6.4 Experiment Results and Discussion
6.4.2 Scrutinising the Training of NBOW models
Nesta secção do meu relatório de estágio, a intenção é refletir sobre o meu estágio profissionalizante na FCP – Futebol, SAD, discorrendo sobre o que este me permitiu aprender, que competências consegui apreender ou melhorar e em que é que este me será útil no meu futuro profissional. Sempre que possível, apresentarei as vivências ou situações que me permitiram fazê-lo. Além disso, tentarei identificar alguns dos conhecimentos ou competências que adquiri no primeiro ano do mestrado e que me foram úteis durante este ano de estágio, antes de lhe fazer uma análise crítica, concluindo se foi frutífero ou não para o meu desenvolvimento pessoal.
Tal como foi referido na introdução, a minha decisão por realizar o estágio na FCP – Futebol, SAD prendeu-se, essencialmente, por duas razões. Por um lado, por uma questão de afetividade e identificação com a instituição, por outro, e mais importante, por ser uma organização de relevo, não só a nível nacional, como internacional. E se é verdade que as condições de um clube desta envergadura são superiores às da maioria, proporcionando um melhor e mais vasto ambiente de aprendizagem, também é verdade que a pressão para que nada falhe é, igualmente, grande. É comum ouvir-se os treinadores das chamadas equipas grandes dizerem que nestes clubes a pressão para ganhar, para que esteja sempre tudo perfeito, é enorme.
Com efeito, eu fui sentindo isso ao longo do estágio, em que o “mais ou menos” nunca era suficiente, tudo tinha de ser feito da melhor maneira possível, com o máximo profissionalismo e entrega. Posso dar como exemplo, a questão dos horários das concentrações. Ao longo da época senti sempre que tinhamos de ser bastante rigorosos com a pontualidade, tanto nossa como dos atletas e restantes membros do staff, senti que chegar ao local de concentração às 8h16, quando o suposto era às 8h15, significava estar atrasado, algo que não podia acontecer. Esta pressão, em certos momentos, pode causar algum
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stress, visto que nada pode falhar e, também pela falta de experiência, existe
sempre a incerteza de que temos tudo bem planeado e de que o que fizemos foi bem feito. No entanto, considero que esta realidade foi bastante positiva para mim, visto que potencia a melhoria contínua e me preparou bem para situações de maior pressão, que, inevitavelmente, acontecerão durante a vida profissional.
Para além desta pressão positiva, o ambiente sempre se caracterizou por muito companheirismo e espírito de entreajuda, entre todos os profissionais que trabalham na formação do clube. Falando do meu caso particular, senti, em todos os momentos, uma grande ajuda e paciência dos meus colegas, principalmente, team managers, mas não só, para me auxiliarem no que fosse preciso, transmitindo-me qual a melhor forma de agir em determinadas situações. Neste aspeto mais pedagógico, destaco o meu supervisor local, que me ensinou e orientou durante o meu estágio, mostrando-se sempre disponível, o que me ajudou a ir melhorando com o tempo, para além de ter ajudado na minha integração. Para isso, também muito contribuiu o facto de fazer jogos de todos os escalões desde os sub 7 até à equipa distrital de sub 14. Como não era o TM principal de nenhum escalão, e a prioridade é que esses façam os jogos das suas equipas, sendo que, como cada escalão tem pelo menos duas equipas, todos os fins de semana havia jogos que coincidiam e eu era alocado a eles. Isso possibilitou que eu me fosse entrosando com todos os treinadores e atletas.
Ao longo do tempo, fui-me apercebendo que a função de TM não é de cariz muito técnico, mas exige uma série de competências sem as quais é difícil ser- se um profissional bem sucedido.
Uma delas é a capacidade para comunicar. O TM tem de estar em permanente comunicação com os intervenientes no processo de formação dos atletas, incluindo estes, ou seja, é fulcral ter uma capacidade de falar de forma eloquente e assertiva, para que as mensagens sejam passadas de forma clara e inequívoca, evitando mal-entendidos que possam gerar problemas desagradáveis e evitáveis. Mesmo com os EE e elementos das equipas
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adversárias, assim como com as organizações dos torneios, senti serem precisos bons skills de comunicação, para que tudo estivesse como o esperado e para que o clube não ficasse mal visto. Sem dúvida, este estágio “atirou-me às feras” nesse sentido, o que me ajudou a melhorar bastante, não só na comunicação em português, como também noutras línguas, aquando da participação em torneios internacionais. Relacionada com esta competência eu diria que está a inteligência emocional, que ajuda a perceber o que podemos ou não dizer a cada intelocutor e a forma como o devemos dizer.
Muito importante, também, é a capacidade de tomada de decisão. Um TM, principalmente nos momentos competitivos, e entre estes destacam-se os torneios, tem de tomar muitas decisões, visto ser ele quem tem a responsabilidade de liderar as comitivas. De facto, durante a participação nos torneios senti o peso dessa responsabilidade, muitas vezes tendo de contrariar as pretensões da organização e, por vezes, de elementos do staff, tentando ao máximo fazer tudo de acordo com os parâmetros de exigência do clube. Somos muitas vezes confrontados com situações em que temos de tomar uma decisão, normalmente, sem muito tempo para o fazer, pois é o que é esperado de nós por parte dos atletas, treinadores, EE e organizações, entre outros. À medida que fui sendo confrontado com as situações, sinto que fui conseguindo dar cada vez uma melhor resposta, apesar de achar que ainda tenho margem para melhorar.
Gostava também de realçar a gestão de recursos humanos e de expetativas e o trabalhar em equipa. No desporto, e no futebol em particular, não são só os jogadores que têm de funcionar em equipa, todo o staff que está por detrás deles também tem de o fazer. Por isso, é importante estar sempre em colaboração com os treinadores, com os quais é muito importante que o TM mantenha uma boa relação, e com os restantes profissionais, cultivando sempre o espírito de grupo.
Em relação aos EE e atletas é preciso fazer sempre uma gestão de expetativas bastante meticulosa. O futebol profissional é um sonho para todos os atletas, e de forma, por vezes demasiado exacerbada, dos seus EE. Isto, por vezes, gera
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situações de algum descontentamento, ou porque o jogador joga pouco, ou porque não é convocado para determinada prova, e é preciso gerir estas situações com pinças, para não comprometer o clube, mas, ao mesmo tempo, fazer ver aos atletas e seus responsáveis que nem todos podem jogar e que é importante não desanimar e continuar a lutar por mais tempo de jogo.
Em relação ao que aprendi ou aprimorei no primeiro ano de mestrado, e que me foi útil durante esta experiência no segundo ano, eu destacaria o aprendido na unidade curricular de recursos humanos, nomeadamente, aquilo que se relaciona com a gestão de grupos e equipas. Destaco, igualmente, a vertente prática da cadeira de gestão de eventos, em que nos foi dada a oportunidade de participar num evento real, o que nos deu uma dose de realidade, fora do contexto de sala de aula, importante para nos acostumarmos a tomar decisões e a lidar com alguma pressão de as coisas terem de correr bem. Por fim, queria mencionar a unidade curricular de direito, cujo trabalho que nos foi pedido, nos deu uma importante preparação para a redação do relatório de estágio, visto que o trabalho tinha algumas similaridades com este tipo de trabalho.
Para finalizar esta reflexão, queria dizer que um dos principais objetivos que eu tinha, quando optei por fazer um estágio em vez de uma dissertação, era que este servisse de porta de entrada no mercado de trabalho. Felizmente, quase no final do período de estágio, foi-me proposto pelos responsáveis da FCP – Futebol, SAD continuar como TM para o ano seguinte, desta vez ficando responsável por um dos escalões.
Paralelamente, o outro objetivo que tinha era ter contacto com o mundo laboral, com aquilo que se passa na realidade, e ter uma experiência enriquecedora e que me preparasse para vir a trabalhar como gestor do desporto, seja qual for a área ou entidade. Nesta vertente, considero que foi, igualmente, bastante satisfatório, visto que senti ter sido posto à prova e que me foi atribuída responsabilidade, nomeadamente, quando fui a torneios nacionais e internacionais, como único TM, ou seja, como responsável pelas comitivas.
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Efetivamente, considero que foi durante esses momentos competitivos que mais aprendi e mais fui posto à prova. Dos oito em que participei, destaco, sem dúvida, o IberCup Cascais. Não só pelas pessoas que foram comigo, que pela sua experiência me ensinaram muito, mas também pela envergadura da própria competição. Durante a semana que passei lá tive a oportunidade de vivenciar várias situações distintas, com o culminar a serem as três finais, transmitidas em direto pela Sport TV, como prova a Figura 30, nas quais fui o TM responsável. O facto dos jogos serem televisionados trouxe um acrescento de exigência e responsabilidade que considero ter sido, igualmente, bastante benéfico para mim.
Figura 30 Momento da final de sub 13 do IberCup Cascais
Outro aspeto que considero que me faz sair mais valorizado é o conhecimento mais aprofundado e abrangente do futebol. Antes deste estágio, praticamente, só conhecia o mundo do futebol como adepto (em criança joguei alguns anos, mas nada que me permitisse dizer que conhecia bem os meandros deste desporto), e, agora, estou mais entrosado, o que é crucial para alguém que gostaria de trabalhar neste desporto durante muito tempo.
A única coisa que ficou a faltar foi, porventura, alguma experiência de cariz mais técnico e mais variado, que envolvesse conhecimentos específicos da gestão, ao nível, pelo menos, das gestões intermédias. Tal como já tinha referido nesta reflexão, o trabalho de TM é bastante enriquecedor e exigente a
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nível de competências necessárias, mas não envolve, praticamente, conhecimentos puramente técnicos. Terá de ficar para experiências futuras... No geral, considero que foi um ano bastante proveitoso para mim, o que me faz afirmar, que se fosse hoje, voltaria, sem qualquer dúvida, a escolher a FCP – Futebol, SAD para realizar o meu estágio profissionalizante, não só por me ter sido dada a possibilidade de iniciar lá a minha carreira profissional e por ter aprendido e experienciado muito, mas, também, pelos profissionais que conheci e pela rede de contactos que fui conseguindo fazer.
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