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5. GMI Working Group Sessions

5.4 Ring trials and quality assurance (Working Group 4)

De forma geral, e com maior proeminência na Europa, o surgimento do sistema de impressão criou as bases para a produção de jornais e auxiliou na caracterização do jornalismo como uma atividade de coleta e transmissão de notícias ao longo dos séculos.

(...) ele também serviu para lançar como ‘pedra fundamental’ do jornalismo como instituição social. Este conjunto de transformações tecnológicas e sociais relatadas, aliadas a bases econômicas de produção e circulação de jornais e a uma maior importância e influência que seus conteúdos trouxeram a vida política, fizeram com que o jornalismo ganhasse gradativamente uma corporificação social para além de mero ofício. Assim, o jornalismo cria e passa a operar com diversos laços sociais, como a periodicidade, a simultaneidade, a identidade e a unidade entre leitores, aspectos vinculados a uma atividade social que se torna instituição (FRANCISCATO, 2005, p. 33).

Além dos fatores tecnológicos, a liberdade, por meio da conquista de direitos fundamentais, e a democracia, como nova forma de governo, foram fatores decisivos para a constituição dessa nova instituição nesta paisagem, os jornais passaram a ser reconhecidos como um meio de denunciar as mazelas e injustiças sociais. Traquina (2005) salienta que muitos fatores sociais colaboraram para a expansão do jornalismo, sobretudo a escolarização da sociedade e o processo de urbanização, intensificou o crescimento do que seriam as futuras metrópoles.

O jornalismo passou a ser visto como um aliado da democracia, ao mesmo tempo em que passou a ser considerado como o Quarto Poder (SODRÉ, 1966). Para maior percepção do fenômeno, iremos estabelecer as bases e articulações entre fatores econômicos, sociais e culturais que propiciaram a do jornalismo como uma instituição social. Em nossa abordagem, daremos ênfase ao século XIX, pois, segundo diversos autores, este seria o cenário em que as condições para a emergência de um especializado e crescente “campo de produção discursiva”, o jornalismo, teria de fato surgido com a formação de agentes, valores e normas discursivas como constata (CHALABY, 1996).

O jornalismo como conhecemos hoje na sociedade democrática tem suas raízes no século XIX. Foi durante o século XIX que se verificou o desenvolvimento do primeiro mass media, a imprensa. A vertiginosa expansão dos jornais no século XIX permitiu a criação de novos empregos neles; um número crescente de pessoas dedica-se integralmente a uma atividade que, durante as décadas do século XIX, ganhou um novo objetivo – fornecer informação e não propaganda (TRAQUINA, 2012, p. 34).

Esse conjunto de mudanças no final do século XIX e início do século XX transformaram as relações internas dentro das redações. A introdução de máquinas mais rápidas para reunir e produzir as notícias resultou na constituição de um ambiente de trabalho em que “a nova ordem da velocidade esteve acima de tudo”. Ao mesmo tempo, como destaca Salcetti (1995), a aceleração da velocidade na produção resultou na divisão e especialização do trabalho nos jornais.

O desenvolvimento tecnológico e o surgimento de técnicas de produção e organização social durante as “revoluções” científicas e industriais, nos séculos XVII a XIX, promoveram as bases para um conjunto de transformações nas sociedades ocidentais com impacto direto sobre o controle do tempo e o deslocamento no espaço. A evolução nos transportes, a melhoria das condições de estradas e a invenção de veículos promoveram a redução do tempo de circulação de bens de consumo e pessoas. Por outro lado, as transformações nos sistemas de transmissão de informação ampliaram a velocidade e a quantidade de dados em circulação, assim como foram introduzidos mecanismos para melhor difusão de informação como serviços de correio, telégrafo e, posteriormente, o telefone, artigos esses, que posteriormente seriam fundamentais para a prática jornalística e que dariam um novo ritmo à profissão, como demonstra a bibliografia especializada da área.

O século XIX pode ser considerado como o período da história de maior importância para a imprensa, já que foi quando o jornalismo se expandiu, transformando-se em um negócio lucrativo e rentável, conseguindo assim sua independência econômica em relação aos subsídios políticos que dominavam a imprensa em seus primórdios (TRAQUINA, 2001). A consolidação do jornal como fenômeno de massa, a partir das grandes concentrações urbanas no século XIX e da Revolução Industrial, é indicativa da afinidade entre o jornalismo e a evolução técnica dos meios.

As últimas décadas do século XIX e o início do XX foram cruciais para a constituição de padrões e a institucionalização de algumas práticas na atividade jornalística, seja por meio do desenvolvimento de técnicas, como a entrevista jornalística e a emergência do repórter SHUDSON e SALCETTI (1995), seja pela assimilação e aplicação de inovações

técnicas para a profissão, tais como o linotipo e a máquina de escrever, que por muito tempo foi símbolo de uma geração e de um jeito de fazer jornalismo.

A influência das inovações tecnológicas não se limitou à utilização de novas ferramentas e a aplicação prática na construção das notícias. Ela se estendeu à estrutura de organização, direção e produção, e atingiu, especialmente, o conteúdo dos jornais e sua disposição interna, que começou a exigir uma gama variada de competências, fruto da divisão do trabalho e da especialização do jornalista.

As práticas e os processos jornalísticos em torno da proliferação de funções profissionais nas redações se ampliariam drasticamente a partir dos anos 1890, ainda que limitados aos mais importantes periódicos em termos de difusão. Os jornais passarão a se constituir como verdadeiras fábricas de notícias, tal o nível de estruturação administrativa, política e econômica que conseguiram atingir (BARBOSA, 2007, p. 66).

Nesse período, houve um intenso desenvolvimento de gêneros jornalísticos, ocasionado pelos movimentos internos à atividade. A entrevista é um exemplo disso, pois surgiu em meados do século XIX e ficou institucionalizada como prática social e forma literária. Ela também se tornou uma maneira do repórter exercer sua autonomia profissional, e sua autoridade perante o público.

O aparecimento da entrevista jornalística coincide com o surgimento do repórter como um trabalhador relativamente autônomo que, de forma autoconsciente, alcança uma identidade ocupacional (...) Outras mudanças profissionais na produção noticiosa ocorreram na mesma época (...) Cronologicamente, as notícias deram lugar ao lead sumário e a estrutura da pirâmide invertida, que exigiram do repórter fazer um julgamento sobre qual aspecto do evento coberto importava mais. (...) Nestes casos, jornalistas demonstravam a si mesmo serem não retransmissores de documentos e mensagens, mas intérpretes legítimos das notícias, hábeis para escrever não somente sobre o que eles, como qualquer outro observador, podem ver e ouvir, mas também sobre o que não é ouvido, visto ou é intencionalmente omitido. O lead sumário e a entrevista ampliaram o campo de ação e a esfera de descrição dos repórteres. Eles ajudaram a fazer do repórter um tipo público visível, mesmo ocasionalmente uma celebridade, por todo o século (SHUDSON, 1995, p. 91-2 apud FRANCISCATO, 2005, p. 96)

Essas transformações ocorridas do século XVIII ao XX criaram uma organização da atividade e modificaram gradativamente as relações e o processo de produção interno das redações. O que resultou na profissionalização do jornalismo e especialização do trabalho nos jornais. As mudanças fizeram com que a atividade, que se iniciou de forma panfletária com discussões político-literárias, começasse a se constituir e organizar-se como grande empresa, onde a informação passa a ser uma mercadoria, com alto valor de troca.

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