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A PREPARAÇÃO PARA O EVANGELHO

EM FAMÍLIA

Não tardou muito para que ambos os Espíritos amigos pudessem se ver no lar de Olívia, a mãe de Gláucia, onde mais à noite se realizaria o encontro familiar com a finalidade de realizarem a oração coletiva.

O período da tarde mal acabara de iniciar-se e, no mundo invisível, as atividades espirituais se mostravam intensas.

Aquele pequeno reduto doméstico, simples sem ser paupérrimo e confortável sem ser luxuoso, causaria espanto a algum mais desavisado que, de um momento para o outro viesse a vislumbrar as inumeráveis tarefas que ali eram levadas a cabo.

Trabalhadores de todos os matizes se incumbiam de monitorar a qualidade do ar atmosférico, ionizando todos os cômodos da residência para garantir o grau de pureza necessário a fim de que os processos espirituais tivessem a eficiência mais avultada possível.

Ao mesmo tempo, inúmeros trabalhadores preparavam o ambiente invisível que correspondia ao lar terreno, isolando com faixas luminosas certas áreas destinadas às entidades que seriam trazidas pelos seus mentores ou tutores para que ouvissem a leitura e os comentários do Evangelho da noite.

Outro grupo de Espíritos amigos se valia de seu poder luminoso para isolar, em uma outra faixa da residência, as entidades sofridas que acorriam àquele pouso de equilíbrio com a finalidade de encontrarem um consolo para suas dores, cientificando-se de que não possuíam mais o corpo carnal.

Mais além, aparelhagem espiritual de delicada constituição se mantinha isolada para que os Espíritos, na medida de suas necessidades, pudessem manipular os fluidos necessários para a formação de quadros fluídicos, muitas vezes acompanhando com imagens os textos evangélicos ou os comentários mais inspirados dos participantes, ocasião em que se observava a participação direta das entidades benfeitoras que os assessoravam.

Ao redor da residência, um conjunto de guardas espirituais se mantinha atento, valendo-se de grandes cães que, por seu porte avantajado, impunham um temor a qualquer visitante não convidado que desejasse ingressar no ambiente sem a permissão necessária.

Reservava-se espaço, igualmente, para os Espíritos que acompanhavam os encarnados que participariam do culto do Evangelho, os quais eram recolhidos com muita fraternidade para que ficassem ouvindo, não se permitindo que exercessem a influência costumeira sobre os membros mais desavisados ou invigilantes da família.

Nessas ocasiões, muitos desses Espíritos perturbadores, sabendo que poderiam ser isolados de seus acompanhantes, tudo faziam para impedir que eles comparecessem à reunião, criando embaraços múltiplos, fazendo com que ocorrências físicas atrapalhassem aquela pessoa na chegada oportuna ao lar, induzindo-a a escolher a via de trânsito mais congestionada, ou que pessoas os procurassem de última hora para conversarem sobre inutilidades ou, até mesmo, provocando mal-estar súbito, sono, cansaço, para que o encarnado não se sentisse animado a participar da reunião.

Então, quando nada disso dava resultado por causa da determinação e da responsabilidade do participante que buscavam atrapalhar, ao se aproximarem do ambiente, acompanhando aquela pessoa, alguns desses Espíritos desistiam de entrar

porque a diferença vibratória era imensa e, atemorizados pelas forças do Bem, preferiam manter-se afastados, na rua, a se aventurarem nas perseguições lar adentro.

Isso favorecia sobremaneira os encarnados que, depois de suas lutas diárias aumentadas pela pressão psíquica que sofriam, finalmente conseguiam um pouco de paz interior e equilíbrio mental para o reequilíbrio indispensável.

Entretanto, o lar de Olívia não era um ambiente especial, diferente de qualquer lar terreno, ou isento dos problemas normais de qualquer família. Era uma casa que, em nada, se diferenciava das milhares de moradias que existem, a não ser pelo interesse que demonstravam alguns de seus membros pela elevação de pensamentos e sentimentos através da boa conduta, da palavra compassiva e da oração sincera. No entanto, no rol dos problemas comuns, encontrávamos os mesmos cenários de outros tantos grupos familiares.

João, seu marido, era um homem pouco sensível para certas coisas, ainda que se apresentasse como um bom pai de família. Não entendia das coisas espirituais e se mantinha ligado a Deus à sua maneira, sem acreditar piamente nem descrer de forma sistemática. Quando sua saúde periclitava ou seus problemas materiais se tornavam maiores, recorria às orações como forma de encontrar um amparo naqueles desafios que o fustigavam. No entanto, quando tudo ia bem, muitas vezes deixava de participar para se dedicar à partida de futebol que se costumava transmitir naqueles dias e horários ou ao noticiário sobre as tragédias e os problemas do dia. Para isso, dirigia-se ao seu quarto, onde se mantinha fechado, deixando o ambiente da copa disponível para a realização da oração coletiva.

Gláucia, filha mais velha do casal, de longe era a mais íntima colaboradora de sua mãe, com suas orações e ideais, já que desde jovem aprendera os mais belos conceitos espirituais nas palavras pacientes de sua genitora, inclusive nas piores crises que enfrentara, quando encontrara serenidade graças às orientações sábias de seus conselhos maternais.

Luiz era o irmão mais novo, segundo e último filho do casal Olívia e João. Era um rapaz agitado, na efervescência da vida e cheio de aventuras na cabeça.

Lutava para conseguir o melhor trabalho e estava sempre envolvido em mudanças bruscas no rumo que seguia, tentando novos campos, dedicando-se a muitas coisas simultaneamente.

Sua instabilidade emocional era patente, já que sua pouca maturidade espiritual colaborava para que se mantivesse ansioso e instável, dependendo muito do equilíbrio materno e das conversas que tinha com a irmã, nas horas em que isso se apresentasse possível.

Gláucia procurava aconselhá-lo sobre as questões afetivas, valendo-se de sua posição de mulher mais velha e com maior compreensão espiritual, informando seu irmão a respeito das leis espirituais e suas repercussões na vida a fim de alertá-lo para as armadilhas que a observância cega dos costumes da "maioria mundana das pessoas" costumava produzir no caminho dos que os adotam como hábitos próprios.

Luiz gostava de escutar a irmã, mas não fazia muita conta em seguir seus conselhos.

Sempre se envolvia com muitas garotas e, cada final de semana se dispunha a testar a sua masculinidade em companhias diferentes, conseguidas nas festas de embalo, nas baladas diversas onde a escuridão, a música ensurdecedora, a bebida alcoólica fácil e, não raro, as drogas diversas, faziam o coquetel do desajuste pessoal e emocional, terminando sempre em uma noite de aventuras nos locais destinados aos encontros íntimos modernos, vulgarmente conhecidos pelo nome de motéis.

Assim, com exceção de Gláucia e Olívia, os dois outros integrantes do ambiente familiar eram homens pouco ligados às gestões do Espírito e às transformações indispensáveis para a manutenção do equilíbrio doméstico.

João e Luiz ficavam fora de casa durante o dia, em trabalho profissional. Gláucia se mantinha fora no período da tarde, quando exercia a atividade de professora de crianças em uma escola particular, enquanto Olívia se dividia entre os trabalhos domésticos e suas obrigações como costureira, recebendo em casa as tarefas a serem cumpridas, que lhe eram enviadas por uma confecção de grande porte existente nas redondezas.

Além disso, ajudava na casa espírita como voluntária, atendendo os que chegavam, através da entrega de mensagens à entrada do salão de palestras, ao mesmo tempo em que ajudava como doadora de fluidos magnéticos e dialogadora nas reuniões de conversação espiritual com entidades aflitas.

Mantinha-se em constante elevação de pensamentos e suas vibrações suaves eram um poderoso atrativo para Espíritos amigos que desejassem encontrar um ambiente de paz e consolação, sempre presentes ao seu redor.

Dessa forma, no ambiente físico daquela casa de família, naquela hora do dia só Olívia se encontrava. Depois de terminadas as tarefas com a louça do almoço, sentara-se junto à máquina de costura para dar conta de sua cota diária de serviço.

Félix e Magnus observavam a indescritível atividade espiritual naquele pequeno núcleo familiar na superfície do mundo, contrastando com a calmaria física que dominava seu interior, no plano carnal.

— Eu nunca imaginei que uma casa como esta pudesse comportar uma tal obra de assistência por parte dos Espíritos amigos. Afinal, isto aqui não é um centro espírita!

— Sim, Magnus, e nem deve ser um centro espírita. A Casa Espírita deve se localizar em ambiente desabitado, sempre que isso for possível, a fim de que não ocorram interferências de um plano da vida no desempenho das atividades do outro e vice-versa. Sempre que acontece tal identidade, ou seja, sempre que os encarnados fundam um centro espírita na própria residência, isso pode parecer bom num primeiro momento. Todavia, por mais que os amigos invisíveis possam envolver a todos em uma atmosfera de elevação, nem sempre as próprias pessoas desejam se manter elevadas. Além disso, quando as pessoas vão a uma casa espírita, depois da reunião elas se afastam, mas os Espíritos necessitados que lá foram internados por algum motivo sério permanecem para a continuidade de seu tratamento. No entanto, quando a casa espírita se confunde com o lar físico das pessoas, tais Espíritos não encontram o ambiente de neutralidade indispensável para a sua recuperação, mantendo-se imantados aos médiuns, sensitivos e participantes da reunião, de tal maneira que esse contato pode acabar se tornando nocivo, inclusive, para a saúde e para o equilíbrio físico-mental dos que ali vivem.

Demonstrando acendrado interesse nas lições, Félix continuou:

Agora, meu amigo, diferente é o caso da reunião familiar destinada à oração singela e sincera. Há tantas necessidades no mundo e tão carentes estão os Espíritos superiores de mais instituições devotadas ao trabalho de amor pelos aflitos, dos dois lados da vida que, uma vez surgindo alguém interessado no cultivo das boas lições e das santificantes vibrações de consolação, estabelecendo esse trabalho com a responsabilidade que se espera de gente séria, os seus amigos invisíveis não medem esforços para que, durante os rápidos minutos da reunião singela, muitas criaturas encontrem a ajuda que buscam, além, é claro, de promoverem a ajuda imediata aos próprios integrantes da família que se reúne.

Daí estarmos vendo toda esta intensa atividade. Realmente, esta pequena habitação se parece, sim, com uma instituição espírita, ainda que tenham tido o cuidado de não se

permitirem as rotinas de uma Casa Espírita regular, como preceituam os postulados da Doutrina Kardeciana.

Assim, como você vê, tal reunião não se destinará apenas aos quatro membros desta família e ao quinto integrante, na condição de noivo de Gláucia. Nosso Glauco, atendendo aos convites da amada noiva, sempre que pode comparece ao grupo, na oração semanal que realizam. Não se trata, igualmente, da transformação do culto do lar em uma reunião pública para a qual toda a vizinhança ou a parentela venha a ser convidada. Glauco, na verdade, já é quase um integrante da família e, além disso, está intimamente ligado aos destinos e objetivos espirituais que se desenvolvem nesta pequena comunidade. Assim, nada mais justo do que participar de seus encontros íntimos para que se integre plenamente aos trabalhos do Espírito e ao crescimento nos conceitos importantes da alma.

Além do mais, Glauco é dotado de algumas faculdades mediúnicas que estão sendo desenvolvidas pelos seus amigos invisíveis que, nestas ocasiões, se aproveitam do ambiente, das energias amorosas dos integrantes da família e aplicam-se a melhorar suas percepções, preparando-o para os desafios que o futuro lhe reserva, nas tarefas do Bem com as quais se comprometeu antes do renascimento, a serem desenvolvidas plenamente na Casa Espírita, no momento adequado.

E tão grande se fazem as necessidades dos desencarnados de um modo geral que, de forma eficaz e muito objetiva, os responsáveis espirituais pelo trabalho se esforçam em buscar o maior número de participantes invisíveis para que escutem as orientações das palavras generosas e sábias que o Amor de Jesus propicia a todos nós, levando-as consigo após o término da reunião.

Ouvindo tais revelações, Magnus aventurou a pergunta natural:

— Mas o aumento das entidades necessitadas ao redor da moradia não pode criar maiores perturbações nos que ali vivem? E se osencarnados ficam sabendo disso, essa descoberta não poderá fazê-los imaginar que a oração vai atrair mais seres sofredores, prejudicando; energias do interior do seu lar, o que os levaria a recusarem-se a realizá- la?

— O ambiente é perfeitamente preservado pelas medidas salutares que os dirigentes espirituais adotam para a devida proteção Além do mais, Magnus, estamos falando de um lar com pessoas de boa vontade e que estão empenhadas na melhoria moral, como é o caso de Olívia, Gláucia e Glauco. Agora, quanto ao fato de os seus moradores temerem a invasão de sua casa e, assim, deixarem de realizar o Evangelho semanal, isso só se pode considerar plausível no caso de pessoas pouco preparadas onde a ignorância das leis espirituais e a falta do bom senso produza algum tipo de comportamento anacrônico como esse. Na verdade, filho, os encarnados são os maiores produtores de perturbação para si próprios. Seja na rua, no trabalho, nas relações sociais e mesmo nas horas de lazer, seus sentimentos desregrados são incontáveis portas de entrada para entidades de todos os padrões de inferioridade e sofrimento.

Bastando-se a si mesmos para produzirem tal tipo de cortejo trevoso à sua volta, a oração em família é a única forma mais acessível de conseguirem amparar a tais necessidades de sossego, ajudando as entidades que trouxeram de suas aventuras irrefletidas.

Como relação a estes outros que são trazidos pelos seus tutores e mentores espirituais, esta presença se acha isolada no ambiente, não sendo causadora nem da piora nem da ocorrência de mais problemas. Os geradores de problemas, invariavelmente, são os encarnados invigilantes.

Estes Espíritos, tão logo seja encerrada a reunião, serão encaminhados para os respectivos ambientes, não restando aqui o menor resquício vibratório que lhes possa

atestar a passagem. Ao contrário, das emoções que se despertaram no íntimo de tais Espíritos infelizes, das preces que aprenderam ou se lembraram de fazer, dos encontros com entes amados que os buscavam há muito tempo, restará no ambiente familiar a sensação de gratidão por todos os que compõem este pequeno grupo, gratidão que se elevará aos planos superiores como atestados de amor incógnito daqueles que se melhoraram nos encontros realizados nesta família. Isso cairá sobre todos os seus componentes como bênçãos de equilíbrio e de paz.

Nenhum temor, pois, deve revestir o sentimento dos que vivem em uma casa guarnecida pelas boas obras, que se traduzirão sempre em bons fluidos para todos os que dela participam.

Além disso, há a alegria dos mentores superiores, dos trabalhadores do Bem, dos servidores da Verdade que podem, aqui, encontrar serena pousada de refazimento, aprendizado e ajuda, tal qual se pode sentir feliz a alma que, observando a fome de um ente querido, se surpreende ao encontrar um local onde esse mesmo ser amado encontra a comida de que necessite. A gratidão do faminto haverá de se unir à superlativa gratidão daquele que o amava tanto e que conseguiu vê-lo amparado, graças à ajuda espontânea de um desconhecido que se tenha feito fraternal para com ele.

Pensando melhor no que estava aprendendo com a conversação, Magnus colocou o dedo indicador no queixo, num gesto todo seu, a atestar a surpresa diante do raciocínio revelador e ponderou:

— Estou me lembrando da conversa do Presidente com o Chefe, que acabamos de presenciar. Recordo-me de que eles disseram que o processo estava atrasado em relação a Glauco e que o Chefe poderia se valer de outros recursos para acelerar as influências. Observando isso, agora, será que poderíamos estabelecer alguma correspondência direta entre a dificuldade de acesso a Glauco e a sua participação neste trabalho de oração coletiva?

— Muito bem observado, meu filho. Colocar as informações em funcionamento em nossa mente é aproveitar o estudo para desenvolver a maturidade. Certamente que não me esqueci do comentário daqueles doisirmãos nossos, infelizes nos engodos que o mal lhes está proporcionando. E com relação aos efeitos deste ato de devoção que é o Evangelho no Lar, sobre os seus integrantes, deixarei que a sua observação pessoal, logo mais à noite, possa responder a esta questão, sem que eu precise me adiantar nesse sentido.

Dessa forma, as duas entidades ali permaneceram no aguardo do início do estudo do “O Evangelho Segundo o Espiritismo” no lar de Olívia, entrando em contato com os Espíritos responsáveis pela organização e colocando-se à disposição para cooperarem da maneira como pudessem ser úteis às necessidades daquela hora.

— O presidente nos cobrou maior empenho no caso de Glauco — falou o Chefe, dirigindo-se aos dois comandados. Prometi que estaríamos agindo com rapidez e, por isso, solicitei a concessão de maiores reforços para o processo de interferência direta sobre ele.

— É, mas você não falou que há "anjos" metidos nesse meio, falou?

— Claro que não, Juvenal. Acha que sou idiota? — respondeu o Chefe, com um gesto de indignação. — Se falo isso, ele pode pensar que estamos intimidados. Disse apenas que estávamos atuando, primeiramente, nos que eram mais facilmente influenciáveis, o que não deixa de ser verdade. E agora, que as coisas estão indo bem com os verdadeiros idiotas, iremos nos dedicar mais ao "casalzinho luminoso".

Juvenal ao Chefe, na frente de Gabriel, o aprendiz bisonho.

— Bem, como estamos treinando o rapaz, não poderemos contar muito com ele, a não ser no espantar os Espíritos dos vivos e dos mortos. No entanto, as coisas já estão arranjadas e, hoje mesmo, seremos procurados por emissários da Organização que se incumbirão de fazer as ligações indispensáveis para que Glauco e Gláucia não se vejam esquecidos de nossa influência. Você deve ir se informar de onde ele estará hoje, para que possamos atacar o mais rápido possível.

Dizendo isso, ordenou que Juvenal e Gabriel se dirigissem até o local de trabalho de Glauco para obterem informações sobre a sua rotina noturna, período em que parecia sempre ser mais fácil a ação das entidades trevosas sobre os encarnados que, desvinculados da preocupação do trabalho diário, se permitiam os excessos dos "happy

hours", das aventuras divertidas nas quais os abusos surgiam como válvula de escape

para as emoções reprimidas, entre outras.

— A noite é uma fabriquinha de horrores — exprimiu-se Juvenal, irônico, no que foi acompanhado pela risada divertida de Gabriel, demonstrando ansiedade para perguntar como é que funcionava aquele processo de interferência no mundo dos "caveiras vestidas", como costumavam referir-se aos seres encarnados.

— Ora, Aleijado, vai tranqüilo que hoje você vai receber uma aula do Chefe, para aprender como é que as coisas acontecem no mundo dos mortos vivos, aqueles que pensam que estão vivos, mas estão mais mortos do que nós, os verdadeiramente vivos.

— Credo, que confusão, Juva, morto com vivo, não entendi nada.

— Ora, como não? Quem está vivo é quem manda e quem está morto é quem obedece. Nós colocamos as coisas na mente dos imbecis e eles obedecem, achando que são donos da verdade e das próprias vontades. Quer coisa mais de morto do que isso? São uns bonecões sacolejando seus esqueletos por aí, bancando os importantes, os

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