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: Sauvegarde et restauration dans des environnements de cluster 95

Dans le document CA ARCserve Backup pour Windows (Page 95-140)

Conforme já esclarecido, essa produção foi realizada somente pela turma de Nova Andradina, no dia 26/02/02, em sala de aula, durante cem minutos, de forma individual, com a presença de 29 sujeitos, sendo que 12 deles escolheram o tema VIDA DE TRABALHADOR, 10 escreveram sobre a VIDA DE ESTUDANTE e 7 optaram por VIDA DE NAMORADO.

Para a avaliação do desempenho nessa produção, optamos por três categorias ligadas aos objetivos e exigências específicas da tarefa:

a) adequação ao ESTILO e à ESTRUTURA do texto-fonte, incluindo a presença do “tom irônico” e do fecho paradoxal;

b) adequação das RELAÇÕES LÓGICAS (CAUSATIVAS ou

EXPLICATIVAS);

c) grau de CRIATIVIDADE, expresso em conceitos: A -

EXCELENTE; B - BOM; C – REGULAR; D – INSUFICIENTE.

Para avaliar a adequação ao estilo irônico do texto, examinamos o teor de cada proposição, em busca da contradição simultânea que caracteriza o discurso irônico. Em caso positivo, a proposição era considerada como adequada; caso contrário, seria descartada para efeito da medida dos acertos, a ser expressa em percentuais. O fecho do texto (paradoxo) foi considerado adequado quando resgatou as contradições anteriormente enunciadas, retomando o sentido “univocal” (em contraponto ao estilo bivocal) do discurso, sem a mencionada contradição interna simultânea.

A avaliação das relações lógicas do texto produzido apoiou-se nas pistas lingüísticas formais, evidenciadas quase sempre através dos marcadores lógicos causais ou explicativos do tipo porque ou similares. Em cada proposição, a presença dessas relações ocasionou a caracterização da mesma como adequada, enquanto que a sua ausência produziu o seu descarte, quando do cálculo do respectivo percentual de acertos.

A questão da criatividade, por se tratar de um conceito relativamente subjetivo (desvio estético-ideativo da linguagem cotidiana, capacidade de inovar, surpreender, “encantar” através do discurso), não foi objeto de medida, mas de apreciação subjetiva, ligada à nossa própria “disposição cognitiva e emocional”, como leitora-avaliadora. Quanto a esse aspecto, o intertexto produzido foi apreciado em síntese, como um todo, e não propriamente analisado como mencionado nas categorias precedentes. Aqui se concretizaram os princípios dialógicos de Bakhtin (apud SOUZA, 1997, p. 339) de que a enunciação estética implica um eterno acabamento por parte do leitor, visto que o mesmo participa do diálogo com o enunciado, continuando, assim, a própria criação da obra. Para Bakhtin (2000), não há critérios objetivos, comumente acatados, que permitam detectar a objetividade estética: ela é de ordem intuitiva e precisa ser confrontada aos valores do outro. Assim, o acontecimento artístico conta com dois participantes: um é passivo-real, o outro é ativo (o autor- contemplador); se um dos participantes desaparece, o acontecimento artístico se desfaz:

O todo estético não é algo para ser vivido, mas algo para ser criado (tanto pelo autor como pelo contemplador [...]). Em todas as formas estéticas, a força organizadora é a categoria de valores do outro [...] que permite assegurar-lhe o acabamento (ibid., p. 83, 203).

Apresentamos, a seguir, a Tabela 10, contendo os valores percentuais dos acertos em cada uma das categorias medidas, bem como o conceito relativo à criatividade atribuído a cada um dos documentos analisados.

Tabela 10 – Intertextualidade: intertexto produzido a partir do texto-fonte SERMÃO DA PLANÍCIE – Sujeitos: Alunos do Curso de Matemática – Nova Andradina

Nº DOC. CATEGORIAS

Estrutura / Estilo Relações lógicas Criatividade DOC. 1EN 80,00% 80,00% C DOC. 2EN 90,00% 80,00% B DOC. 3EN 90,91% 72,73% B DOC. 4EN 100,00% 81,82% B DOC. 5EN 54,55% 9,09% D DOC. 6EN 100,00% 58,33% C DOC. 7EN 100,00% 72,73% B DOC. 8EN 27,27% 27,27% D DOC. 9EN 81,82% 72,73% B DOC. 10EN 91,67% 91,67% B DOC. 11EN 100,00% 100,00% A DOC. 12EN 90,91% 72,73% B DOC. 13EN 63,64% 72,73% C DOC. 14EN 100,00% 100,00% B DOC. 15EN 90,91% 90,91% B DOC. 16EN 81,82% 100,00% B DOC. 17EN 58,33% 66,67% C DOC. 18EN 50,00% 30,00% D DOC. 19EN 90,00% 90,00% A DOC. 20EN 90,91% 72,73% B DOC. 21EN 100,00% 90,91% B DOC. 22EN 27,27% 90,91% C DOC. 23EN 90,91% 90,91% B DOC. 24EN 61,54% 76,92% C DOC. 25EN 30,77% 69,23% C DOC. 26EN 100,00% 90,91% A DOC. 27EN 90,91% 90,91% B DOC. 28EN 100,00% 100,00% A DOC. 29EN 80,00% 90,00% B

Tabela 11 – Intertextualidade: intertexto produzido a partir do texto-fonte SERMÃO DA PLANÍCIE – Resultados por categoria - Sujeitos: Alunos do Curso de Matemática – Nova Andradina

RESULTADOS AGRUPADOS POR CATEGORIA ADEQUAÇÃO DA ESTRUTURA / ESTILO

INTERVALO DE ACERTOS Nº DE SUJEITOS PERCENTUAL

100% 8 27,59% 90% - 99% 9 31,03% 80% - 89% 4 13,79% 70% - 79% 0 0,00% 60% - 69% 2 6,90% 50% - 59% 3 10,34% Abaixo de 50% 3 10,34%

ADEQUAÇÃO DAS RELAÇÕES LÓGICAS

INTERVALO DE ACERTOS Nº DE SUJEITOS PERCENTUAL

100% 4 13,79% 90% - 99% 9 31,03% 80% - 89% 3 10,34% 70% - 79% 7 24,14% 60% - 69% 2 6,90% 50% - 59% 1 3,45% Abaixo de 50% 3 10,34% GRAU DE CRIATIVIDADE

CONCEITOS Nº SUJEITOS PERCENTUAL

EXCELENTE 4 13,79%

BOM 15 51,72%

REGULAR 7 24,14%

INSUFICIENTE 3 10,34%

Como se verifica, o melhor desempenho dos sujeitos diz respeito ao aspecto criatividade, caracterizada, na maioria dos textos, como “boa” e “excelente”. Em segundo lugar, situa-se a capacidade de estruturação do texto produzido no mesmo estilo do texto- fonte, inclusive quanto ao caráter irônico das proposições. O desempenho mais fraco, embora não comprometedor, ficou por conta da adequação das relações causativas ou explicativas, evidenciando a necessidade de se trabalhar melhor essa dimensão lógica da produção textual.

Por se tratar, a nosso ver, de estratégia das mais relevantes e pela excelência dos resultados obtidos, se comparados aos das produções “livres” dos sujeitos analisados,

transcrevemos abaixo os textos constantes dos Docs. 11EN e 28EN, cujo desempenho, nas três categorias avaliadas, correspondeu ao grau máximo. No ANEXO A (página 276), apresentamos toda a coleção de textos oriundos desta atividade.

DOC. 11EN

Sermão do Trabalhador

1 - Bem-aventurados os que não trabalham, porque do pai é o dinheiro que eles gastam.

2 - Bem-aventurados os que acordam cêdo para não irem ao trabalho, pois podem ficar mais tempo sem fazer nada.

3 - Bem-aventurados os que vivem do trabalho alheio, porque dos outros são as suas preocupações.

4 - Bem-aventurados os que trabalhando, ganham uma ninharia, pois estão contribuindo para a riqueza do patrão.

5 - Bem-aventurados os que ganham muito para não fazer nada, porque deles é o dinheiro dos que trabalham muito por pouco.

6 - Bem-aventurados aqueles que nem pensam em trabalhar, pois tem a mente livre para pensar em causas mais nobres.

7 - Bem-aventurados os que trabalham de graça, porque a desgraça do pouco dinheiro jamais lhes afligirá.

8 - Bem-aventurados os que não trabalharam ontem, não estão trabalhando hoje, tampouco trabalharão amanhã, porque deles é o reino da boa vida.

9 - Bem-aventurados os funcionários fantasmas, porque mesmo não existindo, ainda ganham pelo que fazem.

10 - Bem-aventurados os que entre o trabalho e o fazer nada, escolhem o último, pois demonstram desapego com as preocupações deste mundo.

11 - Bem-aventurados serão pois todos aqueles, que mesmo após ouvirem este sermão, ainda continuarem trabalhando, porque um dia desfrutarão de uma gorda e merecida aposentadoria, graças à generosidade do bom e justo INSS.

DOC. 28EN

Sermão de Namorado

1 Bem aventurados os solteiros que não tem que comprar presente de Natal, dia dos namorados, páscoa e aniversário, pois deles é o bolso cheio no final de semana.

2 Bem aventurados os que conseguem ficar com alguém no final da cidade sem ter que sair correndo da polícia que sempre aparece para perguntar: “O que vocês estão fazendo?”

3 Bem aventuradas aquelas que choram quando o time do namorado perde pois dela é o bolso deles.

4 Bem aventurados os que dizem e afirmam que nunca foram traídos pois deles é o chapéu com chifre maior.

5 Bem aventurados os que namoram em casa pois Deus “Pai” os observa. 6 Bem aventurados os que namoram na escola pois dão assunto para a semana inteira.

7 Bem aventurados os namorados que mandam flores, bombons presentes e que têm namoradas que sabe aproveitar isso pois deles é o empréstimo do Banco do Brasil.

8 Bem aventurados os que namoram com todo mundo pois deles é o cardápio variado.

9 Bem aventurados os que namoram escondido pois fazem exercícios ao correr do pai que descobrir tudo.

10 Bem aventurados os que mesmo sendo traídos, tolos e infantis, não se cansam e, mesmo com olhares apaixonados e declaração apaixonada ou com pequenos gestos com várias pessoas continuam insistindo em demonstrar e sentir o sentimento mais forte que pode existir entre duas ou milhares de pessoas: o amor.

“Ah! O amor é fogo que arde sem se ver, É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer”. (Camões)

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