A primeira análise foi realizada com os itens 11 a 86 do construto. Nesta análise vários itens apresentaram comunalidade baixa, indicando que estes não medem o mesmo traço latente do conjunto. Além disso, ficou visível o carregamento dos demais itens ora no fator 1 ora no fator 2, indicando a possibilidade de bidimensionalidade.
Sendo assim, o pressuposto da unidimensionalidade não está completamente satisfeito. Com isso foram retirados os 15 primeiros itens por apresentarem as mais baixas comunalidades e por terem um respaldo teórico para sua retirada, uma vez que se propunham a avaliar a condição relativa ao período de informalidade vivido por cada Empreendedor Individual, e que não seria alterada em medições subsequentes.
Na nova análise, agora com 61 itens mostrou-se estável e manteve os valores de comunalidade, entretanto o percentual de
variância explicada passou para 0.203, o que indica possibilidade de assumir unidimensionalidade.
A primeira análise foi realizada com os 61 itens, a qual avaliou a dimensionalidade do conjunto e se pode verificar a unidimensionalidade representada no Gráfico 3. É possível a verificação da predominância do primeiro autovalor, o que indica a existência de um fator dominante.
Gráfico 3 - representação da unidimensionalidade dos itens
Fonte: Elaborado pelo autor.
5.2.1 Interpretação dos parâmetros dos itens e da escala
A interpretação dos itens depende dos objetivos da pesquisa, mas geralmente se esta interessado nas respostas da última categoria. Neste caso podem-se enumerar os itens pelo grau de dificuldade do EI desenvolver o assunto representado pelo item de forma competitiva, permitindo verificar que os itens mais fáceis, medianos e difíceis estão contemplados no instrumento.
A Tabela 7 mostra os parâmetros dos 60 itens. A qualidade do item é avaliada com base no parâmetro “a” (parâmetro de discriminação do item), e está associada ao poder informativo do item (geralmente assumem-se valores superiores a 0,50 com itens bons). Com base neste critério, os itens descritos na tabela 12 apresentam baixa discriminação e foram retirados da análise. Estes itens devem ser reavaliados e recomendados para a utilização em uma nova aplicação.
O parâmetro “b” representa o nível de dificuldade do item nas categorias específicas e representa o ponto na escala onde o indivíduo tem 50% de probabilidade em responder positivamente a categoria.
A confiabilidade empírica da análise foi de 0.8108 indicando que a primeira aplicação do construto gerou informações relevantes para o estudo em questão: nível de maturidade dos Empreendedores Individuais. Segundo Du Toit (2003, p. 34) a confiabilidade empírica é a variância do escore verdadeiro dividido pela soma das variâncias dos escores e a variância do erro. Portanto, quanto mais próxima de 1 (um) maior a confiabilidade do teste.
O arquivo com as proficiências (ou grau de maturidade) de cada um dos 325 indivíduos analisados está na planilha Excel chamada score apresentada no apêndice 2.
A análise dos 61 itens categorizados em cinco pontos mostrou falta de precisão em todas as categorias estabelecidas (5 estágios do modelo de CVO referência), tendo em vista que não foi possível, estatisticamente, diferenciá-las. Optou-se então pelo agrupamento das categorias ficando, portanto, a categoria 1 representando os estágios iniciais do ciclo de vida (existência e sobrevivência) , a categoria 2 como o estágio intermediário (lucratividade) e a categoria 3 como os estágios maduros (decolagem e maturidade) do CVO segundo Churchill e Lewis (1983) como apresentado na Figura 13.
Figura 13 - Categorização dos itens pela TRI nos estágios do CVO
A Figura 13 representa o modelo de classificação das empresas mostrando da esquerda para a direita a ordem crescente de nível de maturidade (valor agregado ao negócio). Insere os três principais ciclos estratégicos (abordagem operacional, mercadológica e de inovação), e procura relacionar os cinco estágios do CVO com os três agrupamentos estabelecidos pela TRI, por meio da percepção da predominância das avaliações.
Como pode ser observado na Figura 13 as empresas classificadas nos estágios 1 e 2 são aquelas que focam suas ações nas questões operacionais. As empresas classificadas no estágio 2 estão mais atentas ao mercado, buscando a gestão dos clientes, e por fim as empresas classificadas nos estágios 4 e 5 são as com maior grau de maturidade, dedicadas a gerar inovação.
A indicação dos itens, assim como os valores estimados para os parâmetros de discriminação (a) e parâmetro de dificuldade (b) é apresentada na sequência do texto. Considerando que o parâmetro de discriminação é um indicativo da qualidade do item, itens com grau de discriminação inferior a 0,5 foram considerados pouco informativos. A Tabela 7 apresenta os itens que não atingiram o grau aceitável de discriminação. Salienta-se que isto não significa que sejam inapropriados para o instrumento, mas sim que necessitam de uma revisão quanto a sua elaboração. Na tabela 7 apresentam-se duas classificações, em que o A – significa que o item pode ser ajustado para uma nova aplicação e o D significa que o item pode ser descartado pois não se enquadra na realidade de um EI.
Tabela 7 - itens que não discriminaram
28 Site na internet A
30 Definição das estratégias de venda A
32 Conhecimento dos principais concorrentes A
33 Conhecimento e Definição estratégica do perfil de clientes A
35 Histórico de vendas e negociações A
40 Visão geral da Empresa A
41 Planejamento da empresa A
43 Conhecimento e Cumprimento da Legislação A
45 Avaliação de Riscos de novos projetos D
46 Cobrança A
47 Melhoria Continua na administração D
50 Estabelecimento de preço de venda A
51 Controle de Encargos e impostos (tributos) A
52 Emissão de Notas D
55 Pesquisa e Desenvolvimento A
56 Incentivo para a inovação D
57 Controle das inovações geradas D
64 Empresas A
65 SEBRAE A
66 Método de Desenvolvimento de Produto (e serviços que são
produtos) D
70 Logística de Distribuição D
72 Planejamento e Controle da Produção D
77 Rastreabilidade D
Fonte: Elaborado pelo autor.
Dos itens que apresentaram poder de discriminação, destacam-se três categorias que mais adiante serão definidas pelo conceito de limiares. Segundo o comportamento dos dados, foi possível efetuar o agrupamento dos itens segundo seu nível de dificuldade, caracterizando- se itens básicos, intermediários e avançados, apresentado na Figura 14.
Figura 14 - Classificação dos itens na nova escala
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sendo assim, cada um dos itens individualmente possui algum tipo de informação quanto à posição do EI na escala.
A representação da Figura 14 reflete o que foi possível perceber da tendência apresentada pelos EI avaliados. Existem dois limiares característicos em que foram classificados os empreendedores:
O primeiro que consiste dos EI que apresentam um nível de maturidade básico, estão iniciando a jornada empresarial, com pouca experiência em gestão. O segundo limiar é representado pelos EI que se encontravam no estágio intermediário, ou seja, passaram do nível básico, conquistando maturidade para pensar na transformação para uma empresa de pequeno porte, pois suas demandas por colaboradores e o comportamento de suas receitas já não permitem mais a permanência na condição de Empreendedores Individuais, como definido no capítulo 2.
O agrupamento das empresas, segundo sua condição competitiva e relativa posição no ciclo de vida será discutida após a tabulação dos dados da segunda aplicação.
Os resultados mostram a adequabilidade do modelo de Escala Gradual para a escala de Likert: quanto maior o valor para , maior a maturidade organizacional segundo a teoria do CVO