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Imbuídos de um desejo de autoconhecimento de nossa cultura, sujeitos de diferentes locais e espaços, estão realizando esforços para compreender em profundidade as questões que envolvem o modo de ser das diferentes culturas, a diversidade cultural e a relação que temos com nossa memória. Nesse sentido, foi pensado em conjunto um evento, denominado PommerBR, que é uma cooperação mútua entre as regiões do Brasil. Esse evento surgiu com o intuito de provocar novos contatos, reunindo representantes das comunidades pomeranas do Brasil, para colocar em diálogo, centros de produção de saberes culturais pomeranos que nunca antes tinham entrado em contato e, assim, discutir ações que visam à promoção, à defesa, à pesquisa e o registro para o fomento e difusão da cultura e da língua pomerana no Brasil (THUM, 2013). O PommerBR, Iniciado em 2010, posterior a diálogos instaurados de agentes das comunidades do Espírito Santo e Rio Grande do Sul, já está em sua quarta edição. O primeiro foi realizado em São Lourenço do Sul/RS (2010), o segundo em Santa Maria de Jetibá/ES (2012), o terceiro em Pomerode/SC (2013) e o quarto está previsto este ano (2015) para Rondônia/RO. Um importante documento emergiu como resultado desses encontros, a CARTA DE SANTA MARIA40 (ANEXO G). Sobre esse encontro Thum (2013) assevera:

[...] algumas pequenas ações culturais de registro e de reconhecimento eram executadas nos estados de Rio Grande do Sul e do Espírito Santo em espaços sociais geopolíticos onde habitam pomeranos. Partindo da premissa da Educação Popular que emancipação cultural se faz a partir de reconhecimento de si e dos outros, a proposta da partilha dos olhares de quem somos nós e o que queremos como futuro se colocou como uma necessidade. (Trecho retirado do breve histórico sobre o Pommerbr escrito por Carmo Thum, 2013)

Consideramos que esse encontro, PommerBR, é um processo de empoderamento do povo pomerano, pois dá visibilidade às ações que estão pulverizadas pelo Brasil afora. As pesquisas e experiências compartilhadas pelos participantes do evento têm fortalecido a luta, defesa e promoção da cultura e língua pomerana.

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A carta foi elaborada no II PommerBR, realizado em Santa Maria de Jetibá- ES, e traz à sociedade brasileira um conjunto de princípios e de reivindicações resultantes dos debates promovidos no I PommerBR ocorrido em São Lourenço do Sul (RS) de 29 a 31/11/2011 e II PommerBR ocorrido de 14 a 16 de Junho de 2012 em Santa Maria de Jetibá. Nela manifesta-se o explícito interesse de salvaguarda, registro, promoção e desenvolvimento sócio-cultural da cultura pomerana no Brasil.

71 Intercalado ao encontro nacional, têm-se realizado encontros nos estados participantes do PommerBR, com o objetivo de uma preparação prévia para o encontro nacional e para aprofundar estudos sobre quem somos, onde estamos e o que queremos enquanto sujeitos que possuem seus modos próprios de ser e viver sua cultura. Antes do evento estadual, o grupo articulador realizou encontros regionais nos municípios para ouvir os pomeranos, a respeito de suas práticas sociais, o modelo de educação escolar e não escolar que deve ser implantado na sua comunidade e levantamento de propostas para a realização do PommerES.

O PommerES foi realizado, aos 10 dias do mês setembro de 2014, no Cine Metrópolis, na Universidade Federal do Espírito Santo/Vitória, e teve como objetivo reunir os diferentes segmentos das diferentes regiões de concentração do povo tradicional pomerano para ouvir, fortalecer suas práticas sociais, língua, cultura, educação, arte, arquitetura, meio ambiente, saúde, e lazer e elaborar a Carta, documento final para os encaminhamentos que se fizerem necessários. O evento foi um desdobramento de um ciclo de encontros realizados nos municípios como, Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Pancas, Afonso Cláudio, Itarana e Vila Pavão, de onde saíram propostas elaboradas pelos participantes e que no encontro estadual foram sistematizadas, lidas e aprovadas como parte do documento CARTA ABERTA DO POVO POMERANO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (ANEXO H).

Os mesmos articuladores iniciais do PommerBR têm como meta realizar um encontro em nível mundial, que ousam em chamar de “Pommer mundus”, o qual acontecerá, possivelmente, em 2016. O evento tem como objetivo ampliar o diálogo entre os países onde há presença de descendentes de pomeranos. Uma conversa inicial se deu em junho de 2013, em Kolberg, Polônia, dentro do Museu Naval, onde foi realizada uma recepção do grupo41, com participação do diretor do museu e

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Em 2011 e 2013, grupos de regiões com descendentes de hunsrück e pomeranos participaram de intercâmbio cultural, por incentivo e patrocínio do industrial Wander Weege, da malharia Malwee, localizada em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. A motivação de realizar este trabalho, por meio de intercâmbio cultural, se dá pelo fato do industrial ser descendente germânico. A comitiva foi composta por pessoas dos estados de SC, RS e ES, descendentes de pomeranos, hunrüsckisch e alemães que tiveram a oportunidade de visitar regiões da Alemanha e Polônia, lugar de onde partiram os antepassados que emigraram para o Brasil. A viagem proporcionou uma aproximação entre as culturas germânica, polonesa e a brasileira, resultando em contatos e articulações de atividades e pesquisas colaborativas.

72 outros célebres, para uma explanação do trabalho realizado por eles e de interesses coletivos com o grupo ali presente. Na ocasião, representantes presentes do PommerBR assinaram um termo de compromisso para afirmar essa intenção.

Figura 10 – Ata assinada em Kolber, em junho de 2013, para afirmar o compromisso Da realização do “ Pommer Mundus”.

Fonte: Arquivo Carmo Thum - 2013

Além das ações citadas acima, existem iniciativas nas redes sociais, formadas por grupos engajados na difusão e preservação da língua pomerana, que motivam pessoas dispostas a aprender a falar e escrever a língua pomerana. Uma iniciativa é o grupo UP POMERISCH SRIJWE UN LEESE LEIRE42, criado em janeiro de 2013, no facebook, em que são compartilhados assuntos diversos sobre a cultura e a língua, e principalmente se propõem a aprender a ler e escrever na língua.

Por se tratar de uma língua com proposta de grafia recente, um número significativo de pessoas tem buscado se apropriar da escrita por meio desse espaço, iniciativa que merece destaque porque, além de difundir a língua escrita e ser um espaço democrático de participação e problematização das questões sobre a língua, é também uma estratégia encontrada de preservação desse patrimônio imaterial. Um espaço que encoraja a tentar, errar, acertar e compartilhar aquilo que sabem. Afinal, a língua não é propriedade particular de ninguém, e sim patrimônio público dos que a praticam. Conforme a opinião do idealizador e integrante de grupo:

Sem dúvida nenhuma, esse espaço é vital para a expansão da escrita pomerana, pois nós estamos na era digital e não podemos perder esta

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73 oportunidade de nos comunicar, apesar de que somos uma minoria do povo Pomerano que têm acesso a este instrumento. Sei que conhecimento guardado não vale nada. Somos habitantes de vários estados brasileiros e estamos entrando em conexão. E o melhor disso é conhecer novas pessoas que falam e entendem a língua Pomerana. (Depoimento Lourival Bausen, 2013).

Acreditamos que as ações descritas acima representam um avanço nas lutas e conquistas do povo pomerano, como um movimento de defesa contra a hegemonia cultural e linguística, sendo, portanto, promotora dessa identidade étnico-cultural.

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