A qualidade do que foi publicado acerca da crise de imagem deve ser avaliada sempre que houver um pronunciamento para que seja possível realizar alterações no discurso, redirecionar alguns pontos específicos de postura. Além disso, o viés da cobertura poderá determinar o nível de reverberação da crise – sua diminuição, permanência, multiplicação ou até mesmo modificação.
“Em uma crise, os problemas mudam. Se o problema que desencadeou a crise não desaparecer nas primeiras 24 ou 48 horas, a mídia tende a deslocar o alvo para outros aspectos” (HSM Management, 2004). Por isso mesmo, é necessário atuar de maneira rápida e concentrar atenção na cobertura que vem sendo feita.
A rapidez, no entanto, deve respeitar a estratégia definida. O indivíduo, ao ser abalado por uma crise de imagem, deve, acima de tudo, se preservar. Já são incontáveis os impactos e prejuízos sentidos diretamente. Sim, pronunciar-se é necessário e esperado, mas a comunicação com a imprensa deve ser algo hermeticamente calculado.
A análise da qualidade de cobertura de noticiário obtido determinará, portanto, os próximos passos e as oportunidades no fronte. Importante é ter a clareza de que “a opinião pública não está com as atenções todas centradas na sua organização (Forni, 2008)”. O mundo não se resume, portanto, à crise pela qual o indivíduo em questão está passando.
Existe uma concorrência diária com os temas mais diversos – desde os mais imprevisíveis como desastres naturais ou quedas de aviões, até uma medida importante que um governo está prestes a tomar ou a decisão de um campeonato esportivo.
A avaliação do noticiário da crise deve, assim, levar essas interferências em consideração e prever alternativas para que a crise seja tratada. Às vezes, as temáticas paralelas podem até mesmo favorecer o término da crise de imagem. É preciso poupar energia e ter paciência.
No capítulo 3, ficou claro que a construção de um plano de comunicação de crises de imagem de pessoas físicas deve passar por algumas etapas. Dentre elas, o levantamento de cenário, onde o mais importante é construir uma base de dados que leve em consideração o indivíduo como um todo e não apenas sua carreira ou peculiaridade que o levou à crise.
A definição dos públicos estratégicos e, dentro da imprensa, o perfil dos veículos e dos jornalistas determinará as estratégias a serem seguidas que, por sua vez,
devem ter a preocupação de encontrar uma zona de conforto para que o indivíduo se exponha. Ele não é uma corporação. É o único porta-voz oficial disponível.
O indivíduo deve ser preparado para falar por meio de um media training. A ideia não é moldar sua personalidade e sim apresentá-lo a um novo ambiente social, onde os jornalistas mandam. A análise de resultados deve ser realizada a cada pronunciamento, com a finalidade de identificar se há riscos de que a crise não seja contida ou até mesmo ganhe novos argumentos, novos objetos. E verificar se há oportunidades, lacunas que ainda não foram trabalhadas. O noticiário em geral deve ser analisado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na tentativa de desenvolver um estudo sobre o gerenciamento de crises de imagem tendo como foco o indivíduo, foi grande a dificuldade em identificar referências dentro da literatura disponível. Para levar o projeto adiante e subsidiá-lo de argumentos próprios tenho a impressão de que se faça necessária a análise de episódios recentes envolvendo executivos, políticos, atletas e celebridades.
Dessa forma, a partir da avaliação de uma série de estudos de caso, talvez seja possível estabelecer um protocolo, um documento que traga clareza ao assunto de forma, ao meu ver, até então, inexplorada. Essa avaliação pode ser desenvolvida a ponto de passar a integrar uma nova literatura sobre o gerenciamento de crises de imagem.
O maior obstáculo encontrado nesta monografia foi, assim, tentar determinar um plano de comunicação específico para tratar de crises de imagem de pessoa física. Por isso, fui impulsionada a fazê-lo por meio de algumas reflexões. Dessa forma, entendo que um grande aprimoramento se faça necessário.
Também acredito que a pesquisa possa encontrar maior embasamento dentro da análise mais aprofundada de temas como o novo lugar do indivíduo na pós-modernindade, na sociedade pós-massiva, e como as consequências que a última grande crise trouxe em termos de rearranjo social.
No desenvolvimento desta monografia, é importante pontuar também, se faz claro o grande desafio que o poder e a profusão das novas mídias impõem à atuação dos comunicadores e profissionais de relações públicas diante do gerenciamento de crises de imagem de indivíduos.
À medida que se aceleram os processos de criação e desenvolvimento tecnológico, onde as novas descobertas caem facilmente em desuso, tornando-se obsoletas, ao homem também se imprime um intenso ritmo de mudanças. São cada vez maiores as possibilidades que as novas formas de comunicar trazem. São transformações que colocam o indivíduo em situação de protagonismo autoral. Porém, são ainda desajeitados seu manejo e desenvoltura diante dessa tecnologia “libertadora”.
Nunca o homem foi tão vigiado. Jamais seus passos, palavras e gestos estiveram sob vigilância e monitoramento 24 horas. É, portanto, impossível ignorar a existência e, mais ainda, subestimar o poder das novas tecnologias diante de uma crise de imagem. É exclusivo seu potencial de reverberação.
Nesse sentido, os profissionais de comunicação e relações públicas devem, no mínimo, dominar os processos básicos da tecnologia, saber a contribuição da microeletrônica, dos softwares e de assuntos novos como a nanotecnologia, para que possamos esclarecer o processo e compreender para onde vamos, ou melhor, já estamos indo, a convergência digital.
Esse é apenas um indício de que assistiremos a Internet definindo seu rumo ao longo dos anos. Por enquanto, navegamos em águas turvas. Serão necessárias algumas décadas para reconstruir esse processo de comunicação. Enquanto isso, na era da informação, o conhecimento é a maior virtude.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMARAL, Luiz. Assessoria de imprensa nos Estados Unidos. In: DUARTE, Jorge.
Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia: teoria e prática. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2003.
ARBEX JÚNIOR, José. Showrnalismo - a notícia como espetáculo. 2.ed. São Paulo: Casa Amarela, 2001.
ALMEIDA, Ana Luísa C. Mensagens corporativas e a construção de sentido sobre as organizações. Organicom. São Paulo, ano 4. n. 7. 2007.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999
CASTELLS, Manuel. Communication, Power and Counter-power in the Network Society.
International journal of communication, Califórnia, p. 238-266. 11 jun. 2006.
CASTELLS, Manuel. A era da intercomunicação. Le Monde Diplomatique, Veneza, 23 abr. 2006. Disponível em: <http://diplo.uol.com.br/2006-08,a1379>. Acesso em: 09 jan. 2009.
CORTELLA, Mário Sérgio. Não nascemos prontos!: provocações filosóficas. Petrópolis: Vozes, 2006. p.134. (Nobilis).
Crimes de colarinho branco lideraram crises em 2009. Site Comunicação e crise, 07 jul. 2010. Disponível em: <http://www.comunicacaoecrise.com/artigos/noticias.php?noticia=85>. Acesso em: 25 jul. 2010.
FERRARI, Maria Aparecida. Gestão estratégica em comunicação organizacional e
relações públicas. out.2008. 47 slides coloridos. Slides gerado a partir do software Power
FRANÇA, Fábio. Públicos – como identificá-los em uma nova visão estratégica convívio. São Caetano do Sul: Editora Difusão, 2004.
FIGUEIREDO, Ney. Diálogos com o poder. São Paulo: Editora de Cultura, 2004.
FORNI, João José. Comunicação em tempo de crise. In: DUARTE, Jorge (org.)
Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia: teoria técnica. São Paulo:
Editora Atlas S. A., 2002. p. 363-388.
FORNI, João José. Apresentação: Crise e Comunicação. In: Congresso brasileiro de
comunicação no serviço público, n.8, 2008, São Paulo.
GRUNIG, James E. A função das relações públicas na administração e sua contribuição par a efetividade organizacional e societal. Revista Comunicação & Sociedade, São Paulo, n. 39, p. 69, 2003.
IASBECK, Luiz Carlos Assis. Imagem e Reputação na gestão da identidade organizacional. Organicom, São Paulo, n. 7, p.85-97, 01 ago. 2007. Semestral.
KUNSCH, Margarida Maria Krohling (org.). Obtendo resultados com relações públicas. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006.
KUNSCH, Margarida Maria Krohling (org.). Planejamento de relações públicas na
comunicação integrada. São Paulo, SP: Summus Editorial, 2003.
KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. 3.ed. São Paulo: Summus, 1997.
KUNSCH, Margarida Maria Krohling (Org). Gestão estratégica em comunicação
organizacional e relações públicas. São Caetano do Sul, SP : Difusão Editora, 2008.
LERBINGER, Otto. The crisis manager: facing risk and responsibility. Lawrence
LUCAS, Luciana. Media training: como agregar valor ao negócio melhorando a relação com a imprensa. São Paulo: Summus, 2007.
MAMOU, Yves. A culpa é da imprensa!: ensaios sobre a fabricação da informação. São Paulo: Marco Zero, 1992.
MCLOUGHLIN, Barry. Um plano de Comunicação eficaz. HSM Management. n. 45, jul- agosto. 2004.
NASSAR, Paulo. Relações públicas na construção da responsabilidade histórica e no
resgate da memória institucional das organizações. São Caetano do Sul, SP: Difusão
Editora, 2007.
NASSAR, Paulo. Tudo é comunicação. 2 ed. São Paulo, SP: Lazuli Editora, 2006.
NEVES, Roberto de Castro. Imagem empresarial: como as organizações (e as pessoas) podem proteger e tirar partido do seu maior patrimônio. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
NEVES, Roberto de Castro. Crises empresariais com a opinião pública: como evitá-las
e administrá-las. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.
PARENTE, André (Org.). Enredando o pensamento: redes de transformação e subjetividades. In: Novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2004. p. 90-110.
Presidente da BP diz ter renunciado por amor à firma. Portal Exame, São Paulo, 30 jul. 2010. Disponível em:<
http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/presidente-bp-diz-ter-renunciado-amor- firma-583232.html. Acesso em: 01 ago. 2010.
RAIGADA, José L. Piñuel. Teoria de la comunicación y gestión de las organizaciones. Madrid: Síntesis, 1997.
REVISTA BRASILEIRA DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E RELAÇÕES PÚBLICAS – Organicom. São Paulo, ano 4. n.6 .2007.
ROSA, Mário. A síndrome de Aquiles. São Paulo: Editora Gente, 2001.
___________. A era do escândalo: lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem. 4. ed. São Paulo: Geração Editorial, 2007.
___________. A reputação na velocidade do pensamento. São Paulo: Geração Editorial, 2006.
SHINYASHIKI, R.T. A influência da auto-eficácia dos gestores na administração de
crises. 2006. Tese (Doutorado) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas: função política. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Summus, 1995.
TERRA, C. F. Blogs corporativos: modismo ou tendências? São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2008.
VILLAFAÑE, J. (coord). El estado de la publicidad y el corporate en España e
Hispanoamérica. Madrid: Pirámide, 2002.
WELS, Ana. Maria. Córdova. Aspectos históricos da atividade de relações públicas: paralelos com a origem com as assessorias de comunicação social. In. Encontro Nacional
da Rede Alfredo de Carvalho, 3, 2005, Novo Hamburgo. Anais eletrônicos. Novo
Hamburgo: [Rede Alçar], 2005. Disponível em: Disponível em: <
http://www.jornalismo.ufsc.br/redealcar/cd3/rp/anamariacordovawels.doc>. Acesso