Scheduling Problems
SCHEDULING PROBLEMS
É na essência do que me perfaz, que ainda nos encontramos. Não por sofrer de qualquer “síndrome Proustiano3”, mas porque seria ingénuo da minha parte, dissolver os dois processos de formação que me supriram.
Não quero julgar, nem realizar assunções sobre ambos, pois mais importante que encontrar a ordem para a desordem, é encontrar o sentido da desordem. Parece-me vantajoso que assim seja. Quero expor, entre a dispersão e consistência de ambos, as inquietações vividas, o que senti quando inserido num contexto de formação distinto daquilo que me era mais próximo e conhecido, o da minha Faculdade.
Apesar da dificuldade de escrita e da “quase” impossibilidade de pronunciação, a palavra “Lichamelijke Opvoeding”, traduz-se na Educação Física. A Holanda tem com a tolerância uma relação paradoxalmente simbiótica, pois se por um lado convive com a abertura às drogas, ao sexo, à sexualidade, também convive com o xenofobismo, com o extremismo à direita. E, no entanto, apresenta-se com um multiculturalismo estonteante, mas sem nunca perder uma identidade Dutch, tão bem vincada nas instituições, no estado e na cultura. Na verdade, sente-se nas ruas a convergência destes quatro mundos. Se por um lado reclamam a diferença em si, por outro recusam-na no outro. Falo também de um cooperativismo incrível, eles sabem que as equipas têm vantagens em relação às individualidade, que duas cabeças a pensar são melhores que uma, que a partilha e o debate são caminhos para a evolução, falo num sentido de Estado nas ruas, materializado na rigidez dos horários, na abertura e na tolerância pela vida de cada um. Pois o pessoal é Pessoal.
Transportemos agora connosco, a ideia de partilha, da abertura, do espírito cooperativista e de certa forma, de uma ideia clara, concisa e delineada
do que deve ser e é, a Educação Física na escola, e de que forma o processo de formação dos seus profissionais se deve consubstanciar para que essa mesma Educação Física ocorra nas escolas. É o lugar do micromacro4, o lugar onde o micro encontra e procura o macro. Onde um profissional de Educação Física é formado e se apercebe que a sua história e o seu processo, visam a história e o processo de “todos” os Homens (alunos).
Revivamos o já referido:
“Desde o 1º ano que há estágios em escolas (como professores auxiliares), sendo que, em cada ano da faculdade se aborda faixas etárias diferentes, assumindo assim cada uma das disciplinas, diferentes extensões. Este facto, permitiu-me conhecer as crianças e jovens entre os 8 e os 12 anos de idade e com isso, perceber as diferentes nuances, cognitivas, afetivas, fisiológicas e morfológicas, que exigem ao professor ajustamentos e adequações, de forma a propiciar, uma prática desportiva ajustada e potenciadora de aprendizagem ao longo de diferentes escalões etários e de níveis maturacionais distintos.” (p.)
De facto, considero que este deve ser o pilar da formação profissional de professores, isto é, colocar os estudantes num processo de “aculturação”, permitindo-lhes lecionar nos diferentes ciclos de ensino. Mas aquilo que deve ser salientado é o processo de autonomia, de critica, de reflexão, de partilha e debate, em que os estudantes são colocados desde o primeiro dia em que entram na Faculdade. Ora vejamos, eles funcionam num regime de professor auxiliar, têm como função levar propostas e ideias, para o professor “tutor” utilizar nas aulas, no pós aula, refletem com um professor da faculdade acerca da experiência, sendo que também, apresentam temas semanais para os restantes colegas da turma e debatem sobre eles. No entanto, este processo não é apenas realizado numa disciplina em particular (?), é realizado em todas, sejam elas de cariz mais prático ou mais teórico. É clara a preocupação pelo pragmatismo, pela construção em ato, podemos dizer que a formação é feita entre a linha ténue daquilo que é a realidade vivida para a realidade percebida, ou seja, entre o que é real e o ideal. É assim que os estudantes são formados
para a profissão. Mergulhando um pouco mais, o caráter das disciplinas muda de ano para ano. No primeiro e segundo ano, abordam-se conteúdos mais gerais como jogos com bola, jogos condicionais, coordenativos, ou seja, vai de encontro ao ano escolar correspondente, isto é, o primeiro ciclo. Nos anos seguintes, começa a tornar-se mais especifico, sendo que é também introduzida disciplinas do âmbito de investigação. Assim, o que percecionei, é a maior proximidade entre uma Educação Física que se pretende que se efetiva, isto é, que seja operacionalizada nas escolas, com o processo de aculturação desse mesmo modelo nos futuros profissionais da área.
Quanto a mim, perdido no desenfrear de um conjunto de novidades, de ideias, foi numa sala de professores, nas duras horas matinais das sete da manhã, que ao beber um café, me confrontei com a ideia de escola, de professor e de aluno. A escola era local de partilha. Partilha entre professores, entre alunos, entre alunos e professores. Partilhava-se conhecimento, ideias, vivências. A escola era um espaço aberto, de dentro para fora, era local de aprendizagem. Rígida e rigorosa, nos horários, nas regras, nas normas, mas flexível e tolerante, com a personalidade de cada aluno.
Naquele dia, o tema eram as aulas do dia anterior, o dia que se iria desenrolar, o aluno, novas propostas e foi a ouvir palavras, que naquele dia foram em Inglês (cortesia por causa dos estudantes portugueses) da Diretora, que nos fomos apercebendo que todos os professores tinham uma preocupação: os Alunos. Enquanto na escola, o tema são os alunos, são os conteúdos, são propostas de dinamização da Escola. Naquele momento todos tínhamos uma identidade comum e partilhada, existia uma linguagem comum, com a qual todos os professores se identificavam. E era isso que se pretendia. O professor era uma imagem de conhecimento, de afetividade, percebia-se que cada um, conhecia os seus alunos por “dentro” e por “fora”. Torna-se tudo tão mais fácil e fantástico quando assim é! Respira-se a tão vincada ideia do cooperativismo, se calhar, até mesmo de uma interdisciplinaridade, não tímida e autista, mas partilhada e nómada, que permitia que retirássemos conhecimento daquilo que desconhecíamos para o que conhecemos. No fim, sabemos quem saiu a ganhar... Nós e os alunos!