Nesta atividade (realizada em 17/10/01 e 29/10/01, respectivamente para a turma de Matemática de Nova Andradina e para a turma de Ciências Biológicas de Ivinhema), o objetivo básico foi analisar a habilidade dos sujeitos em remontarem a coerência global de um texto que lhes fora apresentado de forma totalmente desestruturada. Na realidade, tratava- se de resolver um “quebra-cabeça” textual, o que conferiu à atividade um cunho de desafio muito ao gosto dos alunos, razão pela qual a mesma se revelou bastante motivadora em termos do empenho dos sujeitos na sua resolução. Ainda, para efeito de estímulo, os alunos foram instruídos a trabalharem em duplas, numa efetiva interatividade.
O primeiro cuidado na aplicação dessa tarefa consistiu na garantia de que o texto era inédito para os sujeitos. Realmente, como se trata de um poema pouco conhecido, obtivemos a confirmação pessoal de cada sujeito de que o mesmo lhe era desconhecido, o que nos assegurou, nesse aspecto, a validade dos resultados obtidos. Também, como a avaliação da tarefa estivesse diretamente ligada apenas ao processo de participação na mesma, independente, pois, de obtenção de nota com o respectivo resultado final, pudemos contar com a estrita cooperação dos sujeitos, no sentido de não haver tentativa de comunicação entre as duplas.
O tempo para a realização da tarefa foi estipulado em cem minutos (duas aulas), realização essa precedida de uma orientação didático-pedagógica de como atuar com
sucesso. Primeiramente, esclarecemos aos participantes que se tratava de uma pequena narrativa, com uma story line bem definida, que deveria ser buscada como orientação geral de trabalho. Em seguida, informamos aos sujeitos que, apesar da desestruturação global, a estrutura formal do poema havia sido mantida: a primeira, terceira e quinta estrofes, com quatro versos; a segunda e a quarta estrofe, com seis versos, sendo que a métrica original também fora mantida. Tanto as “pistas” conceituais, como os indícios formais da poética (no caso, as rimas) e, principalmente, os recursos coesivos da língua (referenciação, concordância, regência, colocação etc.) deveriam ser atentamente observados nesse entrelaçamento geral que a tarefa exigia. Inclusive, o alerta de que cada estrofe terminava em pontuação de final de frase e até a “dica” lingüística de como encontrar o “fio da meada” (o uso do artigo indefinido para uma primeira apresentação do personagem - o anãozinho verde) funcionaram como uma ajuda estratégica para a realização da tarefa.
Durante a realização da mesma, pudemos constatar que, na turma de Matemática de Nova Andradina, dois trabalhos foram executados individualmente e um por uma equipe de três elementos; da mesma forma, na turma de Ciências Biológicas de Ivinhema, houve um trabalho individual e uma equipe de três sujeitos. No caso de trabalhos em trios, essa alteração na sistemática recomendada ocorreu pelo fato de, no momento da formação de duplas, haver um número ímpar de participantes. Quanto aos trabalhos individuais, esses ocorreram por atraso dos participantes em relação ao horário de início da tarefa. De qualquer forma, dada a pequena incidência de casos (três alunos, dentre 73), essa discrepância de estratégia parece não ter alterado os respectivos resultados.
O critério de correção, para efeito desta análise, consistiu em os sujeitos encaixarem cada verso na exata posição em que o mesmo se encontra no poema original. Assim, o percentual de acertos foi definido em função de quantos versos (dos 24 produzidos pelo autor) foram encaixados, pelos sujeitos, na exata posição que os mesmos ocupam no
texto original. Também, a cada estrofe recuperada exatamente como aparece no poema original, foi atribuído um OK.
Apresentamos, a seguir, as Tabelas 5 e 6, contendo o resultado obtido em cada documento isoladamente, distribuído por turma.
Tabela 5 - Recuperação da coerência global via coerência local no poema O ANÃOZINHO VERDE – Sujeitos: Alunos do Curso de Ciências Biológicas - Ivinhema
Nº DOC. ESTROFES REESTRUTURADAS
CORRETAMENTE OBS. ACER- TOS (%) ESTRO- FE UM ESTRO- FE DOIS ESTRO- FE TRÊS ESTRO- FE QUA- TRO ESTRO- FE CINCO 1BI 37,5 OK 2BI 50,0 OK OK 3BI 29,2 OK 4BI 33,3 5BI 50,0 OK OK OK 6BI 37,5 OK OK 7BI 4,2 8BI 50,0 OK OK OK 9BI 33,3 OK OK 10BI 29,2 OK 11BI 0,0 12BI 0,0 13BI 33,3 Trio 14BI 50,0 OK OK OK 15BI 25,0 OK Trab.indi- vidual 16BI 37,5 OK
Tabela 5 - Recuperação da coerência global via coerência local no poema O ANÃOZINHO VERDE – Sujeitos: Alunos do Curso de Ciências Biológicas - Ivinhema
(conclusão)
Nº DOC. ESTROFES REESTRUTURADAS
CORRETAMENTE OBS. ACER- TOS (%) ESTRO- FE UM ESTRO- FE DOIS ESTRO- FE TRÊS ESTRO- FE QUA- TRO ESTRO- FE CINCO 17BI 83,3 OK OK OK OK MÉDIA 34,3 TOTAL 12 0 6 1 5
Tabela 6 - Recuperação da coerência global via coerência local no poema O ANÃOZINHO VERDE – Sujeitos: Alunos do Curso de Matemática - Nova Andradina
Nº DOC. ESTROFES REESTRUTURADAS
CORRETAMENTE OBS. ACER- TOS (%) ESTRO- FE UM ESTRO- FE DOIS ESTRO- FE TRÊS ESTRO- FE QUA- TRO ESTRO- FE CINCO 1BN 16,7 2BN 20,8 Trab.indi- vidual 3BN 75,0 OK OK OK 4BN 33,3 OK 5BN 50,0 OK OK OK 6BN 33,3 OK OK 7BN 12,5 8BN 25,0 9BN 50,0 OK OK Trio 10BN 33,3 OK OK 11BN 50,0 OK
Tabela 6 - Recuperação da coerência global via coerência local no poema O ANÃOZINHO VERDE – Sujeitos: Alunos do Curso de Matemática - Nova Andradina
(conclusão)
Nº DOC. ESTROFES REESTRUTURADAS
CORRETAMENTE OBS. ACER- TOS (%) ESTRO- FE UM ESTRO- FE DOIS ESTRO- FE TRÊS ESTRO- FE QUA- TRO ESTRO- FE CINCO 12BN 0,0 Trab.indi- vidual 13BN 12,5 14BN 45,8 OK OK 15BN 37,5 OK 16BN 50,0 OK OK OK 1'7BN 58,3 OK OK 18BN 75,0 OK OK OK 19BN 25,0 20BN 45,8 OK MÉDIA 37,5 TOTAL 11 0 9 0 6
A análise das tabelas acima aponta-nos as seguintes conclusões:
a) apesar das orientações propiciadas, a maioria dos sujeitos não obteve sucesso na atividade desenvolvida; apenas 12 (32,43%) dos 37 trabalhos alcançaram um resultado igual ou superior a 50% de acertos, sendo que 25 deles (67,57%) ficaram abaixo desse percentual. Inclusive, três trabalhos apresentaram rendimento zero. O maior percentual obtido por trabalho ocorreu na turma de Ivinhema: 83,3%;
b) com relação ao rearranjo de cada estrofe, a primeira foi a campeã: em 23 dos 37 trabalhos (62,16%), a mesma foi recuperada corretamente; a segunda estrofe parece ter sido a mais problemática: nenhuma equipe
conseguiu reelaborá-la adequadamente. A terceira estrofe conseguiu o segundo maior índice de acerto: 15 trabalhos (40,54%); a quarta estrofe obteve apenas um acerto (2,70%) e a quinta foi resolvida em 11 trabalhos (29,73%).
A análise efetuada sugere-nos uma série de observações sobre o desempenho dos sujeitos nessa atividade de recuperação da coerência global através da reestruturação da coerência local: apesar de entusiasmados, nenhum aluno conseguiu encadear perfeitamente5 os segmentos representados pelos versos que compõem o poema em questão6. O relativo sucesso obtido na primeira estrofe deveu-se, principalmente, à ajuda inicial do professor. A primeira, a terceira e a quinta estrofes constituem um certo tipo de “refrão”, além de representarem um marco temporal que divide os três cenários onde se desenrola a narrativa, o que facilitou a identificação das mesmas.
Por oportuno, apresentamos abaixo o original do poema proposto para a atividade em pauta:
O ANÃOZINHO VERDE
(Theoderick de Almeida)
Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Montado num besouro de asas de laca Arabescadas de ouro
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Subiu ao cimo das montanhas
5
Perfeitamente, aqui, significa “do mesmo modo que a composição original atribuída ao autor”.
6 Entretanto, não é caso de estabelecemos conclusões apressadas sobre tal inabilidade, pois o fato de os sujeitos não terem conseguido encadear o poema em questão não significa, necessariamente, que os mesmos não venham a fazê-lo com outros poemas ou outros tipos de textos.
Mas viu que o sol descera das montanhas E boiava no mar...
E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro Do encapelado oceano espumarento,
Rodopiando como um pião... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Tão distante da luz, tão distante do sol!
Entretanto, visto que a flexibilidade da linguagem permite inúmeros rearranjos de um mesmo enunciado, 11 trabalhos (3 em Ivinhema e 8 em Nova Andradina), dentre os 37 elaborados, correspondendo a 29,73%, lograram apresentar um texto coerente, mesmo desviando-se da disposição original (se bem que, a nosso ver, na maioria dos casos, a questão das rimas e do ritmo poético e mesmo da lógica das ações ficou prejudicada)7. A título de exemplo, transcrevemos abaixo os casos citados, colocando em destaque os segmentos, a nosso ver, inaceitáveis, segundo os cânones da língua formal:
7 Tal constatação reforça a nossa convicção de que, pelos menos em termos de linguagem, “não há plágio total”, visto que qualquer paráfrase, ainda que minimamente diversa do texto-base, nunca irá repetir o mesmo enunciado original.
DOC. 2BI
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Subiu ao cimo das montanhas Montado num besouro de asas de laca
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro
Rodopiando como um pião... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Arabescadas de ouro
Brincam com búzios de ouro nas areias Mas viu que o sol descera das montanhas Descendo ao mar morreu na água sombria
E boiava no mar... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Do encapelado oceano espumarento, Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 14BI
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Subiu ao cimo das montanhas
Montado num besouro de asas de laca Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro
Rodopiando como um pião... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Mas viu que o sol descera das montanhas Ao chegar junto à praia onde as sereias
Do encapelado oceano espumarento, Brincam com búzios de ouro nas areias
Arabescadas de ouro E boiava no mar... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 17BI
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Montado num besouro de asas de laca Subiu ao cimo das montanhas O visionário anão, filho dos gênios do ar, Mas viu que o sol descera das montanhas
Arabescadas de ouro E boiava no mar... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro Do encapelado oceano espumarento,
Rodopiando como um pião... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 3BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Subiu ao cimo das montanhas Montado num besouro de asas de laca
Arabescadas de ouro
Mas viu que o sol descera das montanhas E boiava no mar...
O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego da ilusão, Do encapelado oceano espumarento,
Que o sol descia pelo mar a dentro Rodopiando como um pião... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
DOC. 5BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Subiu ao cimo das montanhas Montado num besouro de asas de laca
Arabescadas de ouro
Mas viu que o sol descera das montanhas E boiava no mar...
Do encapelado oceano espumarento, O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro
Rodopiando como um pião... Ao chegar junto à praia onde as sereias
Brincam com búzios de ouro nas areias E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 9BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Mas viu que o sol descera das montanhas Montado num besouro de asas de laca
Do encapelado oceano espumarento, Ele viu, pobre cego da ilusão,
O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Arabescadas de ouro
Brincam com búzios de ouro nas areias O visionário anão, filho dos gênios do ar, Descendo ao mar morreu na água sombria
E boiava no mar... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol,
Subiu ao cimo das montanhas Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 11BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Montado num besouro de asas de laca
Arabescadas de ouro Subiu ao cimo das montanhas Mas viu que o sol descera das montanhas
E boiava no mar... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Rodopiando como um pião... Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro Ao chegar junto à praia onde as sereias
Brincam com búzios de ouro nas areias Tão distante da luz, tão distante do sol!
E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Do encapelado oceano espumarento,
DOC. 16BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
O visionário anão, filho dos gênios do ar, Subiu ao cimo das montanhas Montado num besouro de asas de laca Mas viu que o sol descera das montanhas
E boiava no mar... Arabescadas de ouro O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ele viu, pobre cego da ilusão, Rodopiando como um pião... Ao chegar junto à praia onde as sereias
Brincam com búzios de ouro nas areias Que o sol descia pelo mar a dentro Do encapelado oceano espumarento,
E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
DOC. 17BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Montado num besouro de asas de laca Subiu ao cimo das montanhas
Rodopiando como um pião... Tão distante da luz, tão distante do sol! Mas viu que o sol descera das montanhas
E boiava no mar... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Arabescadas de ouro
Brincam com búzios de ouro nas areias Do encapelado oceano espumarento,
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro
E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, O visionário anão, filho dos gênios do ar, Descendo ao mar morreu na água sombria
DOC. 18BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Para ir buscar lá em cima o diamante do sol.
Subiu ao cimo das montanhas O visionário anão, filho dos gênios do ar,
Arabescadas de ouro
Mas viu que o sol descera das montanhas E boiava no mar...
O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego da ilusão, Do encapelado oceano espumarento,
Que o sol descia pelo mar a dentro Rodopiando como um pião... E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Descendo ao mar morreu na água sombria
Tão distante da luz, tão distante do sol!
DOC. 20BN
O ANÃOZINHO VERDE Um anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol
Subiu pelas montanhas, certo dia, Montado num besouro de asas de laca
Arabescadas de ouro
Para ir buscar lá em cima o diamante do sol. O visionário anão, filho dos gênios do ar,
Subiu ao cimo das montanhas Mas viu que o sol descera das montanhas
E boiava no mar... O anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol Desceu dos montes ao findar do dia Para ir buscar lá em baixo o diamante do sol.
Ao chegar junto à praia onde as sereias Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego da ilusão, Que o sol descia pelo mar a dentro
E o anãozinho verde que vivia Na concha furta-cor de um caracol, Tão distante da luz, tão distante do sol! Descendo ao mar morreu na água sombria
Do encapelado oceano espumarento,