos cafezais” (ANDRADE, 1964, p. 189). Diante dessa estrutura fundiária extremamente concentrada ergue-se a resistência camponesa que foi se desenvolvendo por meio de diversos embates. Dentre eles destacam-se as ocupações de terra, as marchas, as mobilizações e suas práticas heterogêneas numa rebeldia audaciosa pelo controle de frações do território. Desterritorializando o capital nessas frações de território se territorializam na medida
em que recuperam o domínio dos seus meios de produção. Garantida a sua reprodução desenvolvem discursos na disputa de idéias e de significações fazendo valer seus interesses e sua luta.
6.3. Uma leitura do desenvolvimento do debate paradigmático do capitalismo