PARTIE IV : DONNEES COMPTABLES
III- P RINCIPES ET METHODES COMPTABLES CONSOLIDES UTILISEES PAR DOUJA PROMOTION
Cloutier (2003) observa em seu estudo que, para alguns pesquisadores, o processo de inovação social é parte integrante da própria inovação social. Em outras palavras, a forma como as soluções são criadas e implementadas, o seu processo, é tão importante para determinar se é uma inovação social quanto a natureza inovadora da solução proposta e seus objetivos. Assim, para ser considerada inovação social, o processo que gerou a solução deve atender a certos requisitos que se enquadram em duas categorias principais: 1) diversidade de atores e, 2) participação do usuário. Ou seja, para a autora o processo deve envolver a cocriação das ações com todos os envolvidos, do criador ao receptor.
Mulgan et al. (2007), ao descreverem como as inovações acontecem, apresentam um modelo de processo composto por quatro etapas, conforme ilustra a Figura 6. O ponto de partida para a inovação é a consciência de uma necessidade que não está sendo atendida e uma ideia de como ela pode ser atendida para relacionar estas necessidades com novas possibilidades. Com relação à primeira etapa, Lettice e Parekh (2010) acrescentam a necessidade de usar a visão periférica, no sentido de perceber ameaças e oportunidades de fontes inesperadas e captar os sinais referentes às necessidades que estão emergindo das periferias. Em síntese, identificar abordagens e tecnologias emergentes e como estas poderiam ser aproveitadas para aliviar os problemas sociais.
Na sequência, destacam-se as ideias promissoras para testá-las na prática. Nesta segunda etapa, será possível verificar a adequação e realizar ajustes na ideia testada. Pesquisas de mercado podem ajudar, mas o resultado será mais efetivo se for feito uso de um protótipo ou um projeto piloto. A etapa seguinte acontece quando há percepção da adequação e utilidade da ideia praticada e, então, organizam-se os recursos e ferramentas necessários para sua replicação ou crescimento. A disseminação da inovação social, segundo os autores deste processo, ocorre em 3 etapas: uma fase inicial de crescimento lento entre um pequeno grupo de
apoiadores comprometidos, então uma fase de decolagem rápida e, em seguida, uma desaceleração à medida que a saturação e a maturidade são alcançadas (MULGAN et al., 2007). As inovações continuam a mudar através de um quarto estágio: aprendizagem e adaptação. Esta fase envolve a consolidação em torno de alguns princípios fundamentais que podem ser facilmente comunicados. Então, à medida que a ideia é implementada em novos contextos, ela evolui ainda mais (MULGAN et al., 2007).
Figura 6 - Processo de inovação social segundo Mulgan et al.
Fonte: Mulgan et al. (2007).
Dentre as características que permeiam este processo ao longo da implementação da inovação social, Mulgan et al. (2007) observam que é comum que sejam precocemente implementadas em função do alto grau de motivação dos atores envolvidos e da morosidade de se contar com apoio do governo ou de outros profissionais. Desenvolver uma abordagem mais reflexiva e ter a capacidade e a paciência necessárias para enfrentar desafios complexos e sistêmicos pode contribuir na redução de problemas resultantes da velocidade com a qual se implementa ou se deseja implementar a inovação social (LETTICE; PAREKH, 2010).
Para que seja possível a implementação, continuidade e evolução da inovação social, o contexto no qual elas ocorrem exerce papel importante, o apoio de órgãos públicos com contratos, comissões ou financiamentos. Da mesma forma as condições financeiras, de liderança e gestão da inovação social, de comunicação e flexibilidade de atuação em diferentes setores influenciam neste processo (MULGAN et al., 2007).
Caulier-Grice et al. (2012) propõem um modelo de processo da inovação social disposto em seis estágios, apresentados na Figura 7. Para os autores, a primeira etapa de qualquer inovação social envolve prompts (alertas) que destacam a necessidade de inovação.
Eles podem surgir sob a forma de mudanças inesperadas no ambiente externo imediato, por exemplo, uma súbita crise ambiental ou política, ou ainda serem oriundos de novas evidências, dados ou pesquisas disponibilizadas na comunidade científica, sobre mudanças em políticas, no ambiente ou na sociedade. A segunda etapa envolve a geração de uma nova ideia que fornece uma solução para a necessidade identificada, seguida da etapa na qual as ideias são testadas e sofrem adaptações conforme a experiência transcorre. A quarta etapa transforma os protótipos ou pilotos que tenham se mostrado efetivos, em práticas que podem ser sustentadas e, na etapa seguinte, possam ser difundidas e praticadas em outras localidades.
Fonte: Caulier-Grice et al. (2012).
Por fim, a última etapa do modelo de processo proposto por Caulier-Grice et al. (2012) é considerada o objetivo final de uma inovação social: a mudança sistêmica. Ela envolve interação complexa entre cultura, comportamento do consumidor, prática comercial, legislação e política. Exige que haja incentivos suficientes para que os operadores históricos mudem suas práticas e comportamentos. Por esse motivo, as mudanças sistêmicas são mais propensas a acompanhar períodos de agitação ou crise do que tempos de estabilidade. Apesar de defenderem este modelo composto de seis estágios, os autores ressaltam que não é necessário que as inovações sociais passem por todos eles, pois algumas podem não ter a pretensão de crescer, e sim, foram feitas exclusivamente para uma localidade específica (CAULIER-GRICE et al., 2012).
Lettice e Parekh (2010) destacam dentre os desafios do processo, o fato de pensar no problema a partir de diferentes óticas e superar as dificuldades como o principal deles. Além deste, a compreensão e atuação com a complexidade relacionada a qualquer mudança de sistemas; a superação das resistências dos demais envolvidos; a abertura e o apoio no estabelecimento do networking da inovação social também são desafios a serem enfrentados.