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School Education Programs

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6. Underage Drinking and Alcohol-Related Driving

6.4 School Education Programs

O melhoramento cognitivo abrange uma ampla gama de habilidades mentais. Busca- se aumentar o nível de concentração através de metilfenidato favorecendo atividades de estudos, ou através de vimpocetina para melhorar a capacidade da memória. Fármacos que antes eram utilizados para tratamento de distúrbios e doenças como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Mal de Alzheimer, respectivamente, agora começam a ser popularizados como melhoradores de algumas capacidades cerebrais.

29 Do original: "Los negros africanos son mejores en las pruebas de distancia corta porque tienen un tipo de musculatura y una estructura ósea biológicamente superior. El deporte discrima a los genéticamente inadecuados. El deporte es el campo de la élite genética (o de los fenómenos). El ejemplo más claro es el esquiador finlandés Eero Maentyranta. En 1964 ganó tres medallas de oro. Después se descobrió que tenia una mutación genética debido a la cual tenía 'naturalmente' un 40 o 50 por 100 más de glóbulos rojos que la media. ¿Era justo que tuviera una ventaja significativa obtenida por casualidad?".

30 O termo em inglês handicap é usualmente utilizado em jogos competitivos, de uma maneira a compensar um jogador em desvantagem pelo seu oponente estar em um nível maior que o seu. Pode ser exemplificado através de um jogo de xadrez onde o jogador mais experiente realiza abertamente jogadas que sacrificam algumas de suas peças para compensar o seu nível.

Na mídia e internet em geral é notável o número de correspondências em uma simples busca em mecanismos de pesquisa e a propagação da discussão sobre o tema. Alguns questionam sua eficácia e inclusive apresentam preocupações em relação a saúde de quem usa tais substâncias como ferramenta de melhora31, enquanto outros comercializam tais

substâncias sob a alcunha de suplementos com capacidades de aumentar a memória de curto e longo prazo32. Mas do ponto de vista ético, temos razões para utilizarmos tais medicamentos

buscando o aprimoramento cognitivo?

Aqueles que buscam tais melhorias aparentemente apresentam razões, mas que parecem não ser imunes a críticas. Quem utiliza tais ferramentas pode argumentar que visa obter um melhor desempenho no seu estudo preparatório para um concurso público, ou para um vestibular concorrido, mas de outra perspectiva parece ser uma maneira de trapacear em uma competição “justa”. O que retorna a um ponto levantado no subtítulo anterior: essas seleções são de fato justas? Caberia o seu uso para aqueles identificados aquém das condições ideais de estudo utilizando como um handicap? As questões parecem ser análogas às encontradas nas competições esportivas, com complicações semelhantes: ao banirmos legalmente ocorre seu uso de forma ilegal, podem haver complicações de saúde para os consumidores que adquirem tais produtos sem acompanhamento especializado, e sem os utilizar mantemos o cenário de competição injusta (talvez mais injusta tendo em vista o uso ilegal por alguns competidores). Novamente, as razões parecem repousar em direção à legalização de certos usos medicamente seguros.

A discussão em torno do uso competitivo retornará em outras questões abordadas nos capítulos seguintes. Por hora concentremo-nos em outra forma de uso: naqueles casos onde o benefício é social e não só do indivíduo melhorado. Suponhamos um grupo de pesquisadores da área de saúde que estuda maneiras de desenvolver uma vacina para uma nova epidemia que surgiu. Enquanto a pesquisa ocorre, milhares de pessoas padecem com a nova doença e diversas acabam morrendo em decorrência dela. Suponhamos, para melhor análise da questão, que existam medicamentos seguros que gerem um efeito temporário de melhoria cognitiva, tanto da memória quanto do raciocínio que certamente ajudariam os pesquisadores na referida elaboração da vacina. Deveriam estes pesquisadores tomar tal medicamento que melhoraria as suas capacidades cognitivas? De um ponto de vista consequencialista temos razões para

31 "Estudo da Unifesp derruba mito de que Ritalina 'turbina' cérebros saudáveis" disponível em: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,estudo-da-unifesp-derruba-mito-de-que-ritalina-turbina-cerebros- saudaveis-imp-,974204 acesso em 09/08/18, às 21:40.

32 O site comenta os supostos benefícios do uso de vimpocetina: "memory support", "improve short-and long- term memory". Disponível em: http://www.rayandterry.com/memveg.html acesso em 09/08/18, às 21:42.

afirmarmos que sim, pois se a vida de pessoas depende do desenvolvimento de uma vacina, e não há malefícios no uso do referido medicamento aprimorador, então os pesquisadores têm razões para utilizarem tal recurso.

Enquanto nos cenários competitivos o uso de substâncias de melhora cognitiva parece problemático, em certas circunstâncias, quando as aplicamos em ambientes que geram um maior benefício social nítido, o seu uso parece não ser tão fortemente questionado, inclusive passa a ser recomendado sob uma perspectiva instrumental. Assim, é possível identificar que os melhoramentos cognitivos em si não carregam um problema, pois tal peso recai sobre os fins esperados de sua aplicação. Ora, isto é o que parece ocorrer com a maioria das ferramentas que dispomos: um martelo pode ser utilizado para pregar madeiras e construir uma casa para desabrigados, como também pode ser empregado para destruir obras de arte do museu do Louvre.

Aparentemente o melhoramento cognitivo pode tanto ser utilizado para o bem comum quanto para uma vantagem competitiva de um só indivíduo ou um grupo. No momento partiremos da constatação da instrumentalidade da melhora cognitiva e analisaremos a possibilidade de melhoramentos morais.

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