2. PILOT STUDY ON THE MANAGEMENT OF AGEING OF
2.1. Description of RPV primary nozzle
2.1.1. Scope
Emily é uma criança sorridente, aparentou ser tímida inicialmente com esta pesquisadora, mas interagiu com tranquilidade e curiosidade durante as partidas dos jogos
contra a pesquisadora. Das cartelas do Flex memo, ela conseguiu fazer o reconhecimento dos algarismos, obtendo certa dificuldade após o número sete; das quantidades representadas por figuras planas, sempre recorria à contagem para identificar; e não conseguiu ler as cartelas com escrita alfabética. Dessa forma, as cartelas com escrita alfabética não foram utilizadas nas partidas jogadas com esa criança.
No jogo da Memória, Emily pareceu inicialmente não compreender bem a lógica da atividade, pois virava uma cartela e, logo em seguida, virava de volta para baixo, para só depois escolher a segunda cartela. Ela também não conseguiu conservar a posição das várias cartelas que iam sendo viradas para cima no decorrer do jogo, dificultando, então, que encontrasse as cartelas que formassem pares ou trios.
A criança recorreu à contagem toda vez que uma cartela com representação gráfica de figuras planas era virada para cima. Mesmo as cartelas com as menores quantidades, ou seja, com os números classificados por Kamii (1990) como perceptíveis, ela não conseguiu identificar a quantidade e fez a contagem em voz alta acompanhando com o olhar a sequência dos elementos nas cartelas. Isso revela que, apesar de Emily, já estar no quarto estágio da contagem (LORENZATO, 2006), ainda não consegue conservar as quantidades dos objetos, pois, mesmo as cartelas que eram viradas para cima repetidas vezes, ela precisava contá-las para identificar o valor.
Em um determinado momento, ao virar duas cartelas com representação gráfica da quantidade de quatro unidades, a criança realizou a contagem e utilizou a sobrecontagem na cartela seguinte, ou seja, ao finalizar a contagem de quatro unidades na primeira cartela, ela continuou a sequência da contagem na cartela seguinte, fazendo, assim, o agrupamento das quantidades, porém sem perceber. Ela precisou da mediação da pesquisadora para contar as quantidades isoladamente e para perceber que havia conseguido um par, pois ela não havia compreendido bem a regra do jogo.
No jogo Segredo da Caixa, Emily interagiu com tranquilidade, no entanto, demonstrou bastante insegurança no decorrer da atividade. Assim como no jogo anterior, aparentou não compreender bem a conservação de quantidades. A primeira situação de agrupamento foi determinada pelas cartelas com os algarismos quatro e um. Ao retirar a primeira cartela – quatro – a criança parecia não saber quantas fichas azuis precisavam ser colocadas dentro da caixa:
Pesquisadora: Que número é esse? Emily: Quatro.
Emily: Quatro.
Pesquisadora: Então vamos lá, coloque.
Emily [conta as fichas azuis na mesa]: um, dois, três... quatro. Pesquisadora: Coloque lá.
Emily pega duas fichas e coloca na caixa. Pesquisadora: Tem quatro aqui já? Emily acena com a cabeça confirmando. Pesquisadora [começa a contar]: uma... Emily [completa]: duas.
Pesquisadora: Então, tem que ter quatro. Só tem duas, continua. Emily: Hum?
Pesquisadora: Tem que ser quatro.
Emily aponta para as fichas que tinha separado na mesa. Pesquisadora: Isso.
Emily pega uma ficha e coloca na caixa. Pesquisadora: E agora, tem quantas? Emily [conta e para]: um, dois, três... Pesquisadora: E aí?
Emily aponta para a última ficha que havia separado. Pesquisadora: É.
Emily coloca a quarta ficha na caixa e conta: um, dois, três, quatro.
Em seguida, a pesquisadora solicitou à criança para retirar outra cartela do monte da mesa, que apresentou uma unidade. Ao ser questionada sobre quantas fichas deveriam ser colocadas na caixa, Emily, dessa vez, respondeu corretamente e logo colocou uma ficha dentro da caixa. A pesquisadora fez a pergunta-chave: “Se juntarmos essas quatro fichas aqui com aquela uma ficha ali, quantas fichas teremos na caixa?”. Emily respondeu instantaneamente: “seis”.
A pesquisadora pediu então que ela verificasse quantas fichas tinham e a criança contou separadamente as quatro fichas de um lado, e a única ficha isolada do outro. A pesquisadora, portanto, explicou que ela deveria juntar todas as fichas, orientou que pegasse a única ficha do lado direito e colocasse no lado esquerdo com as outras quatro fichas e pediu à criança que contasse novamente. Emily contou e percebeu que havia cinco fichas na caixa. A pesquisadora perguntou: “E agora, é cinco ou seis?”, Emily confirmou que eram seis. Ambas contaram juntas, mas na contagem Emily foi até o número seis. A pesquisadora passou então para a próxima situação.
Na segunda situação do Segredo da Caixa, Emily tirou no monte de cartelas os valores cinco e dois. Ao retirar a primeira cartela – cinco – ela contou as cinco fichas azuis na mesa, porém somente colocou dentro da caixa mediante orientação da pesquisadora. Isto ocorreu também com a segunda cartela – dois. Ao fazer a pergunta-chave sobre a quantidade de fichas na caixa, Emily respondeu de forma instantânea: “quatro!”. A pesquisadora pediu que ela juntasse todas as fichas e verificasse. A criança realizou a contagem e percebeu que
havia sete fichas na caixa. A pesquisadora questionou se eram quatro ou sete fichas, Emily fez novamente a contagem e disse que eram seis fichas.
A partir dessas situações foi possível perceber que mesmo estando em um estágio mais avançado da contagem, Emily ainda teve bastante dificuldade em conservar as quantidades, por isso, não se apoiava tanto nos resultados encontrados com a contagem e dava respostas aleatórias. Lorenzato (2006, p. 129) afirma que “[...] nesse estágio de desenvolvimento, as crianças ainda não dominam o processo de conservação. Este só é dominado quando elas conseguem discernir as modificações que influem nas propriedades dos conjuntos, figuras ou objetos [...]”.
Por conta disso, nesse momento, também não foram realizadas Batalhas com situações de agrupamento com essa criança, visto que ela não conseguiu agrupar as quantidades no jogo anterior.
Em relação às Batalhas com situações de comparação de quantidade, quando as duas cartelas viradas tinham representação numérica, ou quando havia uma cartela com algarismo e a outra cartela era com representação gráfica de figuras planas, a criança não conseguiu identificar a cartela com maior quantidade, nem quando lhe era perguntado “Quem tem mais?” ou “Qual o maior?”. Em todas as rodadas que envolviam esses tipos de situação, ela claramente apontava uma das cartelas, sem ter certeza do que estava respondendo. Nas rodadas que apareceram apenas cartelas com representação gráfica de figuras planas, Emily conseguiu identificar a cartela com maior quantidade. Isso pode ser explicado pela organização espacial, pois ao notar que uma cartela está visivelmente mais vazia que a outra, ela percebeu que tal cartela possui menos elementos. Essa estratégia de observação e diferenciação entre as cartelas é comum nas crianças que ainda não conservam quantidades.
Desse modo, através dos jogos, percebeu-se que Emily compreende bem as noções igual e diferente, mais e menos, porém não conseguiu identificar as noções de maior e menor, além disso, ela não entende bem o processo de agrupamento de elementos e ainda tem dificuldade em reconhecer alguns algarismos.