A técnica de investigação por grupos focais possui caráter qualitativo. Morgan (1997 apud GONDIN, 2003) define grupos focais como uma técnica de pesquisa que coleta dados por meio das interações grupais ao se discutir um tópico especial sugerido pelo pesquisador. Como técnica, ocupa uma posição intermediária entre a
observação participante e as entrevistas em profundidade. Pode ser caracterizada também como um recurso para compreender o processo de construção das
percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos (Veiga & Gondim, 2001 apud GONDIN, 2003).
Basicamente postulada como no desenvolvimento e aplicação de entrevistas, com olhar especial à conduta do moderador/pesquisador do grupo e ao tipo de
abordagem da técnica. Ao moderador cabe
(...) uma posição de facilitador do processo de discussão, e sua ênfase está nos processos psicossociais que emergem, ou seja, no jogo de
interinfluências da formação de opiniões sobre um determinado tema. (...) A unidade de análise do grupo focal, no entanto, é o próprio grupo. Se uma opinião é esboçada, mesmo não sendo compartilhada por todos, para efeito de análise e interpretação dos resultados, ela é referida como do grupo (GONDIN, 2003, 151).
O moderador (que no caso de pesquisas acadêmicas deve ser o próprio pesquisador) precisa, além de conhecer muito bem os objetivos da pesquisa, ser capaz de orientar o andamento da discussão de modo a respeitar as opiniões, evitando introduzir qualquer ideia preconcebida. Deve promover o debate entre os participantes sem, no entanto,
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direcionar questões individualmente a cada um deles, evitando que a reunião se transforme numa série de entrevistas particulares. As ideias devem surgir e ser emitidas pelos participantes de forma espontânea. Não se busca necessariamente um consenso e, sim, um confronto de opiniões, que será tanto mais enriquecedor quanto maior for a sinergia entre os participantes. Para garantir tal sinergia, alguns pontos são importantes. (MORGAN, 1997, p. 2 apud DUARTE, 2007, p. 78)
Premissas e pressupostos da pesquisa ou resultados ao qual objetiva o grupo focal também tem intervenção direta do moderador, que deverá promover reflexões, exploração de temas específicos, transformação social ou inda tomada de decisão. Utilizado para a resolução de problema que necessita ao mesmo tempo da
aproximação com a população pesquisada e compreensão dos símbolos, dos
significados e significantes que esta utiliza na apreensão de uma dada realidade, em um contexto. Compreende-se que a essência do grupo focal consiste justamente na interação entre os entrevistados e o moderador/pesquisador, que objetiva colher dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e diretivos.
Pode dirimir-se há duas modalidades: “a primeira visa a confirmação de hipóteses e a avaliação da teoria, mais comumente adotada por acadêmicos. A segunda, por sua vez, dirige-se para as aplicações práticas, ou seja, o uso dos achados em contextos particulares” (GONDIN, 2003, p. 152). Deste modo divide-se em 3 categorias que são apresentadas por Fern (2001 apud GONDIN, 2003):
a) Exploratórios – centrados na produção de conteúdo; a sua orientação teórica está voltada para a geração de hipóteses, o desenvolvimento de modelos e teorias, enquanto que a prática tem como alvo a produção de novas ideias, a identificação das necessidades e expectativas e a descoberta de outros usos para um produto específico. Sua ênfase reside no plano intersubjetivo, ou melhor, naquilo que permite identificar aspectos comuns de um grupo alvo. b) Clínicos – sua orientação teórica se dirige para a compreensão das crenças, sentimentos e comportamentos, enquanto a prática ocupa-se em descobrir projeções, identificações, vieses e resistência à persuasão. A premissa clínica
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é a de que muitos comportamentos são desconhecidos pela própria pessoa, daí a importância do julgamento clínico e da observação do outro, o que permite concluir que o aprofundamento da intersubjetividade no grupo é o fator importante desta modalidade.
c) Vivenciais - os próprios processos internos ao grupo são o alvo da análise e estão subordinados a dois propósitos: na vertente teórica o de permitir a comparação de seus achados com os resultados de entrevistas por telefone e face a face. Neste caso, o nível de análise é intergrupal. O segundo propósito é o da orientação prática centrada no entendimento específico da linguagem do grupo, nas suas formas de comunicação, preferências compartilhadas e no impacto de estratégias, programas, propagandas e produtos nas pessoas. A ênfase aqui recai na análise intragrupal.
Na prática a interação dos indivíduos dentro da proposta de grupo focal ocorre num primeiro nível inserido pelos domínios da psicologia social; em seguida pela cognitiva e por fim pela análise do discurso. Deste modo autores pontuam a possibilidade de grupo focais serem tidos como métodos aplicados ao perfil de fonte principal de dados, como técnica complementar ou como uma proposta de integrar dados qualitativos das observações e das entrevistas. O grupo é composto por seis a dez participantes que não são familiares uns aos outros. Estes participantes são
selecionados por apresentar certas características em comum que estão associadas ao tema que está sendo pesquisado. A reunião dura em média uma hora e meia, sendo uma hora o tempo de duração mínimo considerado pela literatura, e a coleta de dados é feita pelo mediador/pesquisador. É lançado aos participantes o tema e os mesmos são convocados a emitir opiniões sobre assuntos que talvez nunca tenha pensado anteriormente. Outro ponto importante, como reforça Duarte (2007), para evitar que a discussão se desvirtue do foco da pesquisa, é a elaboração prévia de um roteiro ou guia de entrevista que deverá seu utilizado pelo moderador/pesquisador para redirecionar a discussão, no caso de dispersão ou desvio do tema em foco, sem perder a flexibilidade das discussões. As pessoas, em geral, precisam ouvir as
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posição (ou fundamentam melhor sua posição inicial) quando expostas à discussão em grupo. É exatamente este processo que o grupo focal tenta captar.
Cabe ao moderador/pesquisador do grupo criar um ambiente propício para que diferentes percepções e pontos de vista venham à tona, sem que haja nenhuma pressão para que seus participantes votem, cheguem a um consenso ou estabeleçam algum plano conclusivo. Este ambiente relaxado e condutor de troca de experiências e perspectivas deve também ser garantido através de alguns outros cuidados:
a) Seus participantes não devem idealmente, pertencer ao mesmo círculo de amizade ou trabalho. Isto visa evitar que a livre expressão de ideias no grupo seja prejudicada pelo temor do impacto (real ou imaginário) que essas opiniões vão ter posteriormente;
b) Seus participantes devem ser homogêneos em termos de características que interfiram radicalmente na percepção do assunto em foco, visando garantir o clima confortável para a troca de experiências e impressões de caráter muitas vezes pessoal. E importante enfatizar, no entanto, que a busca de homogeneidade em algumas características pessoais não deve implicar na busca de homogeneidade da percepção do problema. Se assim fosse, o grupo focal perderia a sua riqueza fundamental, que é o contraste de diferentes perspectivas entre pessoas semelhantes. Enfim, a seleção dos participantes deve ser homóloga e não restritiva.
Em estudos que utilizam o grupo focal, as discussões são conduzidas várias vezes com diferentes grupos, visando identificar tendências e padrões na percepção do que se definiu como foco de estudo. A análise sistemática e cuidadosa das discussões vai fornecer pistas e "insights" sobre a forma como é percebido o tema em questão. Além da versão presencial na formação e condução de grupos focais, hoje, com o advento das novas tecnologias de comunicação online, os grupos podem ser ditos
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como eletrônicos. De acordo com Murray (1997 apud DUARTE 2007), grupos focais eletrônicos podem ser conduzidos de modo síncrono ou assíncrono. Sessões
síncronas são aquelas efetuadas em tempo real, isto é, com todos os integrantes do grupo participando simultaneamente, o que pode ser feito através de uma sala de bate-papo (chat) ou de qualquer outra forma de conferência online. As sessões assíncronas normalmente fazem uso de listas ou grupos de discussão ou da troca de mensagens, de forma que os participantes possam ler os comentários postados por outros e contribuir com suas próprias colocações a qualquer momento, não
necessariamente quando algum outro integrante do grupo esteja participando. Duarte (2007) ainda sinaliza ao fato de que a forma de aplicação do método tanto off-line quanto online mantém-se o mesmo porém
(...) a efetiva condução e moderação da discussão em grupo virtual requer do pesquisador habilidades diferentes daquelas necessárias à sua condução no grupo presencial. Em particular, é necessário que o moderador, bem como os demais participantes, estejam profundamente familiarizados com a tecnologia que utilizarão, principalmente em relação à plataforma do
software, suas características e ferramentas. No caso de se optar por grupos síncronos, com interação escrita (e não oral/visual) em tempo real, é
preciso, ainda, que o moderador apresente rapidez na digitação e esteja preparado para receber múltiplas e simultâneas colocações dos
participantes. (DUARTE, 2007, p. 81)
O Quadro 9 ilustra as vantagens e desvantagens do uso do método de modo off-line e online, considerando os postulados da literatura.
Baseado no exposto sobre os métodos apresentados cabe salientar que os mesmos, dentro da pesquisa proposta, irão se comportar de forma complementar na coleta de dados para validação ou refutação das hipóteses apresentadas, tendo como método principal o KE por conduzir ao olhar específico para o objeto de estudo em questão – as emoções.
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Quadro 9 – Vantagens e desvantagens na aplicação do grupo focal off-line e online MODALIDADE DE
GRUPO FOCAL VANTAGENS DESVANTAGENS
OFFLINE Possiblidade de captar respostas não verbais por meio de
expressões corporais e faciais dos participantes;
Maior possibilidade de interação entre participantes e com o tema em estudo, permitindo
exploração ou descoberta de novos vieses de pesquisa.
Custo para acomodação e recepção dos participantes; Aproveitamento do tempo em
função de possíveis dispersões do grupo ou pela falta de aptidão do
mediador/pesquisador; Limitação para seleção dos
participantes pela relação de tempo-espaço;
ONLINE Redução de custos com acomodação e recepção dos participantes;
Possibilidade de interação de participantes espalhados geograficamente bem como daqueles difíceis de se recrutar off-line;
Forma conveniente e confortável de se participar;
Possibilita livre expressão dos participantes sem qualquer interferência ou pressão dos demais;
Permite o anonimato dos participantes da pesquisa, caso seja de interesse.
Limitação da amostra de participantes tendo em vista que só poderá participar quem tiver acesso à internet; Impossibilidade de se tirar
proveito da interação pessoal entre os participantes, mesmo com o uso de recursos de filmagem em tempo real; Impossibilidade de captar
respostas não verbais, por parte do mediador/pesquisador.
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