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Risques et nuisances

Dans le document Ville de Chartres. Plan Local d Urbanisme (Page 61-72)

IV. Analyse des incidences du PLU sur l’environnement et le paysage

4. Risques et nuisances

Entre as atividades desenvolvidas em campo, programamos uma conversa com os participantes da pesquisa sobre a 30ª Feira do Livro de Caxias do Sul, realizada anualmente no centro da cidade. O tema escolhido para o ano de 2014, "Encontre sua palavra", sugere vasto espaço de reflexão e de interlocuções com a literatura. E a programação, montada pelos organizadores, incluiu o 1º Festival literário e cultural, sendo batizado com o nome de "Entrelinhas".

O grupo optou por fazer uma saída à feira, no dia 3 de outubro de 2014. O roteiro previu ainda uma visita à Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, da Casa da Cultura, para conhecer a Exposição Trintelas, pinturas do artista plástico

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paulistano Antônio Carlos Nicolielo47. Cada participante colaborou no planejamento da atividade de campo, desde a previsão do transporte e horários até o objetivo do "passeio literário". Destaque para o diálogo ocorrido entre os participantes quanto à relação que mantinham com o evento literário da cidade. Henrique conta que nunca visitou uma feira e uma galeria de arte. Mostra-se entusiasmado com o convite. As mulheres narram ter ido à feira, mas não lembram quando. Júlia parece ter uma relação mais intensa. Conta que levou os filhos para conhecerem as estantes da feira noutros anos, que é muito bonito ver a praça cheia de livros e pessoas que gostam da leitura. Registrei no diário de campo as principais observações.

Diário de campo (parte 4) - 10 de outubro de 2014

Fomos à biblioteca, em formato de feira, instalada ao ar livre, no coração da cidade. A 30º Feira do Livro de Caxias do Sul - edição 2014 está imponente. Encontramo-nos numa das esquinas próximas à praça. Todos estão vestidos com roupas diferentes daquelas do cotidiano da escola. As mulheres usam batom, bolsa. A sensação é de que estamos indo para uma festa, expressamos alegria, conversamos de forma descontraída. O encontro com o livro é aguardado. Cada um espia os exemplares espalhados pelas estantes dos livreiros. E logo vem a surpresa. Concluem que há livros à venda a partir de R$ 1,00. O resultado, percebido ao final da visita, é a aquisição de uma quantidade de mais de 10 obras.

Interpretamos que a escolha de alguns dos títulos, para aquisição individual, mantém relação com o gênero e gosto literário dos participantes. Júlia escolheu o romance A culpa é das estrelas, do escritor norte-americano John Green, que conta a história de um paciente terminal, vítima de câncer, com promessa de viver mais alguns anos. Henrique opta pela obra de Luis Augusto Fischer, Bá, Tchê!. Nessa obra, Fischer apresenta uma coleção de palavras e expressões correntes na linguagem do povo do Rio Grande do Sul. Ana também escolhe essa obra de Fischer e outro livro de poesias,

Fósforos, pólvoras e jogos de artifício, da autora Juliane Cassini. E Laura

escolhe o romance Os filhos dos outros, da inglesa Joana Trollope, que aborda os mitos, verdades e dificuldades do cotidiano das famílias modernas. De outro modo, a escolha das obras como um acontecimento literário mostra a relação direta com o repertório que o leitor possui, ou seja, o seu conhecimento de mundo.

A partir da leitura da imagem do folder da exposição Trintelas, Henrique produz outro texto (06/10/2014), no qual compara as imagens do folder (anexo 3) à biblioteca da Escola Municipal Luciano Corsetti e às pessoas participantes da pesquisa de campo:

47 Artista plástico e chargista. É reconhecido no mundo inteiro por transformar a realidade em cores contrastantes. Na exposição Trintelas, o artista evidencia observações do cotidiano, como um casamento caipira, uma viagem de trem, crianças brincando e pessoas em uma biblioteca.

152 Árvore biblioteca. Ela representa a biblioteca do Colégio Luciano Corsetti, que tem praticamente todos os livros que precisamos. Na árvore tem 28 livros. Vinte e oito divididos por quatro dá 7 unidades para cada um dos membros do grupo de pesquisa. As meninas que estão à esquerda da árvore representam nossas colegas mulheres. A menina da direita da árvore, que está usando a sombrinha azul, representa professora de Língua Portuguesa. O senhor que está à direita representa o pesquisador. E a pessoa que está regando a árvore sou eu, o Henrique, que tem mais conhecimento de agricultura, rega a árvore para que cada vez mais aumentem os livros, pois eles trazem cultura, vamos cultivá-los!

A leitura realizada por esse leitor mostra que a imagem do folder apresenta a característica de uma relação. Esse fenômeno se manifesta no texto de Henrique, que vive experiência e construção de sentido, estabelecida e compartilhada com os colegas de pesquisa.

No caminho para a galeria de arte algo inusitado nos acontece, encontramos e conversamos com o escritor Gilmar Marsílio48 (ver imagem 7 do Apêndice 8). O encontro casual acabou sendo oportunidade singular de diálogo significativo sobre as práticas de leitura e escrita. Os participantes contam suas experiências a partir da pesquisa, detalham os sentidos que a leitura e escrita têm na própria vida e no processo de escolarização. Marsílio relata suas práticas de leitura e escrita literária, sua percepção sobre a formação do gosto literário, a importância da biblioteca na formação da pessoa, a escolha dos assuntos que compõem a produção literária, o prazer do texto. O diálogo revela o que pensam, como compartilham a capacidade de comunicação simbólica, produzem e compreendem o texto literário. Segundo Barthes (1980, p. 26), "não restam dúvidas de que é isto a leitura: reescrever o texto da obra dentro do texto de nossas vidas".

A praça, a feira do livro, a galeria municipal de arte, a avenida, o botequim da esquina, os livreiros, os visitantes e transeuntes da praça central, a estação móvel de rádio, o palco cultural, o café, entre tantos outros, são manifestações culturais que, embora aparentemente desconexas, estão interligadas, uma espécie de rede de artefatos culturais que intertextualizam a experiência vivida pelos participantes da pesquisa. Os bens culturais produzidos pela sociedade estão diante dos olhos e do coração das pessoas, uma rede de cultura que se toca pelo olhar sensível das pessoas em movimento.

48 Escritor e filósofo. Publica crônicas em jornais desde 1998. Publicou diversas obras, entre elas a

coletânea Frutos Ardentes (2005). Mora em Caxias do Sul/RS, onde também é coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim.

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O café cultural da praça serve de "estação", de parada obrigatória no percurso literário do dia. Observo que a escolha dos participantes para fazer um registro fotográfico é defronte ao banner (imagem 6 do Apêndice 8), onde se leem as palavras: cor, poesia, abstrato, sentimento, emoção, coração, beleza. Desafiei os participantes a encontrarem suas palavras, mote do banner. Júlia escolheu a palavra beleza, Henrique emoção, Laura sentimento e Ana a palavra poesia.

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