• Aucun résultat trouvé

SAFRAN INTERNATIONAL LEVERAGE A – 990000108019

Dans le document NOTE D’INFORMATION SIMPLIFIEE (Page 37-41)

A Teoria Crítica surge na Escola de Frankfurt, com Walter Benjamin, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Max Horkheimer e Jürgen Habermas. Esses autores, em sua crítica à concepção de ciência positivista, reconhecem que a forma de construir conhecimentos é influenciada pelos valores morais e sociais. Há por trás da investigação científica interesses relacionados com os seus fins e/ou resultados, geralmente associados a determinados grupos de poder. Como consequência, essas interferências agem sobre o pesquisador influenciando sua pesquisa. Cabe à Teoria Crítica “desnudar e mostrar que há inúmeros interesses que estão relacionados com os fins e resultados finais de qualquer investigação” (PANOSSO NETTO; NOGUERO; JÄGER, 1984, p. 554).

Especificamente no Turismo, há a menção, entre outras, de Tribe (2008, p. 253), segundo o qual “[...] a crítica em turismo ainda é marginal em relação a todo o esforço da pesquisa em turismo”. Panosso Netto e Nechar (2014), reforçam a proposição de Nechar e Lozano (2006) e Nechar (2011) sobre a pertinência do exercício da crítica reflexiva e interpretativa do turismo, por meio da edificação de conteúdos críticos e não somente da crítica a conteúdos. Afirmam os autores:

[...] Esta proposta crítica põe em evidência muitos vícios de lógica que têm se convertido num hábito em amplos setores da vida acadêmica, e, sobretudo, denuncia a falta de racionalidade na qual se tem caído em muitos outros segmentos ao se avaliar o nível de certeza, rigorosidade e medida do conhecimento turístico nas investigações, pelo simples “uso correto” das regras metodológicas preestabelecidas, sem se buscar examinar a lógica, o significado e as implicações do conhecimento construído (PANOSSO NETTO; NECHAR, 2014, p. 134-135).

Panosso Netto e Nechar (2014, p. 135), ainda reportando-se a Nechar (2011), expõem que essa perspectiva crítica – a que vai ao encontro da tendência histórica – busca:

[...] Primeiro, tirar a carga positivista da ciência que tem um interesse pragmático, mecânico-casual e funcionalista. Segundo, buscar reconhecer a concepção da ciência e da epistemologia que existe sobre a construção do conhecimento produzido. Terceiro, compreender o termo ciência, em sua dimensão ampla, a partir do vocábulo scientia, na concepção de conhecimento, prática, doutrina e erudição. (PANOSSO NETTO; NECHAR, 2014, p. 1)

Considerando essas buscas, sinalizadas pelos autores, como sendo pouco discutidas na área do Turismo, em vista de construção de uma perspectiva crítica para ela, parece relevante reconhecer que tais características são identificadas via atitudes de pesquisadores e de seus produtos reflexivos. Seus sistemas de produção e de conhecimento permitem demarcar sinalizadores e marcos teóricos, epistemológicos e metodológicos que, ora podem significar marcos estáveis e seguros, ora podem indicar marcos que provoquem a desestabilização e o seu questionamento crítico e racional, transformando seus resultados em hipotéticos e interpretativos.

A Teoria Crítica e o Turismo, quando em relação, podem promover mudanças de ordem epistemológica e metodológica na direção de as investigações romperem com a produção pragmática, fragmentada, funcionalista, mecanicista e casual, pela ausência de sustentação teórica e metodológica rigorosa, não balizadas por sistemas de conhecimento.

Para atingir essas condições ideias é necessário alicerçar os saberes em Turismo na Filosofia e na Epistemologia.

Em síntese, as breves incursões reflexivas até aqui realizadas vêm corroborar a abordagem histórico-conceitual do turismo para a qual confluem o dinâmico diálogo com os fatos marcados historicamente e os saberes turísticos de cunho teórico- epistemológico construídos nessa trajetória.

Essas construções temáticas desenvolvidas pelos autores marcam as influências das áreas de conhecimento na formação dos saberes turísticos. Exemplificando. Quando se pergunta quem viaja, como foram possibilitadas as viagens, por onde viajam as pessoas, é possível perceber dois cenários: de um lado, os ganhos econômico-financeiros, a organização de negócios que atraíram os olhares de áreas de conhecimento como a Economia e a Administração; de outro lado, por sua vez, deslocamentos e efeitos territoriais, os quais se tornam objeto de estudo da Geografia. Preferências e escolhas que seduziram psicólogos e profissionais que fazem das percepções motivações e representações sociais e coletivas objeto relacionado ao turismo. Encontramos, ainda, os filósofos, com estudos epistemológicos das produções de conhecimento e os sociólogos, atentos às práticas sociais. O turismo, assim, paulatinamente, deixa de se circunscrever ao âmbito e características de uma atividade, sendo percebida sua natureza de fenômeno, objeto de investigação científica.

Nessa perspectiva, aliando as construções históricas, as construções conceituais e temáticas, as influências das áreas de conhecimento, às transformações por que passam as sociedades em vários âmbitos, tem-se, por conseguinte, que, ao mesmo tempo em que as diferentes áreas de conhecimento aproximaram-se do turismo, ele se aproximou dessas áreas, no intento de ampliar e compreender a sua própria complexidade. Entende-se que, a partir dessa relação, os próprios saberes do turismo se formam e formam outros conhecimentos dentro dessas áreas mencionadas. Identifica-se a formação de teias de relações que encaminham desvelamentos/desenvolvimentos teóricos, metodológicos e discussões epistemológicas, reportando à compreensão da complexidade desse universo, com a via da interdisciplinaridade podendo inserir-se como atitude investigativa no campo do turismo.

Importa, pois, pensar, a partir do quadro esboçado até então, a interdisciplinaridade como estatuto de “componente” epistemológico e conceitual do turismo, como marca significativa desse fenômeno quando abordado cientificamente, uma vez perspectivada a construção de saberes que sobre ele e a partir dele se voltem. Por via de consequência, importa igualmente levá-lo a objeto de estudo em práticas pedagógicas desenvolvidas no processo de formação profissional em Turismo, no caso deste trabalho, com foco no ensino de nível superior, para o que

cumpre buscar maior embasamento teórico sobre interdisciplinaridade, no sentido de pautar a busca de resposta à questão de pesquisa aqui proposta.

Dans le document NOTE D’INFORMATION SIMPLIFIEE (Page 37-41)

Documents relatifs