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Quando comparado, as aulas com a estrutura organizacional de aprendizagem cooperativa obtém um maior sucesso na aprendizagem do que aulas cuja estrutura

UMA OFICINA DE FORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA –ASPECTOS DA LECCIONAÇÃO DA MATEMÁTICA organizacional se caracteriza pelo ensino dirigido, num contexto de aula competitiva ou individualista (Johnson e Johnson, 1994; Slavin, 1995; Crahay, 2000). Desta forma, desvaloriza-se o pressuposto de que esta técnica de ensino pode ser prejudicial para os alunos com maior sucesso, uma vez que o aluno mais capaz tem de reorganizar os conteúdos e, dessa maneira, a entendê-los melhor, como também a detectar lacunas na compreensão dos mesmos (Webb, 1991), tal como defende Vygotsky com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal. No domínio da matemática, verificou-se que esta diferença se mantém, relativamente à estrutura organizacional das aulas cooperativas, independentemente do sexo, idade ou mesmo grau de dificuldade dos problemas (Johnson e Johnson, 1995).

Verificou-se a importância da acção dos grupos de pares na mudança de atitudes de um sujeito, uma vez que existe uma necessidade de afiliação dos indivíduos no seio de um grupo. (Leyens, 1994, e Aronson, 1997, citados por Bessa, 2002),Nesta linha de pensamento, os grupos de trabalho cooperativo também promovem atitudes mais positivas junto aos sujeitos, relativamente aos conteúdos em estudo, em particular, e à aprendizagem, em geral, quando comparadas com outro tipo de aprendizagem, como sejam a competitiva ou a individualista (Johnson e Jonhson, 1994; Slavin, 1995). A grande novidade trazida pela aprendizagem cooperativa é, o facto dos professores que trabalham com este modelo de ensino verificarem que os seus alunos aprendem mais, aprendem melhor ou, simplesmente, gostam de aprender (Ellis e Whalen, 1990). Este facto deve-se à forte componente de interdependência entre os elementos dos grupos de trabalho, que promove o fortalecimento das relações interpessoais e a avaliação positiva relativamente à tarefa que executam dado a terem associado um carácter lúdico (Johnson e Jonhson, 1994). Quando os alunos trabalham cooperativamente o seu sucesso aumenta, logo também experiênciam sucesso no individual, e este torna-se uma alavanca para o futuro compromisso na conquista/manutenção do sucesso (Slavin, 1995). Entende-se assim o papel central dos grupos, pois podem actuar como facilitadores da mudança, em virtude do poder persuasivo que exercem sobre os indivíduos.

UMA OFICINA DE FORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA –ASPECTOS DA LECCIONAÇÃO DA MATEMÁTICA A aprendizagem cooperativa promove a auto-estima dos alunos devido ao incremento das relações interpessoais no seio do grupo de trabalho e ao sucesso obtido na execução das tarefas ser partilhado e percepcionado por todos os elementos (Johnson e Johnson, 1994; Slavin, 1995). Os alunos sentem-se mais valorizados pelo seu desempenho e pelo incremento das suas competências quer académicas, quer sociais. Também os alunos de diferentes raças ou de origens étnicas encontram uma maior facilidade em interagir e de criar laços fora dos seus círculos de relações. Promover a Inclusão numa sala da aula passa por trabalhar com todos os alunos, independentemente das suas características, uma vez que “todos os alunos necessitam de se sentirem aceites

e beneficiarão de um contexto de sala de aula onde a diferença é aceite” (Johnson e

Jonhson, 1994:40). Este modelo de aprendizagem promove o pensamento criativo pelo “aumento do número de ideias, a qualidade das ideias, pelo estimulante sentimento de

satisfação e pela expressão original na resolução de problemas criativos” (Ib,1994,

p.40).

A aprendizagem cooperativa desenvolve nos alunos algumas características como sejam percepção de uma situação segundo outro ponto de vista, como a pessoa reage cognitiva e emocionalmente; a criatividade, pelo número de soluções e problemas que lhe foram pedidos e pelo confronto de ideias dos seus pares, a sua escolha segundo a qualidade; o aumento da auto-estima; compreensão da interdependência e principalmente da sua importância quer num ambiente de trabalho, no seio familiar, na comunidade ou na sociedade (Johnson e Johnson, 1994).

Em aulas do tipo organizacional de aprendizagem cooperativa é possível criar espaços para que dois professores trabalhem de forma flexível e de acordo com diversas necessidades. Em particular, para alunos com dificuldades de aprendizagem porque o professor de educação especial é incluído no grupo-turma. Para além disso, estes alunos poderão contribuir de forma significativa nas tarefas propostas e a sua participação activa nas aulas parece que melhora a sua integração no seio da turma (Slavin, 1995). Sapon-Shevin et al defendem que a aprendizagem cooperativa favorece todos os alunos, em particular no aspecto social, uma vez que desenvolve, considerando a turma como

UMA OFICINA DE FORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA –ASPECTOS DA LECCIONAÇÃO DA MATEMÁTICA um microcosmos da sociedade, pois na turma encontram-se pessoas “‘em risco’,

‘bilingues’, ‘super dotadas’ e ‘normais’” (1994:46)

Um dos problemas da escola de hoje é a distância e a desconsideração que os alunos, pais e que os indivíduos em geral têm face à instituição escolar. Este facto reflecte-se, posteriormente, no interior da sala de aula e interfere com o trabalho que aí se desenvolve. Diversos estudos mencionam que a aprendizagem cooperativa produz efeitos positivos nos alunos relativamente ao seu sentimento em relação à escola, à sua relação com os colegas de turma e à forma como avaliam os sentimentos da turma em relação a si próprios (Johnson e Johnson, 1994; Slavin, 1995).

Aprender faz-se, como já foi amplamente discutido, também em interacção, e entre outros, tendo um comportamento de procura de ajuda, por parte dos alunos. Ao fazer um paralelismo de comportamentos, em contexto competitivo e cooperativo de aprendizagem, Bessa (2002) concluiu que os contextos competitivos de aprendizagem inibem os comportamentos de procura de ajuda, uma vez que os alunos têm que admitir, perante os seus pares, a sua incapacidade na resolução da tarefa, ou de poderem receber reacções negativas quando recorrem aos colegas. Por outro lado, contextos cooperativos de aprendizagem, os alunos facilitam e promovem a procura de ajuda devido a diversos factores entre os quais a interacção entre os alunos, a organização da sala de aula, o clima de proximidade entre os sujeitos e o papel facilitador, das interacções, que o professor assume. Webb (1982) verificou que a procura de ajuda em pequenos grupos trabalho está positivamente relacionada com a realização escolar dos alunos.

A capacidade, de hoje, os alunos trabalharem cooperativamente reflectir-se-á amanhã, na manutenção de casamentos, amizades e no seu percurso profissional, uma vez que as suas competências técnicas de pouco lhes servirão se não conseguirem interagir cooperativamente, na comunidade que os envolve (Johnson e Johnson, 1994).

A implementação da aprendizagem cooperativa beneficia todos: os alunos, mas também os professores dando-lhes uma oportunidade para desenvolver trabalho

UMA OFICINA DE FORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA –ASPECTOS DA LECCIONAÇÃO DA MATEMÁTICA colaborativo com os seus pares, em vez do isolamento que caracteriza o seu desempenho no ensino tradicional (Sapon-Shevin et al, 1994). O estudo Matemática

2001, refere que as instâncias oficiais de trabalho conjunto dos professores têm uma

periodicidade reduzida e que a maior parte do tempo é ocupado com informações, questões administrativas, calendarização de conteúdos a leccionar e a definição de critérios gerais de avaliação. O relatório menciona, ainda, que o trabalho em colaboração, quer na preparação, quer na reflexão sobre as práticas lectivas, não parece fazer parte do quotidiano profissional da grande maioria dos professores de Matemática portugueses (Ponte e Serrazina, 2004). De facto, Abreu (2002) refere, no seu estudo acerca da resolução de problemas na gestão do currículo, que os professores ainda se vêem como profissionais que actuam individualmente e de forma isolada, cuja a formação e experiência de ensino permite modelar práticas e desenvolver saberes. No entanto, os contextos de colaboração podem ser facilitadores de um ambiente de aprendizagem entre professores e, entre professores e investigadores.

“A colaboração entre professores e investigadores pode contribuir para anular a separação

entre a prática profissional do professor e a investigação educacional, bem como a separação entre as escolas e as universidades e, em última análise, a separação da teoria e da prática.”

(Saraiva e Ponte, 2003) A partilha de experiências permite que os profissionais tenham uma visão aglutinadora de todo o processo e, para além disso, desenvolve competências de planificação de conteúdos, livres da dependência de manuais nas suas práticas lectivas. A reflexão, já referida, quando feita em conjunto com os seus pares pode tornar-se mais ampla e rica (Ib, 2003). Por outro lado, a cooperação está claramente mencionada no programa do Ministério da Educação, uma vez que “cooperar com outros em tarefas e

projectos comuns” é uma competência essencial para o Ensino Básico. No entanto, e

como refere Cochito (2004), os professores tendem a considerar a cooperação como ‘natural’ o que leva a que sejam, muitas vezes, avaliadas atitudes cooperativas sem terem sido desenvolvidas quer as competências sociais, quer os materiais próprios de tarefas cooperativas. Ponte, Brocado e Oliveira (2003) defendem que o trabalho

UMA OFICINA DE FORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA –ASPECTOS DA LECCIONAÇÃO DA MATEMÁTICA colaborativo entre professores é um contexto favorável para a experimentação de novas situações didácticas e, portanto, favorável no âmbito da promoção da aprendizagem cooperativa, uma vez que um grupo de colaboração pode ajudar a reflectir sobre as dificuldades e os insucessos.

Podemos afirmar que o impacto da aprendizagem cooperativa enquanto dinâmica de gestão de sala de aula, pode ir mais além do que a qualidade da aprendizagem, nomeadamente promovendo atitudes positivas face à aprendizagem e à motivação dos alunos no contexto escolar.

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