Incluído no produto está uma junção de componentes que permitem localizar a carteira. Através destes
conseguimos criar a ligação sénior - familiar e ainda, sénior -estabelecimento parceiro – familiar.
Os componentes foram escolhidos tendo em conta a necessidade real, posto isto, optou-se por localização satélite complementada com localização móvel. É
necessário a colocação de uma bateria, uma antena, leitor de cartão SIM, placa GSM/GPRS, sensor de movimento e GPS. As dimensões foram baseadas em outros sistemas de GPS já existentes, contudo foi feita uma pesquisa de cada componente individualmente afim de ser o mais preciso quanto possível, estando conscientes de possíveis alterações que possam ser necessárias devido à relação que existe entre os diversos componentes e as exigências pretendidas para o produto.
É ainda necessário um último componente. O objetivo é não existir a necessidade de ligar cabos para carregar a carteira, através da tecnologia QI a carteira é carregada estando apenas em cima do carregador. Para tal, a presença dos familiares é necessária, de forma a adquirir um carregador que se adeque ao espaço (casa do sénior) e colocar num sitio que transmita confiança ao utente 60%. Momento para aproveitar as rotinas de cada sénior e guardar no local onde já guarda a carteira, em última instância, tentar introduzir nova rotina, sabendo de antemão que será difícil e será preciso auxilio com frequência.
As dimensões gerais da carteira são, aproximadamente, 13x9x1,2 centímetros.
Fig73. Estudo de componentes e dimensões
Fonte: Imagem da autora
Fig74. Estudo de dimensões Fonte: Imagem da autora
Fig75. 3D explodido. Vista dos componentes da carteira
Fonte: Imagem da autora
GSM/GPRS Antena QI Sensor de movimento Leitor de cartão GPS Bateria
Materiais
A escolha de materiais foi um processo iterativo, entre levantamento de necessidades pretendidas, características dos materiais e aspeto visual e textura.
Inicialmente optou-se pelo nylon, um tecido que oferecia impermeabilidade, ao qual acrescido uma percentagem de algodão se tornaria mais agradável ao toque, contudo quando na presença do material, verificou-se que este tinha um aspeto e uma textura plástica, não indo ao encontro das premissas levantadas anteriormente de desenhar um produto o mais semelhante ao existente no mercado. Posto isto, voltou-se ao início de procura de material, onde surgiu um tecido constituído por 90% de lã e 10% de nylon, um material desenhado pelo designer Giulio Ridolfo. Uma tela com propriedades que correspondem às necessidades, resistente à abrasão, à luz e à chama. A lã presente no tecido é uma mais valia, trata-se de um recurso renovável, confortável ao toque pois é macia e respirável, graças às suas propriedades isolantes e à capacidade de absorver a humidade. O tecido de lã é capaz de suportar um alto grau de desgaste, é biodegradável e envelhece com carácter devido à sua excelente resistência à abrasão e alta elasticidade, não ficando com um aspeto indesejado com o uso. A lã também é repelente à sujidade e possuí uma superfície que repele a água, permitindo que os derrames de líquidos sejam eliminados antes de formar mancha permanente. O tecido é ainda retardador de chamas, isto é, a temperatura de ignição é muito alta conduzindo a um tecido que não derrete. Em contato com uma brasa ou um cigarro, haverá apenas uma marca que pode ser escovada.
A nível ambiental, o material é feito a partir de ovelhas, sendo um produto natural e renovável, mantendo o desejo de design sustentável e qualidade. Este tecido, denominado canvas, é um produto da coleção Kvadrat presenteado com o rótulo ecológico da União Europeia respondendo a requisitos ambientais rigorosos.
O conjunto canvas oferece uma vasta gama sofisticada e
Fig76. Seleção de tecidos Fonte: Imagem da autora
com um impacto ambiental reduzido.
Devido à grande paleta de cores, permite criar carteiras com diferentes combinações indo de acordo com os pedidos dos clientes, sempre respeitando a exigência do contraste de cores dentro de cada carteira.
Para complementar o tecido principal exterior da carteira será usado um tecido mais fino de algodão para criar os bolsos intermédios das notas, cartões e moedas, todos os tecidos que estão no interior e não são visíveis. A fita usada para puxar a gaveta das moedas é do mesmo tecido canvas, visto ser um elemento que está visível.
A gaveta das moedas exige um material rígido, para estas deslizarem, caírem e garantir que ficam separadas. Depois de alguma pesquisa foi escolhido o polipropileno (PP), um termoplástico semi-cristalino, polimerizado a partir do gás propileno (ou propeno) de baixo custo e fácil de processar. Este material oferece a possibilidade de criar as formas necessárias com uma espessura reduzida, mas ao mesmo tempo com a resistência pretendida. Possui boa resistência mecânica e uma das suas particularidades é o efeito
dobradiça. É caracterizado pela sua elevada versatilidade tornando-se assim um material de uso comum. Pode ser processado por diversos métodos, seja por extrusão, termoformação sopro e injeção. É empregado em diversas aplicações, devido às suas características, possui elevada resistência à fadiga que o torna um material de eleição para o fabrico de peças com dobradiças integrais.
Uma desvantagem do polipropileno é a baixa resistência à exposição solar, contudo é uma desvantagem que na aplicação da carteira não tem importância, visto que este material está revestido pelo tecido.
Resumidamente, é um material de baixo custo e com elevada resistência mecânica, fácil moldagem e fácil coloração, o que permite criar a forma pretendida e aplicar cor contrastando com o tecido escolhido.
Possuí ainda características como material atóxico, alta resistência à fratura por flexão, boa resistência ao impacto e baixa absorção de umidade.