C. Les risques de déficience en vitamine D au cours de la grossesse
1. Les risques pour la mère
Cosme de Torres (1510-1570) foi o primeiro superior da missão do Japão e o que mais tempo permaneceu nessa função107. A particularidade de sua vida se encontra nos registros de suas cartas escritas na Ásia e enviadas aos seus irmãos na Europa. Como nenhum jesuíta dentre os pesquisados no presente trabalho, ele fez nas suas cartas uma longa retrospectiva de sua vida108. Escreveu em algumas delas que antes da sua entrada na Companhia de Jesus vagou pelo mundo a procura de algo “que não sabia” (segundo suas próprias palavras) “tendo sempre resistido”, até que por fim encontrou a tão procurada “quietude de espírito” e contentamento quando fez os Exercícios Espirituais de Loyola e entrou para a Companhia de Jesus. A partir de então, sua vida passou a ser regrada e disciplinada e ele enfim sentiu-se satisfeito.
106 Segundo as palavras de Fróis em FRÓIS, Luis, História de Japam, volume I, Lisboa: Biblioteca
Nacional de Lisboa, 1976 (1597), cap. 1.
107 O mandato dos superiores na China e Japão tem uma média de tempo maior do que as outras
províncias jesuíticas do período (Portugal, Brasil, Goa e Malabar). Ver: COSTA, João Paulo A. Oliveira.
O Cristianismo no Japão e o episcopado de D. Luis Cerqueira. Tese (doutorado em História dos
descobrimentos e da expansão portuguesa) – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, 1998.
108 Tal relato foi feito em pelo menos duas cartas: uma a Ignácio de Loyola, Simon Rodrigues e demais
jesuítas da Europa, escrita em Goa, em janeiro de 1549 e a outra aos jesuítas de Valência, de Yamaguchi, no Japão, em 29 de setembro de 1551. Ambas as cartas estão presentes em: MEDINA, Juan Ruiz de (ed.),
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Cosme de Torres nasceu em 1510, em Valência, na Espanha, e aos vinte e seis anos de idade foi ordenado sacerdote tendo passado a ensinar gramática em Mallorca. No entanto, ele conta que nesse momento de sua vida, seu coração “nunca quietava”, mesmo após voltar a Valência para estudar teologia e cânones.
Encontrou na sua cidade natal um frade franciscano chamado Juan de Torres que o chamou para ir junto dele à Nova Espanha. Cosme aceitou o convite “no sabiendo lo
que me llamava, olvidado de padre e madre e ermanos e parientes e tanbién de la patria”109. Na Nova Espanha passou a ensinar gramática aos frades e “moços da terra”, mas continuava sentindo uma repugnância dentro de si.
Depois de quatro meses foi chamado pelo governador para fazer missa em sua casa, onde ficou por mais quatro anos “com muitos prazeres”, mas sempre querendo outra coisa que não sabia o que, até que, contra a vontade de todos com quem convivia, decidiu embarcar numa armada para as Molucas.
Chegou nelas em 1546, onde conheceu Xavier, que ali pregava. Logo se encantou com o jesuíta, mas ficou pouco tempo com ele, pois partiu no mesmo ano para Goa, onde o bispo lhe deu uma vicaria na qual ficou por quatro meses “sem quietude no coração”. Na época só havia dois padres jesuítas em Goa – Nicolau Lancillotto, reitor do colégio, e Paulo de Carneiro – e Torres os inquiriu por diversas vezes acerca das suas vidas na Companhia. Decidiu fazer os Exercícios Espirituais em 1548, instruído por Lancillotto. Com eles sentiu grande contentamento e paz, mas ao acabá-los teve grandes tentações até que se reencontrou com Xavier que o convidou para ir junto dele ao Japão. Ele não apenas aceitou o convite como decidiu, naquele momento, entrar para a Companhia.
No Japão, depois que Xavier deixou o arquipélago em 1551, Torres ficou responsável pela missão. A descrição que os padres e irmãos da Companhia fazem dele é de um homem extremamente pio e devoto. Fróis na sua História chegou a fazer uma descrição bastante exaltadora dele. Segundo seu relato, Torres sempre comia pouco, jamais se achegava ao fogo “mesmo no frio do Japão”, estava sempre descalço – a não ser que fosse visitar um senhor – e rezava a missa todos os dias, ainda que velho e
109 Cosme de Torres. Carta aos jesuítas de Goa. 29 de setembro de 1551. In: MEDINA, Juan Ruiz de
(ed.), Documentos del Japon 1547-1557, Roma: Instituto Histórico de La Compañia de Jesus, 1990, p. 222.
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enfermo. Era sempre o primeiro a levantar-se e o último a deitar, ajudava os pobres e enfermos e, quando recebia esmolas, as repartia entre todos os cristãos. Além disso, “estava ornado de uma estranha paciência em sofrer injúrias, opróbios e desprezos”110. Os cristãos, por sua vez, tinham grande amor e estima por ele e chegavam a guardar restos de cabelo dele, mesmo sabendo ser proibido.
Quando Torres morreu, em 1570, Fróis relatou que:
Em tanta estima e acatamento era tido de todos que, acabando de o enterrar, não ficou paninho, nem camisa, nem contas, nem outra cousa similhante que não levassem e repartissem em grande número de partes, tendo cada cousa daquellas por relíquia, sem lho poderem deffender, por mais que os padres e irmãos lho proibiam.111
As duas cartas citadas acima que Torres enviou do Japão relatando sua vida foram impressas e extensamente divulgadas e lidas na Europa. Além disso, o fato de uma pessoa, descrita como tão pia e devota, fazer a descrição de sua vida afirmando ter tido no passado tanta inquietação e desgosto de si mesmo e só ter encontrado paz na Companhia de Jesus servia, claramente, como propaganda da mesma.
Tais cartas também serviam como propaganda da missão japonesa. Uma vez que o cenário das missões era definido pelas personagens que nelas se localizavam (tanto missionários, quanto infiéis ou pagãos), assim como pelas relações geradas a partir deste encontro, o fato de um padre tão admirável quanto Torres trabalhar nela e ainda ser tão amado pelos cristãos conversos engrandece consideravelmente tal missão.