Compilation of best practices on gender mainstreaming in HIV/AIDS programming derived
4. Selected best practices on mainstreaming gender and HIV/AIDS
Em seguida vem a Castilla elastica, com o tronco de 15m de altura, com 60 a 90cm de diâmetro, com folhas grandes, mas bastante raras; a casca é de cor parecida àquela das Héveas. A Castilla, cuja cultura é praticada de maneira eficiente no México, pode ser explorada a partir dos cinco anos, enquanto a Hévea começa a produzir de modo rentável após quinze ou até mesmo dezoito anos. É verdade que a Hévea atinge sua caducidade após mais de um século, enquanto a longevidade da Castilla não ultrapassa os 25-30 anos. Como veremos adiante, esta árvore não é, no Brasil, talhada à maneira das Héveas, mas completamente abatida.
Ainda existem plantas da família das Ulmaceae, árvores e arbustos que apresentam mais de 600 plantas diferentes; Cecrópias oferecendo também inúmeras variedades, possuindo, como marca característica, galhos ondulados e ocos entre os nós; Urceolas, Hancornias e Manihot; os primeiros produzem a partir do quinto ano, os segundos a partir do décimo. Encontramos ainda Landolphias de diversas variedades, e outras plantas que produzem látex que não são consideradas como plantas da indústria gomífera, seja pela pobreza da seiva, seja por desco- nhecer o método de elaboração adequado a seu látex.
É importante não se esquecer que as florestas do Brasil são compostas, como todas as florestas tropicais, por elementos extremamente diversos, entre os quais as árvores-de-borracha estão dispersas. É assim que sobre uma distância de 80m, podemos encontrar apenas duas ou três Héveas misturadas a várias centenas de árvores de espécies variadas, com grandes diferenças entre as regiões baixas e altas.
6.5 O Tapuru
Acabamos de ver que toda a borracha exportada pelos estados da bacia do Amazonas não é extraída unicamente das Héveas; atualmente, tira-se látex de uma espécie de Euphorbiaceae do gênero Micrandia, que tivemos a chance de nomear: Micrandia xyphonoïdes. Há vários anos, os seringueiros dos estados do Pará e do Amazonas exploravam outras árvores da mesma família que eles designavam, dependendo da região, pelo nome de Tapuru, Curupita, Murupita e Seringarana. Essas árvores têm praticamente as mesmas características das Héveas: 0,80 a 1m de diâmetro e entre 20 e 25m de altura. Elas podem ser encontradas a partir da grande Ilha de Marajó, na embocadura do Amazonas e nas diversas ilhas do rio, assim como nos vales dos rios Madeira, Solimões, Japurá, Juruá e Purus.
As encontramos, com frequência, misturadas às verda- deiras Héveas em terrenos baixos e pantanosos; certas espécies crescem, no entanto, longe das margens do rio. As chamamos, no primeiro caso, de Tapurus de margem, e, no segundo caso, Tapurus de terra firme.
Essas Euphorbiaceae dão um látex bastante abundante; ele produz uma goma que até hoje os negociantes e industriais hesitam em distinguir daquela da Hévea, pelo fato de os látex das duas proveniências serem comumente misturados. O Tapuru é talhado e seu látex coagulado como aquele da Hévea. Existe, às vezes, principalmente no vale do Madeira, seringais unicamente compostos por Tapurus.
O comércio aceita sem dificuldade a borracha do Tapuru. A produção tornou-se considerável; mas é difícil avaliá-la com precisão; em função da mistura sofrida, aparece nas estatísticas sob o nome de Borracha fina ou Entre fina.
6.6 A Mangabeira
Utiliza-se, enfim, alguns arbustos da família das Apocynaceae do gênero Hancornia. A Flora brasileira5 de Martius
reconhece apenas uma espécie determinada por Muller d’Ar- gove, a Hancornia speciosa. Ela compreende diversas variedades conhecidas sob o nome de Mangabeira que, por sua vez, estão por todo o Brasil, nos terrenos elevados e pedregosos.
5 A Flora brasiliensis foi produzida entre 1840 e 1906 e contou com a parti-
cipação de 65 especialistas de vários países. A obra completa pode ser consultada no site http://florabrasiliensis.cria.org.br/index. Acesso em: 18 nov. 2018. [N.T.]
A Mangabeira é um arbusto de cerca de 3,5m de altura, com galhos torcidos e folhagem pouco abundante. Seu látex é azulado; ele é empregado em produtos farmacêuticos contra afecções pulmonares. Sua riqueza em borracha é variável, as pesquisas realizadas no Instituto Agronômico do Estado de São Paulo sobre o látex de proveniências diversas forneceram, respectivamente, a proporção de 80%, 50% e 57%, e outras experiências deram proporções ainda menores.
Diz-se que cada Mangabeira podia fornecer de 3 a 5kg de borracha, mas na verdade esta quantidade não é superior a 1kg. Para recolher o látex dessa árvore, entalha-se a pouca distância do solo ou se pratica incisões sobre a casca. A época da colheita é de junho a agosto.
Para obter a coagulação do látex, os indígenas utilizam procedimentos variados: acréscimo de água, sal de cozinha ou ácido sulfúrico. As bolas obtidas recebem o nome de bolachas, como àquelas da borracha da Hévea. Parece que o melhor proce- dimento de coagulação seria a fumigação ou o aquecimento do látex em fogo lento. Nenhum desses métodos foi praticado do ponto de vista industrial. O Instituto Agronômico de São Paulo, no entanto, obteve excelentes resultados empregando como agente de coagulação uma solução de 300gr de sal de cozinha em 1l de água; esta solução deve ser utilizada na proporção de 20cl para cada litro de látex. Coagulado dessa maneira, a borracha da Mangabeira, convenientemente comprimida e seca, seria um excelente produto comercial. A maior parte da borracha da mangabeira é exportada pelo porto da Bahia, depois pelo do Rio. Essa borracha, ainda que inferior à da Hévea, é apreciada no mercado.
A todos esses detalhes, podemos acrescentar que a Mangabeira também tem uma importância como árvore
frutífera e florestal; seu fruto, a mangaba, é uma baga de sabor açucarado, aromático e levemente licoroso; ele é utili- zado para fazer conservas. Infelizmente, o crescimento lento desse arbusto não parece lhe designar como sendo bom do ponto de vista da cultura em grande escala. No entanto, o doutor Gustave Dutra, do Instituto Agronômico de São Paulo, tomando por base o preço corrente e admitindo um mínimo de rendimento anual de apenas 328gr por planta, calcula que uma plantação normal de Mangabeira pode dar 10.580 réis, ou seja, 16.870 francos por alqueire ou 2 hectares e meio, o que constituiria um rendimento muito lucrativo.