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ROM 2. RAM

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1. ROM 2. RAM

Embora a medicina popular informações referentes a atividades biológicas, permtindo identificar e caracterizar princípios ativos, o uso popular de uma espécie não é um condicionante para afirmar a ausência de efeitos tóxicos, sendo necessária uma avaliação farmacológica. Um exemplo desta situação são os efeitos tóxicos do óleo de copaíba (Copaifera langsdorfii Desf.) observados em camundongos, em detrimento do amplo uso do mesmo na medicina tradicional para o tratamento de processos inflamatórios (LOURENÇO et al., 2009).

A isto deve ser somado o uso indiscriminado de associações de diversas plantas medicinais em preparações artesanais, havendo portanto necessidade de determinar os efeitos tóxicos de plantas utilizadas pela medicina popular para garantir a segurança no uso dessas espécies para fins medicinais, e, ainda, prover dados visando a descoberta de novos fármacos.

Neste contexto, foi avaliada a toxicidade aguda dos extratos de folhas de

L. tomentosa, L. rigida, C. impressa, Spondias mombin × Spondias tuberosa e Turnera ulmifolia Linn. var. elegans, de acordo com o Acute Toxic Class Method (1997) para teste de dose aguda tóxica (Guideline 423), em ratos Wistar, fêmeas e machos através da estimativa da DL50. Um aspecto a ser

destacado é o fato desta avaliação não ter seguido as normas brasileiras quanto ao número de animais, face à limitação estabelecida no uso de animais em experimentos (ISBRUCKER et al., 2011).

Os resultados experimentais com os extratos de folhas de L. tomentosa,

L. rigida, C. impressa, Spondias mombin × Spondias tuberosa e Turnera ulmifolia Linn. var. elegans não indicaram nenhuma alteração bioquímica,

hematológica e comportamental nos animais.

Na bioprospecção de fitoterápicos, as doses a serem utilizadas em experimentos com animais devem ser suficientes para se observar um possível efeito adverso e estimar a DL50. O uso de uma dose limite de 2000 mg/kg é suficiente para estimar a DL50 e classificar o produto conforme a GHS

(Globally Harmonised System). Em relação à toxicidade oral aguda dos extratos em estudo, os animais receberam doses de 300 mg/kg e 2000 mg/kg, não exibindo nenhum sinal de efeito adverso após 14 dias de observação. De acordo com a GHS, os extratos foram calssificados como de classe 5.

O screening hipocrático é um ensaio de triagem prévia útil para avaliar as atividades fármaco-toxicológicas. Através deste teste, os animais não apresentaram alterações na atividade geral, consciência e, sensibilidade. A necropsia dos animais não evidenciou alterações macroscópicas que justificasse um estudo histopatológico dos órgãos. Uma idêntica situação foi observada quanto às avaliações bioquímicas.

A análise dos parâmetros hematológicos e bioquímicos apresentaram resultados dentro dos limites normais após o tratamento. Isto indicou que os extratos não provocaram nenhum efeito toxico detectável. Assim, a administração oral dos extratos nas diferentes doses não apresentou danos nos órgãos envolvidos na farmacocinética de drogas, o qual foi evidenciado através das análises referentes à função hepática (AST, ALT, GGT, bilirrubinas e proteínas), principal órgão de biotransformação, e à função renal (creatinina e ureia), principal órgão excretor, assim como nas análises do metabolismo basal (glicose, triglicerídeos e amilase). Os resultados experimentais estão em consonância com a teoria dos órgãos alvo da toxicidade, quanto à biotransformação de espécies químicas no fígado e na excreção de metabólitos pelos rins (MAPHOSA, MASIKA & MOYO, 2010).

As avaliações in vitro e in vivo são capazes de predizer efeitos adversos em humanos expostos às espécies químicas, sendo importantes ferramentas em estudos toxicológicos. Esta etapa, denominada ensaio de toxicidade pré- clínica, representa ganhos na segurança do uso, e econômicos no desenvolvimento de novos fármacos (OLSON et al., 2000; FUCHS et al., 2012;).

Estudos de atividade farmacológica têm evidenciado o potencial terapêutico de diversas espécies (BRITO et al., 2012; NETO et al., 2013; FEITOSA, XAVIER E RANDAU, 2012; SILVA, G. A. et al., 2012; SILVA, J. B. N.

F. et al., 2012; SZEWCZYK E ZIDORN, 2014). Contudo, poucos são aqueles mostrando o potencial toxicológico. (NETO et al., 2013; SILVA et al., 2014; SZEWCZYK E ZIDORN, 2014).

Neste sentido, destaca-se a avaliação da letalidade frente a A. salina do extrato de folhas de Spondias mombin×Spondias tuberosa, o qual não indicou toxicidade nas condições experimentais, conforme descrito por Silva et al. (2012). Diferentemente, as folhas de L. rigida estão associadas a efeitos tóxicos observados em ruminantes (SCHONS et al., 2012). Todavia, não há ensaios toxicológicos padronizados para as espécies em estudo, os quais possibilitem a segurança do uso dessas espécies.

A avaliação da toxicidade deve ser determinada para garantir a segurança no uso medicinal das espécies em estudo, face ao indiscriminado emprego pela medicina popular. Para isto, há necessidade de estabelecer a identidade química de qualquer espécie.

Assim, para determinar a toxicidade, os extratos foram estudados quanto a sua fitocomposição através da quantificação de fenólicos totais e a identificação e quantificação do composto majoritário. Esta análise estabeleceu os extratos como fontes de compostos fenólicos, ácido gálico, o composto majoritário presente no extrato de C. impressa Prance, e flavonoides-3-O- glicosilados, como a rutina presente no extrato de S. mombin×S. tuberosa, além de flavonoides não identificados nos extratos deT. ulmifolia Linn. var.

elegans, L. tomentosa e L. rigida. Diversos estudos já indicaram a presença de

compostos fenólicos e flavonoides nesses extratos, bem como a sua relação com a atividade farmacológica, que é atribuída a essas espécies pelo uso popular (BRITO et al., 2012; FEITOSA, XAVIER & RANDAU, 2012; SILVA, G. A. et al., 2012; SILVA, J. B. N. F. et al., 2012; SZEWCZYK E ZIDORN, 2014).

Portanto, a avaliação de toxicidade aguda é necessária para verificar e classificar as substâncias quanto a sua capacidade de provocar danos agudos aos organismos vivos, em altas doses, especialmente no que se refere a injúrias anátomo-patológicas e letalidade. Isto pode oferecer uma contribuição para estabelecer parâmetros de segurança - juntamente com outros dados de

toxicidade - para a saúde humana (PAIXÃO MAIOLI, 2014). Quanto a vegetais, esta avaliaçao é útil para identificar a toxicidade que uma planta possa apresentar para minimizar o equívoco popular em acreditar que produtos naturais são desprovidos de efeitos tóxicos ou adversos.

As espécies estudadas neste trabalho são amplamente utilizadas pela população, havendo avaliações armacológicas escassas no referente aos riscos da administração por via oral. A estimativa da segurança dos medicamentos e de produtos vegetais por via oral é realizada em modelo animal, mimetizando uma situação de uso e/ou exposição humana. Uma ótima correlação tem estabelecida entre roedores (ratos ou camundongos) e o homem, pois a administração de doses elevadas ou limites, assim como aquelas próximas, às de uso humano em animais experimentais fornece resultados válidos na investigação de efeitos agudos tóxicos (TUROLLA & NASCIMENTO, 2006).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos resultados experimentais quanto à fitocomposição, atividades biológicas in vitro e ex vivo, e a avaliação da toxicidade aguda pode-se concluir que:

1. A rutina foi caracterizada como o composto majoritário nos extratos e fração rica em flavonoides de Spondias mombin×Spondias tuberosa;

2. O ácido gálico foi identificado como composto majoritário no extrato de C.

impressa, primeiro relato de identificação de composto químico descrito

para este gênero;

3. Os flavonóis-3-O-glicosilados foram caracterizados como a classe de compostos majoritários em L. tomentosa, L. rigida e Turnera ulmifolia Linn. var. elegans;

4. O método análitico desenvolvido e validado se mostrou eficaz na determinação dos componentes majoritários dos extratos de L. tomentosa,

L. rigida, C. impressa, Spondias mombin × Spondias tuberosa e Turnera ulmifolia Linn. var. elegans;

5. Os extratos aquoso, etanólico e metanólico, e suas frações obtidos de folhas de L. tomentosa, L. rigida, C. impressa, Spondias mombin×Spondias

tuberosa e Turnera ulmifolia Linn. var. elegans, ricos em compostos

fenolicos, apresentaram uma eficiente capacidade antioxidante, demonstrada pelo sequestro do radical DPPH•;

6. A FRF de Spondias mombin×Spondias tuberosa apresentou uma ótima ação antihemolítica e antioxidante e ao inibir a peroxidação lipídica e aumentar o conteúdo da GSH e apresentar alto poder redutor;

7. A atividade antioxidante observada com a FRF de Spondias mombin×Spondias tuberosa deve ser resultado da ação direta da

quercetina e seus glicosilados presentes nesa fração;

8. Os extratos e as frações de Spondias mombin×Spondias tuberosa apresentaram atividade antimicrobiana moderada;

9. Todos os extratos metanólicos de folhas das plantas em estudo não apresentaram toxicidade oral aguda em ratos fêmeas e machos.

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