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5. RISK MANAGEMENT AT THE OPERATIONAL LEVEL

5.2. Risk assessment process

5.2.3. Risk evaluation

A extensão para a qual as tecnologias digitais impactarão o sistema democrático, no longo prazo, vai depender da forma como os cidadãos se comportam no ciberespaço (NORRIS, 2001). A motivação e o interesse pessoal são os principais motores de acesso à Internet, mídia de escolha por excelência – ressalta Norris (2001). Assim, no ciberespaço os indivíduos optam pelos canais de informação e entretenimento que, a priori, mais lhes apraz. Neste sentido – observa – não se pode esperar que o acesso à Internet modifique comportamentos políticos, tornando ativistas os cidadãos apáticos, uma vez que os valores sociais e políticos são conformados pelos processos de socialização ocorridos desde a infância, em instituições como a família, a escola, a igreja e, a posteriori, no local de trabalho (NORRIS, 2001). Dessa forma, no curto prazo – raciocina Norris – é mais provável que a Internet funcione para reforçar as atividades dos grupos tradicionalmente engajados.

Por outro lado, a democratização dos custos da informação, produção e distribuição de conteúdo político na Internet – observa Norris – favorece à proliferação de contra-públicos como organizações e movimentos sociais com

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valores pós-materialistas – grupos ambientalistas, de defesa de direitos humanos, étnico-raciais – que podem influenciar a esfera pública virtual, contribuindo para a desestabilização dos valores tradicionais. Este seria, no longo prazo, o segundo efeito da hipótese de participação, anteriormente referida, isto é, além do reforço, a mobilização de grupos excluídos do mainstream político (NORRIS, 2001).

Em um modelo de engajamento cívico proposto por Norris (2001), o ativismo on-line dependeria da estrutura de oportunidades disponibilizadas virtualmente pelo sistema político (ex. ferramentas de governo eletrônico, fóruns de discussão e deliberação etc.), como resultado do ambiente econômico, tecnológico e social de cada sociedade, e das motivações e recursos individuais (renda, educação, ocupação etc.). Nesse sentido, ela afirma que é importante investigar se, no universo virtual, esses condicionantes mobilizam as pessoas da mesma forma que na participação tradicional, levando-as a seguir notícias de campanhas, fazer contatos políticos e participar de salas de discussão, por exemplo. Além disso – afirma – é preciso avaliar o impacto das tecnologias nos custos e benefícios do engajamento cívico.

No Modelo de Voluntarismo Cívico de Verba, Schlozman e Brady (1995), as competências individuais necessárias à participação convencional foram descritas como tempo, dinheiro, habilidades cívicas36 e redes de recrutamento. Os estudiosos

chegaram a esta conclusão partindo do princípio de que os inativos não participam porque não podem (falta de recursos), não querem (motivações subjetivas) ou não foram convidados (estão foram do alcance de grupos de mobilização).

No entanto, no ativismo on-line, segundo Best e Krueger (2005), outros recursos são requeridos. Isso porque, as novas tecnologias superaram os limites de tempo e espaço, promovendo profundas alterações nos mecanismos de participação (BEST; KRUEGER, 2005; BIMBER, 2003). Em lugar de se comunicar através de carta com um gabinete oficial, por exemplo, qualquer cidadão pode encaminhar um e-mail e acompanhar em tempo real a votação de um projeto, exercendo pressão direta sobre os representantes (BIMBER, 2003; PARISER, 2008), inclusive, para além de fronteiras geográficas, dentro de um espaço de tempo muito curto.

36Verba, Schlozman e Brady (1995, p. 271) definem habilidades cívicas como as “habilidades de comunicação e organização que facilitam a participação”.

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É incrível quando se lembra que há 100 anos, os representantes seriam eleitos para o Congresso e você não teria ouvido falar deles por seis meses, porque eles foram para Washington e você tinha uma capacidade de comunicação mínima com eles. Agora lidamos com os votos em tempo real: ‘Ok, o meu representante fez isso, não gosto muito, e vou pressioná-lo a fazer isso agora. Então, quando houver outro voto em doze horas, talvez ele tenha ajustado o curso’. (PARISER, 2008, p. 24, tradução nossa)37.

Krueger (2002) e Best e Krueger (2005) também afirmam que as competências cívicas não exercem tanta influência no universo on-line, onde a habilidade de navegação é mais importante. Por isso, a hipótese de que a participação on-line apenas reforça o repertório dos indivíduos tradicionalmente engajados é refutada por esses autores. Para eles, essa perspectiva se baseia na falsa premissa de que os recursos necessários à participação tradicional (tempo, dinheiro e habilidades cívicas) (VERBA; SCHLOZMAN; BRADY, 1995) podem guiar o ativismo no ciberespaço.

Segundo Best e Krueger (2005) e Krueger (2002), para a participação on-line a habilidade de navegação na Internet e o interesse político, respectivamente, são os dois condicionantes mais importantes. Pesquisas desenvolvidas na Espanha (ANDUIZA; GALLEGO; CANTIJOCH, 2010) e na Inglaterra (DI GENNARO; DUTTON, 2006), confirmaram esses resultados, concluindo que as competências tradicionais facilitam o acesso à Internet, mas não a web participação, para a qual, segundo Anduiza, Gallego e Cantijoch (2010), o conhecimento da tecnologia e a habilidade de navegação importam mais. Mas o efeito desses recursos – afirmam – depende em alguma extensão do repertório de participação e do contexto político (ANDUIZA; GALLEGO; CANTIJOCH, 2010).

Todavia, Best e Krueger (2005) e Krueger (2002) admitem que sem o acesso universal a Internet continua a reforçar a participação política dos cidadãos tradicionalmente engajados (os mais abastados e mais escolarizados). Isso porque - explicam – são eles também os detentores dos recursos necessários ao ativismo on- line, num quadro de exclusão digital. Neste sentido, Anduiza, Gallego e Cantijoch (2010) afirmam que será necessário aguardar algum tempo para observar se, num

37“It’s amazing when you remember that 100 years ago, representatives would get elected to Congress and you wouldn’t hear from them for six months because because they went off to Washington and you had minimal communication ability. Now we deal with votes in real time: “Ok, my representative did this thing I really don’t like, so I’m going to whack him for it right now. So that when there is another vote in twelve hours, maybe he will have adjusted course”

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contexto em que o acesso à Internet se torne mais disseminado, a escolaridade e a renda persistirão como condicionantes indiretos de uso da rede e, só então, avaliar o potencial de equidade da web participação (ANDUIZA; GALLEGO; CANTIJOCH, 2010).

Para Barber (2006), porém, a universalização do acesso não resolverá o problema. A educação, segundo ele, é uma barreira que aprofunda as desigualdades de uso da Internet, inviabilizando o seu potencial democrático (BARBER, 2009). Na mesma linha, Eisenberg (2003) concluiu que a Internet é tão excludente quanto a mídia impressa por requerer altas capacidades cognitivas dos usuários. Sob tal aspecto, estudo empírico da autora (SANTANA, 2017), sobre participação eleitoral, em Salvador, confirma a escolaridade como principal variável condicionante de web participação, tema que será retomado no Capítulo 7. Também em Salvador, investigando organizações da sociedade civil, Borges (2017, 2013) concluiu que no ambiente on-line há um entrelaçamento entre as habilidades de informar, comunicar e manejar as ferramentas digitais, sintetizadas num conjunto de competências que ela denominou de infocomunicacionais.

4.5 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO

As transformações processadas nos sistemas tradicionais de comunicação suscitaram o debate sobre a viabilidade de uma democracia digital, caracterizada pelo uso das ferramentas da Internet para incrementar a participação, em consonância com os diversos modelos normativos de democracia. No bojo dessa discussão estão desde agentes públicos até radicais libertários que vislumbram uma democracia direta, baseada na possibilidade de comunicação horizontal, de indivíduo para indivíduo, em tempo real, oferecida pelas tecnologias digitais.

A partir desta perspectiva, uma segunda discussão ganhou corpo, realimentando um debate clássico da Ciência Política sobre o conceito de participação: participação mediada pela Internet é participação? Alguns críticos assinalam o caráter privatista e individualista da web participação, com as discussões reduzidas a ambientes de like-mindeds (BARBER, 2006; PAPACHARISSI, 2010, 2009). Eles alegam que a democracia requer um espaço comum de debate, diversidade e pluralidade de ideias, que não é oferecido pelos canais privados e individuais de participação digital (BARBER, 2006).

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Por outro lado, as ferramentas da Internet são vistas como capazes de incluir segmentos alijados do mainstream político. Nesse sentido, discute-se, também, se a web participação é um fenômeno multidimensional à maneira da participação presencial, com novos estudos empíricos comprovando que sim (GIBSON; CANTIJOCH, 2013; RIBEIRO; BORBA; HANSEN et al., 2016; SANTANA, 2017).

Na sequência deste debate, uma outra questão ganhou importância à medida que a Internet se transformou num espaço privilegiado da política contemporânea (CHADWICK; HOWARD, 2009): quais são os condicionantes da participação política on-line? Vários estudos empíricos têm se debruçado sobre o tema sem um consenso até aqui. Todavia, sabe-se que as ferramentas da Internet causaram enorme impacto nos recursos necessários à participação presencial, como tempo e dinheiro. Este assunto será tema da segunda parte deste estudo, iniciada a seguir, quando serão analisados os condicionantes da participação eleitoral, com base em pesquisa de campo da autora.

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PARTE II

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