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P ROFIL SOUS - COMMUNAL GLOBAL ET MESURES ADAPTEES

Dans le document RAPPORT FINAL – 2018 (Page 185-190)

Analyse sous-régionale des conflits territoriaux entre fonctions urbaines et non-urbaines

7 PROFILS SOUS- COMMUNAUX GLOBAUX

7.1 P ROFIL SOUS - COMMUNAL GLOBAL ET MESURES ADAPTEES

Assumindo o risco de antecipar o percurso analítico dos dados, mas o fazendo com base na pesquisa documental que ancorou o capítulo anterior deste TCC, cabe, neste momento, a tentativa de situar a pesquisa como princípio educativo nas abordagens pedagógicas discutidas, a fim de empreender, no campo de pesquisa, ação que considere essa filiação, mas que interaja, dentro das possibilidades experienciadas ao longo da imersão em campo, com a perspectiva histórico-cultural, teoria que fundamenta esta pesquisa e os meus movimentos empreendidos em campo como professora. Como o foco das abordagens pedagógicas tradicionais está voltado para o ensino e considerando que a Rede Municipal de Florianópolis, ao longo dos anos, tem conseguido se distanciar dessa perspectiva, inferimos que a EJA de Florianópolis/SC não está filiada a essa teoria, pois, dentre outras implicações, posiciona-se contrariamente as listas de conteúdos focadas no ensinar:

A lista é um princípio de organização pensado para quem ensina – a sequência é para quem ensina saber o que vem a seguir – e não para quem aprende; o centro focal dado pela pesquisa, ao contrário, é o princípio de organização pensado para quem aprende, no qual o aprendiz controla todo o tempo a sequência do que tem que ser feito, do que vem a seguir. (MÜLLER DE OLIVEIRA, 2004, p. 52).

O foco da pesquisa como princípio educativo parece-nos claramente estar no aprender, e não no ensinar, como nas teorias tradicionais de educação: “Evidentemente que sabemos que o centro focal do processo de aprendizagem é (e sempre será) o próprio aluno, aquele que estabelece as relações no meio da dispersão que é o mundo”. (MÜLLER DE OLIVEIRA, 2004, p.51, grifo do autor). Dessa maneira, quando a EJA – Florianópolis/SC faz uma opção pela pesquisa como princípio educativo, suscita-se uma filiação teórica que se aproxima, no âmbito das abordagens pedagógicas mencionadas

anteriormente, à pedagogia pós-crítica, pois foca no aprender a aprender17 e questiona o que deve ser ensinado sob perspectivas problematizadoras que consideram o multiculturalismo/pluralismo18, nas relações de gênero, no feminismo, nas questões étnicas e raciais, entre outros tópicos ligados ao pós-modernismo, ao pós-estruturalismo, à teoria pós-colonialista e aos Estudos Culturais.

Ao focar na aprendizagem e questionar os saberes historicizados em um mundo teoricamente “disperso”, inferimos que a ancoragem da EJA Florianópolis/SC está, mais marcadamente próxima do pós-modernismo, dado não considerar conteúdo e currículo como delineados aprioristicamente; contrariamente a isso, propõe-se aos estudantes que se ocupem de seus interesses, justamente por questionar aquilo que deve ser ensinado e considerar possível fluidez de saberes, movimento comum ao pós- modernismo:

Dizer que a pesquisa produz um centro significa dizer: um centro provisório. Cada pesquisa em realização ou realizada estabelece um centro, mas um

centro diferente do de outra pesquisa. Naquele momento em que a pesquisa

está acontecendo existe um ponto focal para o qual o conhecimento faz sentido. Quando passamos de uma pesquisa a outra, mudamos o centro – esse centro se desloca, passa a ser outro – mas em todos os momentos temos um

princípio organizador e não uma mera dispersão. (MÜLLER DE

OLIVEIRA, 2004, p.51 e 52, grifos do autor).

Esse centro provisório assume-se como contraposto à existência de um senso de referência daquilo que se ensina, já que o foco está

[...] no aprender e não no ensinar, porquanto parte dos INTERESSES dos próprios agentes do aprendizado, os alunos, colocando o professor num novo papel, o de ASSESSOR do processo de aprendizagem em curso, posição sociológica que reformula a sua posição epistemológica. (MÜLLER DE OLIVEIRA, 2004, p.83, grifos do autor).

Na prática, colocar o professor em segundo plano, como “assessor” de interesses dos estudantes deriva dessa antevista não existência de uma base comum. Assim, contando, os professores da EJA – Florianópolis/SC, com “[...] dois encontros semanais [...] para

17Estamos cientes de implicações, aqui, do escolanovismo, abordagem na qual não pudemos nos

aprofundar para as finalidades deste TCC; logo, estamos tomando o aprender a aprender aqui pelo enfoque da negação do ensino a partir de conteúdos previamente determinados. Refinar essas relações é desafio que se coloca para o Mestrado.

18 Ainda que estejamos cientes das diferenças entre ambos (KALANTZIS; COPE, 2000), essa distinção

planejamento das atividades nos núcleos” (FLORIANÓPOLIS, 2008, p. 8), tal planejamento necessariamente assume-se como uma metodologia desprovida de uma filiação comum, portanto igualmente móvel, fragmentada e solúvel, como a sociedade se configura para as pedagogias pós-críticas.

Indicia-se, pois, uma filiação a fundamentos na pós-modernidade, suscitando, ainda, o que entendemos ser um misto de Escola Nova Popular, de modo que se opõe às teorias tradicionais e foca na aprendizagem19 e de inspiração em Anísio Teixeira, fundamentado em Jonh Dewey20 – apesar de não encontrarmos nenhuma menção aos autores nos documentos que fundamentam a EJA Florianópolis/SC, a posição que valora os saberes de experiência feitos em uma projeção da aprendizagem parece ser uma releitura para pesquisa como princípio educativo.

Considerando o escopo documental da EJA de Florianópolis/SC, parecem convergirem dois movimentos – questão a que voltaremos ao longo dos próximos capítulos deste TCC, com base nos dados das vivências empíricas: escolanovismo, pela projeção da aprendizagem; e abordagens pedagógicas pós-críticas, pela problematização dos conteúdos historicizados no destaque à “dispersão”. Tal convergência desses dois movimentos filiados a diferentes perspectivas tende a suscitar uma movência de filiação teórica e, aparentemente, uma epistemologia difusa. Consequentemente, o planejamento e a metodologia são elaborados, igualmente, em linhas gerais, a partir de um grupo de professores distintos, também, em suas filiações.

19 Em nosso Grupo de Pesquisa, Chraim (2017) abre discussão detalhada sobre essas abordagens. 20 Não referenciamos nenhuma obra específica desses autores porque entendemos que se trata, aqui, de

2 A IMPORTÂNCIA DAS CONCEPÇÕES DE LÍNGUA E DE SUJEITO E

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