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IV. Análise de Resultados

4.1 Análise estatística sobre a base de dados SAC/SIIUE

4.1.2 Mestrados Integrados

4.1.3.11 Semestres adicionais e reingressos

burguesia agrária retrograda, criando uma fração de classe que possui ex- tremo poder político, conhecida no Brasil por “ruralistas”. Mesmo com o progressivo decréscimo da importância econômica deste setor nas décadas seguintes, as estruturas do atual capitalismo brasileiro possibilitaram a ele se manter determinante nas decisões políticas da nação.

Uma expressão direta deste poder é a representação política desta fração de classe no Congresso Nacional. Segundo o (Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC), em seu documento “Bancada Ruralista: o

maior grupo de interesse do Congresso Nacional”, os representantes da

burguesia agrária são a mais bem estruturada bancada de interesse do legis- lativo brasileiro. Na legislação de 1995/1999, foram eleitos 117 deputados ruralistas7, a qual foi seguida por duas outras com menor número de eleitos: 89 (1999/2003) e 73 (2003/2007). Mesmo com a redução, ainda assim os ruralistas se mantiveram como um segmento fundamental tanto para o aten- dimento das demandas de seu grupo político, quanto para o bloqueio do tramite dos projetos de interesse dos camponeses e trabalhadores rurais.

A última legislatura analisada pelo INESC (2003/2011) retomou o vigor numérico da bancada ruralista, sendo composta por 116 parlamenta- res. Um avanço fundamental foi conquistado por este segmento: a eleição de uma senadora, Kátia Abreu, liderança política que em 2008 foi eleita presidente da Confederação Nacional da Agricultura, entidade que histori- camente representa os ruralistas. Nas últimas eleições, realizadas no dia 03 de outubro de 2010, a bancada ruralista eleita para o senado aumentou em

7 A classificação dos parlamentares foi feita a partir da declaração de renda dos deputados,

dados obtidos no sítio da Câmara dos Deputados. Foi considerado como membro potencial da bancada ruralista aquele que possui dentre uma de suas principais fontes alguma forma de renda agrícola (INESC, 2007). Entretanto, como o próprio documento afirma, uma série de outros deputados possui vínculos morais, familiares ou econômicos indiretos com o setor agropecuário, aumentando consideravelmente a bancada.

30%8.

Essa manutenção de poder nas mãos dessa fração da burguesia não é só crítica para o processo de transformação social, mas para o próprio de- senvolvimento capitalista nacional ou regional. Como lembra Meszáros (2006), no caso feudal9 os proprietários de terras estão mais vinculados à sua terra (enquanto território) do que com o próprio país. É uma espécie estreita de nacionalidade (MESZÁROS, 2006), que reflete diretamente na defesa de interesses individuais ou de grupos ruralistas em detrimento de todas as outras parcelas da sociedade.

Esse poder político associou-se a grupos presentes nos veículos de mídia e mesmo em setores do meio acadêmico, conseguindo reprimir os anseios populares que, de forma organizada desde a década de 40 (com as ligas camponesas) demandavam por uma efetiva reforma agrária no Brasil. Entretanto, não seria suficiente reprimir estas demandas, uma vez que as forças sociais continuariam reivindicando seus direitos.

A estratégia utilizada então pela direita foi a de exclusão do campo do projeto “moderno” que foi apresentado ao Brasil pelas elites. Fez-se necessário a construção de uma ideologia hegemônica que, progressivamen- te, destituiu o campo de qualquer civilidade, transportando a mesma para a cidade.

A centralidade desta ideologia, dita modernista, está na cidade. O es- paço urbano é o lugar da liberdade, da novidade e do progresso, enquanto o campo representa o atraso, a tradição, o antigo (SAUER, 2010). Com essa construção simbólica, o projeto de modernidade10 brasileira buscou se con- solidar, tendo como peça fundamental a “modernização conservadora” da agricultura (GRAZIANO DA SILVA, 1978). Para MARTINS (1989), a “modernização conservadora” incluiu a grande propriedade fundiária num projeto de desenvolvimento capitalista que tenta organizar, contraditoria- mente, uma sociedade moderna sobre uma economia rentista e exportadora. Um capitalismo tributário atualizado

Com o desenvolvimento do capital industrial, principalmente devido à instalação de multinacionais com o conhecido processo de substituição de

8 Reportagem acessada em 13/11/2010. Disponível em

<http://www1.folha.uol.com.br/poder/812273-ruralistas-ocupam-30-do-novo-senado.shtml> 9

E aqui se considera também nos casos análogos ao feudal, como o latifúndio atrasado brasi- leiro

10

Segundo Habermas (SAUER, 2010), o projeto modernista representou um extraordinário esforço intelectual dos pensadores iluministas para desenvolver a ciência objetiva e libertar os seres humanos através do domínio da razão sobre a natureza. O acúmulo de conhecimento cientifico, gerado por muitas pessoas trabalhando livre e criativamente, deveria necessariamen- te conduzir à emancipação humana e ao enriquecimento da vida diária.

importação (KAY, 2002), este conseguiu subjugar o campo, recuperando o poder econômico dos antigos latifundiários. Esse caminho não desenvolveu as relações sociais no espaço rural, mantendo-o arcaico e antagônico ao processo de desenvolvimento do meio urbano (SAUER, 2010).

Diante desta análise, a reivindicação por reforma agrária se afirma também como uma tentativa de concretizar o verdadeiro projeto da moder- nidade na sociedade brasileira. A luta por reforma agrária gera sujeitos históricos, base fundante da modernidade. O desenvolvimento de um cam- pesinato fortalecido tende a desenvolver as relações sociais no campo, dis- tensionando o antagonismo campo-cidade estabelecido no processo brasilei- ro.

Portanto, a reforma agrária clássica não é uma resposta revolucioná- ria à questão agrária. Ao contrário, é um dos alicerces para o desenvolvi- mento de qualquer país capitalista, seja do ponto de vista econômico, seja do ponto de vista social-cidadão. Os movimentos sociais de cunho agrário são os agentes que cobram, diuturnamente, a realização do próprio projeto burguês.

1.5 A materialidade da reforma agrária no Brasil contemporâ-