Partie II Apprentissage de connaissances morphologiques 57
Chapitre 4 Analyse morphologique par segmentation 71
4.2 Description de la méthode
4.2.3 Segmentation des mots
Quanto aos fatores de sucesso/insucesso dos alunos do curso CH, a nível do ensino secundário, foram identificados alguns de carácter individual, outros sociofamiliares, organizacionais e, ainda, pedagógicos. Efetivamente os alunos dos diversos cursos (CT, AV, CES e LH) são muito claros ao afirmarem que o fator determinante para o sucesso/insucesso depende, essencialmente, de haver um esforço e empenhamento
individuais no estudo das diversas matérias inerentes às várias disciplinas que compõem a estrutura curricular dos cursos: porque tentar lá chegar sozinho é bastante importante, não basta perguntar logo ao
vizinho do lado ou ao professor, porque assim também vamos estar só a transcrever e não vamos assimilar grande coisa, acho que é importante pensarmos por nós próprios. Contudo, também admitem que têm
facilidade em pedir ajuda aos colegas e professores, sendo que reconhecem que os professores dão conta das suas dificuldades: até porque acho que não precisamos de pedir ajuda, os professores percebem
quando é que nós temos mais dificuldades e sempre tentam ajudar e mesmo fora da escola por e-mail. Esta
ideia do esforço em primeiro lugar, e só em caso de as dificuldades persistirem, solicitar a ajuda a
posteriori do professor, colegas, explicadores, é mais patente nos alunos dos cursos de CT e CSE. Os
alunos dos outros dois cursos (AV e LH) relevam o esforço individual mas, também, consideram crucial o espírito de entreajuda dos colegas: não tenho dificuldade em pedir ajuda quer a um professor, quer a parentes, pais, amigos. Se somos mais aptos para uma matéria devemos reunir com os nossos colegas que têm mais dificuldades e quando são outros mais aptos então chegou a vez do seu contributo com os demais. A troca de ideias e de ajuda faz-nos aprender mais e é muito construtivo.
No que diz respeito aos fatores de insucesso centrados nos próprios alunos, verifica-se que estes são referidos em termos grupais. Assim, é relatado o comportamento e ambiente perturbador vivido na turma como um obstáculo à aprendizagem e ao sucesso: o comportamento da turma, em geral, que às
vezes não ajuda. Por exemplo, às vezes, interrompem-se aulas para mandar calar; e isso perde-se sempre tempo e acho que isso vai influenciar sempre (CT).
Em relação aos aspetos sociofamiliares, como fator de sucesso/insucesso, os alunos evocaram vários elementos como determinantes, não havendo, neste caso, uma distinção clara entre os alunos dos diversos cursos. Os alunos consideraram que as relações afetivas com os pais, professores e colegas jogam uma influência significativa neste capítulo. Sobre as relações afetivas entre colegas de turma, foi evocada a importância do equilíbrio de género na constituição de turmas, pois consideraram que quando existe um desequilíbrio grande entre rapazes e raparigas as relações afetivas são afetadas negativamente, o que contribui para um mau ambiente de sala de aula e, consequentemente, um elemento de insucesso: acho que as turmas devem ser equilibradas porque as raparigas (…) é cada uma a olhar para o seu umbigo e ‘tu não podes ser melhor que eu’ e depois há muitos conflitos, e os rapazes estão ali e ajudam a equilibrar. Não sei, os rapazes são muito mais simples.
Os fatores de tipo organizativo e de gestão percecionados como fatores de insucesso prendem-se com a inexistência pontual de professor para lecionar, o elevado número de alunos por turmas, a falta de apoios na escola ou horários inadequados dos mesmos, e aspetos pedagógicos específicos ligados à avaliação.
A substituição não atempada dos professores é entendida como fator de insucesso, como se pode observar no seguinte excerto: foi fazer a apresentação, mostrou-nos a escola e depois foi-se embora. E então
nós estivemos um mês e tal à espera de um professor (LH).
O tamanho das turmas é visto pelos alunos como um obstáculo à aprendizagem e ao sucesso: as turmas
são muito grandes, têm muitos alunos e, cada vez mais, estão a ter mais e acho que isso vai sempre influenciar
(CT).
que não coincidem com os horários dos alunos (…) há oferta realmente, mas não coincide é com os horários
(AV). Ou seja, os horários dos apoios não parecem, nestes casos, ter em conta o que explicita o seguinte excerto: eu acredito fielmente que se muitos dos alunos tivessem oportunidade de ter apoios durante o dia
letivo sem ser nas manhãs livres ou tardes livres, os resultados seriam muito melhores (LH).
Ainda quanto a aspetos organizacionais (adequação das matérias curriculares, metodologias de ensino), existe um denominador comum a todos os alunos, o de que o ensino está formatado para dar resposta aos exames a que os alunos são submetidos: o ensino é muito teórico e orientado para decorar conteúdos
porque temos que nos preparar para o exame, porque temos que tirar uma boa nota no exame. A questão
dos exames foi muito focada como um elemento que intervém significativamente no funcionamento das aulas e na forma como os professores desenvolvem o currículo, com práticas de ensino tradicionais, condicionando as aprendizagens: os professores só a falar e a explicar. Também foi veiculado que nas disciplinas onde não existe exame, os respetivos professores são mais superficiais nas abordagens às matérias: só que há sempre aqueles casos dos professores que, como as suas disciplinas não têm exame,
eles limitam-se a dar a matéria de uma maneira muito superficial. Contudo, os alunos consideram que os
professores, de uma maneira geral, são competentes, pese embora tivessem sugerido que deveriam diversificar as metodologias de ensino, devendo estas ser mais ancoradas em situações do dia-a-dia, nas conexões com outras áreas do saber para evidenciar a aplicabilidade do que se pretende ensinar e aprender: dizem que a música tem muita matemática, mas eu não sei nada disso.
Ainda em relação ao ensino, os alunos evocaram que existe um grande fosso entre o ensino básico e o ensino secundário em termos de exigência e, caso o aluno não seja integrado no curso adequado, poderá levar ao abandono: facilita-se muito no básico e depois chega-se à fase do ensino secundário e a
diferença é muito grande. Além disso, se se juntar a isto o facto de não se optar pelo curso adequado, então ainda é pior. Alguns alunos referiram mesmo que seria importante, desde o ensino básico, os alunos
serem estimulados a fazer desde o início um trabalho individual mais exigente e que a escola deveria promover
hábitos de estudo; o sistema educativo é que não propicia os alunos a ganharem hábitos de estudo. Ainda neste
ponto, vários foram os alunos que referiram que as metodologias de ensino deveriam fazer um apelo ao questionamento sobre os temas em estudo: tentar encontrar ferramentas que apelem aos alunos para
que estes venham, por exemplo, para casa com perguntas para fazer para depois no dia seguinte por exemplo, ou na aula seguinte, para colocarem ao professor (…) criar espírito de iniciativa.
Os alunos do curso de CT manifestaram que o curso não está adequado ao seu nome, pois centra- se muito na parte da ciência e muito pouco na tecnologia: um aspeto que me surpreendeu foi quando
eu escolhi o curso de ciências e tecnologias, o nome do curso é ciências e tecnologias e a componente da tecnologia não está muito presente no curso, é mais a parte da ciência. Contudo, os alunos dos outros
cursos consideraram que os cursos e as matérias se adequam ao seu propósito, pese embora o facto de o verem como muito teórico. Em relação a este assunto, os alunos do curso de LH afirmaram que deveria ser introduzida no curso a vertente prática: a parte prática acho que é importantíssima (…) por
exemplo, devíamos ter a oportunidade de ter aulas de História e Conservação, acho que era uma ideia muito interessante, História e Conservação ou técnicas museológicas de arquivo.
Foi ainda mencionado um fator pedagógico como fator de insucesso pelos alunos, mas de extrema relevância. Tal fator reporta-se ao desconhecimento de critérios de avaliação de tarefas como ilustrado no excerto seguinte: nos trabalhos que nos propõem às vezes há uma falta de um elemento de avaliação que
não nos é dado. Por exemplo, os professores propõem-nos um trabalho e não nos dizem de maneira alguma como é que nos vão avaliar (…). Eu acho que se nos dessem esses tais critérios muito explícitos e nós lêssemos aquilo e tivéssemos a noção daquilo onde íamos ser avaliados que faríamos um trabalho muito melhor do que
aquele que se calhar vamos fazer e que não tem nada a ver com aquilo que o professor espera, mas também a culpa não é nossa, porque o professor não nos elucidou acerca do trabalho (CT).
O último fator externo aos alunos e por eles mencionado como fator de insucesso prende-se com o grau de dificuldade dos conteúdos: As disciplinas não são fáceis, não é? (CT).